Já lá vão quase 5 anos desde que a AIEA deu a conhecer a existência do até aí secreto programa nuclear do Irão.
Dado o seu carácter secreto e o tipo de regime instalado em Teerão, pouca gente duvida que se trata de um programa destinado a dotar o regime dos aiatolas de armas nucleares. E toda a gente sabe o perigo que isso envolve, considerando o profundo envolvimento dos aiatolas na dinâmica do terrorismo internacional.
Por boas razões, a comunidade internacional entendeu que uma teocracia fundamentalista como o Irão não deve ter acesso a armas nucleares.
As consequências seriam devastadoras, sendo impossível evitar uma corrida às armas nucleares, tornando altamente provável o seu uso, quer por erros humanos ou técnicos, quer pela instabilidade ou fundamentalismo de muitos líderes e países da região.
Até agora, tudo falhou. Negociações, ameaças, concessões, sanções, etc., não conseguiram fazer com que o regime dos aiatolas cedesse um milímetro na prossecução do seu objectivo, porque os seus dirigentes estão convencidos que têm uma missão divina e estão determinados a prossegui-la.
“Graças aos mártires, uma nova Revolução Islâmica está a crescer. A era da opressão, da tirania e da injustiça chegou ao fim. O mundo inteiro será brevemente submergido pela vaga da Revolução Islâmica” (Amadinejah)
É uma visão religiosa e por isso não cederá à barganha e à negociação com os “infiéis”.
As “negociações” são, por isso, inúteis. As sanções, sejam quais forem, também não deterão a “onda islâmica”, e o regime iraniano, livre de constrangimentos para com o eventual sofrimento da própria população, tem “cash” mais do que suficiente para aguentar as anedóticas sanções que a Rússia se mostra disposta a deixar passar.
A partir daqui só há 3 possibilidades:
1- Mudança de regime.
Seria a opção ideal, e poderia levar a um voluntário encerramento do programa nuclear, como aconteceu com a Africa do Sul, Ucrânia, etc. Contudo os especialistas entendem que é uma possibilidade muito remota, dado o férreo controlo que os aiatolas exercem sobre a sociedade.
2. Aceitar que o Irão se dote de armas nucleares.
É o que irá acontecer, se se mantiver a incapacidade para a acção. Muita gente acha que daí não vem mal ao mundo, e que os iranianos têm o “direito” de ter armas nucleares, como outros têm. É um raciocínio perigoso.
Poderia ser feito por quem vivesse na lua, mas não por quem vive neste planeta. As armas nucleares na posse de países “racionais”, não ameaçam de forma tão mortífera o nosso modo de vida. Como cantava Sting, “the russians love their children too”.
Mas a cultura do martírio não vacila perante esse tipo de valores. Todos os dias as televisões nos dão conta de atentados terroristas que visam especificamente crianças e o modo orgulhoso e fanático como os islamistas se ufanam de sacrificar os seus filhos e filhas na jihad, usando-as mesmo como escudo humano, explorando cinicamente os nossos valores.
As armas nucleares do Irão serão usadas. Ou pelos próprios ou pelos seus proxys. Na semana passada soube-se até que o Irão procura ganhar posições na estrutura da Al-Qaeda.
Israel será inevitavelmente atacado, para assegurar a destruição dos judeus.
Retaliará certamente, mas a equação já foi linearmente descrita por Rafsanjani:
“ Uma bomba atómica será suficiente para destruir o “regime sionista”, mas uma resposta sionista apenas causará danos ao mundo islâmico, que sobreviverá”
Para além disso, se o programa não for parado já, a proliferação é inevitável. Vários países “sunitas” informaram a AIEA de que vão também iniciar programas nucleares para “fins pacíficos”.
3. Atacar o programa nuclear iraniano .
Esta modalidade permitiria ganhar tempo, dando espaço a uma futura mudança de regime.
Os americanos têm capacidade para levarem a cabo um tal ataque, embora Amadinejah acredite, para além de toda a lógica, que o Irão é capaz de fazer frente.
Tal como aconteceu com a Alemanha Nacional-Socialista e o Japão, este tipo de “cálculos” baseados na fé, costuma acabar aos pés da realidade, mas antes que isso aconteça, muita gente tem de morrer. Os aiatolas acreditam que estão do lado de Deus e contabilizam nas suas fileiras com o mais de um bilião de muçulmanos.
Atacar já o programa nuclear dos aiatolas, iria limitar bastante as suas contas.
Seria uma massiva campanha de bombardeamento aéreo, que destruiria mais de 90% das estruturas nucleares iranianas. A partir daí bastaria bombardear de vez em quando, quando fosse detectada alguma movimentação suspeita.
Um tal ataque iria inevitavelmente inflamar o antiamericanismo, mas tal sentimento não precisa de grandes pretextos para se inflamar. Qualquer coisa basta, na verdade a simples existência dos EUA.
O Irão retaliaria como pode, disso também não há que duvidar, mas esse preço que haveria que pagar, é bem menor que o que decorre de um Irão com armas nucleares. E de resto, até os aiatolas, podem ser “convencidos” de que os EUA têm meios para tornar infinitamente mais dolorosa a sua resposta.
A opção tem de ser feita a breve prazo.
Lidador
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