Nuclear, fonte de energia "verde"
Nuclear, fonte de energia "verde"
Nuclear, fonte de energia "verde", propõe Bruxelas
Finalmente um pouco de bom senso.
A Comissão Europeia quer que o nuclear o gás sejam considerados fontes de energia seguras e viáveis na transição de Europa para a neutralidade carbónica. A Áustria anuncia desde já que levará a Comissão a tribunal se a proposta hoje anunciada for por diante.
“Tendo em conta os pareceres científicos e o progresso tecnológico atual, a Comissão considera que há um papel para o investimento privado em atividades de gás e nucleares na transição”, argumenta a instituição, assegurando que os setores energéticos abrangidos “estão de acordo com os objetivos climáticos e ambientais da UE e permitirão acelerar a passagem de atividades mais poluentes, como a produção de carvão, para um futuro neutro do ponto de vista climático, na sua maioria baseado em fontes de energia renováveis”.
Com esta nova rotulagem ‘verde’ do gás natural e energia nuclear, o objetivo é “intensificar a transição, recorrendo a todas as soluções possíveis para […] alcançar os objetivos climáticos”, sustenta o executivo comunitário.
A comissária europeia dos Serviços Financeiros, Estabilidade Financeira e União dos Mercados de Capitais, Mairead McGuinness, considerou em conferência de imprensa, em Bruxelas, que este é um “importante passo para a transição climática e para a neutralidade carbónica”.
“Temos de agir já, mas não podemos atuar sozinhos, precisamos que o setor privado se alinhe e é por isso que existe a taxonomia”, adiantou Mairead McGuinness, apelando à cooperação dos colegisladores.
No primeiro dia de 2022, a Comissão Europeia divulgou ter iniciado consultas ao grupo de peritos dos Estados-membros e à Plataforma sobre Finanças Sustentáveis sobre esta matéria.
Entretanto, os peritos da Plataforma sobre Finanças Sustentáveis questionaram a legalidade da proposta e propuseram, ao invés, a criação de uma taxonomia alargada para incluir atividades que não são sustentáveis, mas que geram menos emissões (zona âmbar).
Na prática, com este ato delegado (para alterar a legislação em vigor), Bruxelas quer rotular certas atividades do nuclear e do gás natural como ‘verdes’ para assim fomentar investimentos nesta área, reduzir custos e assegurar a neutralidade climática, isto enquanto salvaguarda “condições claras e rigorosas”.
A taxonomia da UE traduz-se num sistema europeu de classificação das atividades económicas sustentáveis, que visa ajudar os investidores a compreender se determinada atividade económica é ambientalmente aceitável para assim garantir a transição para uma economia de baixo teor de carbono, nomeadamente a neutralidade climática, nos próximos 30 anos.
Uma vez que o cabaz energético da UE varia de um Estado-membro para outro, com algumas partes da Europa a dependerem do carvão com elevadas emissões de carbono, a taxonomia prevê a aposta em fontes de energia que permitam essa neutralidade climática, daí estarem classificadas fontes renováveis como energia solar ou eólica.
A análise à proposta do executivo comunitário será agora feita pelo Conselho, sendo necessário o aval de pelo menos 20 Estados-membros, representando 65% da população da UE, para o processo avançar.
Os Estados-membros estão divididos sobre esta nova rotulagem ‘verde’ do gás e do nuclear, sendo que as principais críticas vêm da Alemanha e da Áustria.
O Parlamento Europeu também pode rejeitar a proposta.
Se os colegisladores não se opuserem, este ato legado aplica-se a partir de 1 de janeiro de 2023.
Finalmente um pouco de bom senso.
“It is not the strongest of the species that survives, nor the most intelligent, but rather the one most adaptable to change.”
"TANSTAAFL"
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