Novo aeroporto da OTA & privatização da ANA
1 Mensagem
|Página 1 de 1
Novo aeroporto da OTA & privatização da ANA
O Governo vai abrir um concurso público internacional para a privatização da ANA e concessão do aeroporto da OTA. A operação, inédita em Portugal, será lançada durante o segundo semestre deste ano. A infra-estrutura entrará em funcionamento em 2017. Logo que se inicie a exploração, o Aeroporto da Portela será encerrado.
O anúncio foi feito ontem, em Lisboa, pelos ministros das Obras Públicas e das Finanças, durante a apresentação do ‘Modelo de Transacção para a construção do novo aeroporto de Lisboa’.
Trata-se de um modelo que assenta em dois princípios fundamentais: por um lado, associa a privatização da ANA (concessionária dos aeroportos) à construção da nova infra-estrutura; por outro, limita o investimento público, transferindo para o sector privado os riscos de construção e financiamento.
Assim, ao consórcio que adquirir a maioria do capital da ANA, cabe financiar 80 por cento da obra, orçada em 3,1 mil milhões de euros. Ser-lhe-á atribuída uma concessão de exploração por 30 anos.
A comparticipação estatal assegura os restantes 20 por cento (600 milhões de euros) e não mais do que isso, como frisou o titular da pasta das Obras Públicas, Mário Lino.
“Este é o montante máximo, pode até nem chegar aí. Se nos chegarem propostas onde o investimento público seja menor, esse será um factor importante a considerar”. Destes 600 milhões de euros, “430 milhões sairão do Orçamento de Estado e os restantes 170 milhões de euros serão provenientes de fundos europeus”. “Ou seja, como estamos a falar de uma obra a concluir em 2017, o investimento público ronda os 40 milhões de euros por ano até essa data”.
O governante recordou os fundamentos que estiveram na base da decisão de avançar com a construção de um novo aeroporto em Lisboa, como “a segurança e o ruído”, salientando que a Portela ficará ‘esgotada’ em 2017, altura em que se prevê um movimento da ordem dos 17 milhões de passageiros.
“Este ano, a Portela recebeu 12 milhões de passageiros, mais do que as previsões. A manter-se este ritmo, é possível que em 2017 também se ultrapassem as estimativas”, alertou Mário Lino. “Para assegurar uma passagem de testemunho em boas condições, a Portela vai receber um investimento de 350 milhões. Não podemos perder mercado nem voos.”
DEPOIMENTOS
"QUEREMOS PARTICIPAR" Luís Filipe Pereira, Presidente da EFACEC
“A EFACEC tem interesses nos transportes, logo, queremos participar neste projecto. Estamos interessados num consórcio, concorrente do já existente, formado pela Brisa e outros. Acredito que vai haver vários consórcios interessados. Este modelo de transacção é um dos possíveis, não digo o melhor, mas um dos mais viáveis.”
"É O MELHOR MODELO" António Mota, Director-geral da Mota-Engil
“Este modelo de transacção é o melhor para o Estado e para os privados. É urgente ser rápido e construir um novo aeroporto para as pessoas. É um modelo importante para fazer as coisas em bloco. A construção do novo aeroporto implica muitos riscos que podem ser compensados pela privatização da ANA, através dos conhecimentos já existentes.”
"VAMOS AVANÇAR" Vasco Mello, Presidente da Brisa
“Vamos avançar, seguramente. As decisões tomadas pelo Governo são fundamentais e o nosso consórcio espera agora pela clarificação dos termos da operação durante o primeiro semestre. O modelo de transacção apresentado é um dos possíveis. O importante é que o Estado mostrou com clareza as suas regras e isso é fundamental.”
PRIVATIZAÇÕES ULTRAPASSAM PREVISÕES
Teixeira dos Santos, titular da pasta da Finanças, aproveitou a apresentação do “Modelo de Transacção para a construção do novo aeroporto de Lisboa” para sublinhar a importância da “transferência de responsabilidades para o sector privado”.
“Não cabe só ao Estado colocar o País na rota do desenvolvimento. Isso só é possível com o esforço de todos”, afirmou.
No programa de privatizações para 2006 e 2007, o “Governo estabeleceu como meta um encaixe de 2,4 mil milhões de euros resultante das privatizações. O ano passado atingimos os 1,8 milhões, sendo que 80 por cento foram afectados à amortização da dívida pública. Este ano esperamos realizar 950 milhões de euros, mais 150 milhões do que o previsto”, disse o ministro.
Refira-se que, segundo um estudo da Lusa, o Estado arrecadou vinte milhões de euros com privatizações de empresas públicas entre 1989 e 2006.
Na calha das privatizações para este ano está a venda de participações da EDP, REN, Inapa e TAP.
O processo de privatização da ANA e concessão do novo aeroporto avança no segundo semestre deste ano, mas, segundo o ministro, a verba proveniente desta venda não entrará nas contas de 2007.
O consórcio liderado pela Brisa e a Mota-Engil é, até à data, o único formado para concorrer à privatização da ANA e à concessão do novo aeroporto. Integra, ainda, os três maiores bancos portugueses (CGD, BCP e BES) e a construtora Somague. A Brisa e a Mota-Engil lideram o projecto, com participações iguais de 26, 25 por cento. Cada banco ficará com dez por cento.
NOVO AEROPORTO DA OTA
HISTÓRIA
Há cerca de 30 anos que se pensa na construção de um novo aeroporto para Lisboa, mas foi na década de 90 que a ideia ganhou outra consistência.
LOCAL
Decidida a necessidade de uma nova infra-estrutura, dois locais concentraram atenções: Ota e Rio Frio. A opção pela Ota foi revelada em Novembro de 2005.
LIGAÇÕES
O Aeroporto da Ota terá ligações à A1 e A1/IC2. Será servido pelo Caminho de Ferro, com especial destaque para o TGV (que ligará Lisboa a Madrid).
AMBIENTE
O impacte nos recursos hídricos, solos e paisagem do novo aeroporto estão a ser avaliados, num estudo que estará concluído em Julho.
NOTAS
Mil MILHÕES PARA O TURISMO NACIONAL
O novo aeroporto, na Ota, deverá gerar cerca de 1100 milhões de euros para o turismo nacional, com um acréscimo de 7,35 milhões de dormidas
AEROPORTO DA PORTELA TEM 65 ANOS
Aberto ao tráfego em 15 de Outubro de 1942, é servido por duas pistas, uma com 3805 metros de comprimento e outra com 2400 metros de comprimento
CONSTRUÇÃO DO AEROPORTO DE BEJA
O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, e o primeiro-ministro, José Sócrates, estão hoje em Beja. Dar-se-á início à empreitada para o novo aeroporto em Beja
LISBOA PODE PERDER 12% DE DORMIDAS
A Região de Lisboa e Vale do Tejo poderá perder 12% do número anual de dormidas turísticas quando a cidade deixar de ter o aeroporto a funcionar na Portela
Paulo João santos / Ana Rita Estrompa / Lusa
O anúncio foi feito ontem, em Lisboa, pelos ministros das Obras Públicas e das Finanças, durante a apresentação do ‘Modelo de Transacção para a construção do novo aeroporto de Lisboa’.
Trata-se de um modelo que assenta em dois princípios fundamentais: por um lado, associa a privatização da ANA (concessionária dos aeroportos) à construção da nova infra-estrutura; por outro, limita o investimento público, transferindo para o sector privado os riscos de construção e financiamento.
Assim, ao consórcio que adquirir a maioria do capital da ANA, cabe financiar 80 por cento da obra, orçada em 3,1 mil milhões de euros. Ser-lhe-á atribuída uma concessão de exploração por 30 anos.
A comparticipação estatal assegura os restantes 20 por cento (600 milhões de euros) e não mais do que isso, como frisou o titular da pasta das Obras Públicas, Mário Lino.
“Este é o montante máximo, pode até nem chegar aí. Se nos chegarem propostas onde o investimento público seja menor, esse será um factor importante a considerar”. Destes 600 milhões de euros, “430 milhões sairão do Orçamento de Estado e os restantes 170 milhões de euros serão provenientes de fundos europeus”. “Ou seja, como estamos a falar de uma obra a concluir em 2017, o investimento público ronda os 40 milhões de euros por ano até essa data”.
O governante recordou os fundamentos que estiveram na base da decisão de avançar com a construção de um novo aeroporto em Lisboa, como “a segurança e o ruído”, salientando que a Portela ficará ‘esgotada’ em 2017, altura em que se prevê um movimento da ordem dos 17 milhões de passageiros.
“Este ano, a Portela recebeu 12 milhões de passageiros, mais do que as previsões. A manter-se este ritmo, é possível que em 2017 também se ultrapassem as estimativas”, alertou Mário Lino. “Para assegurar uma passagem de testemunho em boas condições, a Portela vai receber um investimento de 350 milhões. Não podemos perder mercado nem voos.”
DEPOIMENTOS
"QUEREMOS PARTICIPAR" Luís Filipe Pereira, Presidente da EFACEC
“A EFACEC tem interesses nos transportes, logo, queremos participar neste projecto. Estamos interessados num consórcio, concorrente do já existente, formado pela Brisa e outros. Acredito que vai haver vários consórcios interessados. Este modelo de transacção é um dos possíveis, não digo o melhor, mas um dos mais viáveis.”
"É O MELHOR MODELO" António Mota, Director-geral da Mota-Engil
“Este modelo de transacção é o melhor para o Estado e para os privados. É urgente ser rápido e construir um novo aeroporto para as pessoas. É um modelo importante para fazer as coisas em bloco. A construção do novo aeroporto implica muitos riscos que podem ser compensados pela privatização da ANA, através dos conhecimentos já existentes.”
"VAMOS AVANÇAR" Vasco Mello, Presidente da Brisa
“Vamos avançar, seguramente. As decisões tomadas pelo Governo são fundamentais e o nosso consórcio espera agora pela clarificação dos termos da operação durante o primeiro semestre. O modelo de transacção apresentado é um dos possíveis. O importante é que o Estado mostrou com clareza as suas regras e isso é fundamental.”
PRIVATIZAÇÕES ULTRAPASSAM PREVISÕES
Teixeira dos Santos, titular da pasta da Finanças, aproveitou a apresentação do “Modelo de Transacção para a construção do novo aeroporto de Lisboa” para sublinhar a importância da “transferência de responsabilidades para o sector privado”.
“Não cabe só ao Estado colocar o País na rota do desenvolvimento. Isso só é possível com o esforço de todos”, afirmou.
No programa de privatizações para 2006 e 2007, o “Governo estabeleceu como meta um encaixe de 2,4 mil milhões de euros resultante das privatizações. O ano passado atingimos os 1,8 milhões, sendo que 80 por cento foram afectados à amortização da dívida pública. Este ano esperamos realizar 950 milhões de euros, mais 150 milhões do que o previsto”, disse o ministro.
Refira-se que, segundo um estudo da Lusa, o Estado arrecadou vinte milhões de euros com privatizações de empresas públicas entre 1989 e 2006.
Na calha das privatizações para este ano está a venda de participações da EDP, REN, Inapa e TAP.
O processo de privatização da ANA e concessão do novo aeroporto avança no segundo semestre deste ano, mas, segundo o ministro, a verba proveniente desta venda não entrará nas contas de 2007.
O consórcio liderado pela Brisa e a Mota-Engil é, até à data, o único formado para concorrer à privatização da ANA e à concessão do novo aeroporto. Integra, ainda, os três maiores bancos portugueses (CGD, BCP e BES) e a construtora Somague. A Brisa e a Mota-Engil lideram o projecto, com participações iguais de 26, 25 por cento. Cada banco ficará com dez por cento.
NOVO AEROPORTO DA OTA
HISTÓRIA
Há cerca de 30 anos que se pensa na construção de um novo aeroporto para Lisboa, mas foi na década de 90 que a ideia ganhou outra consistência.
LOCAL
Decidida a necessidade de uma nova infra-estrutura, dois locais concentraram atenções: Ota e Rio Frio. A opção pela Ota foi revelada em Novembro de 2005.
LIGAÇÕES
O Aeroporto da Ota terá ligações à A1 e A1/IC2. Será servido pelo Caminho de Ferro, com especial destaque para o TGV (que ligará Lisboa a Madrid).
AMBIENTE
O impacte nos recursos hídricos, solos e paisagem do novo aeroporto estão a ser avaliados, num estudo que estará concluído em Julho.
NOTAS
Mil MILHÕES PARA O TURISMO NACIONAL
O novo aeroporto, na Ota, deverá gerar cerca de 1100 milhões de euros para o turismo nacional, com um acréscimo de 7,35 milhões de dormidas
AEROPORTO DA PORTELA TEM 65 ANOS
Aberto ao tráfego em 15 de Outubro de 1942, é servido por duas pistas, uma com 3805 metros de comprimento e outra com 2400 metros de comprimento
CONSTRUÇÃO DO AEROPORTO DE BEJA
O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, e o primeiro-ministro, José Sócrates, estão hoje em Beja. Dar-se-á início à empreitada para o novo aeroporto em Beja
LISBOA PODE PERDER 12% DE DORMIDAS
A Região de Lisboa e Vale do Tejo poderá perder 12% do número anual de dormidas turísticas quando a cidade deixar de ter o aeroporto a funcionar na Portela
Paulo João santos / Ana Rita Estrompa / Lusa
- Mensagens: 555
- Registado: 2/7/2004 18:11
1 Mensagem
|Página 1 de 1
Quem está ligado:
Utilizadores a ver este Fórum: Google [Bot], Phil2014 e 36 visitantes