Hélio, fiquei com a sensação que não interpretaste correctamente os conselhos e algumas palavras que aqui te deixaram. Em particular quando disseste «dispenso conselhos de quem me substima», o que veio a total despropósito pois ninguém te substimou, apenas te alertaram para a realidade do mercados e de forma semelhante ao que já tanta vez se fez a tantos outros que aqui chegaram e, independentemente da idade, colocaram algo no Forum identico ao que colocaste.
Ainda, duas outras passagens me chamaram a atenção: o facto de referires-te por diversas vezes aos mercados como um jogo e teres dito que nunca estavas disposto a perder dinheiro.
Bom, convém salientar que os mercados não são um negócio nem devem ser encarados como um jogo, pelo menos da forma como estes conceitos são normalmente entendidos. Os mercados (a Bolsa) é antes uma forma de investimento e deve ser encarado como tal. Desde logo, ao se tratar de uma forma de investimento, implica diversos aspectos:

Avaliação de risco;

Definição de prazos temporais para o investimento;

Admissão desde logo da possibilidade de perda e mesmo predisposição para elas.

Etc.
Relativamente às perdas: as perdas são inerentes aos mercados financeiros, ninguém investe sem lidar mais cedo ou mais tarde com perdas. Fazem parte do investimento nos mercados e é extremamente necessário que saibas conviver com isso. Obviamente terás como objectivo obter ganhos mas terás de lidar e estar diposto a lidar com perdas (o que até pode ocorrer frequentemente... note-se que muitas estratégias de investimento passam pela realização de mais negócios negativos do que positivos e muitas vezes é mais determinante é a diferença do que se ganha, quando se ganha, para o que se perde, quando se perde do que propriamente o número de negócios positivos e negativos).
O aspecto do negócio: quando se diz que fulano tem jeito para o negócio normalmente fala-se de alguém que tem jeito para comprar/vender artigos (imóveis, automóveis, etc, etc) ou que tem jeito para montar uma empresa numa ou várias áreas de negócios, orientar pessoas (uma estrutura empresarial), etc.
Ambas as coisas têm pouco que ver com os mercados financeiros (que são até bastante solitários, isto é, uma actividade mais solitária e sem interacção pessoal com aqueles com quem estás a lidar). Também é indiferente se tens jeito para vender produtos, estipular preços ou transmitir imagens/mensagens aqueles que contigo negoceiam pois nos mercados os preços são estipulados pelo próprio mercado. O que se torna determinante é o momento e respectivo valor a que optas comprar/vender.
Assim, alguém que pode ter muito jeito para o negócio pode falhar redondamente nos mercados. Daí o meu alerta.
Termino ainda chamando a atenção para o seguinte, as qualidades (pessoais) para o sucesso nos mercados são basicamente: paciência, perseveransa, disciplina, objectividade, etc. Para se ter uma ideia, o tempo normalmente apontado para que um investidor ganhe uma experiência relevante nos mercados é da ordem dos dois anos. Saber se se está ou não no bom caminho ou definir uma estratégia/abordagem poderá demorar igualmente bastante tempo. Não é algo onde se possa testar a nossa «habilidade» a curto-prazo (muita atenção ao paper-trading cujos resultados podem significar muito pouco).
Na realidade, os investidores (em particular os experientes e aqueles que por cá ficam e não desistem) acabam a maior parte das vezes por ter uma perspectiva sobre o mercado de longo-prazo (10, 20, 30 anos).