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MensagemEnviado: 14/9/2006 21:51
por Keyser Soze
Deadlock

Galvanizadas pela crescente onda de especulação em torno dos ataques de 11 de Setembro, as teorias da conspiração sobre o que realmente ocorreu nesse dia fatídico ganham, a cada dia que passa, novos adeptos e mais fervorosos pseudo-investigadores que conseguem descortinar mais um pormenor sombrio que aparenta provar, irrefutavelmente, que a destruição das torres gémeas não foi somente obra da Al-Qaeda (se o foi de tudo obra da Al-Qaeda, caso exista) e que também terá contado com a conivência do governo americano (se apenas conivência) ou, provavelmente, orquestração judaica de forma a ganhar um pretexto para obrigar o estado americano a organizar ofensivas à escala global contra o mundo islâmico.

Todos nós, simples homens comuns, teríamos simpatia e apreço por estas almas caridosas que se dispõem voluntariamente a iluminar-nos, se elas conseguissem, de facto, provar algo de palpável.

O único problema é que qualquer teoria da conspiração tem valor porque atribui inerentemente validade a si mesma, pela própria forma como se caracteriza. Uma vez que esta não pode ser falsificada com dados que não se possuem ou confirmada por qualquer tipo de evidência, esse mecanismo funciona como argumento para os defensores destas teorias, demonstrando que a teoria consensualmente aceite omite algo, e fazendo com que a sua especulação adquira uma certa legitimidade. O exemplo típico é a ida à lua em 1969. Há quem diga que os americanos nunca lá estiveram mas não podem provar tal coisa por razões evidentes - ninguém estava na lua quando as missões Apollo lá chegaram e mesmo que lá estivessem, a validade das suas provas seria seriamente colocada em causa. Da mesma forma, os americanos nunca conseguem provar que lá estiveram porque por mais fotos, vídeos ou amostras de rochas lunares que os dirigentes dos programas aeroespaciais disponham ao escrutínio público, os autores destas teorias continuarão a reclamar que os vídeos foram produzidos num estúdio de cinema, as fotos são provenientes de cruzamento de imagens de satélite com solos do deserto, os saltinhos dos astronautas são montagens feitas em voos parabólicos e que só o mero facto de a NASA se preocupar com demonstrar que lá esteve realmente, mostra que há alguma insegurança e indica que para tentarem provar a veracidade das suas reclamações necessitam destas conferências de imprensa.

É assim que uma teoria literalmente lunática ganha, de imediato, credibilidade. Qualquer um de nós pode afirmar que havia um plano secreto da CIA e do Mossad para destruir o WTC e o Pentágono porque nenhum de nós tem acesso a um documento que afirme claramente que a suposta existência deste plano não passa de uma fraude. E se esse documento existisse, seria obviamente suspeito. Qual seria o significado de um documento que declarasse que uma conspiração não existia, certificado pela entidade que é acusada de a pôr em prática? Minimamente intrigante e enigmático. Nunca pode existir um documento que prove que a conspiração não existia, o que perpetua a ideia de que a teoria se mantém válida até prova em contrário, prova essa que nunca pode existir e que apenas serviria para reforçar a teoria inicial.

As teorias da conspiração não são, por definição, falsificáveis nem seguem o princípio segundo o qual a explicação mais simples, lógica, óbvia e coerente é provavelmente a correcta, de acordo com as informações disponíveis. Para as provar como erradas, exigem necessariamente um mundo de 100% de certezas e de acesso a toda a informação de sistemas complexos que é impossível de reunir no mundo real, no qual não se tem possibilidade alguma de regressar ao passado. Qualquer teoria histórica sobre um acontecimento acarreta um determinado nível de incerteza e qualquer pessoa pode jogar com isso para benefício próprio da sua imaginação fértil. Será que Viriato existiu ou é meramente uma obra de ficção criada pelos romanos? Será que Bush existe? Já há alguém o viu ao vivo por acaso? De que vale criticar uma pessoa que não sabemos se existe e que alguns até acusam de ser um extraterrestre?

dos ∫antos às 11:33
http://myguidetoyourgalaxy.blogspot.com/

MensagemEnviado: 13/9/2006 23:34
por Keyser Soze
o link que eu deixei é um debate entre os autores do Loose Change e jornalistas da Popular Mechanics que têm rebatido os argumentos das "teorias da conspiração" como incorrectos ou falsos.

não é o link para Loose Change (se bem que essa tb está disponivel na net)


CONSPIRACY CRANKS

By JAMES B. MEIGS

September 12, 2006 -- ON Feb. 7, 2005, I became a member of the Bush/Halliburton/Zionist/CIA/New World Order/Illuminati conspiracy for world domination. That day, Popular Mechanics, the magazine I edit, hit newsstands with a story debunking 9/11 conspiracy theories. Within hours, the online community of 9/11 conspiracy buffs - which calls itself the "9/11 Truth Movement" - was aflame with wild fantasies about me, my staff and the article we had published. Conspiracy Web sites labeled Popular Mechanics a "CIA front organization" and compared us to Nazis and war criminals.

For a 104-year-old magazine about science, technology, home improvement and car maintenance, this was pretty extreme stuff. What had we done to provoke such outrage?

Research.

Conspiracy theories alleging that 9/11 was a U.S. government operation are rapidly infiltrating the mainstream. These notions are advanced by hundreds of books, over a million Web pages and even in some college classrooms. The movie "Loose Change," a slick roundup of popular conspiracy claims, has become an Internet sensation.

Worse, these fantasies are gaining influence on the international stage. French author Thierry Meyssan's "The Big Lie," which argues that the U.S. military orchestrated the attacks, was a bestseller in France, and his claims have been widely repeated in European and Middle Eastern media. And recent surveys reveal that, even in moderate Muslim countries such as Turkey and Jordan, majorities of the public believe that no Arab terrorists were involved in the attacks.

"Everyone is entitled to his own opinion," Sen. Daniel Patrick Moynihan was fond of saying. "He is not entitled to his own facts." Yet conspiracy theorists want to pick and choose which facts to believe.

Rather than grapple with the huge preponderance of evidence in support of the mainstream view of 9/11, they tend to focus on a handful of small anomalies that they believe cast doubt on the conventional account. These anomalies include the claim that the hole in the Pentagon was too small to have been made by a commercial jet (but just right for a cruise missile); that the Twin Towers were too robustly built to have been destroyed by the jet impacts and fires (so they must have been felled by explosives), and more. If true, these and similar assertions would cast serious doubt on the mainstream account of 9/11.

But they're not true. Popular Mechanics has been fact-checking such claims since late 2004, and recently published a book on the topic. We've pored over transcripts, flight logs and blueprints, and interviewed more than 300 sources - including engineers, aviation experts, military officials, eyewitnesses and members of investigative teams.

In every single case, we found that the very facts used by conspiracy theorists to support their fantasies are mistaken, misunderstood or deliberately falsified.

Here's one example: Meyssan and hundreds of Web sites cite an eyewitness who said the craft that hit the Pentagon looked "like a cruise missile with wings." Here's what that witness, a Washington, D.C., broadcaster named Mike Walter, actually told CNN: "I looked out my window and I saw this plane, this jet, an American Airlines jet, coming. And I thought, 'This doesn't add up. It's really low.' And I saw it. I mean, it was like a cruise missile with wings. It went right there and slammed right into the Pentagon."

We talked to Walter and, like so many of the experts and witnesses widely quoted by conspiracy theorists, he told us he is heartsick to see the way his words have been twisted: "I struggle with the fact that my comments will forever be taken out of context."

Here's another: An article in the American Free Press claims that a seismograph at Columbia University's Lamont-Doherty Earth Observatory picked up signals indicating that large bombs were detonated in the towers. The article quotes Columbia geologist Won-Young Kim and certainly looks authoritative. Yet the truth on this issue is not hard to find. A published Lamont-Doherty report on the seismic record of 9/11 says no such thing. Kim told Popular Mechanics that the publication's interpretation of his research was "categorically incorrect." Yet the claim is repeated verbatim on more than 50 Web sites as well as in the film "Loose Change."

Every 9/11 conspiracy theory we investigated was based on similarly shoddy evidence. Most of these falsehoods are easy to refute simply by checking the original source material or talking to experts in the relevant fields. And yet even the flimsiest claims are repeated constantly in conspiracy circles, passed from Web site to book to Web site in an endless daisy chain. And any witness, expert - or publication - that tries to set the record straight is immediately vilified as being part of the conspiracy.

The American public has every right to ask hard questions about 9/11. And informed skepticism about government and media can be healthy. But skepticism needs to be based on facts, not fallacies. Unfortunately, for all too many, conspiratorial fantasies offer a seductive alternative to grappling with the hard realities of a post-9/11 world.

James B. Meigs is editor-in-chief of Popular Mechanics. The magazine's new book, "Debunking 9/11 Myths: Why Conspiracy Theories Can't Stand up to the Facts," is just out.

MensagemEnviado: 13/9/2006 22:55
por MarcoAntonio
Eu não mudei de opinião. É bastante óbvio que foi um avião que chocou com o Pentagono (nem vejo como é possível que haja quem continue a defender o contrário mas enfim).

Acerca da teoria do avião, até aproveito: também no Loose Change apresentam a certa altura uma foto de uma embaixada onde caiu um míssil e fachada ficou parcialmente demolida e insinuam que é semelhante ao Pentagono. Bom, se há coisa que essa foto mostra é que não foi um míssil (pelo menos semelhante) que acertou no Pentagono pois os estragos são incomparavelmente maiores no Pentagono apesar de ser uma estrutura mais resistente (a embaixa, quase toda a fachada até conservou o seu branco quase imaculado, é preciso estar muito distraido para achar que as fotos mostram um estrago semelhante). Esse é um dos (vários) pontos baixos do Loose Change.

No meio de muitos aspectos (o atentado ao Pentagono até envolve vários pontos que merecem reflexão e são estranhos) não está certamente a hipótese de não ter sido um avião. Ao contrário de muitas afirmações, foram recolhidos restos dos motores Rolls Royce que equipavam aquele modelo e muitas outras peças que demonstram que foi um Boeing. Também os estragos estão de acordo com os que eram de esperar naquele tipo de edifício e para um avião daqueles.

Existe também uma teoria de que a hipótese de não ter sido um avião foi de alguma forma alimentada pelo Pentagono precisamente para desacreditar os Teoristas da Conspiração e fazer parecer que qualquer teoria alternativa à teoria oficial se parecesse assim com um episódio dos X-Files. No entanto, nem todos os que questionam a versão oficial embalam em determinado tipo de coisa sem sentido.

Questionar a versão oficial não significa que se aceite qualquer coisa que contrarie a versão oficial. Eu acho perfeitamente natural que não se concorde ou aceite como dado adquirido tudo aquilo que nos foi apresentado na versão oficial (de facto, existem até pontos que são totalmente inaceitáveis vistos a esta distância e com objectividade e serenidade). Na altura, quase ninguém sabia quem era o Bin Laden e qnd nos mostram um video que é uma fraude (claramente!) aceitamos como sendo aquele o Bin Laden. Hoje, bastante mais informados e sabendo quem afinal é o Bin Laden (pelo menos melhor que naquela altura) é preciso estar bastante distraído para achar que aquele individuo é o verdadeiro Bin Laden. Enfim, é um mero exemplo.

MensagemEnviado: 13/9/2006 22:41
por D1as
MarcoAntonio Escreveu:Não tenho certezas sobre o que realmente se passou e não apoio (não estou convencido) por nenhuma teoria alternativa das que têm surgido mas a versão oficial também não me satisfaz/convence.



O que te fez mudar de opinião?

Pergunto isto porque há uns tempos discutimos a hipótese de não ter sido um avião a embater no Pentágono e lembro-me de tu defenderes a versão oficial...

MensagemEnviado: 13/9/2006 22:32
por MarcoAntonio
Aconselho este site de qualidade muito superior ao Loose Change (aliás, há uma secção em que analisam esse documentário e discutem o que se apresenta no documentário):

9-11 Research

Neste site, bastante mais objectivo e ponderado (os diversos aspectos em torno do 11 de Setembro são analisados de forma mais cuidada e exaustiva) são levantadas questões pertinentes e apresentados pontos que merecem reflexão ou discussão que contrariam a versão oficial mas também denunciam e desmascaram muitas teorias da conspiração sem sentido e sem fundamento.


Podia dar muitos exemplos, mas para quem viu loose change devem recordar-se que a certa altura apresentam (rapidamente) uma foto e dizem que o que se vê é um grupo de pessoas a transportar com secretismo uma «caixa» ou algo do género. O que se vê, basta atentar na fotografia que está disponível na net e ver também outras fotografias do local, é afinal uma simples tenda de campanha que está a ser transportada (aliás, na foto vê-se o fundo oco da tenda a ser transportada no ar e portanto não pode estar lá nada dentro). Enfim, isto é um dos muitos exemplos do que é apresentado no Loose Change. Mas, também há aspectos que merecem de facto reflexão (quer apresentados no Loose Change quer outros que o Documentário não debate). Para citar um ou dois exemplos também (de algo que o Documentário apresentou e parece ter validade): o facto de vários supostos terroristas estarem afinal vivos e terem vindo a ser encontrados e até entrevistados ao longo do tempo (logo, não podiam estar dentro do avião); outro, a clara fraude que é o video do Bin Laden a reconhecer estar por detrás dos atentados (não é ele obviamente mas uma imitação foleira e nos videos em que aparece ele, ele sempre o negou).


Pessoalmente creio que o 11 de Setembro será algo sobre o qual pairarão bastantes dúvidas, um pouco à semelhante do assassinato de JFK por exemplo e que nunca será totalmente esclarecido.

Não tenho certezas sobre o que realmente se passou e não apoio (não estou convencido) por nenhuma teoria alternativa das que têm surgido mas a versão oficial também não me satisfaz/convence.

Loose Change Vs Popular Mechanics

MensagemEnviado: 13/9/2006 22:18
por Keyser Soze
11 DE SETEMBRO: CONSPIRAÇÃO INTERNA – “LOOSE CHANGE”
Documentários
«LOOSE CHANGE»
Um documentário controverso, uma denúncia séria sobre o 11 de Setembro
Loose Change é um documentário sobre o 11 de Setembro

Escrito e realizado por Dylan Avery apresenta possíveis explicações sobre o que realmente aconteceu a 11 de Setembro de 2001.

A possibilidade de os ataques de 11 de Setembro de 2001 poderem não ter sido orquestrados por Bin Laden ou membros da Al Qaeda, é uma perspectiva verdadeiramente apocalíptica, aterrorizante e, para aqueles que acreditam numa tal democracia, devastadora.

Nos Estados Unidos já muitos sugeriram que talvez o debate sobre o 9/11 não passe de um infindável chorrilho de suposições sem prova. Mas a questão aparenta também ser a existência de provas tangíveis ocultadas numa sala escura donde nunca verterá uma verdade para a esfera pública.

Em "Loose Change" são-nos apresentadas uma mão-cheia de factos com valor de prova, muitas vezes protagonizados por fontes informativas desde CNN, BBC e Fox News, aos directamente afectados pelo colapso das Twin Towers.

Qualquer justificação que nos seja apresentada - mais ou menos plausível - para que os ataques tenham tido lugar, nunca nos é afirmada como sendo a Verdade. Neste documentário apenas se arquitecta uma tentativa de mostrar uma provável verdade, tenebrosa e potencialmente destruidora se descoberta a sua total concretização.


Loose Change Vs Popular Mechanics

http://video.google.com/videoplay?docid ... nics&hl=en