Mercado accionista: adágios, mitos e lendas
1 Mensagem
|Página 1 de 1
Mercado accionista: adágios, mitos e lendas
Mercado accionista: adágios, mitos e lendas
Desde que existem registos sobre a evolução dos mercados accionistas, diversos estudiosos e curiosos se têm dedicado à análise dos seus padrões de comportamento, no sentido de antecipar tendências e eventualmente tirar proveito da sua evolução esperada.
Teoricamente, as cotações das empresas deveriam resultar essencialmente de toda a informação disponível sobre as mesmas (evolução dos resultados, solidez do negócio, etc.), factores incertos por natureza, sendo mesmo impossível prevê-los com exactidão.
No entanto, certos padrões sazonais parecem estar presentes no comportamento dos investidores, levando a que certos dias ou meses tenham sido no passado mais rentáveis do que outros. Estes padrões têm sido abundantemente citados ao longo dos anos, o que torna a sua eventual persistência algo paradoxal e difícil de explicar. Vamos hoje recordar alguns dos padrões mais conhecidos. Os exemplos baseiam-se no mercado norte-americano, mas são verificados em muitos outros mercados a nível mundial.
Efeito “viragem do mês”
Analisando a evolução do índice de referência do mercado norte-americano (S&P 500) desde 1950, verificamos que a rendibilidade média diária tende a ser mais elevada nos dias imediatamente anteriores e posteriores à entrada de um novo mês. Vários outros estudos têm comprovado que este mesmo efeito se verifica em diferentes períodos históricos, e em diferentes mercados accionistas.
Com efeito, nos últimos 57 anos, cerca de 88% dos ganhos mensais se concentraram em média nos primeiros 6 dias e nos últimos 4 dias de cada mês. Teoricamente, seria possível investir apenas nestes 10 dias no mercado accionista, investindo nos restantes dias do mês num activo sem risco, melhorando a rendibilidade final do investimento.
Esta tendência tem sido atribuída ao maior fluxo de investimentos no final e princípio de cada mês (pelo pagamento de ordenados ou de dividendos, por exemplo). No entanto, a quantidade de acções transaccionadas não regista em média grandes oscilações ao longo do mês, o que parece contradizer a explicação tradicional.
Efeito segunda-feira
Outro dos padrões bolsistas indica que as segundas-feiras são, em média, o dia com rendibilidade mais baixa (e mesmo negativa).
A manter-se este padrão, seria teoricamente possível melhorar a rendibilidade final do investimento investindo no fecho das sessões de segunda-feira e vendendo no final das sessões de sexta-feira.
Esta tendência tem sido atribuída ao acumular de notícias negativas no fim-de-semana, ou ao pessimismo com que os investidores enfrentam o início de mais uma semana.
Efeito Janeiro e o Santa Claus Rally
Estes efeitos traduzem a obtenção histórica de rendibilidades acima da média durante o mês de Janeiro e nos 5 dias anteriores e 2 dias posteriores ao ano novo, em especial nas empresas de pequena e média capitalização.
Por razões fiscais (dedução de menos-valias no IRS), alguns investidores tendem a vender acções no final do ano, voltando a comprar essas mesmas acções no início do mês de Janeiro, fazendo subir o seu preço, em particular nas empresas de pequena capitalização bolsista.
Da mesma forma, outros investidores optam por vender acções com mais-valias apenas no início do ano (para adiar o efeito fiscal), tendo a pontual escassez de oferta de acções no mercado o efeito de subir os preços.
Por outro lado, os Fundos de Pensões (tal como os PPR) reforçam o seu investimento nos mercados accionistas em Janeiro, uma vez que os participantes concentram habitualmente os seus reforços no final de Dezembro.
O comportamento do mercado em Janeiro é igualmente considerado como um bom “barómetro” para o que vai acontecer no resto do ano. Se analisarmos os últimos 35 anos, o desempenho do mercado em Janeiro registou a mesma tendência (positiva ou negativa) que se veio a verificar para a totalidade do ano, em 77% dos casos.
Tem sido também identificada a tendência de retornos inferiores nos meses de Maio a Outubro. Este padrão é habitualmente designado por “Vender em Maio” ou “Efeito Halloween”, significando que os investidores deveriam teoricamente vender as suas acções em Maio e regressar depois do Halloween (dia das bruxas), uma tradição celebrada anualmente a 31 de Outubro.
No entanto, um estudo recente demonstrou que esta tendência é quase insignificante se excluirmos observações extremas (como a crise russa de Agosto de 1998 ou a forte correcção de Wall Street em Outubro de 1987).
Efeitos para todos os gostos
A imaginação parece ser o limite, quando se procuram identificar padrões nos mercados accionistas. Aqui ficam alguns dos mais curiosos:
• Acções individuais: um estudo recente revelou a tendência para que o padrão de comportamento de uma acção num determinado mês se reproduza no mesmo mês dos anos seguintes;
• Eventos desportivos: outro estudo revelou a tendência para a valorização do mercado dos EUA entre os 3 dias que antecedem a final do campeonato de futebol americano (Super Bowl) e os 3 dias seguintes. O mesmo efeito foi já estudado para diversos outros eventos desportivos, como a final do Campeonato do Mundo de futebol (uma vez mais verificado este ano, com o mercado accionista italiano);
• Ciclo presidencial: tem sido demonstrado que, nos últimos 50 anos, o 3º ano do mandato presidencial nos EUA é o gera melhores rendibilidades para o mercado accionista norte-americano, sendo o 1º ano do mandato o menos favorável.
• Ciclo lunar: um estudo mais “exótico” mediu retornos acima da média durante e em especial depois da Lua Nova.
Existem excepções para todas as “regras”
Os padrões atrás identificados devem ser tomados com uma “pitada de sal”, uma vez que são médias calculadas para prazos muito alargados (57 anos nos exemplos apresentados), não sendo naturalmente verificados todos as semanas, meses ou anos. Basta recordar que a mais recente correcção de mercado se verificou numa “viragem de mês” (de Fevereiro para Março de 2007).
Mesmo que tenha um horizonte temporal alargado, e pretenda basear as suas decisões de compra e venda num ou mais dos padrões sazonais, deverá contabilizar igualmente os custos de transacção (comissões de bolsa) que, se muito frequentes, poderão diminuir a rendibilidade final do investimento.
Por outro lado, as médias evoluem, não sendo possível assumir que os padrões passados se irão reproduzir exactamente da mesma forma no futuro. Aliás, alguns estudos demonstram que muitos dos tradicionais efeitos sazonais têm vindo a esmorecer nos últimos anos.
O escritor Samuel Langhorne Clemens, mais conhecido por Mark Twain, troçou destes adágios (alertando os investidores que seguem cegamente os “mitos de mercado”) no seu famoso e apreciado Calendário Pudd’nhead Wilson’s, de 1894, no qual se podia ler, relativamente ao mês de Outubro:
Outubro
Este é um dos meses particularmente perigosos para especular em acções. Os outros são Julho, Janeiro, Setembro, Abril, Novembro, Maio, Março, Junho, Dezembro, Agosto e Fevereiro.
Mark Twain – The Tragedy of Pudd’nhead Wilson (1894)
O mercado accionista é por natureza incerto, mas é também aquele que produz melhores resultados a longo prazo. Através do ActivoBank7, tem ao seu dispor as soluções e o aconselhamento indispensáveis para que o investimento não se baseie apenas em adágios, mitos e lendas.
ActivoBank7
Desde que existem registos sobre a evolução dos mercados accionistas, diversos estudiosos e curiosos se têm dedicado à análise dos seus padrões de comportamento, no sentido de antecipar tendências e eventualmente tirar proveito da sua evolução esperada.
Teoricamente, as cotações das empresas deveriam resultar essencialmente de toda a informação disponível sobre as mesmas (evolução dos resultados, solidez do negócio, etc.), factores incertos por natureza, sendo mesmo impossível prevê-los com exactidão.
No entanto, certos padrões sazonais parecem estar presentes no comportamento dos investidores, levando a que certos dias ou meses tenham sido no passado mais rentáveis do que outros. Estes padrões têm sido abundantemente citados ao longo dos anos, o que torna a sua eventual persistência algo paradoxal e difícil de explicar. Vamos hoje recordar alguns dos padrões mais conhecidos. Os exemplos baseiam-se no mercado norte-americano, mas são verificados em muitos outros mercados a nível mundial.
Efeito “viragem do mês”
Analisando a evolução do índice de referência do mercado norte-americano (S&P 500) desde 1950, verificamos que a rendibilidade média diária tende a ser mais elevada nos dias imediatamente anteriores e posteriores à entrada de um novo mês. Vários outros estudos têm comprovado que este mesmo efeito se verifica em diferentes períodos históricos, e em diferentes mercados accionistas.
Com efeito, nos últimos 57 anos, cerca de 88% dos ganhos mensais se concentraram em média nos primeiros 6 dias e nos últimos 4 dias de cada mês. Teoricamente, seria possível investir apenas nestes 10 dias no mercado accionista, investindo nos restantes dias do mês num activo sem risco, melhorando a rendibilidade final do investimento.
Esta tendência tem sido atribuída ao maior fluxo de investimentos no final e princípio de cada mês (pelo pagamento de ordenados ou de dividendos, por exemplo). No entanto, a quantidade de acções transaccionadas não regista em média grandes oscilações ao longo do mês, o que parece contradizer a explicação tradicional.
Efeito segunda-feira
Outro dos padrões bolsistas indica que as segundas-feiras são, em média, o dia com rendibilidade mais baixa (e mesmo negativa).
A manter-se este padrão, seria teoricamente possível melhorar a rendibilidade final do investimento investindo no fecho das sessões de segunda-feira e vendendo no final das sessões de sexta-feira.
Esta tendência tem sido atribuída ao acumular de notícias negativas no fim-de-semana, ou ao pessimismo com que os investidores enfrentam o início de mais uma semana.
Efeito Janeiro e o Santa Claus Rally
Estes efeitos traduzem a obtenção histórica de rendibilidades acima da média durante o mês de Janeiro e nos 5 dias anteriores e 2 dias posteriores ao ano novo, em especial nas empresas de pequena e média capitalização.
Por razões fiscais (dedução de menos-valias no IRS), alguns investidores tendem a vender acções no final do ano, voltando a comprar essas mesmas acções no início do mês de Janeiro, fazendo subir o seu preço, em particular nas empresas de pequena capitalização bolsista.
Da mesma forma, outros investidores optam por vender acções com mais-valias apenas no início do ano (para adiar o efeito fiscal), tendo a pontual escassez de oferta de acções no mercado o efeito de subir os preços.
Por outro lado, os Fundos de Pensões (tal como os PPR) reforçam o seu investimento nos mercados accionistas em Janeiro, uma vez que os participantes concentram habitualmente os seus reforços no final de Dezembro.
O comportamento do mercado em Janeiro é igualmente considerado como um bom “barómetro” para o que vai acontecer no resto do ano. Se analisarmos os últimos 35 anos, o desempenho do mercado em Janeiro registou a mesma tendência (positiva ou negativa) que se veio a verificar para a totalidade do ano, em 77% dos casos.
Tem sido também identificada a tendência de retornos inferiores nos meses de Maio a Outubro. Este padrão é habitualmente designado por “Vender em Maio” ou “Efeito Halloween”, significando que os investidores deveriam teoricamente vender as suas acções em Maio e regressar depois do Halloween (dia das bruxas), uma tradição celebrada anualmente a 31 de Outubro.
No entanto, um estudo recente demonstrou que esta tendência é quase insignificante se excluirmos observações extremas (como a crise russa de Agosto de 1998 ou a forte correcção de Wall Street em Outubro de 1987).
Efeitos para todos os gostos
A imaginação parece ser o limite, quando se procuram identificar padrões nos mercados accionistas. Aqui ficam alguns dos mais curiosos:
• Acções individuais: um estudo recente revelou a tendência para que o padrão de comportamento de uma acção num determinado mês se reproduza no mesmo mês dos anos seguintes;
• Eventos desportivos: outro estudo revelou a tendência para a valorização do mercado dos EUA entre os 3 dias que antecedem a final do campeonato de futebol americano (Super Bowl) e os 3 dias seguintes. O mesmo efeito foi já estudado para diversos outros eventos desportivos, como a final do Campeonato do Mundo de futebol (uma vez mais verificado este ano, com o mercado accionista italiano);
• Ciclo presidencial: tem sido demonstrado que, nos últimos 50 anos, o 3º ano do mandato presidencial nos EUA é o gera melhores rendibilidades para o mercado accionista norte-americano, sendo o 1º ano do mandato o menos favorável.
• Ciclo lunar: um estudo mais “exótico” mediu retornos acima da média durante e em especial depois da Lua Nova.
Existem excepções para todas as “regras”
Os padrões atrás identificados devem ser tomados com uma “pitada de sal”, uma vez que são médias calculadas para prazos muito alargados (57 anos nos exemplos apresentados), não sendo naturalmente verificados todos as semanas, meses ou anos. Basta recordar que a mais recente correcção de mercado se verificou numa “viragem de mês” (de Fevereiro para Março de 2007).
Mesmo que tenha um horizonte temporal alargado, e pretenda basear as suas decisões de compra e venda num ou mais dos padrões sazonais, deverá contabilizar igualmente os custos de transacção (comissões de bolsa) que, se muito frequentes, poderão diminuir a rendibilidade final do investimento.
Por outro lado, as médias evoluem, não sendo possível assumir que os padrões passados se irão reproduzir exactamente da mesma forma no futuro. Aliás, alguns estudos demonstram que muitos dos tradicionais efeitos sazonais têm vindo a esmorecer nos últimos anos.
O escritor Samuel Langhorne Clemens, mais conhecido por Mark Twain, troçou destes adágios (alertando os investidores que seguem cegamente os “mitos de mercado”) no seu famoso e apreciado Calendário Pudd’nhead Wilson’s, de 1894, no qual se podia ler, relativamente ao mês de Outubro:
Outubro
Este é um dos meses particularmente perigosos para especular em acções. Os outros são Julho, Janeiro, Setembro, Abril, Novembro, Maio, Março, Junho, Dezembro, Agosto e Fevereiro.
Mark Twain – The Tragedy of Pudd’nhead Wilson (1894)
O mercado accionista é por natureza incerto, mas é também aquele que produz melhores resultados a longo prazo. Através do ActivoBank7, tem ao seu dispor as soluções e o aconselhamento indispensáveis para que o investimento não se baseie apenas em adágios, mitos e lendas.
ActivoBank7
As decisões fáceis podem fazer-nos parecer bons,mas tomar decisões difíceis e assumi-las faz-nos melhores.
- Mensagens: 1700
- Registado: 26/11/2004 23:00
- Localização: Belém-Lisboa
1 Mensagem
|Página 1 de 1
Quem está ligado:
Utilizadores a ver este Fórum: Bing [Bot], Google [Bot], icemetal, MarketGodzilla, Phil2014, TTM62 e 99 visitantes