Liga dos Campeões em campo inclinado
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Pedro Marques Pereira, está do lado da Sonae…
Diz:«apesar dos 10,5 euros parecerem um preço simpático face à cotação das acções na bolsa, daqui a um ou dois anos, a empresa valerá muito mais.» Uma tal afirmação revela que não tem acompanhado a cotação da PT. Daqui a dois anos, poderá valer mais sim e por que não nas mãos da actual PT? Na Sonae daqui a dois anos estaria (mais de 90%) fora da bolsa para «reestruturação».
RM
Diz:«apesar dos 10,5 euros parecerem um preço simpático face à cotação das acções na bolsa, daqui a um ou dois anos, a empresa valerá muito mais.» Uma tal afirmação revela que não tem acompanhado a cotação da PT. Daqui a dois anos, poderá valer mais sim e por que não nas mãos da actual PT? Na Sonae daqui a dois anos estaria (mais de 90%) fora da bolsa para «reestruturação».
RM
Quem não conhece o «CALDEIRÃO» não conhece este mundo
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Liga dos Campeões em campo inclinado
Análise 2007-03-02 00:00
Liga dos Campeões em campo inclinado
A assembleia geral de hoje é um jogo da liga dos campeões em que as jogadas de secretaria arriscam desviar a atenção do campo de jogo. Só dois resultados seriam bons para Portugal: uma vitória da Sonae ou uma goleada da Portugal Telecom.
Pedro Marques Pereira
Se fosse um jogo de futebol, o embate de hoje entre a Portugal Telecom e a Sonae seria uma final da ‘Champions League’ entre duas equipas portuguesas. Um dia histórico com o mundo inteiro, em suspenso, a assistir. O palco do desafio cuidadosamente aprumado. As equipas, na máxima força. As principais estrelas em pico de forma, com destaque para as duplas atacantes: Belmiro e Paulo Azevedo de um lado; Henrique Granadeiro e Zeinal Bava do outro. No entanto, independentemente do guião – que ninguém ainda conhece – e do resultado, são mais os sinais de que esta tarde fique para a história como um episódio lamentável do que como uma página da história para contar aos netos.
Em primeiro lugar porque, neste jogo decisivo do campeonato, são mais as jogadas de secretaria do que os “automatismos” praticados no campo de treino. Depois, porque ao contrário do futebol, os adeptos – neste caso os accionistas – deveriam escolher a equipa que apoiam pela qualidade do jogo, e não pela cor das camisolas. Infelizmente, tudo foi feito para confundir as “massas”, porque são apenas “massas”_que aqui estão em jogo. Ou deveriam ser. É isso que se negoceia nos mercados financeiros. É esse o sangue que os faz vibrar, como um golo do meio da rua.
E reduzindo o assunto a uma questão de “massas”, tudo seria mais simples. Os accionistas deveriam ser chamados e escolher entre duas propostas claras: uma, de 10,5 euros, a receber já – independentemente do que aconteça amanhã à Portugal Telecom ou aos mercados financeiros, que ainda esta semana tremeram com um bater de asas de borboleta na China; outra, um plano de negócios que demonstrasse que, apesar dos 10,5 euros parecerem um preço simpático face à cotação das acções na bolsa, daqui a um ou dois anos, a empresa valerá muito mais. Tudo o resto, dos dividendos às recompras de acções, são jogadas tácticas para ganhar o meio-campo.
Mas não é só o dinheiro dos accionistas que hoje está em jogo. O que se decide é o futuro de uma das principais empresas portuguesas e isso faz toda a diferença. Em primeiro lugar para o Estado, que foi o adepto nº1 da OPA quando ela foi lançada, mas que foi moderando o apoio à medida que a própria Portugal Telecom se foi comprometendo em garantir as principais preocupações do Executivo: em matéria de concorrência promete o ‘spin off’ da rede de TV cabo. Em matéria de internacionalização, continua a lutar pelo Brasil e mantém a sua presença na em África que fala português, mesmo nos países em que não manda. Acelera o pagamento do fundo de pensões aos trabalhadores. Mantém os níveis de investimento na rede pública de comunicações. E, talvez o mais importante, assegura que a empresa continua a contribuir para o controlo do défice com os seus impostos.
O que nos leva ao segundo ‘player’ nesta equação, a Caixa Geral de Depósitos, que tem dito que a sua decisão será baseada em critérios puramente financeiros. Mas aqui, os critérios financeiros do seu accionista não serão dissociáveis. Além disso, a CGD foi um apoiante indefectível de Granadeiro em todas as batalhas desta guerra. Irá agora desertar?
Para o Grupo Espírito Santo está em jogo o futuro como um dos principais bancos de investimento nacionais. Será um interesse ilegítimo à custa da grande maioria de accionistas? Talvez. Mas esse negócio não desapareceria. Mudaria apenas para as mãos do Santander.
A Sonae entra claramente em desvagem num campo inclinado contra si e em que os golos do adversário valem a dobrar. Se ganhar, será uma vitória memorável. A dificuldade do adversário é que, se não conseguir uma goleada – pelo menos 4 ou 5 a zero – será acusado de ganhar na secretaria. E, nesse caso, todos os golos marcados serão na própria baliza. Não na da PT. Não na da Sonae. Na de Portugal.
Uma vitória à tangente apoiada numa minoria de bloqueio será uma péssima notícia para a bolsa portuguesa se for claro que uma larga maioria quer vender. Poderá não ser ilegal, mas isso de fraca consolação servirá se os grandes fundos de investimento internacionais decidirem sair. Aí, a gestão da PT – e todos os seus accionistas – arriscam-se a ganhar uma taça mas a serem goleados diariamente no campeonato da bolsa durante as próximas épocas. É esse o risco que correm.
Liga dos Campeões em campo inclinado
A assembleia geral de hoje é um jogo da liga dos campeões em que as jogadas de secretaria arriscam desviar a atenção do campo de jogo. Só dois resultados seriam bons para Portugal: uma vitória da Sonae ou uma goleada da Portugal Telecom.
Pedro Marques Pereira
Se fosse um jogo de futebol, o embate de hoje entre a Portugal Telecom e a Sonae seria uma final da ‘Champions League’ entre duas equipas portuguesas. Um dia histórico com o mundo inteiro, em suspenso, a assistir. O palco do desafio cuidadosamente aprumado. As equipas, na máxima força. As principais estrelas em pico de forma, com destaque para as duplas atacantes: Belmiro e Paulo Azevedo de um lado; Henrique Granadeiro e Zeinal Bava do outro. No entanto, independentemente do guião – que ninguém ainda conhece – e do resultado, são mais os sinais de que esta tarde fique para a história como um episódio lamentável do que como uma página da história para contar aos netos.
Em primeiro lugar porque, neste jogo decisivo do campeonato, são mais as jogadas de secretaria do que os “automatismos” praticados no campo de treino. Depois, porque ao contrário do futebol, os adeptos – neste caso os accionistas – deveriam escolher a equipa que apoiam pela qualidade do jogo, e não pela cor das camisolas. Infelizmente, tudo foi feito para confundir as “massas”, porque são apenas “massas”_que aqui estão em jogo. Ou deveriam ser. É isso que se negoceia nos mercados financeiros. É esse o sangue que os faz vibrar, como um golo do meio da rua.
E reduzindo o assunto a uma questão de “massas”, tudo seria mais simples. Os accionistas deveriam ser chamados e escolher entre duas propostas claras: uma, de 10,5 euros, a receber já – independentemente do que aconteça amanhã à Portugal Telecom ou aos mercados financeiros, que ainda esta semana tremeram com um bater de asas de borboleta na China; outra, um plano de negócios que demonstrasse que, apesar dos 10,5 euros parecerem um preço simpático face à cotação das acções na bolsa, daqui a um ou dois anos, a empresa valerá muito mais. Tudo o resto, dos dividendos às recompras de acções, são jogadas tácticas para ganhar o meio-campo.
Mas não é só o dinheiro dos accionistas que hoje está em jogo. O que se decide é o futuro de uma das principais empresas portuguesas e isso faz toda a diferença. Em primeiro lugar para o Estado, que foi o adepto nº1 da OPA quando ela foi lançada, mas que foi moderando o apoio à medida que a própria Portugal Telecom se foi comprometendo em garantir as principais preocupações do Executivo: em matéria de concorrência promete o ‘spin off’ da rede de TV cabo. Em matéria de internacionalização, continua a lutar pelo Brasil e mantém a sua presença na em África que fala português, mesmo nos países em que não manda. Acelera o pagamento do fundo de pensões aos trabalhadores. Mantém os níveis de investimento na rede pública de comunicações. E, talvez o mais importante, assegura que a empresa continua a contribuir para o controlo do défice com os seus impostos.
O que nos leva ao segundo ‘player’ nesta equação, a Caixa Geral de Depósitos, que tem dito que a sua decisão será baseada em critérios puramente financeiros. Mas aqui, os critérios financeiros do seu accionista não serão dissociáveis. Além disso, a CGD foi um apoiante indefectível de Granadeiro em todas as batalhas desta guerra. Irá agora desertar?
Para o Grupo Espírito Santo está em jogo o futuro como um dos principais bancos de investimento nacionais. Será um interesse ilegítimo à custa da grande maioria de accionistas? Talvez. Mas esse negócio não desapareceria. Mudaria apenas para as mãos do Santander.
A Sonae entra claramente em desvagem num campo inclinado contra si e em que os golos do adversário valem a dobrar. Se ganhar, será uma vitória memorável. A dificuldade do adversário é que, se não conseguir uma goleada – pelo menos 4 ou 5 a zero – será acusado de ganhar na secretaria. E, nesse caso, todos os golos marcados serão na própria baliza. Não na da PT. Não na da Sonae. Na de Portugal.
Uma vitória à tangente apoiada numa minoria de bloqueio será uma péssima notícia para a bolsa portuguesa se for claro que uma larga maioria quer vender. Poderá não ser ilegal, mas isso de fraca consolação servirá se os grandes fundos de investimento internacionais decidirem sair. Aí, a gestão da PT – e todos os seus accionistas – arriscam-se a ganhar uma taça mas a serem goleados diariamente no campeonato da bolsa durante as próximas épocas. É esse o risco que correm.
As decisões fáceis podem fazer-nos parecer bons,mas tomar decisões difíceis e assumi-las faz-nos melhores.
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