Valentim Loureiro, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, revelou que o director executivo do organismo, Cunha Leal, apresentou nesta segunda-feira a sua demissão. A inconfidência de Valentim Loureiro surgiu após uma série de críticas do mesmo ao comportamento de Cunha Leal ao longo do «caso Mateus». O presidente da Liga disse, no programa Prós e Contras (RTP) que o director executivo podia ter evitado todo esta situação.
http://www.maisfutebol.iol.pt/noticia.p ... iv_id=1676Valentim Loureiro: «Cunha Leal não teve coragem»O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) responsabilizou hoje o director executivo da Liga, Cunha Leal, e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) pelo arrastamento do caso Mateus, acusando-os de não cumprir os regulamentos.
"Na Liga, mais ninguém conhecia o assunto e ele (Cunha Leal) nunca o levou a qualquer reunião da Comissão Executiva, nem cumpriu o dever de informar a Comissão Disciplinar que o Gil Vicente tinha violado os regulamentos, ao recorrer aos tribunais civis, senão o assunto há muito que estava resolvido", começou por esclarecer Valentim Loureiro.
Munido de documentação, distribuída pelos jornalistas, que sustenta as suas palavras, o dirigente atirou-se também à Federação: "Também foi notificada a 19 de Janeiro pelo Tribunal de Braga (quando o Gil Vicente recorreu aos tribunais civis). E fez alguma coisa? Não! E tinha de fazer? Penso que sim! Se faz agora, também poderia ter feito na altura".
Em completa divergência com Cunha Leal, Valentim Loureiro contou "todo o imbróglio do caso Mateus" e historiou o sucedido, acusando o director executivo - "os contratos de trabalho são uma matéria da sua exclusiva competência" - de não ter dado conta dos factos a quem de direito.
"A 19 de Janeiro, o Tribunal Administrativo de Braga comunicou à Liga e Federação que o Gil Vicente recorreu por causa da inscrição do jogador Mateus. Se ele fosse responsável, tinha participado. Só quando acaba o campeonato, e o Belenenses não consegue ficar na Liga, é que o clube interpõe uma acção, vendo assim a possibilidade de continuar na Liga. É apenas nessa altura que tomo conhecimento da situação", esclareceu.
"Irresponsabilidade" e "interesses privados"Esta semana, a FPF emitiu um comunicado no seu site dando conta de que todo o processo estaria já resolvido se fosse ela a gerir o futebol profissional, facto que mereceu um telefonema de Valentim Loureiro a Gilberto Madaíl, no qual o presidente da Liga descobriu novos detalhes sobre a "irresponsabilidade" de Cunha Leal.
"Ele (Madaíl) disse-me que, em meados de Janeiro, os serviços da Federação aconselharam a Liga a instaurar um processo disciplinar ao Gil Vicente e que todos os contactos, pessoalmente na sede da Federação e por telefone, tinham sido feitos com o nosso director executivo. Ele era o único conhecedor da matéria e sabia que tinha de a participar, mas não teve coragem para o fazer, mesmo depois da Federação lhe ter chamado a atenção", criticou.
Para que tudo fique esclarecido e sejam encontrados os responsáveis, a Comissão Executiva da Liga deliberou hoje "mandar instaurar um processo de averiguações para apurar responsabilidades na tramitação administrativa, jurídica e disciplinar no caso Mateus".
Valentim Loureiro não perdoa a Cunha Leal o rol de acusações que este fez segunda-feira em conferência de imprensa, em Lisboa: "Como é possível que um dirigente com grandes responsabilidades na Liga tenha ajudado a dar esta imagem? Que contributo está a dar ao futebol?".
O presidente da Liga levantou ainda fortes suspeitas sobre o comportamento do director executivo - "Há quem fale de interesse público, mas acalente interesses privados" -, acusando-o de atitudes diferentes para situações idênticas.
"Se a Comissão Executiva tivesse mantido o planeamento dos jogos Benfica-Belenenses e Leixões-Gil Vicente, estava tudo bem, mas quando os substituímos (Gil Vicente a jogar com o Benfica) o interesse público já fica em causa?", questionou.
Sem se deter, acrescentou: "isto reflecte apenas o interesse privado dos que passaram dias e dias a pressionar-nos para que não substituíssemos o Belenenses pelo Gil Vicente. Basta pedir o registo de chamadas dos últimos dias entre os vários interessados e ficamos a descobrir coisas interessantes. Devo esclarecer que ninguém do Gil Vicente me contactou, pessoalmente, por telefone ou carta. Neste processo tem-se comportado de forma impecável".
"Ele (Cunha Leal) também me criticou por acatar a decisão do tribunal de Lisboa de manter o Gil Vicente na Liga, mas quando o tribunal do Porto nos notificou para inscrever o Mateus foi logo a correr registar o contrato", prosseguiu, lembrando que "todos os cidadãos devem respeitar as decisões dos tribunais civis", adiantou Valentim Loureiro.
Gil Vicente com direito"Criticou-me a mim quando ele é que tem cabeça na guilhotina. Se o considerasse (Cunha Leal) uma pessoa responsável, ficaria muito magoado. Mas, vindo de quem vem, não me afecta nada. Mais uma demonstração clara das deslealdades do director executivo para com presidente da Liga", acrescentou, aconselhando Cunha Leal a "ter coragem para se afastar o mais rapidamente possível para deixar funcionar a Liga com normalidade".
Sobre todo este processo, o dirigente esclareceu que a Liga "neste momento" encara o Gil Vicente como o clube com direito a disputar o principal campeonato profissional e desvalorizou as eventuais sanções do "papão da FIFA": "Tem poderes dentro do futebol, mas pode surgir um novo caso Bosman. Os tribunais têm mais força que as instituições desportivas".
Valentim Loureiro esclareceu ainda que os novos órgãos sociais da Liga só não tomaram posse porque o Nacional interpôs uma providência cautelar no tribunal do Porto, facto que está a travar o processo.
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