Caldeirão da Bolsa

Quatro cotadas do PSI-20 não auditam contas de Junho ...

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por ptmasters » 9/9/2006 12:14

Boas

As auditorias pretendem assegurar isso mesmo: transparência e ética (e por vezes, também falham, como todos nós sabemos).

Têm de ser entidades indpendentes a assegurar isso, e não um departamento financeiro duma empresa, que pode muito bem (apesar da ética ou não que as pessoas que compoem esse mesmo departamento tenham) ser sujeito a pressões internas em dados momentos, apesar dos sistemas de controlo interno implementados, que por sua vez, e de forma a poder-se prescindir-se da dita auditoria semestral, deviam ser SOX compliant, com o devido relatório a acompanhar a auditoria anual.

Lógico que no fim do ano, pode-se "saber tudo", mas uma informação ocultada "por esquecimento" em determinado momento, também pode dar muito jeito a direcções e administrações.

Por outro lado, não questiono os custos que se podem poupar, ou até mesmo a medida poder vir a permitir que novas empresas dispersem os seus capitais em bolsa.

1 abraço e bom fim-de-semana
O que é um cínico? É aquele que sabe o preço de tudo, mas que não sabe o valor de nada.
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por drivingsouth » 9/9/2006 10:29

Não é "envisto" é "invisto".

Fazes ideia quanto custa uma auditoria deste tipo?


Desde que haja transparência e ética, não vejo porque não. Quando começa a não haver, essas reprecursões vão-se sentir nos resultados anuais, sem duvida.
 
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por Blaster » 8/9/2006 21:56

Boas, na minha opinião penso que as empresas deviam fazer auditorias em cada semestre, porque se eu envisto em alguma empresa, preciso de saber onde e se a empresa é fiável nas contas que faz e o que demonstra...
Na economia tudo se compra.

http://blasterstock.blogspot.com/
 
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Quatro cotadas do PSI-20 não auditam contas de Junho ...

por Nyk » 8/9/2006 18:41

Quatro cotadas do PSI-20 não auditam contas de Junho



Alexandra Machado e Maria João Gago

Pelo menos quatro das empresas cotadas que integram o PSI-20 - a Cimpor, Mota-Engil, Semapa e ParaRede - vão deixar de auditar as suas contas semestrais, uma possibilidade aberta pela transposição da directiva dos prospectos, que pôs fim a esta obrigação. A oportunidade de reduzir custos e a existência de sistemas de controlo interno cada vez mais sofisticados - que garantem a fiabilidade da informação financeira prestada - são as principais razões apontadas por estas sociedades para prescindirem da auditoria às contas referentes ao final de Junho.

"O grupo Cimpor optou por não requerer o trabalho de auditoria, dada a inerente redução de custos e por considerar que a fiabilidade dessas demonstrações financeiras não é afectada por esse facto, tendo em conta os processos de preparação de informação existentes nas empresas do grupo", justificou fonte da cimenteira.

Argumentos idênticos são apontados pelas restantes empresas. A ParaRede sublinha ainda que a auditoria semestral "acaba por acrescentar pouco valor", uma vez que o trabalho anual desenvolvido pelos auditores "é mais abrangente e completo". Enquanto a Semapa refere que os recursos humanos que acompanhavam este processo "podem passar a realizar outras tarefas", apesar de admitir que não auditar no semestre torna a análise anual "mais trabalhosa".

Estas motivações poderiam atrair a generalidade das pequenas empresas cotadas a seguirem este exemplo. No entanto, entre as sociedades que não estão na "primeira divisão" da Euronext Lisboa, há algumas que garantem manter esta prática, como acontece com a Corticeira Amorim ou a Ibersol. Estas empresas, assim como as cotadas do PSI-20 que vão manter a prática que era obrigatória até 2005, justificam a decisão com o facto de a auditoria semestral ser um mecanismo de maior transparência e credibilidade. Já a Media Capital e a Teixeira Duarte, que não integram o índice, vão utilizar a possibilidade aberta pela directiva que introduziu alterações ao Código de Valores Mobiliários.

Para as empresas de auditoria, a eliminação desta exigência é o fim de uma formalidade, não devendo significar uma redução de trabalho . "Trata-se apenas de remover uma exigência específica que não era adoptada noutros países, mas subsistem as responsabilidades do órgão de gestão pela qualidade e fiabilidade da informação financeira divulgada. Aliás, é de salientar que, entre as recentes alterações ao Código das Sociedades Comerciais, as comissões de auditoria ou órgãos equivalentes das sociedades [cotadas] passaram a ter no seu elenco de deveres a obrigação de fiscalizar o processo de preparação e de divulgação de informação financeira. Existem novos deveres sobre a globalidade da informação financeira disponibilizada ao público, incluindo-se aqui, entre outra, a informação trimestral", defende Carlos Lourenço da PricewaterhouseCoopers.

Carlos Freire, da Deloitte, acredita que "as empresas que vão prescindir da auditoria semestral serão a excepção face à prática comum do mercado. Tenderão a arrepiar caminho".
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