Acho que o Rafaelr já tá um bocado melindrado com isto. Não há razão para isso.
Basta que ele tenha aprendido a noção de risco e de que a alavancagem multiplica esse risco.
Um exemplo imaginário que se pode dar de falência com produtos alavancados é o seguinte:
Tendo conta numa correctora do Saxo Bank, com $10000, que oferece CFD's, estive a ver várias notícias e a acção ABCD, que tem tido boas notícias, aparenta ser um brutal negócio para ganhar dinheiro. Não há perspectivas de nada vir a correr mal, no meu ponto de vista. A febre de ganhar dinheiro e alguma ilusão levam-me a alavancar o máximo possível. Vejo que o limite é de 10x. Ou seja margem de 10%. Posso portanto, investindo a totalidade da minha conta, os $10.000, entrar numa posição de $100.000! Na prática há determinados limites a isto pois tem de ficar dinheiro na conta para desconto de juros por exemplo.
No dia seguinte a acção fecha a valorizar 3%, e eu saúdo-me a mim mesmo por ter feito tão bom negócio. 3% em $100.000 são $3.000! Como é bom ganhar assim de um dia para o outro. Isto realmente é uma mina. A minha posição vale agora $103.000, ou sobre o capital em margem dá $3000/$10000=30% de lucro! Brutal! Vou mesmo ser rico!
Entretanto no manhã seguinte há uma notícia terrível de que um incêndio lavrou na fábrica da companhia ABCD. Prejuízos incálculáveis. Interrupção da produção. Incapacidade de satisfazer encomendas. Augura-se a falência!
Quando o mercado abre não há contemplações. A cotação se ontem fechou, por exemplo, a $10,3, hoje abriu a $4.2, com tais notícias trágicas. A descida é de 59.2%! A descontinuidade é brutal. Não dá azo sequer a fecho de posição pela correctora, caso acontecesse numa descida gradual, que chegasse à margem de manutenção.
Conclusão: a minha posição que ontem valia $103000, hoje vale 103.000*(1-.592)= $42.024!
A correctora imediatamente fecha a posição e liga-me pelo telefone a dizer que estou em situação de dívida. O capital na minha conta é negativo!! Não tenho outra opção senão negociar com eles o seu pagamento e trabalhar 2 turnos para pagar a asneira.
Aí a correctora explica-me o seguinte:
Situação inicial com a posição em ABCD
Activo
Posição em ABCD: $100.000
Passivo
Empréstimo para a alavancagem: $90.000
Capital próprio
$10.000
No dia seguinte (com a valorização de 3%)
Activo
Posição em ABCD: $103.000
Passivo
Empréstimo para a alavancagem: $90.000
Despreza-se o juro diário
Capital próprio
$103.000-$90.000=$13.000
No dia 2, com a desvalorização de 59.2% em relação aos $103.000
Activo
Posição em ABCD: $42.024
Passivo
Empréstimo para a alavancagem: $90.000
Capital próprio
$42.024-$90.000=-$47.976
Com o fecho forçado da posição em ABCD, fica assim explicado que a minha dívida à correctora é de $47.976.
Triste sina a de ter de continuar a trabalhar e agora a dobrar...
Bem isto é só um exemplo, e corrijam onde estiver errado.
Mas dá para ter uma ideia extrema do que pode acontecer de mau com uma alavancagem!
Mas claro, cada um sabe de si, e Deus sabe de todos!
Um abraço.
Basta que ele tenha aprendido a noção de risco e de que a alavancagem multiplica esse risco.
Um exemplo imaginário que se pode dar de falência com produtos alavancados é o seguinte:
Tendo conta numa correctora do Saxo Bank, com $10000, que oferece CFD's, estive a ver várias notícias e a acção ABCD, que tem tido boas notícias, aparenta ser um brutal negócio para ganhar dinheiro. Não há perspectivas de nada vir a correr mal, no meu ponto de vista. A febre de ganhar dinheiro e alguma ilusão levam-me a alavancar o máximo possível. Vejo que o limite é de 10x. Ou seja margem de 10%. Posso portanto, investindo a totalidade da minha conta, os $10.000, entrar numa posição de $100.000! Na prática há determinados limites a isto pois tem de ficar dinheiro na conta para desconto de juros por exemplo.
No dia seguinte a acção fecha a valorizar 3%, e eu saúdo-me a mim mesmo por ter feito tão bom negócio. 3% em $100.000 são $3.000! Como é bom ganhar assim de um dia para o outro. Isto realmente é uma mina. A minha posição vale agora $103.000, ou sobre o capital em margem dá $3000/$10000=30% de lucro! Brutal! Vou mesmo ser rico!
Entretanto no manhã seguinte há uma notícia terrível de que um incêndio lavrou na fábrica da companhia ABCD. Prejuízos incálculáveis. Interrupção da produção. Incapacidade de satisfazer encomendas. Augura-se a falência!
Quando o mercado abre não há contemplações. A cotação se ontem fechou, por exemplo, a $10,3, hoje abriu a $4.2, com tais notícias trágicas. A descida é de 59.2%! A descontinuidade é brutal. Não dá azo sequer a fecho de posição pela correctora, caso acontecesse numa descida gradual, que chegasse à margem de manutenção.
Conclusão: a minha posição que ontem valia $103000, hoje vale 103.000*(1-.592)= $42.024!
A correctora imediatamente fecha a posição e liga-me pelo telefone a dizer que estou em situação de dívida. O capital na minha conta é negativo!! Não tenho outra opção senão negociar com eles o seu pagamento e trabalhar 2 turnos para pagar a asneira.
Aí a correctora explica-me o seguinte:
Situação inicial com a posição em ABCD
Activo
Posição em ABCD: $100.000
Passivo
Empréstimo para a alavancagem: $90.000
Capital próprio
$10.000
No dia seguinte (com a valorização de 3%)
Activo
Posição em ABCD: $103.000
Passivo
Empréstimo para a alavancagem: $90.000
Despreza-se o juro diário
Capital próprio
$103.000-$90.000=$13.000
No dia 2, com a desvalorização de 59.2% em relação aos $103.000
Activo
Posição em ABCD: $42.024
Passivo
Empréstimo para a alavancagem: $90.000
Capital próprio
$42.024-$90.000=-$47.976
Com o fecho forçado da posição em ABCD, fica assim explicado que a minha dívida à correctora é de $47.976.
Triste sina a de ter de continuar a trabalhar e agora a dobrar...
Bem isto é só um exemplo, e corrijam onde estiver errado.
Mas dá para ter uma ideia extrema do que pode acontecer de mau com uma alavancagem!
Mas claro, cada um sabe de si, e Deus sabe de todos!
Um abraço.