Eu, Granadeiro, me confesso
09/02/2007
Apesar de tudo, 962 milhões de lucros brutos são obra. Arriscam-se mesmo a ser os melhores lucros de 2006 de uma empresa portuguesa não vá António Mexia querer disputar o palmarés.
Mas façamos contas pequenas. Será normal, será repetível, que sobre 962 milhões de lucros se paguem apenas 8 milhões de impostos? Repare-se que ninguém, a não ser o partido de Paulo Azevedo, está a dizer que aqui há artifícios financeiros. O que se pergunta é se os resultados de 2006 são repetíveis. Se podem voltar a acontecer. Se os factos especiais que libertam a PT de impostos normais vão voltar a influenciar resultados futuros.
Porque o que interessa ao accionista, que está a pensar quando e se vende ou não as acções da PT que possui, é saber se está diante da última oportunidade de usufruir bons dividendos.
É claro que Granadeiro tem de prometer fortes dividendos aos accionistas. Não só avançou com 0,475 euros por acção referentes a 2006 como assumiu o compromisso de subir a parada em 2007 e 2008. Se isso é racional ou não, é o assunto que vai ser discutido nas próximas semanas.
A Sonae, como lhe compete, irá chamar a atenção para a degradação dos resultados operacionais do grupo PT. Vai sublinhar todas as tendências negativas que são evidenciadas pelas contas de cada unidade operacional. E vai reafirmar que, consigo na liderança, a política de dividendos é extinta.
A PT, por seu turno, irá começar por destrunfar o novo facto de a Vivo apresentar lucros. Chamará a atenção para o fenómeno da TMN e para as perspectivas de futuro que se abrem. Quem ganha clientes como a PT ganhou ao ritmo do último trimestre tem mérito verdadeiro.
Aliás, mesmo que se considere que estes resultados da PT são "mais uma manobra de propaganda", como fonte da Sonae refere e como é normal que sejam vistos, o que importa saber é se a propaganda é ou não consistente.
E mal será que a propaganda seja falsa. Porque ninguém está a ver Zeinal Bava partir e m "road show" para promover junto dos investidores internacionais a posição de resistência à OPA, levando debaixo dos braços um dossier que comprometa a sua gestão.
Os resultados que a PT agora revelou não são resultados para encher o olho ao Zé Povinho. Pela simples razão que quem vai decidir a OPA são as casas especialistas em investimentos financeiros que não se deixam impressionar por "sound bites" e vão escrutinar todos os detalhes das contas.
Mas também é verdade que os resultados da PT são obviamente a arma derradeira de Granadeiro para a batalha decisiva. São o corolário de um ano de trabalho na liderança da PT. Serão a sua coroa de glória ou a sua coroa de espinhos. Muito dificilmente podem ser vistos apenas como fogo de artifício.
09/02/2007
Apesar de tudo, 962 milhões de lucros brutos são obra. Arriscam-se mesmo a ser os melhores lucros de 2006 de uma empresa portuguesa não vá António Mexia querer disputar o palmarés.
Mas façamos contas pequenas. Será normal, será repetível, que sobre 962 milhões de lucros se paguem apenas 8 milhões de impostos? Repare-se que ninguém, a não ser o partido de Paulo Azevedo, está a dizer que aqui há artifícios financeiros. O que se pergunta é se os resultados de 2006 são repetíveis. Se podem voltar a acontecer. Se os factos especiais que libertam a PT de impostos normais vão voltar a influenciar resultados futuros.
Porque o que interessa ao accionista, que está a pensar quando e se vende ou não as acções da PT que possui, é saber se está diante da última oportunidade de usufruir bons dividendos.
É claro que Granadeiro tem de prometer fortes dividendos aos accionistas. Não só avançou com 0,475 euros por acção referentes a 2006 como assumiu o compromisso de subir a parada em 2007 e 2008. Se isso é racional ou não, é o assunto que vai ser discutido nas próximas semanas.
A Sonae, como lhe compete, irá chamar a atenção para a degradação dos resultados operacionais do grupo PT. Vai sublinhar todas as tendências negativas que são evidenciadas pelas contas de cada unidade operacional. E vai reafirmar que, consigo na liderança, a política de dividendos é extinta.
A PT, por seu turno, irá começar por destrunfar o novo facto de a Vivo apresentar lucros. Chamará a atenção para o fenómeno da TMN e para as perspectivas de futuro que se abrem. Quem ganha clientes como a PT ganhou ao ritmo do último trimestre tem mérito verdadeiro.
Aliás, mesmo que se considere que estes resultados da PT são "mais uma manobra de propaganda", como fonte da Sonae refere e como é normal que sejam vistos, o que importa saber é se a propaganda é ou não consistente.
E mal será que a propaganda seja falsa. Porque ninguém está a ver Zeinal Bava partir e m "road show" para promover junto dos investidores internacionais a posição de resistência à OPA, levando debaixo dos braços um dossier que comprometa a sua gestão.
Os resultados que a PT agora revelou não são resultados para encher o olho ao Zé Povinho. Pela simples razão que quem vai decidir a OPA são as casas especialistas em investimentos financeiros que não se deixam impressionar por "sound bites" e vão escrutinar todos os detalhes das contas.
Mas também é verdade que os resultados da PT são obviamente a arma derradeira de Granadeiro para a batalha decisiva. São o corolário de um ano de trabalho na liderança da PT. Serão a sua coroa de glória ou a sua coroa de espinhos. Muito dificilmente podem ser vistos apenas como fogo de artifício.