Risco de recessão nos EUA pode penalizar mercados mundiais
1 Mensagem
|Página 1 de 1
Risco de recessão nos EUA pode penalizar mercados mundiais
"Entrevista a responsável do ING
“Risco de recessão nos EUA pode penalizar mercados mundiais”
Os responsável pelos produtos especializados do ING Investment Management acredita que existe um risco de 30% da economia americana entrar em recessão, o que condicionará a evolução dos mercados mundiais. Roelf Groeneveld aposta, assim, em fundos proteccionistas com menor nível de risco.
--------------------------------------------------------------------------------
Patrícia Silva Dias
patriciadias@mediafin.pt
Os responsável pelos produtos especializados do ING Investment Management acredita que existe um risco de 30% da economia americana entrar em recessão, o que condicionará a evolução dos mercados mundiais. Roelf Groeneveld aposta, assim, em fundos proteccionistas com menor nível de risco.
Apesar da forte valorização dos mercados, a ING é das gestoras mais defensivas. Porquê?
Temos de facto posições mais defensivas do que outras sociedades gestoras e isso tem a ver com tudo o que já aconteceu este ano. Depois das grandes subidas no início do ano e da forte correcção em Maio, é ainda difícil ter uma estratégia mais agressiva. A tendência dos mercados mundiais está muito dependente da evolução da economia americana, onde vemos problemas. Existe 30% de possibilidade de a economia dos EUA entrar em recessão e esse risco é suficiente para mantermos uma posição cautelosa, porque basta haver uma retracção na economia americana para os investidores ganharem medo e os mercados começarem a cair. De qualquer modo, ainda existe 70% de probabilidade de a economia manter um bom ritmo de crescimento.
Quais são então as vossas estimativas de retornos para os mercados globais até ao final do ano?
Estamos mais optimistas para a Europa do que para o resto do mundo, com uma previsão de retornos na ordem dos 6% até ao final do ano. Esse maior optimismo é uma das razões porque o nosso segmento de fundos europeus tem melhores "performances" do que a gama de fundos globais. Para os mercados globais, incluindo os EUA, a nossa estimativa é de 5%. Mas a questão central prende-se com a economia americana que se este ano crescer abaixo dos 2%, terá um impacto muito negativo nos mercados do mundo inteiro. Historicamente, quando os EUA crescem entre 1,5% e 2,5% cria-se um ponto de viragem na psicologia dos investidores e os mercados tendem a cair. Ainda vemos muitos riscos.
A que riscos se refere?
O consumo americano será crucial e temos de ver como é que os americanos vão reagir à queda dos preços do imobiliário, que já atingiram o topo e vão continuar a cair. Os mercados mundiais, incluindo a Europa, estão tão concentrados na economia americana, que se os dados forem positivos, haverá uma reacção imediatamente em alta. Essa é a grande alteração face ao passado, em que os investidores concentravam-se mais nos lucros.
Face à maior confiança para a Europa, o ING vai lançar novos fundos de acções europeias?
A nossa abordagem não vai ser tanto regional, mas mais temática. Vamos continuar a apostar em fundos proteccionistas com menor nível de risco. No ano passado lançámos um fundo com "dividend yield" elevado, que rapidamente atingiu os dois mil milhões de dólares, o que nos surpreendeu. Nas actuais incertezas quanto à tendência futura dos mercados, acho que este tipo de fundos serão muito atractivos e procurados pelos investidores, porque conseguem rendimentos interessantes.
Com uma abordagem tão defensiva, a vossa preferência recai sobre acções ou obrigações?
Detesto dizer, mas somos neutrais. Não estamos tão pessimistas para o mercado da dívida como outras gestoras, porque não esperamos que a subida das taxas de juro de longo prazo venha a ter um impacto muito negativo. Quanto às acções, existem alguns sectores que conseguem ser mais defensivos do que as obrigações. Alguns sectores ainda têm potencial de crescimento, avaliações baixas e dividendos interessantes que acabam por compensar os riscos.
Em que sectores estão a apostar?
Temos um "outlook" positivo para o sector de cuidados de saúde. É um sector defensivo que tem estado muito parado nos últimos seis anos. Acreditamos que tem agora todas as condições para começar a acelerar. Também gostamos do sector alimentar, por isso estamos já a preparar o lançamento de novos fundos com uma elevada exposição a empresas deste sector. É também um sector defensivo, que tem empresas com marcas muito fortes que ainda têm potencial para crescer. Estes são os lançamentos. Apostamos ainda nas telecoms, apesar de ser um sector onde existe uma grande concorrência. Quando os mercados começam a ficar assustados, as acções do sector das telecomunicações ficam mais atractivas.
Que sectores estão a evitar?
Os industriais, sem dúvida. É um sector muito cíclico onde os lucros já atingiram níveis históricos e não acreditamos que consigam manter este nível. Por isso, estamos no momento certo para ser mais prudente e adoptar uma estratégia defensiva. O início do ano foi bom período para as acções cíclicas em geral, que têm estado a cair desde o pico.
Depois do "sell-off" em Maio, acha que os investidores não estão preparados para assumir riscos?
Acho que os investidores vão continuar a assumir menos riscos. Claro que ainda há investidores de elevado risco, mas será muito mais difícil para os activos de maior risco conseguirem ter melhores retornos. Estou a referir-me principalmente aos mercados emergentes e às "small caps". Acho que os investidores vão começar a preferir as "large caps", cuja maior qualidade vai ser determinante para o seu desempenho.
Como é que vê a popularidade dos fundos dos mercados emergentes?
A euforia já diminuiu. Há muito dinheiro rápido e "hedge funds" nestes mercados, por isso o risco é demasiado alto. Para quem procura uma história de crescimento, o Japão é um mercado mais saudável, com melhores oportunidades ."
Fonte: Negocios.pt
“Risco de recessão nos EUA pode penalizar mercados mundiais”
Os responsável pelos produtos especializados do ING Investment Management acredita que existe um risco de 30% da economia americana entrar em recessão, o que condicionará a evolução dos mercados mundiais. Roelf Groeneveld aposta, assim, em fundos proteccionistas com menor nível de risco.
--------------------------------------------------------------------------------
Patrícia Silva Dias
patriciadias@mediafin.pt
Os responsável pelos produtos especializados do ING Investment Management acredita que existe um risco de 30% da economia americana entrar em recessão, o que condicionará a evolução dos mercados mundiais. Roelf Groeneveld aposta, assim, em fundos proteccionistas com menor nível de risco.
Apesar da forte valorização dos mercados, a ING é das gestoras mais defensivas. Porquê?
Temos de facto posições mais defensivas do que outras sociedades gestoras e isso tem a ver com tudo o que já aconteceu este ano. Depois das grandes subidas no início do ano e da forte correcção em Maio, é ainda difícil ter uma estratégia mais agressiva. A tendência dos mercados mundiais está muito dependente da evolução da economia americana, onde vemos problemas. Existe 30% de possibilidade de a economia dos EUA entrar em recessão e esse risco é suficiente para mantermos uma posição cautelosa, porque basta haver uma retracção na economia americana para os investidores ganharem medo e os mercados começarem a cair. De qualquer modo, ainda existe 70% de probabilidade de a economia manter um bom ritmo de crescimento.
Quais são então as vossas estimativas de retornos para os mercados globais até ao final do ano?
Estamos mais optimistas para a Europa do que para o resto do mundo, com uma previsão de retornos na ordem dos 6% até ao final do ano. Esse maior optimismo é uma das razões porque o nosso segmento de fundos europeus tem melhores "performances" do que a gama de fundos globais. Para os mercados globais, incluindo os EUA, a nossa estimativa é de 5%. Mas a questão central prende-se com a economia americana que se este ano crescer abaixo dos 2%, terá um impacto muito negativo nos mercados do mundo inteiro. Historicamente, quando os EUA crescem entre 1,5% e 2,5% cria-se um ponto de viragem na psicologia dos investidores e os mercados tendem a cair. Ainda vemos muitos riscos.
A que riscos se refere?
O consumo americano será crucial e temos de ver como é que os americanos vão reagir à queda dos preços do imobiliário, que já atingiram o topo e vão continuar a cair. Os mercados mundiais, incluindo a Europa, estão tão concentrados na economia americana, que se os dados forem positivos, haverá uma reacção imediatamente em alta. Essa é a grande alteração face ao passado, em que os investidores concentravam-se mais nos lucros.
Face à maior confiança para a Europa, o ING vai lançar novos fundos de acções europeias?
A nossa abordagem não vai ser tanto regional, mas mais temática. Vamos continuar a apostar em fundos proteccionistas com menor nível de risco. No ano passado lançámos um fundo com "dividend yield" elevado, que rapidamente atingiu os dois mil milhões de dólares, o que nos surpreendeu. Nas actuais incertezas quanto à tendência futura dos mercados, acho que este tipo de fundos serão muito atractivos e procurados pelos investidores, porque conseguem rendimentos interessantes.
Com uma abordagem tão defensiva, a vossa preferência recai sobre acções ou obrigações?
Detesto dizer, mas somos neutrais. Não estamos tão pessimistas para o mercado da dívida como outras gestoras, porque não esperamos que a subida das taxas de juro de longo prazo venha a ter um impacto muito negativo. Quanto às acções, existem alguns sectores que conseguem ser mais defensivos do que as obrigações. Alguns sectores ainda têm potencial de crescimento, avaliações baixas e dividendos interessantes que acabam por compensar os riscos.
Em que sectores estão a apostar?
Temos um "outlook" positivo para o sector de cuidados de saúde. É um sector defensivo que tem estado muito parado nos últimos seis anos. Acreditamos que tem agora todas as condições para começar a acelerar. Também gostamos do sector alimentar, por isso estamos já a preparar o lançamento de novos fundos com uma elevada exposição a empresas deste sector. É também um sector defensivo, que tem empresas com marcas muito fortes que ainda têm potencial para crescer. Estes são os lançamentos. Apostamos ainda nas telecoms, apesar de ser um sector onde existe uma grande concorrência. Quando os mercados começam a ficar assustados, as acções do sector das telecomunicações ficam mais atractivas.
Que sectores estão a evitar?
Os industriais, sem dúvida. É um sector muito cíclico onde os lucros já atingiram níveis históricos e não acreditamos que consigam manter este nível. Por isso, estamos no momento certo para ser mais prudente e adoptar uma estratégia defensiva. O início do ano foi bom período para as acções cíclicas em geral, que têm estado a cair desde o pico.
Depois do "sell-off" em Maio, acha que os investidores não estão preparados para assumir riscos?
Acho que os investidores vão continuar a assumir menos riscos. Claro que ainda há investidores de elevado risco, mas será muito mais difícil para os activos de maior risco conseguirem ter melhores retornos. Estou a referir-me principalmente aos mercados emergentes e às "small caps". Acho que os investidores vão começar a preferir as "large caps", cuja maior qualidade vai ser determinante para o seu desempenho.
Como é que vê a popularidade dos fundos dos mercados emergentes?
A euforia já diminuiu. Há muito dinheiro rápido e "hedge funds" nestes mercados, por isso o risco é demasiado alto. Para quem procura uma história de crescimento, o Japão é um mercado mais saudável, com melhores oportunidades ."
Fonte: Negocios.pt
Quem se lembra do crash de 87? E da 1ª OPV da PT? E da Marconi?
1 Mensagem
|Página 1 de 1
Quem está ligado:
Utilizadores a ver este Fórum: Bing [Bot], Google [Bot] e 475 visitantes