Mercados
Portucel fora do vulgar
Privatização será feita apenas através de uma Oferta Pública de Venda. Promoção tem sido fraca e não conta com a participação da administração
A privatização da Portucel não passará pela venda directa a institucionais Depois do stresse que foi a aprovação do prospecto da Galp, esperava-se que a privatização seguinte corresse melhor. Mas o Governo voltou a dar trabalho fora de horas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM): na sexta-feira anterior ao início da terceira e última fase de privatização da Portucel, a documentação necessária ainda não tinha sido entregue.
Menos mau: em vez de aprovado num domingo, como aconteceu com o da Galp, o prospecto da Portucel acabou por ser aprovado no sábado, permitindo que a operação arrancasse na segunda-feira, como previsto.
O facto de os prospectos serem aprovados em cima das datas de início das ofertas públicas de venda (OPV) já motivou o protesto da Deco-Associação de Defesa do Consumidor, que considera curto o período de tempo que os potenciais investidores têm para analisar a informação.
O desenho da privatização causou alguma estranheza: não foram definidas à partida as quantidades a vender na OPV e respectivos segmentos, assim como não se decidiu o que ficava destinado à venda directa a institucionais. Ficou assim expressa a
intenção do Governo de vender todas as acções através da OPV, o que acabou por confirmar-se na quinta-feira. Para avaliar o interesse dos investidores, foi definido um período de pré-registo, que terminou ontem. As intenções de investimento manifestadas durante este período podem ser alteradas na próxima semana, em que decorre a transmissão de ordens de compra. Outro facto pouco comum é a possibilidade de qualquer investidor na categoria do público em geral poder atingir 2% do capital.
O preço será fixado entre os 2 e os 2,2 euros, próximo do máximo histórico de 2,4 euros, obtido a 11 de Abril mas significativamente longe dos preços-alvo apontados pelos analistas, que referem que o momento para vender a empresa é bom, tendo em conta a subida dos preços da pasta e do papel. No segmento de trabalhadores e pequenos subscritores haverá o tradicional desconto de 5%, tal como o período de três meses de indisponibilidade das acções.
Apesar de a operação estar já em curso, a sua promoção tem sido escassa, segundo disseram ao Expresso alguns responsáveis dos bancos envolvidos na colocação. Mas as primeiras indicações de intenções de compra são positivas. Por outro lado, a administração da Portucel não participa na apresentação da empresa no exterior. Comentando esta questão, a empresa diz que “cabe ao oferente a definição da estrutura e do modelo de colocação e venda das acções”.
A privatização ficou marcada por desentendimentos entre o Governo e a
Semapa, que tem 67,1% da Portucel, sobre a quem cabia a responsabilidade pela informação constante no prospecto. Um dos
factores de risco identificados na informação agora disponível é o facto de
ainda não ser conhecida a posição da Comissão Europeia relativamente aos benefícios fiscais e incentivos financeiros a conceder pelo Estado português a dois contratos de modernização da fábrica da Figueira da Foz e à construção de uma nova fábrica de papel em Setúbal.Pedro Lima e Christiana Martins

ESTADO SAI
Venda de até 25,72%
Ordens de compra podem ser dadas entre as 8h30 de 6 de Novembro e as 15h00 de dia 10
Sessão especial de Bolsa a 13 de Novembro para apuramento de resultados
Preço será a média do valor de fecho das acções entre 30 de Outubro e 10 de Novembro, deduzida de 5% mas terá de ficar sempre no intervalo entre 2 e 2,20 euros
http://semanal.expresso.clix.pt/2cadern ... d=ES236995