Bom artigo 
Excelente artigo que demonstra que para fazer política são necessários miolos e não a política de dedo no gatilho do toino do bush:
"E Agora?, nada. Nada mudou. Já sabíamos que isto ia acontecer. Agora convém não entrar no jogo do ditador, esse tipo que anda a brincar aos cowboys quando tem em casa milhões de crianças como estas aqui ao lado (Mas, claro, a fome que está ali é, com certeza, culpa ocidental e americana).
Sanções não resolvem nada. Está mais do que provado que as sanções apenas fortalecem o regime que se está a isolar (Cuba, Iraque, Sérvia). O regime não só fica mais poderoso em relação à sociedade civil (quem sofre com os embargos é a sociedade civil que, supostamente, pretendemos “salvar” através do embargo ao regime) como também adquire legitimidade junto de pessoas que, antes do embargo, não apoiavam o dito regime. Basta falar 3 minutos com sérvios a este respeito.
Os loucos do costume querem o colapso do regime de Kim. Não sabem do que falam. O colapso provocaria uma coisa: um estado falhado com bombas nucleares para vender a toda a gente; seria um festim. E deve haver lixo nuclear para 1000 bombas sujas. Há ainda generais dementes (é disso que se trata: a Coreia do Norte, devido ao isolamento que vive há décadas e que está para além da nossa imaginação, está servida por gente demente, no sentido psiquiátrico do termo) que adorariam pegar nas nukes e enviá-las num foguete para destinatário próximo: Tóquio ou Seul.
E, o mais importante, o grande problema não é a bomba da Coreia do Norte. O problema é se Tóquio deixa de lado a sua ascensão pausada, que vem efectuando desde 1991, e passa a construir um arsenal nuclear para meter Kim no bolso. E Tóquio pode fazê-lo caso assim o decida politicamente. Ou seja, o problema não é a bomba de Kim mas as hipotéticas bombas japonesas, que levariam a mais bombas chinesas e, quem sabe, a uma bomba sul-coreana. E depois mais gente, ao estilo da velha corrida ao armamento.
Neste sentido, a política americana não se deve centrar no inimigo mas no aliado. Deve fazer tudo para continuar a sossegar o Japão. Se o Japão achar que a América não está a fazer o que deve, então, vai armar-se até aos dentes. E isso, de imediato, vai mexer com a China. E aquilo tornar-se-á num frasco cheio de escorpiões. Tal como na Europa do XIX. E com um complicado up-grade: é que no tempo de Bysmarck não havia a cisão do átomo.
Um dos grandes problemas desta administração é que tende a pensar em termos tácticos (como lixar o inimigo) e não em termos estratégicos (como coligar os aliados). A América tem de deixar de ser tão voluntarista. Tem de se preocupar mais com os aliados estratégicos (neste caso, alimentar a paciência japonesa) do que em dar cabo do canastro ao bad guy. Há que evitar executar sanções. Há que evitar cair no jogo do Kim versão patilha Elvis e tacão seventies. Há que fazer diplomacia. Há que jogar uma cambada de Rambos e 007 lá para dentro, mantendo os porta-aviões longe. Há que limpar o rabinho japonês com água de rosas. Enfim, há que fazer política.
Será que há ainda algum líder ocidental que saiba fazer política? Só se vê moralismo. "
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