CMVM mantém -grandes reservas- em relação ao fundo interessado na EDP
12/05/2006 15:31
A Advancer Mercantiles enviou no início da semana uma carta ao presidente da CMVM, a pedir esclarecimentos para a aquisição de uma participação na EDP, colocando a hipótese de vir a lançar uma OPA. A CMVM diz ter "grandes reservas" em relação à missiva e que "não tem informações" sobre a empresa que a enviou. As acções da eléctrica subiam 0,33% para os 3,04 euros.
A carta foi enviada à CMVM por correio electrónico, sem morada do remetente, sem qualquer número de telefone para contacto e apenas com o seguinte endereço electrónico para contacto de imprensa e relações com investidores:
osn5@netscape.net.
O Jornal de Negócios enviou para aquele «e-mail» um pedido de esclarecimento e solicitou um contacto telefónico, mas não obteve resposta. O Jornal de Negócios contactou também a CMVM, que confirmou a recepção da carta por correio electrónico, mas levantou reservas em relação ao seu conteúdo. O Jornal de Negócios decidiu não a noticiar.
Hoje o «Diário Económico» noticia que a Advancer Mercantiles é uma sociedade britânica representada em Portugal por José Horta e Costa, que tem por trás investidores do Médio Oriente e da Rússia ligados ao petróleo e gás liquefeito, cuja identidade não revelou. De acordo com o representante, o objectivo do fundo é adquirir uma participação entre 5% e 15% da EDP.
Contactada hoje pelo Jornal de Negócios Online, a CMVM mantém "grandes reservas" em relação à carta. Diz ainda que "não tem informações" sobre a empresa que a enviou.
Na carta, a Advancer Mercantiles diz ser um veículo de investimento criado para prosseguir uma estratégia de aquisição de «utilities» na União Europeia, por um grupo de investidores com interesses no gás natural liquefeito. E demonstra o seu particular interesse na Península Ibérica, mercado que tem vindo a estudar.
A Advancer Mercantiles questiona depois a entidade reguladora do mercado de capitais portuguesa sobre a limitação dosdireitos de voto na EDP e a «golden share do Estado», no quadro de uma possível aquisição. O fundo não descarta a hipótese de lançar uma OPA ou obrigar à mesma, caso se verifique uma concertação entre os accionistas de referência, incluindo a Iberdrola, denunciando-a à Comissão Europeia.
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