E já agora lê tb isto (não ligues ao teor político da coisa):
A magnitude da especulação
A magnitude da especulação em todos os tipos de "instrumentos" financeiros tais como acções, futuros, derivativos e divisas é verdadeiramente espantosa. Magdoff e Sweezy estavam manifestamente impressionados por esta tendência quando pela primeira vez tocaram o alarme. Hoje os analistas financeiros muitas vezes pretendem que as finanças podem levitar para sempre a níveis cada vez mais altos independentemente da economia produtiva subjacente. Os mercados de acções e o comércio de divisas (apostando em que a divisa de um país mudará em relação à de outro) tornaram-se pouco mais do que casinos gigantes onde o número e o valor das transacções aumentou para longe da proporção em relação à economia subjacente. Por exemplo: em 1975, 19 milhões de acções foram comerciadas diariamente na Bolsa de Valores de Nova York. Em 1985 o volume havia alcançado 109 milhões e em 2006, foram 1600 milhões de acções com um valor de mais de US$ 60 mil milhões ( http://www.nyse.com ). Ainda maior é a comercialização diárias nos mercados mundiais de divisas, a qual passou de US$ 18 mil milhões por dia em 1977 para a actual média de US$ 1,8 milhão de milhões por dia! Isto significa que a cada vinte e quatro horas do dia o volume em dólares das divisas comerciadas equivale a todo o PIB mundial anual! A especulação com divisas é especialmente atraente — você pode comerciar vinte e quatro horas por dia e é fácil entrar e sair rapidamente. Contudo, "veteranos do câmbio de divisas externas advertem que os riscos são enormes. Os traders podem alavancar suas posições de modo a colocar apostas avaliadas em mais de 200 vezes o dinheiro que dispõem. Se uma aposta for errada, eles podem perder uma quantia correspondente" ( Wall Street Journal, 26/Julho/2005). Embora quase todo o comércio de divisas seja nas grandes divisas como o dólar, o yen, o euro e a libra esterlina, uma artimanha relativamente recente envolveu a tomada de empréstimos do yen japonês, porque o governo tem estado a tentar estimular a sua economia mantendo efectivamente taxas de juros zero. Estes fundos foram então transferidos para países com taxas de juros relativamente altas como a Austrália, Nova Zelância, Turquia e Islândia. Assim, grande parte do dinheiro transferiu-se para a Islândia a fim de aproveitar a taxa de juros de 11,5 por cento sobre o krona, o qual, quando começou a ser retirado depois de o Japão indicar que iria elevar as taxas de juro, levou o krona e o mercado de acções da Islândia a cair dramaticamente.
Há toda a espécie de meios para jogar o jogo do mercado. Exemplo: alguém pode apostar que o preço de uma acção particular vai baixar (short selling) vendendo acções emprestadas e concordando em recomprar as acções e devolvê-las ao seu possuidor num determinado momento no futuro. Alguém pode comprar o direito de adquirir uma acção no futuro a um determinado preço (uma call option ), ou vender uma acção no futuro (uma put option ) a um determinado preço.
Além disso há os futuros — alguém pode apostar sobre o valor futuro ou o índice de quase qualquer coisa. Tem havido mercados de futuros para commodities agrícolas como cereais, leite, manteiga, café, açúcar, sumo de laranja, gado, barrigas de porco, assim como combustíveis e metais. Faz um bocado de sentido na economia produtiva que uma companhia, para estabilizar ou manter inalterados os custos de um ingrediente importante do seu produto, tal como o trigo para uma padaria. Contudo, numa base mundial, dos aproximadamente dez mil mihões de contratos (futuros, opções sobre futuros, e opções sobre securities) comerciados em 2055, menos de 8 por cento foram sobre commodities agrícolas, metais e energia. Hoje em dia, cerca de 92 por cento das apostas sobre futuros são colocadas no sector financeiro: os preços das diferentes divisas, títulos municipais e do tesouro, acções, taxas de juro, e vários índices financeiros ou de acções (tais como o NIKKEI 225 japonês, o U.S. Standard & Poors 500, e o Dow Jones Industrial Average, etc.)
Um dos mais bizarros mercados de futuros foi criado em 2003 pelo Departamento da Defesa do Governo dos Estados Unidos em conjunto com uma companhia privada — apostar sobre a probabilidade de assassinatos e ataques terroristas. Como disse então o líder da minoria no Senado, Tom Daschle, Democrata do Dakota do Sul, em sessão plenária: "Eu não podia acreditar que nós realmente nos comprometeríamos com US$ 8 milhões para criar um sítio web que estimularia os investidores a apostar sobre futuros envolvendo ataques terroristas e assassinatos públicos ... Não acreditava que alguém proporia seriamente que comerciássemos com a morte ... Quanto demoraria para que víssemos traders a investirem de um modo que provocaria o resultado desejado?" O alvoroço provocou o cancelamento da participação do governo neste programa.
Os derivativos e os hedge funds também desempenharam um papel crítico na explosão da especulação financeira.
A rotação diária de contratos derivados de divisas estrangeiros e de taxas de juros (incluindo instrumentos tradicionais tais como outright forwards e swaps de divisas estrangeiras) entre Abril de 2001 e Abril de 2004 aumentou numa proporção estimada em 74 por cento, para US$ 2,4 milhões de milhões. Os montantes imaginários dos derivativos legais (a soma do valor nominal absoluto de todos os negócios concluídos e ainda abertos) no fim de Junho de 2006 foi de US$ 283 milhões de milhões — mais de seis vezes do que todos os bens e serviços produzidos no mundo durante o período de um ano. Para dar alguma ideia do ritmo contínuo da actividade com derivativos, durante o primeiro semestre de 2006 "o mercado global em créditos derivativos cresceu 52 por cento, para US$ 26 milhões de milhões" ( New York Times, 22/Setembro/2006). Este mercado tem crescido a um ritmo de mais de 100 por cento ao ano durante os últimos quatro anos.
Os hedge funs com bases nos EUA, actualmente com activos de aproximadamente US$ 1,2 milhão de milhões, move rapidamente grandes montantes de capital para dentro e para fora dos investimentos — é estimado que eles representam cerca da metade da comercialização diárias de acções nos Estados Unidos. E enquanto proclamam retornos elevados, há muito perigos a espreitar por trás dos grandes riscos que estes fundos estão a tomar. Exemplo: o hedge fund Amaranth Advisors perdeu US$ 6 mil milhões, mais da metade dos activos que administrava, durante uma semana em Setembro. Eles perderam tanto dinheiro tão rapidamente ao fazerem grandes apostas sobre o preço do gás natural, o qual é um bocado mais volátil do que o preço do petróleo. Eles apostaram que a diferença de preço entre o gás para entrega em Março de 2007 e o gás para entrega um mês depois (Abril de 2007) continuaria a ampliar-se. Ao invés disso, como os preços do gás geralmente diminuem em Setembro, o spread estreitou-se significativamente. Claramente, este tipo de especulação cria instabilidade potencial no sistema financeiro. Como disse um artigo no New York Times: "Enormes perdas num dos maiores hedge funds do país ressuscitaram ontem preocupações de que grandes apostas destas associações secretas e não regulamentadas de investimentos possa criar rupturas financeiras generalizadas" (19/Setembro/2006).
http://www.resistir.info/mreview/explosao_divida.html
A magnitude da especulação
A magnitude da especulação em todos os tipos de "instrumentos" financeiros tais como acções, futuros, derivativos e divisas é verdadeiramente espantosa. Magdoff e Sweezy estavam manifestamente impressionados por esta tendência quando pela primeira vez tocaram o alarme. Hoje os analistas financeiros muitas vezes pretendem que as finanças podem levitar para sempre a níveis cada vez mais altos independentemente da economia produtiva subjacente. Os mercados de acções e o comércio de divisas (apostando em que a divisa de um país mudará em relação à de outro) tornaram-se pouco mais do que casinos gigantes onde o número e o valor das transacções aumentou para longe da proporção em relação à economia subjacente. Por exemplo: em 1975, 19 milhões de acções foram comerciadas diariamente na Bolsa de Valores de Nova York. Em 1985 o volume havia alcançado 109 milhões e em 2006, foram 1600 milhões de acções com um valor de mais de US$ 60 mil milhões ( http://www.nyse.com ). Ainda maior é a comercialização diárias nos mercados mundiais de divisas, a qual passou de US$ 18 mil milhões por dia em 1977 para a actual média de US$ 1,8 milhão de milhões por dia! Isto significa que a cada vinte e quatro horas do dia o volume em dólares das divisas comerciadas equivale a todo o PIB mundial anual! A especulação com divisas é especialmente atraente — você pode comerciar vinte e quatro horas por dia e é fácil entrar e sair rapidamente. Contudo, "veteranos do câmbio de divisas externas advertem que os riscos são enormes. Os traders podem alavancar suas posições de modo a colocar apostas avaliadas em mais de 200 vezes o dinheiro que dispõem. Se uma aposta for errada, eles podem perder uma quantia correspondente" ( Wall Street Journal, 26/Julho/2005). Embora quase todo o comércio de divisas seja nas grandes divisas como o dólar, o yen, o euro e a libra esterlina, uma artimanha relativamente recente envolveu a tomada de empréstimos do yen japonês, porque o governo tem estado a tentar estimular a sua economia mantendo efectivamente taxas de juros zero. Estes fundos foram então transferidos para países com taxas de juros relativamente altas como a Austrália, Nova Zelância, Turquia e Islândia. Assim, grande parte do dinheiro transferiu-se para a Islândia a fim de aproveitar a taxa de juros de 11,5 por cento sobre o krona, o qual, quando começou a ser retirado depois de o Japão indicar que iria elevar as taxas de juro, levou o krona e o mercado de acções da Islândia a cair dramaticamente.
Há toda a espécie de meios para jogar o jogo do mercado. Exemplo: alguém pode apostar que o preço de uma acção particular vai baixar (short selling) vendendo acções emprestadas e concordando em recomprar as acções e devolvê-las ao seu possuidor num determinado momento no futuro. Alguém pode comprar o direito de adquirir uma acção no futuro a um determinado preço (uma call option ), ou vender uma acção no futuro (uma put option ) a um determinado preço.
Além disso há os futuros — alguém pode apostar sobre o valor futuro ou o índice de quase qualquer coisa. Tem havido mercados de futuros para commodities agrícolas como cereais, leite, manteiga, café, açúcar, sumo de laranja, gado, barrigas de porco, assim como combustíveis e metais. Faz um bocado de sentido na economia produtiva que uma companhia, para estabilizar ou manter inalterados os custos de um ingrediente importante do seu produto, tal como o trigo para uma padaria. Contudo, numa base mundial, dos aproximadamente dez mil mihões de contratos (futuros, opções sobre futuros, e opções sobre securities) comerciados em 2055, menos de 8 por cento foram sobre commodities agrícolas, metais e energia. Hoje em dia, cerca de 92 por cento das apostas sobre futuros são colocadas no sector financeiro: os preços das diferentes divisas, títulos municipais e do tesouro, acções, taxas de juro, e vários índices financeiros ou de acções (tais como o NIKKEI 225 japonês, o U.S. Standard & Poors 500, e o Dow Jones Industrial Average, etc.)
Um dos mais bizarros mercados de futuros foi criado em 2003 pelo Departamento da Defesa do Governo dos Estados Unidos em conjunto com uma companhia privada — apostar sobre a probabilidade de assassinatos e ataques terroristas. Como disse então o líder da minoria no Senado, Tom Daschle, Democrata do Dakota do Sul, em sessão plenária: "Eu não podia acreditar que nós realmente nos comprometeríamos com US$ 8 milhões para criar um sítio web que estimularia os investidores a apostar sobre futuros envolvendo ataques terroristas e assassinatos públicos ... Não acreditava que alguém proporia seriamente que comerciássemos com a morte ... Quanto demoraria para que víssemos traders a investirem de um modo que provocaria o resultado desejado?" O alvoroço provocou o cancelamento da participação do governo neste programa.
Os derivativos e os hedge funds também desempenharam um papel crítico na explosão da especulação financeira.
A rotação diária de contratos derivados de divisas estrangeiros e de taxas de juros (incluindo instrumentos tradicionais tais como outright forwards e swaps de divisas estrangeiras) entre Abril de 2001 e Abril de 2004 aumentou numa proporção estimada em 74 por cento, para US$ 2,4 milhões de milhões. Os montantes imaginários dos derivativos legais (a soma do valor nominal absoluto de todos os negócios concluídos e ainda abertos) no fim de Junho de 2006 foi de US$ 283 milhões de milhões — mais de seis vezes do que todos os bens e serviços produzidos no mundo durante o período de um ano. Para dar alguma ideia do ritmo contínuo da actividade com derivativos, durante o primeiro semestre de 2006 "o mercado global em créditos derivativos cresceu 52 por cento, para US$ 26 milhões de milhões" ( New York Times, 22/Setembro/2006). Este mercado tem crescido a um ritmo de mais de 100 por cento ao ano durante os últimos quatro anos.
Os hedge funs com bases nos EUA, actualmente com activos de aproximadamente US$ 1,2 milhão de milhões, move rapidamente grandes montantes de capital para dentro e para fora dos investimentos — é estimado que eles representam cerca da metade da comercialização diárias de acções nos Estados Unidos. E enquanto proclamam retornos elevados, há muito perigos a espreitar por trás dos grandes riscos que estes fundos estão a tomar. Exemplo: o hedge fund Amaranth Advisors perdeu US$ 6 mil milhões, mais da metade dos activos que administrava, durante uma semana em Setembro. Eles perderam tanto dinheiro tão rapidamente ao fazerem grandes apostas sobre o preço do gás natural, o qual é um bocado mais volátil do que o preço do petróleo. Eles apostaram que a diferença de preço entre o gás para entrega em Março de 2007 e o gás para entrega um mês depois (Abril de 2007) continuaria a ampliar-se. Ao invés disso, como os preços do gás geralmente diminuem em Setembro, o spread estreitou-se significativamente. Claramente, este tipo de especulação cria instabilidade potencial no sistema financeiro. Como disse um artigo no New York Times: "Enormes perdas num dos maiores hedge funds do país ressuscitaram ontem preocupações de que grandes apostas destas associações secretas e não regulamentadas de investimentos possa criar rupturas financeiras generalizadas" (19/Setembro/2006).
http://www.resistir.info/mreview/explosao_divida.html