O primeiro prémio vale esta semana mais de 113 milhões de euros. Os bancos não hesitarão em abrir os cofres esta noite, para depositarem o boletim da fortuna que, só em juros, rende perto de um milhão ao mês.
O sorteio desta noite do Euromilhões tem em jogo o terceiro maior jackpot já alguma vez atribuído pelo loto europeu. Se o totalista for português terá pela frente uma semana de permanentes contactos com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Mas o peso da fortuna vale bem o trabalho.
Feitas as contas, o especialista financeiro João Queiroz diz que as entidades financeiras podem oferecer juros próximos de um milhão de euros por mês. A disponibilidade horária de qualquer banco é total, perante um potencial cliente com 113 milhões de euros no bolso, explicou, por sua vez, o professor universitário Fernando Ponte Lourenço. “À noite, no sábado ou no domingo, qualquer banco, perante o telefonema de um cliente a explicar que é o euromilionário, terá as portas abertas para o receber e depositar o boletim no cofre”, adiantou.
SOLUÇÕES DE INVESTIMENTO
O feliz contemplado com o prémio chorudo do Euromilhões tem várias opções para rentabilizar o dinheiro. Uma delas é o depósito bancário a um ano, que proporciona o retorno de cerca de 3,384 milhões de euros em 12 meses (282,5 mil euros por mês, 9416 euros por dia).
Mas estas verbas ficam muito aquém da solução de investimento proposta por João Queiroz, especialista da LJ Carregosa – Sociedade Financeira de Corretagem. Segundo João Queiroz, o bolo de 113 milhões de euros pode render 11,3 milhões de euros anualmente, 941 666 euros por mês, 31 388 euros por dia.
O perito da LJ Carregosa fez um estudo do desempenho de vários activos financeiros, nos últimos dez anos, para chegar ao mencionado rendimento, que ronda os dez por cento ao ano, em média.
Se o prémio do Euromilhões de hoje sair a João Queiroz, o intermediário financeiro pede uma providência cautelar contra ele próprio, como declarou ao nosso jornal.
Se o premiado for outro, João Queiroz aconselha a seguinte aplicação de capital (risco moderado): de 45,2 milhões de euros, cinco por cento em depósitos a uma taxa residual para compensar a inflação; 20 por cento em imóveis; 15 por cento em empresas em início de actividade ou com necessidade temporária de liquidez.
Os restantes 67,8 milhões de euros são para aplicar deste modo: 30 por cento em acções; 20 por cento em fundos de investimento Alfa; 30 por cento em obrigações; dez por cento no mercado cambial; dez por cento em mercadorias (principalmente petróleo e ouro).
Fernando Ponte Lourenço, professor de Economia e Sistemas de Informação na Universidade Autónoma de Lisboa, adianta uma terceira solução, mais arriscada do ponto de vista financeiro, que passa pela compra de fundos de investimento BRIMC, referentes às economias emergentes.
“São denominados BRIMC: B de Brasil, R de Rússia, I de Índia, M de México e C de China, países que lideram as economias mais rentáveis”, explicou, “capazes por isso de dar uma rentabilidade de 50 por cento ao ano”. “A forma de adquirir fundos deste tipo não é complicada”, disse Ponte Lourenço, acrescentando que qualquer banco “possui uma carteira de fundos alargada”.
“Cada cliente é um caso”, disse ao CM fonte do Millennium, que opera “em Londres, numa das principais praças financeiras mundiais retirando daí benefícios consideráveis para os clientes”.
Desde Maio último que não sai um primeiro prémio do Euromilhões no nosso país. O último deu na Amora (Seixal) e em Penacova, 7,5 milhões a cada totalista.
JACKPOT PERTO DO LIMITE
O jackpot leva nove semanas em que não pára de aumentar, perante a ausência de um totalista. Mas a subida do primeiro prémio do loto europeu, que leva cada vez mais pessoas a apostar, está a aproximar-se do limite. As regras do loto europeu estabelecem que o jackpot atinge o máximo à 12.ª semana, sorteio em cujo prémio rondará um valor próximo dos 180 milhões de euros.
À 12.ª semana, se não se registar um totalista, o valor do jackpot é repartido pelos segundos premiados. No caso de ninguém acertar em cinco números e uma estrela, o prémio de muitos milhões é então repartido pelos jogadores que conseguiram o terceiro prémio. Caso também não se verifique a existência de terceiros premiados, o jackpot é entregue aos quartos classificados, e assim sucessivamente.
A existência de quantias em jogo que lançam a possibilidade de entrar para a tabela dos cem mais ricos de Portugal atrai muitos a preencher as cruzinhas do Euromilhões. Na última semana, as receitas deste jogo renderam à Santa Casa 28 milhões de euros. Numa semana sem jackpot, as receitas rondam os 15 milhões de euros.
PREMIADOS NÃO PERDEM A CALMA
Onze portugueses foram até hoje euromilionários no nosso país (outros dois ganharam no estrangeiro, em Espanha e na Suíça) desde a chegada do loto europeu. Além do palpite para a sorte, une- -os o facto de não terem perdido a calma nem sofrido de grande stress na hora de receberem o prémio. No Gabinete de Apoio ao Alto Premiado da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa nenhum totalista requereu apoio de um psicólogo para gerir as emoções perante tanto dinheiro. A Santa Casa conta ainda com especialistas na banca, imobiliário, seguros e justiça que já foram solicitados várias vezes.