No BPI online
E se a Sonaecom não desistir da OPA?
21/11/2006
De facto, nos bastidores, nem tudo está na mesma. Ainda ontem, a Sonaecom veio protestar junto da CMVM com a operação de alienação da PTC e da TMN à PT Portugal. Surpresa! Ao princípio, o motivo do protesto nem se percebia bem, pois a operação de fusão entre a PTC e a TMN passou despercebida a quase toda a gente.
De facto, como é que a nota 2 do rodapé de uma tabela do relatório e contas da PT do terceiro trimestre não iria passar despercebida?
Sempre tão disponível para fazer uma grande promoção das suas decisões estratégicas, desta vez, Henrique Granadeiro optou pela mais discreta das informações ao mercado. Tão discreta que nem o famoso Google detectou o facto. De tal forma que nem o Simplex da publicação dos actos societários dispõe de informação. De tal forma que os jornais da especialidade noticiaram a intenção mas não o facto.
A 24 de Agosto, o Jornal de Negócios noticiava "O Conselho de Administração da Portugal Telecom (PT) quer fundir numa mesma empresa as operações de telefonia fixa e telefonia móvel do grupo. As actuais PT Comunicações e TMN irão juntar-se assim numa nova sociedade a constituir, que até já tem nome registado: PT Portugal."
Mas a verdade é que a sociedade já estava mesmo de pé há quase seis meses. A PT Portugal foi constituída a 29 de Março e registada dois dias depois. Adoptou a forma de SGPS, dotou-se de um capital de 50 mil euros em acções nominativas de um euro e nomeou presidente, Henrique Granadeiro, e administradores Zeinal Bava e Rodrigo Costa.
Foi portanto rápida a administração da PT a reagir à iniciativa da Sonaecom. No princípio de Março, Granadeiro anunciava as linhas gerais do seu plano de resistência à OPA e até Agosto, data em que o plano foi finalmente formalmente comunicado, não perdeu tempo.
Também a 24 de Agosto, o Jornal de Negócios escrevia que o presidente da PT "irá comunicar esta intenção [fusão TMN e PTC] por escrito ao Estado, numa carta que chegará nos próximos dias ao gabinete do ministro das Obras Públicas e Comunicações, Mário Lino."
A confirmar-se que a carta foi escrita e recebida, também o ministro das Comunicações não fez disso notícia e é legítimo supor, a ser verdade que a operação está mesmo concretizada, que ou fez ouvidos de mercador ou não teve nada a opor à iniciativa.
Em suma, a PT andou em pezinhos de lã e realizou uma operação que bloqueia, durante um ano, o que quer que se possa fazer quanto à TMN e à PTC.
E todas as pessoas hão-de concordar com a Sonaecom quando afirma que se trata "de operações que, atentos os valores envolvidos, não se reconduzem à gestão normal da sociedade, e que alteram de modo relevante a situação patrimonial da sociedade visada".
Portanto, depois disto, anda enganado quem espera que a Sonaecom precise do novo projecto de decisão da Autoridade da Concorrência para encontrar o argumento para fundamentar a sua hipotética desistência da OPA à PT.
Estes tipos vêm ler o caldeirão e depois plagiam ideias e aparecem a dar ''novidades em 1ª mão''!!!
E ainda por cima levantam lebres (desistência da OPA??) inexplicáveis.
21/11/2006
De facto, nos bastidores, nem tudo está na mesma. Ainda ontem, a Sonaecom veio protestar junto da CMVM com a operação de alienação da PTC e da TMN à PT Portugal. Surpresa! Ao princípio, o motivo do protesto nem se percebia bem, pois a operação de fusão entre a PTC e a TMN passou despercebida a quase toda a gente.
De facto, como é que a nota 2 do rodapé de uma tabela do relatório e contas da PT do terceiro trimestre não iria passar despercebida?
Sempre tão disponível para fazer uma grande promoção das suas decisões estratégicas, desta vez, Henrique Granadeiro optou pela mais discreta das informações ao mercado. Tão discreta que nem o famoso Google detectou o facto. De tal forma que nem o Simplex da publicação dos actos societários dispõe de informação. De tal forma que os jornais da especialidade noticiaram a intenção mas não o facto.
A 24 de Agosto, o Jornal de Negócios noticiava "O Conselho de Administração da Portugal Telecom (PT) quer fundir numa mesma empresa as operações de telefonia fixa e telefonia móvel do grupo. As actuais PT Comunicações e TMN irão juntar-se assim numa nova sociedade a constituir, que até já tem nome registado: PT Portugal."
Mas a verdade é que a sociedade já estava mesmo de pé há quase seis meses. A PT Portugal foi constituída a 29 de Março e registada dois dias depois. Adoptou a forma de SGPS, dotou-se de um capital de 50 mil euros em acções nominativas de um euro e nomeou presidente, Henrique Granadeiro, e administradores Zeinal Bava e Rodrigo Costa.
Foi portanto rápida a administração da PT a reagir à iniciativa da Sonaecom. No princípio de Março, Granadeiro anunciava as linhas gerais do seu plano de resistência à OPA e até Agosto, data em que o plano foi finalmente formalmente comunicado, não perdeu tempo.
Também a 24 de Agosto, o Jornal de Negócios escrevia que o presidente da PT "irá comunicar esta intenção [fusão TMN e PTC] por escrito ao Estado, numa carta que chegará nos próximos dias ao gabinete do ministro das Obras Públicas e Comunicações, Mário Lino."
A confirmar-se que a carta foi escrita e recebida, também o ministro das Comunicações não fez disso notícia e é legítimo supor, a ser verdade que a operação está mesmo concretizada, que ou fez ouvidos de mercador ou não teve nada a opor à iniciativa.
Em suma, a PT andou em pezinhos de lã e realizou uma operação que bloqueia, durante um ano, o que quer que se possa fazer quanto à TMN e à PTC.
E todas as pessoas hão-de concordar com a Sonaecom quando afirma que se trata "de operações que, atentos os valores envolvidos, não se reconduzem à gestão normal da sociedade, e que alteram de modo relevante a situação patrimonial da sociedade visada".
Portanto, depois disto, anda enganado quem espera que a Sonaecom precise do novo projecto de decisão da Autoridade da Concorrência para encontrar o argumento para fundamentar a sua hipotética desistência da OPA à PT.
Estes tipos vêm ler o caldeirão e depois plagiam ideias e aparecem a dar ''novidades em 1ª mão''!!!
E ainda por cima levantam lebres (desistência da OPA??) inexplicáveis.