1963 Escreveu:Caros colegas forenses e ilustres moderadores, claro que eu entendo isso, ou seja, dos resultados já estarem descontados na cotação do título nos últimos tempos, o que me chateia, e daí uma certa ironia no meu post, é que seja sempre assim, alguns sabem as coisas antecipadamente e os outros fazem, digamos, figura de parvos.
Eu não concordo. Primeiro porque não entendo que seja estritamente necessário ter acesso a esse tipo de informação em primeira mão (de resto, não é possível, a informação não está acessível a toda a gente ao mesmo tempo e se estivesse não se retiraría daí grande vantagem). O importante é a forma como se utiliza e gere a informação de que se dispõe...
Ora, alguns investidores têm acesso à informação ou analisam um determinado tipo de informação (por exemplo, as expectativas futuras da Impresa). E isto vai sendo feito ao longo do tempo. Essa análise, reflecte-se nas decisões e logo na cotação.
Assim, mesmo não sendo um perito em Análise Fundamental ou não tendo acesso a informação em primeira mão, por análise da evolução da cotação poderás perceber antecipadamente que algo não está bem com a Impresa. Que o mercado tem expectativas negativas relativamente à Impresa.
Ora, quando a notícia/informação chega ao mercado, raramente é útil ou trás uma novidade digna de relevo. O mercado já, regra geral, incorporou isso e isso podería ter sido deduzido de diversas formas (ou porque se teve acesso a informação, ou porque se analisou os dados fundamentais da empresa e se conhece o sector em que esta opera ou porque, simplesmente, se acompanhou o comportamento da cotação ao longo do tempo tendo este comportamento já reflectido a acção dos players anteriores).
1963 Escreveu:agora no dia pós saída de resultados vergonhosos, piores do que o "simbalino d`ouro" do The Mechanic

, ser o título que mais sobe, desculpe Ulisses , mas lá que é no minimo estranho, isso é.
Não é estranho, não tem nada de estranho.
Significa apenas que esses resultados não trazem qualquer novidade (de carácter negativo) ao mercado.
Imagina este cenário: sai uma notícia de uma catástofre em que morreram 1.000 pessoas. Essa notícia é boa ou má?
Intrinsecamente, é má, naturalmente.
Mas, do ponto de vista prático, pode ser boa. Basta supormos que na véspera as previsões eram de morrerem 50 mil pessoas na catástofre que se estava a decorrer. Se no dia seguinte se anunciam que afinal morreram «apenas» 1.000 pessoas, o «mercado» vai receber essa notícia como uma boa notícia.
E neste caso, estamos até salvo erro a falar de um resultado positivo. Fraco mas positivo. Não me surpreendería que anunciassem prejuízo e a cotação subisse. Bastava que não fosse tão negativo quanto as expectativas e o que estava incorporado na cotação!
No Bear Market, em que a maior parte dos resultados eram negativos, havia cotações a subir em dia de anúncios de resultados negativos. Até me recordo, salvo erro no caso da IPR, desta subir na altura que anunciava despedimentos e resultados francamente negativos.
Porquê?
Porque os resultados em si não eram surpresas e porque o mercado estava já a actuar com base no futuro.