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MensagemEnviado: 3/5/2005 16:22
por daviddias
akilo com um estimador de primeiras diferencas ainda deveria mostrar mais correlação.. se mm assim ja é abusiva..

MensagemEnviado: 3/5/2005 15:42
por MarcoAntonio
É a velha questão de que o que é (aparentemente) óbvio, certo e conhecido por todos tende a deixar de funcionar...

E tende a deixar de funcionar por uma razão muito simples: de cada vez que estamos perante uma situação como esta, estamos perante uma ineficiência do mercado, ineficiência essa que será aproveitada pelos investidores. Essa acção irá anular a ineficiência...

Se assim não fosse, à medida que o tempo ia decorrendo, os investidores iam descobrindo estas ineficiencias (os juros sobem então o mercado desce, sai uma boa noticia então o mercado sobe, etc, etc) e iam apostando nelas e só nelas.

Todos os investidores ganhariam...

Quem é que perderia?

O mercado está constantemente a reinventar-se porque os investidores não são meros observadores, são observadores e actores e eles próprios actuam e influenciam o mercado.

Se algo é evidente, é uma questão de tempo até a massa crítica de investidores se aperceber disso e a evidência deixar de funcionar.

MensagemEnviado: 3/5/2005 15:34
por Ulisses Pereira
Para mim, a grande questão é que cada vez mais, face aos padrões do passado, tudo é antecipado o que cria situações como esta...

Um abraço,
Ulisses

Atencao a outro ponto

MensagemEnviado: 3/5/2005 15:28
por stella maris
Caro Ulisses,

Apesar de porventura o lado bull do mercado poder pensar assim como refere ha pontos a considerar.

Um deles tem a ver com o espaco temporal que esta disponivel no grafico apresentado. Se alargar o periodo temporal ha muitas decadas atras como ja fiz numa pesquisa ha alguns anos atras descobre realmente o inverso (creio que na altura usei dados da Reuters). A subida das taxas de juro esta realmente inversamente proporcional ao desempenho do mercado. De facto com os dados e compressao temporal neles nota-se que existe uma barreira ao desempenho do mercado, uma especie de valor de retracao do bullmarket que uma vez ultrapassado trara o bearmarket. E tal sucede preferencialmente quando as taxas de juro estao ja ha algum tempo num movimento ascendente. Nao e uma tecnica infalivel de analise mas resulta obvio da observacao dos dados.

O outro aspecto e seguindo a linha de raciocinio do Djovarius tem a ver com o desempenho altamente condicionado dos mercados desde que em 1995 o FED e o Big Al comecaram a usar o instrumento que dispunham para evitar catastrofes financeiras. E preciso relembrar que Al Greenspan cresceu em plena recessao mundial da decada dos 30. E isso te-lo-a marcado indelevelmente. Evitar catastrofes financeiras a todo o custo sera uma das directivas que o tem guiado desde que detectou que os mercados estavam a entrar numa exuberancia irracional em 1995. O problema e que nao se pode ter sempre bom tempo, como se tem notado em Portugal. E necessaria a chuva para que os ciclos recomecem e a natureza prossiga o seu caminho. Dai se poderem estar a criar problemas bem mais graves nos mercados e na economia americana que parece estar sempre em Primavera, Verao, Outono, mas nunca em Inverno.

Se me perguntar se concordo com analise do grafico disponivel direi apenas que tem realmente sido a excepcao a regra e apenas desde 1995. Um destes dias a racionalidade voltara aos mercados.

MensagemEnviado: 3/5/2005 14:53
por djovarius
Atenção a um ponto.

Este gráfico fala apenas de juros nominais e não de juros reais.
O que é prejudicial para as Bolsas não é de facto a subida dos juros nominais, desde que reflexo de pujança económica. Só no caso de alta de juros quando o clima começa a piorar é que as Bolsas vão cair.
Mas será uma queda ligada ao arrefecimento económico, de toda a maneira.

Mas o que eu queria dizer era o seguinte:
Quando o juro real se torna positivo (ao ponto de significar absorção de excessiva liquidez) numa escala que em que acabe por ultrapassar o "dividend yield" dos principais indices accionistas, estes acabam por cair.

Mesmo neste gráfico se nota isso: em 1994, o FED subiu os juros de tal maneira que deixou de compensar investir em acções, pelo que o ano referido foi fraco.
O mesmo sucede em 2000, com reflexo no ano seguinte e no posterior, situação só corrigida pelas descidas a pique dos juros.
Os juros reais voltaram mesmo a ser negativos em 2002, possibilitando o retorno às acções a partir de Outubro de 2002 !!

Para não falar do fenómeno da liquidez do sistema financeiro.
Mas sobre isso já muito se escreveu. :)

Abraço

djovarius

A decisão de hoje da FED e maisuma ilusão do mercado

MensagemEnviado: 3/5/2005 14:43
por Ulisses Pereira
Coloco aqui um gráfico apresentado hoje no Realmoney.com para ilustrar mais uma das ilusões do mercado. A ideia de que as subidas de taxas de juro são prejudiciais para os mercados e os cortes são benéficos só existe em termos teóricos porque, na prática, a correlação entre taxas de juro e os índices é directa e não inversa!

Na verdade, as taxas de juro acabam por ser reflexo da pujança económica, subindo quando a FED quer "arrefecer" uma economia que está quente e descendo quando Greenspan e seus pares querem "aquecer" uma economia fria.

Por isso, apesar de ouvirmos em todo o lado que era importante para os mercados que a FED pare com as subidas de taxas, não sei se essa será o melhor indício para os mercados em termos de curto prazo. Porque tudo o que é indesejável são sinais de que a economia arrefeceu.

19h15 é a hora da decisão.

Ulisses