A AMD AINDA NÃO SE SAFOU
Sexta, 08 de Dezembro , 01:33
Arquivado por Marco Santos em Bits & Bytes, Artigos
http://bits.webhs.org/bitaites/?p=3030Gustavo Dias, administrador da Techzone, colaborador do Bits & Bytes e autor das considerações que se seguem, vê a AMD com um futuro incerto, pelo menos no imediato. Ao que tudo indica, a AMD não será capaz de lançar a tempo um processador Quad-Core como o da Intel (consultar os posts Intel: a Era dos Quatro Núcleos e Os Processadores Quad-Core) e muito menos um Quad-Core nativo.
A resposta da AMD ao avanço da Intel consistiu na criação de uma nova plataforma para o mercado doméstico (e entusiastas) – o Quad FX. Mas esta plataforma, segundo o Gustavo, é um pouco confusa. Dado que o desenvolvimento de um processador de raíz Quad-Core era um projecto impossível de completar em tão pouco espaço de tempo, a AMD decidiu apostar num sistema de força bruta, um sistema Dual-Socket. Significa isto que a plataforma Quad-Core da AMD não passa apenas de dois processadores Dual-Core.
Por outras palavras: este sistema da AMD sustenta-se numa motherboard com duas processadores em interligação direita (1). A motherboard está equipada com um chipset Nvidia nForce 680a (2) e dois processadores Athlon FX-7X Socket 1207. Este é o novo socket para os futuros AMD, ao estilo dos LGA775 da Intel, com os pinos integrados na placa-mãe.
Ao contrário do que acontece com os Opteron Socket 1207, estes Athlon64 FX não necessitam de memórias “registadas”, mas apenas de vulgares DDR2-800MHz. Para tornar esta plataforma mais atraente, a AMD prepara-se para vender os processadores sob forma de bundles, ou seja, cada caixa irá trará dois processadores, sejam FX-70, 72 ou 74. Sendo estes novos FX-7x fabricados a 90nm SOI, com um TDP na ordem dos 125w, e com velocidades na ordem dos 3GHz, está assim atingido ao limite dos actuais Athlon64.
Infelizmente, os primeiros testes comparando o desempenho dos dois sistemas – Intel Core 2 Duo e Core 2 Quad – tiveram resultados desanimadores para a AMD, sobretudo a nível de jogos. Quanto às aplicações e aos testes sintéticos, o sistema Quad FX demonstrou ser sempre inferior aos produtos apresentados pela Intel.
Apesar deste tipo de plataforma poder vir a ser uma boa alternativa para os futuros K8L, nos dias de hoje, e com os processadores existentes, a Intel mantém-se intocável no campo do desempenho.
Existe também outro factor importante capaz de fazer com que muitos possíveis compradores desistam da ideia: o consumo eléctrico de um sistema destes.
Um sistema completo com dois processadores FX-74, 2 7900GTX em SLI e 4 discos em Raid consegue gerar um consumo em idle de mais de 450W, ou seja, qualquer fonte abaixo dos 700W é loucura num sistema destes. Para piorar a situação, o preço da motherboard Asus L1N64-SLI WS deverá situar-se entre 400 e 500 Euros.
Conclusão: a Intel mantém-se em grande força no domínio do mercado de processadores. A AMD só terá hipótese quando lançar os K8L e processadores topo de gama a 65nm. O problema é que estes só deverão estar disponíveis perto do Verão de 2007 – e nessa altura já a Intel terá toda a linha de processadores a 45nm, com as SSE4 e outras funcionalidades capazes de dar muitas dores de cabeça à AMD. O futuro tornou-se incerto para a AMD, que tantas alegrias deu ao mercado dos entusiastas. Foi a concorrente AMD que obrigou a Intel a acordar, começando a pensar no mais importante, ou seja, na necessidade dos seus consumidores.
(1) NUMA designa a nova tecnologia de interligação entre os processadores, via HyperTransport. Isto significa que, apesar de cada processador possuir o seu controlador de memória integrado e gerir as suas ranhuras de memória, ambos acedem à totalidade da memória do sistema sem atrasos de maior. Por exemplo, se um determinado conjunto de dados estiverna memória gerida por um processador, o outro utilizará a ligação HyperTransport para aceder a essa memória. No Windows XP este procedimento poderá dar origem a valores de desempenho irregulares, mas quando sair o Windows Vista, que posasui melhor gestão de sistemas multi-processadores e multi-core, a performance deverá ser bastante optimizada.
(2) A escolha do chipset de suporte foi uma surpresa. Com a recente aquisição da ATI por parte da AMD, ninguém esperava que esta precisasse de recorrer à Nvidia para o desenvolvimento do chipset. Para criar uma plataforma de futuro, a Nvidia decidiu recorrer ao novo chipset, o nForce 680a, a versão AMD do nForce 680i. A motherboard irá possuir dois chipset nForce 680a SLI em conjunto, permitindo assim duas ligações PCI-E 16x e duas ligações PCI-E 8x para o Quad-SLI, para além das 12 ligações Sata2, 4 placas de rede gigabit, 20 usb2.0, entre outras.
Na comunicação com os processadores, existirá uma ligação HyperTransport (HT) 16x entre os dois chipsets e um processador principal, comunicando o outro por meio do HT do 1º processador e o HT dos chipsets. Apenas a Asus irá produzir motherboards para esta plataforma, com a sua L1N64-SLI WS.