Financeira de corretagem 2007-02-01 00:05
Corretora com 20 milhões congelados
A financeira de corretagem vai ser dissolvida. As contas dos clientes foram bloqueadas ontem.
Sílvia de Oliveira e Paula Alexandra Cordeiro
Ontem, boa parte dos cerca de 600 clientes da financeira de corretagem Finanser foram surpreendidos com a impossibilidade de movimentarem as suas contas. O “congelamento” das carteiras foi apenas uma das consequência da “mão pesada” dos reguladores, cujo efeito será a dissolução da empresa. O Banco de Portugal decidiu, na sequência de uma inspecção iniciada ainda em 2006, revogar a autorização dada à Finanser e, logo depois, a CMVM comunicou ter cancelado o registo para o exercício da actividade de intermediação financeira. Impossibilitada de operar, não resta outra hipótese à empresa controlada por Pedro Figueiredo, inibido pelo Banco de Portugal, senão aguardar pela nomeação do gestor liquidatário que conduzirá o processo de dissolução.
Em declarações ao DE, o presidente da Finanser garantiu que a empresa é solvente e que existe dinheiro para pagar a todos os clientes. “Como nos foi retirada a licença, estamos impedidos de fazer operações, o que faz com que alguns clientes tenham sido impedidos de aceder às suas contas. Os reguladores entenderam que é preferível que seja o gestor liquidatário a liderar o processo”, explicou Jerónimo Espírito Santo, que assumiu a liderança da financeira de corretagem, no início de 2006, já numa tentativa desesperada de evitar a falência.
O gestor adiantou que os activos sob gestão rondam os 20 milhões de euros, mas garantiu que a Finanser, pese embora as graves dificuldades, será capaz de fazer face às responsabilidades assumidas.
A decisão do Banco de Portugal e da CMVM resulta, conforme adiantou Jerónimo Espírito Santo, do avolumar de prejuízos – superiores a um milhão de euros – e do facto de, neste momento, o capital social da Finanser já ser inferior ao limite mínimo imposto por lei. “A lei exige um mínimo de 3,5 milhões de euros e a Finanser está com 2,5 milhões de euros”, precisou o presidente da financeira de corretagem.
Desde que começou a operar como financeira de corretagem, em 2000, a Finanser nunca conseguiu contas equilibradas, sendo que a situação se agravou bastante quando, já em 2005, um dos seus administradores efectuou fortes investimentos pessoais em acções com o dinheiro da empresa, que acabaram por se revelar desastrosos. “A empresa acabou por ter que assumir as perdas”, frisou.
O presidente da Finanser diz que ainda tentou reduzir o capital para absorção de prejuízos e a despromoção a corretora, mas que a solução esbarrou na inflexibilidade do Banco de Portugal. A urgência da empresa, que conta com cerca de 15 trabalhadores, é a nomeação do gestor liquidatário, que já foi solicitada ao Tribunal do Comércio.
A Finanser é controlada a 49% por Pedro Figueiredo com 49%. Os restantes accionistas são a Cross Value, Graça Proença de Carvalho e Cachudo Nunes.
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Corretora com 20 milhões congelados
A financeira de corretagem vai ser dissolvida. As contas dos clientes foram bloqueadas ontem.
Sílvia de Oliveira e Paula Alexandra Cordeiro
Ontem, boa parte dos cerca de 600 clientes da financeira de corretagem Finanser foram surpreendidos com a impossibilidade de movimentarem as suas contas. O “congelamento” das carteiras foi apenas uma das consequência da “mão pesada” dos reguladores, cujo efeito será a dissolução da empresa. O Banco de Portugal decidiu, na sequência de uma inspecção iniciada ainda em 2006, revogar a autorização dada à Finanser e, logo depois, a CMVM comunicou ter cancelado o registo para o exercício da actividade de intermediação financeira. Impossibilitada de operar, não resta outra hipótese à empresa controlada por Pedro Figueiredo, inibido pelo Banco de Portugal, senão aguardar pela nomeação do gestor liquidatário que conduzirá o processo de dissolução.
Em declarações ao DE, o presidente da Finanser garantiu que a empresa é solvente e que existe dinheiro para pagar a todos os clientes. “Como nos foi retirada a licença, estamos impedidos de fazer operações, o que faz com que alguns clientes tenham sido impedidos de aceder às suas contas. Os reguladores entenderam que é preferível que seja o gestor liquidatário a liderar o processo”, explicou Jerónimo Espírito Santo, que assumiu a liderança da financeira de corretagem, no início de 2006, já numa tentativa desesperada de evitar a falência.
O gestor adiantou que os activos sob gestão rondam os 20 milhões de euros, mas garantiu que a Finanser, pese embora as graves dificuldades, será capaz de fazer face às responsabilidades assumidas.
A decisão do Banco de Portugal e da CMVM resulta, conforme adiantou Jerónimo Espírito Santo, do avolumar de prejuízos – superiores a um milhão de euros – e do facto de, neste momento, o capital social da Finanser já ser inferior ao limite mínimo imposto por lei. “A lei exige um mínimo de 3,5 milhões de euros e a Finanser está com 2,5 milhões de euros”, precisou o presidente da financeira de corretagem.
Desde que começou a operar como financeira de corretagem, em 2000, a Finanser nunca conseguiu contas equilibradas, sendo que a situação se agravou bastante quando, já em 2005, um dos seus administradores efectuou fortes investimentos pessoais em acções com o dinheiro da empresa, que acabaram por se revelar desastrosos. “A empresa acabou por ter que assumir as perdas”, frisou.
O presidente da Finanser diz que ainda tentou reduzir o capital para absorção de prejuízos e a despromoção a corretora, mas que a solução esbarrou na inflexibilidade do Banco de Portugal. A urgência da empresa, que conta com cerca de 15 trabalhadores, é a nomeação do gestor liquidatário, que já foi solicitada ao Tribunal do Comércio.
A Finanser é controlada a 49% por Pedro Figueiredo com 49%. Os restantes accionistas são a Cross Value, Graça Proença de Carvalho e Cachudo Nunes.
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