PT perde quota de mercado nos acessos
Número de clientes de acesso directo de telefone fixo sobe no quarto trimestre
O número de clientes de serviço telefónico fixo na modalidade de acesso directo aumentou 0,8% no quatro trimestre de 2004 face aos três meses anteriores, divulgou a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom). Esta subida poderá poderá estar relacionada com um crescimento do acesso à Internet através de ADSL, segundo a mesma fonte. O Grupo Portugal Telecom perdeu quota de mercado de acessos em todos os segmentos.
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Sara Antunes
saraantunes@mediafin.pt
O número de clientes de serviço telefónico fixo na modalidade de acesso directo aumentou 0,8% no quatro trimestre de 2004 face aos três meses anteriores, divulgou a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom). Esta subida poderá poderá estar relacionada com um crescimento do acesso à Internet através de ADSL, segundo a mesma fonte. O Grupo Portugal Telecom perdeu quota de mercado de acessos em todos os segmentos.
«O número de clientes de serviço telefónico fixo na modalidade de acesso directo situava-se, no final de 2004, em cerca de 3,13 milhões, registando uma variação positiva de 0,8% em relação ao trimestre anterior», de acordo com o comunicado da Anacom, acrescentando que «esta variação poderá eventualmente ser explicada pelo crescimento do acesso à Internet através de ADSL».
O acesso indirecto através de pré-selecção registou uma queda de 2,2% do número de clientes, com o total de clientes a rondar os 395 mil no trimestre em análise. «Esta descida não foi suficiente para inverter o crescimento desta modalidade de acesso ao longo de 2004. Em comparação com o final de 2003, houve um aumento de perto de 40 mil clientes por pré-selecção, cerca de 11,1% acima do valor observado nesse período», segundo a mesma fonte.
No acesso através de selecção chamada-a-chamada a evolução foi maior, quase duplicando o valor observado no último trimestre de 2003, com 100 mil clientes activos.
As empresas do grupo Portugal Telecom (PT) continuam a deter a maioria dos acessos instalados, mas registaram quedas nas quotas de mercado. A nível de acessos principais, a PT detinha, no terceiro trimestre de 2004, 93,8% de quota de mercado, valor que caiu para 93,3% nos últimos três meses. Nos acessos instalados a pedido de clientes a queda foi de 93,7% para 93,2% nos mesmos períodos. Nos acessos analógicos a PT tinha 93,9% de quota no final do ano passado, o que compara com 94,2% no terceiro trimestre. Nos acessos digitais equivalentes a PT detinha, no último trimestre de 2004, 90,5% de quota contra os 91,7% registados no terceiro trimestre do ano.
«Em termos de variação anual, verifica-se a mesma tendência de redução ligeira da quota de mercado de acessos instalados a pedido de clientes do Grupo PT (93,2% contra 94,3%)», de acordo com o relatório divulgado pela Anacom.
A nível de clientes, as quotas de mercado do grupo PT «não sofreram alterações significativas no último trimestre, verificando-se apenas uma quebra ligeira (0,2 pontos percentuais) da quota de clientes de acesso directo. Na comparação com o período homólogo, verifica-se uma quebra pouco significativa de 0,8 pontos percentuais», segundo a mesma fonte.
No que respeita às modalidades de acesso indirecto «os restantes prestadores continuam a possuir quota de mercado acima dos 99%, valores que se mantêm desde a liberalização do Serviço Telefónico Fixo».
Tráfego total cresce no último trimestre de 2004
O tráfego total originado na rede fixa durante o trimestre em análise foi de cerca de 2,788 milhões de minutos, resultantes de aproximadamente 841 milhões de chamadas, o que representa acréscimos de 0,2% e 1,8%, respectivamente.
«Em termos homólogos verifica-se uma quebra muito significativa, principalmente ao nível dos minutos, tanto a nível trimestral como anual», segundo a Anacom que avança que «no último trimestre foram originados na rede fixa menos 17,3% dos minutos e menos 8% das chamadas realizadas no trimestre homólogo; em termos anuais, no ano de 2004 realizaram-se menos 7% de chamadas do que em 2003, dando origem a menos cerca de 15,1% dos minutos originados nesse período».
A entidade reguladora justifica esta queda com o crescimento do acesso à Internet através de tecnologia ADSL.
No tráfego de voz registou-se um aumento trimestral de 3,6% no que respeita a minutos e de 2,4% em relação às chamadas. Quando comparado com o período homólogo a tendência inverte-se, registando-se uma queda de 4,9% dos minutos e de 5,6% das chamadas. Esta tendência foi contrariada apenas «ao nível dos minutos cursados de tráfego internacional de saída, verificando-se um crescimento de 8,9% face ao trimestre homólogo».
«Em termos de comportamento anual, a análise do tráfego verifica uma tendência semelhante à observada para o trimestre homólogo: a descida de cerca de 15,1% do total de minutos cursados e de 7% das chamadas em 2004 é composta por uma quebra de respectivamente de 2,7% e 3,6% no tráfego de voz e de 37,2% e 47% no tráfego de acesso à Internet. Também na análise anual, a excepção, ao nível do sinal da variação, é o tráfego internacional de saída contabilizado em minutos, observando-se um aumento de 4,5% do total de tráfego cursado ao longo do ano», conclui o relatório divulgado pela Anacom.
Quanto ao número de entidades habilitadas para a prestação do serviço Telefónico Fixo a tendência foi de estabilização, com 21 entidades, nível que se mantém desde o segundo trimestre de 2004.
«Das entidades habilitadas para prestar este serviço, 12 encontravam-se em actividade. Destas, duas prestaram o serviço exclusivamente por acesso directo, três prestaram o serviço apenas através de acesso indirecto e as restantes prestaram o serviço através dos dois tipos de acesso», de acordo com a mesma fonte.