Texto simples e interessante, com excepção de chamar aos especuladores "chicos espertos"
Talvez o queria dizer era quem será o ultimo "Touro"???
Cumps e BN
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Só que uma das grandes OPA já morreu e a outra está prestes a morrer, e o clima está pouco apetecível para especulações. Há títulos sobrevalorizados, e a EDP é claramente um deles. É que com tanta euforia especulativa, a Euronext Lisboa corre sérios riscos de se ter tornado demasiado sexy para este País, esta economia e estes investidores. Quem vai ser o último tonto, eis a quest ão.
Directora-Adjunta
O último tonto
16-03-2007, Mafalda Anjos
Os últimos 20 dias nas bolsas foram a comprovação de que a célebre teoria do maior tonto só é válida até o último tonto acordar. Segundo a tese do “Greater Fool”, é sempre possível fazer dinheiro com títulos sobrevalorizados, porque há sempre um tonto maior que os comprará a um preço mais elevado apesar de estarem demasiado caros. É assim que as bolhas especulativas se formam, mas a história tem comprovado que estes embriagamentos colectivos acabam sempre com uma grande ressaca dos tontos e da maior parte dos “chico-espertos”.
Foi o que aconteceu nas últimas duas semanas nos mercados mundiais, que afundaram em terreno negativo no dia 27 de Fevereiro estendendo as perdas por mais quatro sessões, para esta semana regressarem em força às quedas. Em 12 sessões, as bolsas recuaram 7% e anularam os ganhos conquistados em 2007. O Dow, o índice de referência do mercado norte-americano registou naquele dia a maior queda numa só sessão desde o 11 de Setembro, assustado pelos excessos na China, depois de há cerca de um mês ter atingido o valor mais alto de sempre próximo dos 12.800 pontos. Depois de uns dias de aparente bonança, esta semana, primeiro na terça nos EUA e depois na quarta-feira na Europa, os principais índices ficaram pintados de vermelho, acumulando perdas na casa dos 3%. A causa próxima foi o susto no sobreaquecido sector dos subprime mortgages, os empréstimos para compra de casa concedidos a pessoas em difícil situação financeira ou endividados, com a falência de várias empresas do sector e a ameaça de o terramoto ter réplicas nas grandes instituições financeiras norte-americanas.
Mais uma prova de que o homem não aprende as lições do passado. Este caso tem contornos lembram os excessos de ganância dos anos 80 com as famosas junk bonds.
Mas se esta foi a causa próxima de mais um forte abalo nos mercados, o fantasma, esse, é sempre o mesmo – uma recessão à porta e um urso prestes a entrar por Wall Street a dentro. Tal como aliás alertou recentemente Alan Greenspan. É que o velho ex-timoneiro da Reserva Federal mantém operacionais os radares que o fizeram antecipar e sobreviver a várias crises financeiras. Os sinais estão aí, falta quem os queira ler. Como aliás estavam bem à vista na bolha especulativa de 1999/2000.
Os dados históricos parecem corroborar a tese de que o bear market está à espreita. É bom sublinhar que, olhando para trás, os ciclos de alta nos mercados duram em média menos de três anos, e este bull market estende-se há quatro anos e meio.
Mesmo que não vingue a tese dos mais pessimistas que antevêem uma forte correcção, o mais certo é que nos próximos meses os mercados continuem lugar impróprio para cardíacos. Quem tem estofo pode fazer grandes negócios. Aproveitar as fortes quedas e comprar títulos interessantes para os vender nos dias de recuperação. Mas nas actuais condições, além de estofo, é necessário também estar disposto a correr muito risco e eventualmente, a perder.
Para a praça nacional o cenário é idêntico – senão pior. A bolsa lisboeta liderou rankings de ganhos durante o último ano, a viver a euforia das OPA e de cenários mais ou menos especulativos de concentração nos mais variados sectores. Só que uma das grandes OPA já morreu e a outra está prestes a morrer, e o clima está pouco apetecível para especulações. Há títulos sobrevalorizados, e a EDP é claramente um deles. É que com tanta euforia especulativa, a Euronext Lisboa corre sérios riscos de se ter tornado demasiado sexy para este País, esta economia e estes investidores. Quem vai ser o último tonto, eis a quest ão.