Jorge Coelho: Mota-Engil só aposta em países com crescimento superior a 5%
17 Abril 2012 | 16:16
Lusa
A redução do endividamento será uma das prioridades da revisão do plano estratégico da Mota-Engil, empresa que tem como "regra" apenas apostar em países com crescimento superior a 5%.
A Mota-Engil tem em curso uma revisão do seu plano estratégico, elaborado em 2008 e que se prolonga até 2013, que deverá estar concluída até ao final do primeiro semestre deste ano.
"As consequências do ponto de vista do funcionamento do sistema financeiro vão ser muito importantes neste ajustamento que estamos a fazer. Tínhamos como pilares a diversificação, a internacionalização, a vertente humana. É óbvio que vai passar para primeiro lugar nos objectivos estratégicos a questão financeira. Temos de encontrar forma de diminuir o nosso endividamento e isso é um dos pontos importantes", afirmou, em entrevista à Lusa, o presidente executivo da Mota-Engil, Jorge Coelho.
Sem querer adiantar que estratégias serão usadas para reduzir o endividamento, o responsável disse que uma das medidas já definida é que os projectos internacionais têm de assegurar o seu financiamento nos locais onde serão concretizados.
Isto porque, explicou, a Mota-Engil tem "uma dívida exagerada no mercado nacional em relação à sua actividade e uma parte dessa dívida tem de ser transferida para a actividade em cada um dos mercados onde está a trabalhar".
"Não podemos olhar para a situação financeira e do sistema financeiro e fingir que não é nada connosco. Eu hoje faço uma pressão muito maior sobre os meus colegas que estão nos vários mercados", disse Jorge Coelho.
O presidente da maior construtora portuguesa disse ainda que já tem também em marcha um plano "brutal" de redução de custos, que começou antes do início da crise.
"Essa coisa que o Governo agora está a fazer de viajar em económica, aqui já toda a gente anda em económica há quatro anos, a começar por mim. Renegociámos contratos de viagens, de seguros, de combustíveis e temos vindo a baixar milhões em custos. Milhões de euros de redução de custos de estrutura anuais que em nada afectaram a actividade da empresa", disse Jorge Coelho, sem nunca avançar valores.
No entanto, a política de incentivos aos trabalhadores mantém-se: "Não acabarei nunca com prémios, apesar de termos os ordenados congelados. Porque temos de remunerar aqueles que mais contribuem para os objectivos da empresa".
No que respeita ao mercado português, sem Obras Públicas à vista, a Mota-Engil está a preparar-se para apostar nas obras de manutenção e reparação de infra-estruturas rodoviárias.
Já no plano da internacionalização, Jorge Coelho explicou que há uma "regra" na Mota-Engil: "Estar em países cujo crescimento do Produto Interno Bruto [PIB] é superior a cinco por cento".
Por isso, acrescentou, o grupo está presente "no México, no Brasil, no Peru, na Colômbia" e tem como "prioridade" para este ano consolidar a sua presença nos mercados onde já opera.
Sobre a actividade no Brasil, Jorge Coelho disse que a aposta do grupo naquele mercado "é firme, foi bem pensada e é para ter futuro", adiantando que nos próximos meses "haverá novidades".
A Mota-Engil já está presente no Brasil na área das concessões rodoviárias e pretende entrar na área da construção.
Sobre a mineração, outra das apostas do grupo, Jorge Coelho disse que a administração desta nova área de negócios está centralizada no Zimbabué.
O presidente da Mota-Engil justificou a escolha com o facto de Zimbabué oferecer a possibilidade de "desenvolver outro tipo de projectos, não só na concessão de minas, como o grupo poder ser concessionário".
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