Mota Engil - Tópico Geral
Re: Mota Engil - Tópico Geral
esquecem-se de mais uma coisa.
FED aumenta as taxas de juro para controlar a inflação.
a IA leva a despedimentos massivos, onde o aumento do desemprego será uma evidência
com as barreiras à entrada fruto da política de emigração de Trump e execução do ICE em aperto aos ilegais, induz na redução da população emigrante que faz os trabalhos que os americanos não querem.
taxas de juro elevadas incrementam o preço do dinheiro
aumento do desemprego leva a crise económica
o conflito no Médio Oriente provocou perdas de infra estruturas que levarão anos a retomar, e o preço do oil e gás vão ficar elevados por muito tempo!
diminuição da actividade económica global
adiamento dos grandes projectos de investimento dos governos a nível mundial
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
NirSup Escreveu:J.f.vieira Escreveu:Mota-Engil – a minha leitura depois dos resultados do 1.º semestre
9.000 M€ de receitas × 4% de margem líquida = aproximadamente 360 M€ de lucro.
Com as atuais 306,8 milhões de ações, seriam cerca de 1,17 € de lucro por ação.
A um PER de 8x, isso corresponderia a aproximadamente 9,40 € por ação.
A 9x, aproximadamente 10,55 €.
A 10x, cerca de 11,70 €.
São números risonhos/floridos. Mas a realidade atual é esta: a Margem Líquida é aproximadamente de 2,55\%.
O que é curto. Muito curto.
E eu não vivo de promessas vãs, mas de certezas.
By Nirvana
.................. ..................... ..................
NirSup, tens razão numa coisa: uma margem líquida atual de cerca de 2,6% é curta. Isso eu não contesto.
Mas penso que estás a misturar duas coisas diferentes. Eu não disse que a Mota-Engil tem hoje uma margem de 4%. Os 4% que utilizei são a meta definida pela própria empresa no FOCUS 2030, e as contas que fiz são precisamente para mostrar quanto poderá valer se essa meta for atingida.
Aliás, no 1.º semestre a margem passou de 2,2% para 2,6%, com o lucro a subir 24% enquanto as receitas cresceram apenas 6%. Ainda está longe dos 4%, concordo, mas a trajetória está a ir no sentido certo.
E para não vivermos nem de números “risonhos” nem de promessas, podemos fazer a conta ao contrário.
Com 9.000 M€ de receitas em 2030:
mantendo uma margem de 2,6%, seriam cerca de 234 M€ de lucro, ou aproximadamente 0,76 € por ação;
com margem de 3%, seriam 270 M€, cerca de 0,88 € por ação;
com os 4% do FOCUS, seriam 360 M€, cerca de 1,17 € por ação.
A um PER de 9x, por exemplo, isso daria aproximadamente 6,86 €, 7,92 € ou 10,55 € por ação, respetivamente.
Portanto, não estou a dizer que os 10 € são uma certeza. Estou a dizer exatamente o contrário: dependem da execução.
Se em 2030 a margem continuar perto dos atuais 2,6%, naturalmente a minha avaliação terá de ser bastante mais baixa. Se chegar aos 4% que a administração colocou como objetivo, então os 10 € deixam de me parecer um número florido, porque corresponderiam a um PER inferior a 9x.
Quanto às “certezas”, aí talvez vejamos a bolsa de maneira diferente. Eu pelo menos não conheço muitas certezas no mercado. O que procuro são probabilidades, evolução dos números e perceber se a empresa está ou não a caminhar na direção que prometeu.
Neste momento temos uma realidade: 2,6% ainda é pouco, mas era 2,2% há um ano e o lucro cresceu 24%.
Agora cabe à Mota-Engil provar que consegue continuar essa evolução. Se não conseguir, também terei de rever as minhas contas.
J.f.vieira
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
J.f.vieira Escreveu:Mota-Engil – a minha leitura depois dos resultados do 1.º semestre
9.000 M€ de receitas × 4% de margem líquida = aproximadamente 360 M€ de lucro.
Com as atuais 306,8 milhões de ações, seriam cerca de 1,17 € de lucro por ação.
A um PER de 8x, isso corresponderia a aproximadamente 9,40 € por ação.
A 9x, aproximadamente 10,55 €.
A 10x, cerca de 11,70 €.
São números risonhos/floridos. Mas a realidade atual é esta: a Margem Líquida é aproximadamente de 2,55\%.
O que é curto. Muito curto.
E eu não vivo de promessas vãs, mas de certezas.
By Nirvana
It’s easy to make money in the stock market. What’s hard is choosing the winning horse. And only he wins the prize
Re: Mota Engil - Tópico Geral
Mota-Engil – a minha leitura depois dos resultados do 1.º semestre
Depois de olhar com mais calma para os resultados, para a carteira de encomendas e para aquilo que está a acontecer à volta da Mota-Engil, continuo a achar que avaliar hoje esta empresa simplesmente como uma construtora é olhar para uma realidade que está a mudar rapidamente.
No primeiro semestre de 2026, a Mota-Engil apresentou 2.898 M€ de volume de negócios, 487 M€ de EBITDA e 74 M€ de lucro atribuível aos acionistas, contra 59 M€ no período homólogo. Ou seja, as receitas cresceram 6%, o EBITDA 10% e o lucro 24%. A margem EBITDA passou de 16% para 17% e a margem líquida de 2,2% para 2,6%. Para mim, isto é importante: os lucros estão a crescer muito mais depressa do que a faturação, o que mostra uma melhoria real da rentabilidade e da qualidade dos negócios que estão a entrar no Grupo.
E estes números foram conseguidos num semestre que esteve longe de ser fácil. Tivemos energia cara, perturbações no transporte através do Estreito de Ormuz, juros elevados e diferenças cambiais desfavoráveis. Aliás, a própria Mota-Engil refere que as diferenças cambiais tiveram impacto negativo nos resultados financeiros. Mesmo assim, os encargos financeiros líquidos melhoraram de 128 M€ para 97 M€, ajudados pela redução da taxa média de financiamento. Portanto, conseguir aumentar o lucro atribuível em 24% neste contexto parece-me um sinal bastante positivo.
A dívida é outro assunto que gosto de analisar com contexto e não apenas olhando para o número absoluto.
A dívida líquida estava em 1.990 M€, com dívida líquida/EBITDA de 1,94x, melhor do que os 1,98x de dezembro. A própria apresentação dos resultados diz que a alavancagem continua dentro dos objetivos do FOCUS 2030. Mais importante ainda, a empresa gerou 159 M€ de free cash flow no semestre, correspondentes a 33% do EBITDA, acima do objetivo ≥25% definido para o período 2026-2030.
E há aqui um ponto que muitas vezes é esquecido quando se fala do aumento do investimento: a Mota-Engil investiu 185 M€ de CAPEX, sendo 63% dirigido à Engenharia Industrial, nomeadamente ao equipamento necessário para os grandes contratos de mineração.
E isto não é apenas uma interpretação minha. A própria IFC, do Banco Mundial, explica no financiamento concedido à Mota-Engil que o dinheiro se destina à compra de equipamento de construção e mineração para projetos em África e acrescenta expressamente que essas máquinas poderão posteriormente ser utilizadas em diferentes projetos dentro desses países. Ou seja, uma escavadora, um camião mineiro ou outro equipamento pesado comprado hoje não é um custo que desaparece quando termina a primeira obra. É um ativo que pode trabalhar durante vários anos, passar para extensões dos atuais contratos e depois para novos projetos.
A IFC já concedeu à Mota-Engil um financiamento de US$214 M precisamente para apoiar a expansão de projetos mineiros e ferroviários em África. Portanto, quando vejo dívida associada à compra de maquinaria que vai produzir receitas durante anos, analiso-a de forma diferente de dívida criada simplesmente para financiar prejuízos ou despesas correntes.
Depois temos a carteira de encomendas, que atingiu um nível que há poucos anos seria difícil imaginar.
No final de junho eram 17,7 mil M€, um novo máximo histórico. E durante o primeiro semestre entraram 4,1 mil M€ de novas adjudicações, antes do consumo da carteira. A carteira de 17,7 mil M€ representa cerca de 3,7 anos de visibilidade de execução em Engenharia & Construção.
E atenção: os 17,7 mil M€ não incluem cerca de 2,5 mil M€ de contratos assinados depois de junho. A apresentação identifica negócios posteriores no México, Peru, Brasil, Portugal, Nigéria e RDC. Entre eles estão US$655 M adicionais na ferrovia Kano-Maradi, na Nigéria, e US$1,8 mil M relacionados com a extensão do Corredor do Lobito na República Democrática do Congo. É daí que resulta a referência aos aproximadamente 20,2 mil M€, somando a carteira de junho aos contratos posteriores.
Portanto, trabalho não parece faltar. A questão agora é outra: transformar estes mais de 20 mil M€ em EBITDA, caixa e lucro.
E é aqui que a mineração me parece cada vez mais importante.
No primeiro semestre, a Engenharia Industrial/mineração gerou 411 M€ de receitas e 118 M€ de EBITDA, com uma margem EBITDA de 29%. Em comparação, eram 357 M€ de receitas e 102 M€ de EBITDA no primeiro semestre de 2025. Portanto, o EBITDA cresceu 16%, mantendo uma margem que é muito superior à construção tradicional.
A carteira da mineração já ronda 3,2 mil M€.
E apareceu entretanto um dado que considero bastante significativo: o contrato da mina de ouro de Kurmuk, na Etiópia, inicialmente de US$584 M, foi aumentado para US$842 M, uma subida de 44%, e prolongado por mais um ano. Não é rumor nem estimativa; consta da apresentação dos resultados. Só esta extensão acrescenta aproximadamente US$258 M ao contrato.
Temos depois Amulsar, na Arménia, com uma carteira de 581 M€, prevista para iniciar operações no terceiro trimestre de 2026. Portanto, aqueles 118 M€ de EBITDA no primeiro semestre foram obtidos sem Amulsar ainda estar a contribuir em pleno.
E entretanto foi criada a ME Mining Services, dando uma estrutura própria a esta atividade. Não sei se amanhã aparecerá um investidor, se haverá abertura de capital ou outra operação — não vou especular sobre isso. Mas parece-me evidente que autonomizar um negócio que já produz mais de 100 M€ de EBITDA em seis meses e margens de 29% pode ajudar a tornar o seu valor muito mais visível.
O Ambiente também não pode ser tratado como um negócio secundário.
Fez 314 M€ de receitas e 65 M€ de EBITDA no semestre. O EBITDA cresceu 12% e a margem passou de 19% para 21%.
E há um pormenor que considero muito importante: a carteira de encomendas publicada pela Mota-Engil não inclui o negócio de tratamento de resíduos da EGF, que ainda tem cerca de oito anos de duração contratual e apresenta receitas LTM de aproximadamente 417 M€. Ou seja, existe aqui visibilidade futura que não aparece nos 17,7 mil M€ de backlog.
Somando apenas Mineração + Ambiente, temos 183 M€ de EBITDA num único semestre, e com margens de 29% e 21%, respetivamente. É por isto que continuo a dizer que a Mota-Engil está cada vez menos dependente da margem tradicional da construção.
E ainda há novos negócios de circularidade. A empresa prevê começar a operar unidades de biometano no quarto trimestre de 2026, criando mais uma fonte potencial de receitas recorrentes.
Depois chegamos ao Corredor do Lobito, e aqui considero que existe uma dimensão estratégica e geopolítica que merece atenção.
O Corredor do Lobito liga o interior mineiro da RDC e da Zâmbia ao Atlântico através de Angola. A União Europeia estima que esta infraestrutura possa reduzir o tempo necessário para transportar mercadorias da RDC/Zâmbia até ao mar de mais de um mês para aproximadamente uma semana. E a UE e os seus Estados-Membros estão a mobilizar mais de 2 mil M€ para iniciativas associadas ao corredor.
Isto é particularmente relevante porque estamos a falar de uma das regiões mais importantes do mundo em cobre, cobalto e outros minerais críticos.
Num mundo em que assistimos ao que pode acontecer quando rotas estratégicas como Ormuz ou o Mar Vermelho ficam condicionadas, considero normal que EUA e Europa procurem diversificar cadeias de abastecimento e rotas de transporte. Não estou a dizer que Lobito substitui Ormuz — são matérias-primas e rotas diferentes. Estou a dizer que a lógica estratégica é a diversificação e segurança das cadeias de abastecimento.
E os Estados Unidos não estão apenas a acompanhar o projeto de longe.
Em dezembro, a DFC norte-americana assinou uma carta de interesse diretamente com a Mota-Engil Engenharia e Construção África para a reabilitação, operação e transferência da linha Dilolo-Sakania, na RDC. O projeto poderá procurar até US$1.000 M de financiamento da DFC, sujeito naturalmente à análise final. A própria DFC diz que esta ferrovia deverá ligar-se ao Lobito Atlantic Railway e reforçar as cadeias de fornecimento de minerais críticos dos EUA e aliados.
E há poucos dias a Mota-Engil assinou a concessão da extensão do corredor na RDC, um projeto identificado pela empresa em cerca de US$1,8 mil M e com uma PPP de 30 anos.
Ou seja, temos uma situação bastante interessante: a Mota-Engil participa na construção e operação da infraestrutura, tem atividade própria de serviços mineiros e está envolvida na rota que permitirá escoar parte das matérias-primas dessa região até ao Atlântico.
Além disso, o financiamento institucional internacional começa a ter peso. No Capital Markets Day, a Mota-Engil referiu cerca de 753 M€ reunidos através da DFC norte-americana e do Development Bank of Southern Africa para o Lobito. Tem também o financiamento de US$214 M da IFC e uma linha de US$250 M com o TDB Group para suportar crescimento de infraestrutura em África.
Para mim, isto também diz alguma coisa sobre a capacidade da empresa em financiar projetos gigantescos em mercados onde nem todas as construtoras conseguem fazê-lo.
Quanto à CCCC, também pensei bastante na redução de 32,41% para exatamente 31%.
Confesso que inicialmente também me pareceu estranho: se acreditam tanto no potencial da empresa, porquê vender?
Mas fui ver o comunicado e prefiro não inventar explicações.
A Epoch/CCCC vendeu 4.326.429 ações, equivalentes a 1,41% do capital, reduzindo a participação de 32,41% para 31,00%. A própria CCCC chamou à operação um “simples ajustamento”. Mais importante: explicou expressamente que permanece acima do limiar dos 30%, continuando a beneficiar de todos os direitos que os Estatutos conferem a uma participação desta dimensão, e afirmou que a manutenção da posição continua a refletir o seu firme compromisso com o acordo de investimento na Mota-Engil.
Não considero uma venda de ações algo positivo por si só. Mas também não vejo elementos para dizer que a CCCC está a abandonar ou a perder confiança na Mota-Engil. Se fosse esse o objetivo, parece-me curioso parar precisamente nos 31%, deixando explicitamente salvaguardado o patamar superior a 30%.
Portanto, fico com os factos: vendeu 1,41%, continua com 31% e reafirmou oficialmente o compromisso estratégico. O motivo económico concreto da redução não foi divulgado.
E ainda temos Portugal, que para mim pode voltar a representar um enorme ciclo de oportunidades para a empresa.
A própria apresentação dos resultados da Mota-Engil fala num pipeline de aproximadamente 60 mil M€ de investimento em infraestruturas em Portugal até 2035. Estamos a falar de alta velocidade, novo aeroporto, novas travessias do Tejo, estradas, portos, logística e outras infraestruturas.
A Mota-Engil já tem na carteira o primeiro troço da alta velocidade Porto-Oiã e a primeira fase da gigafábrica da CALB em Sines, esta última com um contrato de 207,3 M€ e duração prevista de 22 meses.
Quanto ao troço seguinte, Oiã-Soure, convém sermos rigorosos: a Mota-Engil ainda não ganhou. Mas neste momento existem apenas duas propostas em avaliação, sendo uma delas do agrupamento LusoLav III, que inclui a Mota-Engil, Teixeira Duarte, Casais, Alves Ribeiro, Conduril e outras empresas portuguesas. A Infraestruturas de Portugal prevê que o contrato possa ser assinado no primeiro semestre de 2027.
Portanto, não vou dizer que a Mota-Engil tem “50% de probabilidades” de ganhar porque os concursos não funcionam assim. Mas estar entre apenas duas propostas para uma obra desta dimensão é obviamente uma oportunidade concreta.
E depois vêm projetos ainda maiores.
A própria Mota-Engil identifica como oportunidades o novo Aeroporto Luís de Camões, com investimento previsto entre 7,9 e 8,9 mil M€, as duas novas travessias do Tejo, incluindo ponte e túnel em regime de PPP, às quais diz que pretende concorrer em consórcio, e 15 novas concessões de portos e logística, num investimento estimado de cerca de 4 mil M€.
Não significa que a Mota-Engil vá ganhar tudo — obviamente que não. Mas sendo líder do mercado português, tendo experiência em megaobras ferroviárias, aeroportuárias, pontes, túneis e PPP em vários continentes, parece-me difícil imaginar um ciclo de 60 mil M€ de investimento em infraestruturas portuguesas sem uma participação relevante da Mota-Engil.
E finalmente chegamos ao FOCUS 2030 e àquilo que tudo isto poderá valer.
O plano da própria empresa aponta para aproximadamente 9 mil M€ de receitas em 2030, margem EBITDA ≥18%, FCF/EBITDA ≥25%, dívida líquida/EBITDA ≤2x, margem líquida ≥4% e payout entre 30% e 50% do lucro.
A conta mais simples é esta:
9.000 M€ de receitas × 4% de margem líquida = aproximadamente 360 M€ de lucro.
Com as atuais 306,8 milhões de ações, seriam cerca de 1,17 € de lucro por ação.
A um PER de 8x, isso corresponderia a aproximadamente 9,40 € por ação.
A 9x, aproximadamente 10,55 €.
A 10x, cerca de 11,70 €.
Por isso continuo a dizer o mesmo: se a Mota-Engil cumprir o FOCUS 2030, falar em 10 € não me parece uma avaliação de euforia. A 10 €, estaríamos a falar de apenas cerca de 8,5 vezes os potenciais lucros de 2030.
E há ainda um ponto do FOCUS que considero pouco discutido: os dividendos.
O dividendo aprovado este ano foi de 0,173 € por ação. O FOCUS estabelece para 2030 um payout entre 30% e 50%.
Se a Mota-Engil chegar aos referidos 360 M€ de lucro e mantivermos o atual número de ações, as contas dão aproximadamente:
30% de payout → 0,35 € por ação
40% de payout → 0,47 € por ação
50% de payout → 0,59 € por ação
Com a ação a fechar esta sexta-feira perto de 4,81 €, isto corresponderia, sobre esse preço de compra, a um rendimento potencial de aproximadamente 7,3%, 9,8% ou 12,2%, respetivamente.
Naturalmente, não estou a dizer que em 2030 a ação vai continuar nos 4,81 €. Aliás, espero precisamente o contrário se os objetivos forem cumpridos. Estou apenas a mostrar o potencial yield on cost para quem comprasse hoje e mantivesse as ações caso o FOCUS seja executado.
E acho curioso que o mercado ainda não esteja propriamente a atribuir múltiplos muito exigentes à empresa. Na própria página de investidores da Mota-Engil, o CaixaBank BPI apresenta atualmente um preço-alvo central de 7,30 €, com intervalo de avaliação entre 5,30 € e 10,40 €; a CaixaBI tem 5,70 € com recomendação de compra e a JB Capital Markets 7,10 €. Não faço a minha tese depender dos analistas, mas também mostra que falar em valores bastante acima da cotação atual deixou de ser uma ideia assim tão fora da realidade.
Para 2026, a própria administração mantém o guidance de crescimento das receitas entre 10% e 15%, margem líquida próxima de 3% e dívida líquida/EBITDA abaixo de 2x. Portanto, antes de pensar em 2030, temos um teste muito concreto já este ano: verificar se a empresa consegue transformar a enorme carteira de encomendas em crescimento, margem e caixa.
A minha conclusão neste momento é bastante simples.
Vejo uma empresa com mais de 20 mil M€ de trabalho contratado/pro forma, mineração com 29% de margem EBITDA, Ambiente com 21%, 159 M€ de free cash flow em seis meses, dívida/EBITDA controlada, concessões de 30 anos, investimento pesado em maquinaria que poderá continuar a trabalhar em futuros projetos, forte apoio de instituições financeiras internacionais e exposição crescente a infraestruturas estratégicas ligadas aos minerais críticos.
Temos ainda Portugal a entrar num ciclo de dezenas de milhares de milhões de euros de investimento e negócios opcionais que nem sequer estou a colocar nas contas, como uma eventual valorização separada da ME Mining Services ou projetos que ainda estejam em estudo.
Claro que existem riscos. Há dívida elevada em valor absoluto, execução de projetos gigantescos, exposição geopolítica, risco cambial, África, América Latina, juros e necessidade de manter disciplina na alocação de capital.
Mas é precisamente por reconhecer esses riscos que acho os atuais múltiplos interessantes.
Para mim, a questão central passou a ser esta:
O mercado vai continuar a avaliar a Mota-Engil como uma simples construtora cíclica ou vai começar a reconhecer que dentro do Grupo existem mineração, Ambiente, concessões, logística, energia e ativos estratégicos de longa duração que merecem uma avaliação diferente?
Não sei quando o mercado dará essa resposta.
Mas olhando para os números que já existem — e não para promessas — considero que a Mota-Engil de hoje está muito mais forte, diversificada e estrategicamente posicionada do que há alguns anos.
Agora é continuar a executar.
Transformar carteira em receitas, receitas em EBITDA, EBITDA em caixa e caixa em lucros e dividendos.
Se isso acontecer mantendo a dívida controlada, não vejo os objetivos do FOCUS 2030 como uma fantasia. E, nesse cenário, continuo a considerar que 10 € por ação pode perfeitamente ser uma etapa e não necessariamente o destino final.
Desculpem a extensão do texto, mas achei que valia a pena juntar tudo. Tentei confirmar os números e os factos, mas se encontrarem algum erro, alguma imprecisão ou até algum ponto importante que me tenha escapado, agradeço que me corrijam ou acrescentem.
Como já aqui disse, é uma ação em que acredito e na qual estou bastante investido, atualmente com uma média de cerca de 4,45 €. Naturalmente, isso também pode influenciar a minha leitura, por isso todas as opiniões, críticas e contributos são bem-vindos. O objetivo é partilhar informação e tentar perceber cada vez melhor a empresa.
J.f.vieira
Depois de olhar com mais calma para os resultados, para a carteira de encomendas e para aquilo que está a acontecer à volta da Mota-Engil, continuo a achar que avaliar hoje esta empresa simplesmente como uma construtora é olhar para uma realidade que está a mudar rapidamente.
No primeiro semestre de 2026, a Mota-Engil apresentou 2.898 M€ de volume de negócios, 487 M€ de EBITDA e 74 M€ de lucro atribuível aos acionistas, contra 59 M€ no período homólogo. Ou seja, as receitas cresceram 6%, o EBITDA 10% e o lucro 24%. A margem EBITDA passou de 16% para 17% e a margem líquida de 2,2% para 2,6%. Para mim, isto é importante: os lucros estão a crescer muito mais depressa do que a faturação, o que mostra uma melhoria real da rentabilidade e da qualidade dos negócios que estão a entrar no Grupo.
E estes números foram conseguidos num semestre que esteve longe de ser fácil. Tivemos energia cara, perturbações no transporte através do Estreito de Ormuz, juros elevados e diferenças cambiais desfavoráveis. Aliás, a própria Mota-Engil refere que as diferenças cambiais tiveram impacto negativo nos resultados financeiros. Mesmo assim, os encargos financeiros líquidos melhoraram de 128 M€ para 97 M€, ajudados pela redução da taxa média de financiamento. Portanto, conseguir aumentar o lucro atribuível em 24% neste contexto parece-me um sinal bastante positivo.
A dívida é outro assunto que gosto de analisar com contexto e não apenas olhando para o número absoluto.
A dívida líquida estava em 1.990 M€, com dívida líquida/EBITDA de 1,94x, melhor do que os 1,98x de dezembro. A própria apresentação dos resultados diz que a alavancagem continua dentro dos objetivos do FOCUS 2030. Mais importante ainda, a empresa gerou 159 M€ de free cash flow no semestre, correspondentes a 33% do EBITDA, acima do objetivo ≥25% definido para o período 2026-2030.
E há aqui um ponto que muitas vezes é esquecido quando se fala do aumento do investimento: a Mota-Engil investiu 185 M€ de CAPEX, sendo 63% dirigido à Engenharia Industrial, nomeadamente ao equipamento necessário para os grandes contratos de mineração.
E isto não é apenas uma interpretação minha. A própria IFC, do Banco Mundial, explica no financiamento concedido à Mota-Engil que o dinheiro se destina à compra de equipamento de construção e mineração para projetos em África e acrescenta expressamente que essas máquinas poderão posteriormente ser utilizadas em diferentes projetos dentro desses países. Ou seja, uma escavadora, um camião mineiro ou outro equipamento pesado comprado hoje não é um custo que desaparece quando termina a primeira obra. É um ativo que pode trabalhar durante vários anos, passar para extensões dos atuais contratos e depois para novos projetos.
A IFC já concedeu à Mota-Engil um financiamento de US$214 M precisamente para apoiar a expansão de projetos mineiros e ferroviários em África. Portanto, quando vejo dívida associada à compra de maquinaria que vai produzir receitas durante anos, analiso-a de forma diferente de dívida criada simplesmente para financiar prejuízos ou despesas correntes.
Depois temos a carteira de encomendas, que atingiu um nível que há poucos anos seria difícil imaginar.
No final de junho eram 17,7 mil M€, um novo máximo histórico. E durante o primeiro semestre entraram 4,1 mil M€ de novas adjudicações, antes do consumo da carteira. A carteira de 17,7 mil M€ representa cerca de 3,7 anos de visibilidade de execução em Engenharia & Construção.
E atenção: os 17,7 mil M€ não incluem cerca de 2,5 mil M€ de contratos assinados depois de junho. A apresentação identifica negócios posteriores no México, Peru, Brasil, Portugal, Nigéria e RDC. Entre eles estão US$655 M adicionais na ferrovia Kano-Maradi, na Nigéria, e US$1,8 mil M relacionados com a extensão do Corredor do Lobito na República Democrática do Congo. É daí que resulta a referência aos aproximadamente 20,2 mil M€, somando a carteira de junho aos contratos posteriores.
Portanto, trabalho não parece faltar. A questão agora é outra: transformar estes mais de 20 mil M€ em EBITDA, caixa e lucro.
E é aqui que a mineração me parece cada vez mais importante.
No primeiro semestre, a Engenharia Industrial/mineração gerou 411 M€ de receitas e 118 M€ de EBITDA, com uma margem EBITDA de 29%. Em comparação, eram 357 M€ de receitas e 102 M€ de EBITDA no primeiro semestre de 2025. Portanto, o EBITDA cresceu 16%, mantendo uma margem que é muito superior à construção tradicional.
A carteira da mineração já ronda 3,2 mil M€.
E apareceu entretanto um dado que considero bastante significativo: o contrato da mina de ouro de Kurmuk, na Etiópia, inicialmente de US$584 M, foi aumentado para US$842 M, uma subida de 44%, e prolongado por mais um ano. Não é rumor nem estimativa; consta da apresentação dos resultados. Só esta extensão acrescenta aproximadamente US$258 M ao contrato.
Temos depois Amulsar, na Arménia, com uma carteira de 581 M€, prevista para iniciar operações no terceiro trimestre de 2026. Portanto, aqueles 118 M€ de EBITDA no primeiro semestre foram obtidos sem Amulsar ainda estar a contribuir em pleno.
E entretanto foi criada a ME Mining Services, dando uma estrutura própria a esta atividade. Não sei se amanhã aparecerá um investidor, se haverá abertura de capital ou outra operação — não vou especular sobre isso. Mas parece-me evidente que autonomizar um negócio que já produz mais de 100 M€ de EBITDA em seis meses e margens de 29% pode ajudar a tornar o seu valor muito mais visível.
O Ambiente também não pode ser tratado como um negócio secundário.
Fez 314 M€ de receitas e 65 M€ de EBITDA no semestre. O EBITDA cresceu 12% e a margem passou de 19% para 21%.
E há um pormenor que considero muito importante: a carteira de encomendas publicada pela Mota-Engil não inclui o negócio de tratamento de resíduos da EGF, que ainda tem cerca de oito anos de duração contratual e apresenta receitas LTM de aproximadamente 417 M€. Ou seja, existe aqui visibilidade futura que não aparece nos 17,7 mil M€ de backlog.
Somando apenas Mineração + Ambiente, temos 183 M€ de EBITDA num único semestre, e com margens de 29% e 21%, respetivamente. É por isto que continuo a dizer que a Mota-Engil está cada vez menos dependente da margem tradicional da construção.
E ainda há novos negócios de circularidade. A empresa prevê começar a operar unidades de biometano no quarto trimestre de 2026, criando mais uma fonte potencial de receitas recorrentes.
Depois chegamos ao Corredor do Lobito, e aqui considero que existe uma dimensão estratégica e geopolítica que merece atenção.
O Corredor do Lobito liga o interior mineiro da RDC e da Zâmbia ao Atlântico através de Angola. A União Europeia estima que esta infraestrutura possa reduzir o tempo necessário para transportar mercadorias da RDC/Zâmbia até ao mar de mais de um mês para aproximadamente uma semana. E a UE e os seus Estados-Membros estão a mobilizar mais de 2 mil M€ para iniciativas associadas ao corredor.
Isto é particularmente relevante porque estamos a falar de uma das regiões mais importantes do mundo em cobre, cobalto e outros minerais críticos.
Num mundo em que assistimos ao que pode acontecer quando rotas estratégicas como Ormuz ou o Mar Vermelho ficam condicionadas, considero normal que EUA e Europa procurem diversificar cadeias de abastecimento e rotas de transporte. Não estou a dizer que Lobito substitui Ormuz — são matérias-primas e rotas diferentes. Estou a dizer que a lógica estratégica é a diversificação e segurança das cadeias de abastecimento.
E os Estados Unidos não estão apenas a acompanhar o projeto de longe.
Em dezembro, a DFC norte-americana assinou uma carta de interesse diretamente com a Mota-Engil Engenharia e Construção África para a reabilitação, operação e transferência da linha Dilolo-Sakania, na RDC. O projeto poderá procurar até US$1.000 M de financiamento da DFC, sujeito naturalmente à análise final. A própria DFC diz que esta ferrovia deverá ligar-se ao Lobito Atlantic Railway e reforçar as cadeias de fornecimento de minerais críticos dos EUA e aliados.
E há poucos dias a Mota-Engil assinou a concessão da extensão do corredor na RDC, um projeto identificado pela empresa em cerca de US$1,8 mil M e com uma PPP de 30 anos.
Ou seja, temos uma situação bastante interessante: a Mota-Engil participa na construção e operação da infraestrutura, tem atividade própria de serviços mineiros e está envolvida na rota que permitirá escoar parte das matérias-primas dessa região até ao Atlântico.
Além disso, o financiamento institucional internacional começa a ter peso. No Capital Markets Day, a Mota-Engil referiu cerca de 753 M€ reunidos através da DFC norte-americana e do Development Bank of Southern Africa para o Lobito. Tem também o financiamento de US$214 M da IFC e uma linha de US$250 M com o TDB Group para suportar crescimento de infraestrutura em África.
Para mim, isto também diz alguma coisa sobre a capacidade da empresa em financiar projetos gigantescos em mercados onde nem todas as construtoras conseguem fazê-lo.
Quanto à CCCC, também pensei bastante na redução de 32,41% para exatamente 31%.
Confesso que inicialmente também me pareceu estranho: se acreditam tanto no potencial da empresa, porquê vender?
Mas fui ver o comunicado e prefiro não inventar explicações.
A Epoch/CCCC vendeu 4.326.429 ações, equivalentes a 1,41% do capital, reduzindo a participação de 32,41% para 31,00%. A própria CCCC chamou à operação um “simples ajustamento”. Mais importante: explicou expressamente que permanece acima do limiar dos 30%, continuando a beneficiar de todos os direitos que os Estatutos conferem a uma participação desta dimensão, e afirmou que a manutenção da posição continua a refletir o seu firme compromisso com o acordo de investimento na Mota-Engil.
Não considero uma venda de ações algo positivo por si só. Mas também não vejo elementos para dizer que a CCCC está a abandonar ou a perder confiança na Mota-Engil. Se fosse esse o objetivo, parece-me curioso parar precisamente nos 31%, deixando explicitamente salvaguardado o patamar superior a 30%.
Portanto, fico com os factos: vendeu 1,41%, continua com 31% e reafirmou oficialmente o compromisso estratégico. O motivo económico concreto da redução não foi divulgado.
E ainda temos Portugal, que para mim pode voltar a representar um enorme ciclo de oportunidades para a empresa.
A própria apresentação dos resultados da Mota-Engil fala num pipeline de aproximadamente 60 mil M€ de investimento em infraestruturas em Portugal até 2035. Estamos a falar de alta velocidade, novo aeroporto, novas travessias do Tejo, estradas, portos, logística e outras infraestruturas.
A Mota-Engil já tem na carteira o primeiro troço da alta velocidade Porto-Oiã e a primeira fase da gigafábrica da CALB em Sines, esta última com um contrato de 207,3 M€ e duração prevista de 22 meses.
Quanto ao troço seguinte, Oiã-Soure, convém sermos rigorosos: a Mota-Engil ainda não ganhou. Mas neste momento existem apenas duas propostas em avaliação, sendo uma delas do agrupamento LusoLav III, que inclui a Mota-Engil, Teixeira Duarte, Casais, Alves Ribeiro, Conduril e outras empresas portuguesas. A Infraestruturas de Portugal prevê que o contrato possa ser assinado no primeiro semestre de 2027.
Portanto, não vou dizer que a Mota-Engil tem “50% de probabilidades” de ganhar porque os concursos não funcionam assim. Mas estar entre apenas duas propostas para uma obra desta dimensão é obviamente uma oportunidade concreta.
E depois vêm projetos ainda maiores.
A própria Mota-Engil identifica como oportunidades o novo Aeroporto Luís de Camões, com investimento previsto entre 7,9 e 8,9 mil M€, as duas novas travessias do Tejo, incluindo ponte e túnel em regime de PPP, às quais diz que pretende concorrer em consórcio, e 15 novas concessões de portos e logística, num investimento estimado de cerca de 4 mil M€.
Não significa que a Mota-Engil vá ganhar tudo — obviamente que não. Mas sendo líder do mercado português, tendo experiência em megaobras ferroviárias, aeroportuárias, pontes, túneis e PPP em vários continentes, parece-me difícil imaginar um ciclo de 60 mil M€ de investimento em infraestruturas portuguesas sem uma participação relevante da Mota-Engil.
E finalmente chegamos ao FOCUS 2030 e àquilo que tudo isto poderá valer.
O plano da própria empresa aponta para aproximadamente 9 mil M€ de receitas em 2030, margem EBITDA ≥18%, FCF/EBITDA ≥25%, dívida líquida/EBITDA ≤2x, margem líquida ≥4% e payout entre 30% e 50% do lucro.
A conta mais simples é esta:
9.000 M€ de receitas × 4% de margem líquida = aproximadamente 360 M€ de lucro.
Com as atuais 306,8 milhões de ações, seriam cerca de 1,17 € de lucro por ação.
A um PER de 8x, isso corresponderia a aproximadamente 9,40 € por ação.
A 9x, aproximadamente 10,55 €.
A 10x, cerca de 11,70 €.
Por isso continuo a dizer o mesmo: se a Mota-Engil cumprir o FOCUS 2030, falar em 10 € não me parece uma avaliação de euforia. A 10 €, estaríamos a falar de apenas cerca de 8,5 vezes os potenciais lucros de 2030.
E há ainda um ponto do FOCUS que considero pouco discutido: os dividendos.
O dividendo aprovado este ano foi de 0,173 € por ação. O FOCUS estabelece para 2030 um payout entre 30% e 50%.
Se a Mota-Engil chegar aos referidos 360 M€ de lucro e mantivermos o atual número de ações, as contas dão aproximadamente:
30% de payout → 0,35 € por ação
40% de payout → 0,47 € por ação
50% de payout → 0,59 € por ação
Com a ação a fechar esta sexta-feira perto de 4,81 €, isto corresponderia, sobre esse preço de compra, a um rendimento potencial de aproximadamente 7,3%, 9,8% ou 12,2%, respetivamente.
Naturalmente, não estou a dizer que em 2030 a ação vai continuar nos 4,81 €. Aliás, espero precisamente o contrário se os objetivos forem cumpridos. Estou apenas a mostrar o potencial yield on cost para quem comprasse hoje e mantivesse as ações caso o FOCUS seja executado.
E acho curioso que o mercado ainda não esteja propriamente a atribuir múltiplos muito exigentes à empresa. Na própria página de investidores da Mota-Engil, o CaixaBank BPI apresenta atualmente um preço-alvo central de 7,30 €, com intervalo de avaliação entre 5,30 € e 10,40 €; a CaixaBI tem 5,70 € com recomendação de compra e a JB Capital Markets 7,10 €. Não faço a minha tese depender dos analistas, mas também mostra que falar em valores bastante acima da cotação atual deixou de ser uma ideia assim tão fora da realidade.
Para 2026, a própria administração mantém o guidance de crescimento das receitas entre 10% e 15%, margem líquida próxima de 3% e dívida líquida/EBITDA abaixo de 2x. Portanto, antes de pensar em 2030, temos um teste muito concreto já este ano: verificar se a empresa consegue transformar a enorme carteira de encomendas em crescimento, margem e caixa.
A minha conclusão neste momento é bastante simples.
Vejo uma empresa com mais de 20 mil M€ de trabalho contratado/pro forma, mineração com 29% de margem EBITDA, Ambiente com 21%, 159 M€ de free cash flow em seis meses, dívida/EBITDA controlada, concessões de 30 anos, investimento pesado em maquinaria que poderá continuar a trabalhar em futuros projetos, forte apoio de instituições financeiras internacionais e exposição crescente a infraestruturas estratégicas ligadas aos minerais críticos.
Temos ainda Portugal a entrar num ciclo de dezenas de milhares de milhões de euros de investimento e negócios opcionais que nem sequer estou a colocar nas contas, como uma eventual valorização separada da ME Mining Services ou projetos que ainda estejam em estudo.
Claro que existem riscos. Há dívida elevada em valor absoluto, execução de projetos gigantescos, exposição geopolítica, risco cambial, África, América Latina, juros e necessidade de manter disciplina na alocação de capital.
Mas é precisamente por reconhecer esses riscos que acho os atuais múltiplos interessantes.
Para mim, a questão central passou a ser esta:
O mercado vai continuar a avaliar a Mota-Engil como uma simples construtora cíclica ou vai começar a reconhecer que dentro do Grupo existem mineração, Ambiente, concessões, logística, energia e ativos estratégicos de longa duração que merecem uma avaliação diferente?
Não sei quando o mercado dará essa resposta.
Mas olhando para os números que já existem — e não para promessas — considero que a Mota-Engil de hoje está muito mais forte, diversificada e estrategicamente posicionada do que há alguns anos.
Agora é continuar a executar.
Transformar carteira em receitas, receitas em EBITDA, EBITDA em caixa e caixa em lucros e dividendos.
Se isso acontecer mantendo a dívida controlada, não vejo os objetivos do FOCUS 2030 como uma fantasia. E, nesse cenário, continuo a considerar que 10 € por ação pode perfeitamente ser uma etapa e não necessariamente o destino final.
Desculpem a extensão do texto, mas achei que valia a pena juntar tudo. Tentei confirmar os números e os factos, mas se encontrarem algum erro, alguma imprecisão ou até algum ponto importante que me tenha escapado, agradeço que me corrijam ou acrescentem.
Como já aqui disse, é uma ação em que acredito e na qual estou bastante investido, atualmente com uma média de cerca de 4,45 €. Naturalmente, isso também pode influenciar a minha leitura, por isso todas as opiniões, críticas e contributos são bem-vindos. O objetivo é partilhar informação e tentar perceber cada vez melhor a empresa.
J.f.vieira
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Se a margem se aproximar dos 3%, são 600M de lucro. Agora falta saber o tempo médio para execução das mesmas.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
pmlcastanho Escreveu:J.f.vieira Escreveu:https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/carteira-de-encomendas-da-mota-engil-supera-20-mil-milhoes/
20,2 mil milhões de carteira de encomendas, o maior valor de sempre. E ainda com 2,5 mil milhões de novos contratos entretanto. Acho que estes números dizem muito mais do que qualquer previsão: há trabalho para muitos anos e crescimento pela frente. Agora é transformar carteira em resultados e caixa.
J.f.vieira
20,2 mil milhões é o total, já a contar com as adjudicações pós 1S.
................. ................. .....................
Obrigado pela correção, pmlcastanho. Eu sabia que eram 17,7 mil milhões, mas tinha na cabeça que os 20,2 mil milhões eram o valor final e ao escrever, acabei por me enganar.
J.f.vieira
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
J.f.vieira Escreveu:https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/carteira-de-encomendas-da-mota-engil-supera-20-mil-milhoes/
20,2 mil milhões de carteira de encomendas, o maior valor de sempre. E ainda com 2,5 mil milhões de novos contratos entretanto. Acho que estes números dizem muito mais do que qualquer previsão: há trabalho para muitos anos e crescimento pela frente. Agora é transformar carteira em resultados e caixa.
J.f.vieira
20,2 mil milhões é o total, já a contar com as adjudicações pós 1S.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Mota-Engil quer replicar consórcio português para novo aeroporto e travessias do Tejo - Construção - Jornal de Negócios
Carlos Mota dos Santos assume a intenção de promover consórcios de construtoras nacionais para as grandes obras anunciadas, como o aeroporto Luís de Camões, a ponte Chelas-Barreiro ou o túnel Algés-Trafaria, tendo por base o agrupamento criado para a alta velocidade.
FLOP - Fundamental Laws Of Profit
1. Mais vale perder um ganho que ganhar uma perda, a menos que se cumpra a Segunda Lei.
2. A expectativa de ganho deve superar a expectativa de perda, onde a expectativa mede a
__.amplitude média do ganho/perda contra a respectiva probabilidade.
3. A Primeira Lei não é mesmo necessária mas com Três Leis isto fica definitivamente mais giro.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
https://jornaleconomico.sapo.pt/noticia ... l-milhoes/
17.7 mil milhões de carteira de encomendas, o maior valor de sempre. E ainda com 2,5 mil milhões de novos contratos entretanto. Acho que estes números dizem muito mais do que qualquer previsão: há trabalho para muitos anos e crescimento pela frente. Agora é transformar carteira em resultados e caixa.
J.f.vieira
17.7 mil milhões de carteira de encomendas, o maior valor de sempre. E ainda com 2,5 mil milhões de novos contratos entretanto. Acho que estes números dizem muito mais do que qualquer previsão: há trabalho para muitos anos e crescimento pela frente. Agora é transformar carteira em resultados e caixa.
J.f.vieira
Editado pela última vez por J.f.vieira em 28/8/2026 18:41, num total de 1 vez.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Boa noite caros Moteiros, pouca disponibilidade nos últimos meses, mas apesar disso tenho continuado a acompanhar a Mota com particular atenção. Temos bons resultados, bons indicadores, tudo reunido para uma escalada, pelo menos, para já, ao limite superior do canal da lateralização
Bons negócios
Bons negócios
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
https://www.jornaldenegocios.pt/empresa ... velocidade
Ele tem uma certa razão, a Mota não cumpriu o caderno de encargos, mas vão dar a obra a um consórcio que manda numeros á parede, a ver se pegam?
Ninguém sabe quanto vai custar a obra da Sacyr, que lógica é esta?
Ele tem uma certa razão, a Mota não cumpriu o caderno de encargos, mas vão dar a obra a um consórcio que manda numeros á parede, a ver se pegam?
Ninguém sabe quanto vai custar a obra da Sacyr, que lógica é esta?
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Pageup Escreveu:J.f.vieira Escreveu:Os curtos começam a ficar aflitos com este volume e acima dos 4.80€
J.f.vieira
Penso que não.
Saída a 4,82, vamos ver a quanto mais abaixo as apanho, ou se perco o comboio.
Só já faço intenções de entrar para a semana,
BFS a todos.
Se isto hoje não evidencia mudança de tendencia, não sei o que será.
Rotação óbvia de assets no PSI20, volume enorme, resistencia nos 4.80 passou a buy point.
Não vejo razão para voltar a lateralizar depois destes resultados, mas é preciso confirmação, vamos ver amanhã.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Com tanto atraso nos concursos, o Governo que lance já a 3a fase.
Re: Mota Engil - Tópico Geral
Hispano-lusitano sobre a Mota-Engil: “Desejávamos que não fosse excluída. Apenas queríamos ganhar” - Transportes - Jornal de Negócios
O júri do concurso para o troço da alta velocidade entre Oiã e Soure propõe, no relatório preliminar, a exclusão do consórcio Lusolav e a adjudicação do contrato ao agrupamento da Sacyr, DST e ACA, que já tinha anteriormente manifestado não querer a exclusão do concorrente.
FLOP - Fundamental Laws Of Profit
1. Mais vale perder um ganho que ganhar uma perda, a menos que se cumpra a Segunda Lei.
2. A expectativa de ganho deve superar a expectativa de perda, onde a expectativa mede a
__.amplitude média do ganho/perda contra a respectiva probabilidade.
3. A Primeira Lei não é mesmo necessária mas com Três Leis isto fica definitivamente mais giro.
Re: Mota Engil - Tópico Geral
J.f.vieira Escreveu:Os curtos começam a ficar aflitos com este volume e acima dos 4.80€
J.f.vieira
Penso que não.
Saída a 4,82, vamos ver a quanto mais abaixo as apanho, ou se perco o comboio.
Só já faço intenções de entrar para a semana,
BFS a todos.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Os curtos começam a ficar aflitos com este volume e acima dos 4.80€
J.f.vieira
J.f.vieira
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Partindo os 4,80 hoje, prognósticos só no fim do dia....

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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Já ultrapassou os 3M de ações negociadas. Muitas compras em grandes lotes.
Re: Mota Engil - Tópico Geral
J.f.vieira Escreveu:Coisa linda!
E agora ?
Agora passar 4,85 em fecho para abrir novo degrau
If you want a guarantee, buy a toaster.
Clint Eastwood
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Coisa linda!
E agora ?
Talvez os 5.722 para fechar o gap e depois quem sabe?
E agora ?
Talvez os 5.722 para fechar o gap e depois quem sabe?
Editado pela última vez por J.f.vieira em 27/8/2026 10:45, num total de 1 vez.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
?????
https://mercado.co.ao/eua-reforcam-pres ... il-na-rdc/
Uma coisa é certa: os resultados, no geral, são bons e mostram uma Mota-Engil a executar. A dívida subiu, é verdade, mas com o volume de obras que a empresa está a ganhar também é natural haver investimento significativo em maquinaria e outros meios. E esse investimento não desaparece: fica na empresa e pode ser utilizado em futuras obras, permitindo gerar receitas e lucros com uma despesa incremental muito menor.
Quanto à empresa de minerais, aí tenho cada vez mais curiosidade. Com a dimensão que está a atingir, a carteira e as margens apresentadas, não me admiraria que começassem a aparecer investidores interessados em atribuir-lhe um valor significativo. E num negócio ligado a recursos minerais estratégicos, não podemos esquecer também a crescente importância geopolítica das matérias-primas.
J.f.vieira
https://mercado.co.ao/eua-reforcam-pres ... il-na-rdc/
Uma coisa é certa: os resultados, no geral, são bons e mostram uma Mota-Engil a executar. A dívida subiu, é verdade, mas com o volume de obras que a empresa está a ganhar também é natural haver investimento significativo em maquinaria e outros meios. E esse investimento não desaparece: fica na empresa e pode ser utilizado em futuras obras, permitindo gerar receitas e lucros com uma despesa incremental muito menor.
Quanto à empresa de minerais, aí tenho cada vez mais curiosidade. Com a dimensão que está a atingir, a carteira e as margens apresentadas, não me admiraria que começassem a aparecer investidores interessados em atribuir-lhe um valor significativo. E num negócio ligado a recursos minerais estratégicos, não podemos esquecer também a crescente importância geopolítica das matérias-primas.
J.f.vieira
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
São bons resultados, não há como inventar que são maus ou assim assim....
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
Nem é sobre contas. É mesmo a ausência de visibilidade que dão sobre a Newco constituída, abertura de capital a investidores, Bamin, etc.
Penso que havia alguma expectativa sobre isso dos analistas, etc.
Pelo menos de mim havia. Talvez na call
Penso que havia alguma expectativa sobre isso dos analistas, etc.
Pelo menos de mim havia. Talvez na call
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Clint Eastwood
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Re: Mota Engil - Tópico Geral
trend=friend Escreveu:Jfvieira, se for um AI agent que te descobre essas notícias todas melhor que ninguém, vê lá se ele no relatório descobre algo sobre o Mining, porque a visibilidade que deram sobre isto foi fraquinho…
De resto resultados com a execução esperada, excelentes!
................... .................. ...............
Trend=friend, pelo que vi, a mineração está mesmo a ganhar um peso muito interessante na Mota-Engil. Agora, confesso que de análise financeira percebo pouco
Ainda assim, os 411 M€ de receitas e 118 M€ de EBITDA no 1S26, com uma margem próxima dos 29%, parecem-me números bastante fortes. Para comparação, em todo o ano de 2025 a mineração gerou 216 M€ de EBITDA. Ou seja, em apenas seis meses já fez 55% do EBITDA de todo o ano passado.
E há aqui um pormenor que me parece ainda mais interessante: a operação da Arménia, com 581 M€ de carteira, só começa no 3T26. Portanto, estes 118 M€ de EBITDA foram conseguidos praticamente sem o contributo dessa nova operação.
Com 3,2 mil milhões de euros de carteira na mineração, acho que já estamos perante uma área com escala e rentabilidade muito relevantes e que merecia claramente mais destaque no relatório.
Mas isto é apenas a minha leitura de leigo com a ajuda da IA.
J.f.vieira
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