Preço da OPV da Galp fixado nos 5,81 euros
O Governo fixou o preço de venda das acções da Galp, na quarta fase de repivatização da empresa, em 5,81 euros por acção, apenas 5% abaixo do limite máximo definido anteriormente.Os pequenos subscritores, que beneficiam de um desconto de 5%, vão pagar 5,52 euros por cada acção. A Galp fica avaliada em 4,81 mil milhões de euros e o Estado vai encaixar 1,091 mil milhões de euros com a venda de 23% do capital.
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Nuno Carregueiro
nc@mediafin.pt
O Governo fixou o preço de venda das acções da Galp, na quarta fase de repivatização da empresa, em 5,81 euros por acção, apenas 5% abaixo do limite máximo definido anteriormente.Os pequenos subscritores, que beneficiam de um desconto de 5%, vão pagar 5,52 euros por cada acção. A Galp fica avaliada em 4,81 mil milhões de euros e o Estado vai encaixar 1,091 mil milhões de euros com a venda de 23% do capital.
Através de comunicado, o Ministério das Finanças informou que decidiu fixar em 5,81 euros o preço de venda das acções da Galp, na oferta pública de venda e na venda directa. Os trabalhadores, pequenos subscritores e emigrantes – beneficiam de um desconto de 5% mas não podemn vender os títulos durante três meses – vão pagar 5,52 euros por título.
O Governo tinha fixado o preço de venda das acções no intervalo entre 5,06 e 6,12 euros, com um possível desconto de 10%, mas terá aproveitado a forte procura na OPV e na venda directa para alienar a empresa muito perto do limite máximo deste intervalo.
Galp avaliada em 4,8 mil milhões
O preço de 5,81 euros, diz o Ministério de Teixeira dos Santos, "tem implicito um desconto de 5% face ao preço máximo". A este preço, a Galp apresenta uma capitalização bolsista de 4,817 mil milhões de euros. A entrade de Américo Amorim na Galp valorizou a empresa em 5 mil milhões de euros, mas entretanto a Galp distribuiu 800 milhões de euros em dividendos extraordinários e alienou activos de gás à REN.
O Executivo, sustentado na forte procura por parte dos investidores institucionais e particulares, optou assim por previligiar o encaixe financeiro desta operação, que vai render aos cofres do Estado mais de mil milhões de euros.
Tendo já em conta os preços de venda das várias tranches, o Estado garante um encaixe de 1,091 mil milhões de euros com a venda de 23% do capital (190.727.646) da Galp, assumindo que o "greenshoe" de 17,3 milhões de acções será exercido pelos bancos coordenadores da operação.
Com o encaixe da OPV da Galp, ao Governo basta apenas realizar a próxima fase de privatização da Portucel, para cumprir o encaixe previsto este ano, de 1,5 mil milhões de euros, com a venda de capital de empresas públicas. A OPV da Portucel está agendada para Novembro e deverá gerar um encaixe de acima de 400 milhões de euros. A privatização da REN, como pretende o Governo, poderá assim deslizar para 2006.
Forte procura dos institucionais ao preço máximo
Ao longo das últimas duas semanas foi sempre notório o forte interesse dos investidores particulares na OPV, mas da parte dos institucionais esta só se fez notar nos últimos dias. E entre os institucionais, foram sobretudo os portugueses a ocorrer à operação.
Para a venda directa estão destinadas 90,46 mil milhões de acções e de acordo com o Ministério das Finanças, a procura total dos institucionais superou a oferta em cerca dce 22 vezes.
Ou seja, foram dadas ordens para a compra de quase 2 mil milhões de acções. Mais importante ainda, e que terá justificado a confiança do Governo em vender a Galp a preços mais elevados, é o facto de na venda directa a procura de acções aos preço máximo ter superado em, 16 vezes a oferta.
Foram assim pedidas 1,44 mil milhões de acções a 6,12 euros. Os institucionais vão pagar 5,81 euros por título, pelo que esta elevada procura a preços mais elevados terá levado o Governo a confiar que as acções irão subir nos primeiros dias de negociação.
Rateio elevado nos pequenos investidores
Entre os pequenos investidores, a quem estavam destinadas menos acções do que para os institucioanis, a procura também foi forte. Na OPV foram dadas mais de 200 mil ordens para comprar 1,7 mil milhões de acções, um valor que supera em mais de 20 vezes a procura.
Assim, entre investidores particulares e institucionais, o número total de acções pedidas foi de 3,7 mil milhões. Havia a possibilidade das tranches para a OPV e venda directa serem reduzidas/aumentadas, mas como a procura foi igualmente forte nos dois segmentos, o Governo optou por não o fazer.
Segundo dados disponibilizados pelo Ministério das Finanças, no primeiro período da OPV foram dadas ordens para subscrever 1,358 mil milhões de acções da Galp, o que superava já em 16,4 vezes a oferta. No segundo período, em que os subscritores beneficiam de um rateio 100% inferior, o número de acções pedidas foi de 367,8 milhões, mais de quatro vezes a oferta.
Para a OPV o Governo destinou 82,92 milhões de acções, pelo que no total a procura superou a oferta em 20,8 vezes. Foram dadas 207.855 ordens, sendo que mais de metade foi da responsabilidade dos pequenos subscritores.
Na tranche para os pequenos subscritores – que beneficiam de um desconto de 5% no preço e não podem vender as acções durante 3 meses – a oferta é de 53,901 milhões de acções e o número de acções pedidas foi de 496,5 milhões, ou seja, 9,2 vezes superior à oferta.
A uma ordem máxima de 5.000 acções efectuada por um pequeno subscritor na primeira fase da OPV (a situação mais típica), serão atribuidas 590 acções. Este valor tem em conta os números conhecidos da procura, que são ainda preliminares e também que o número de acções a atribuir é arredondado para o múltiplo de dez inferior. As acções sobrantes serão sorteadas pelas várias ordens em lotes de 10.
No público em geral (onde a ordem máxima era três vezes superior ao dos pequenos subscritores, de 15 mil títulos) a procura foi bem mais intensa, ao atingir 1,225 mil milhões de acções, ou seja, mais de 49,3 vezes a oferta.
Já nos trabalhadores quase não haverá lugar a ratio, uma vez que foram procuradas 4,933 milhões de acções, 1,2 vezes mais do que a oferta de 1,14 mil milhões de títulos.
Segunda-feira vai decorrer a sessão especial de bolsa e na terça as acções da Galp começam a negociar em bolsa.