Caldeirão da Bolsa

O país negro de Medina Carreira

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por Keyser Soze » 17/9/2007 17:27

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por rmachado » 17/9/2007 16:43

Obrigado Keyser pela cronologia. ;)

De qq maneira, onde estamos hoje é o resultado da soma das medidas tomadas por todos. E é ai que eu queria chegar. Mesmo sendo Ministro em 76-78, é um opinion maker que deve ter influenciado vários pelo caminho.

São estas pessoas que moldam/moldaram o pais que somos hoje. E as vezes parece que não foram eles.

Mas até pensava que ele tinha sido ministro na decada de 80... mea culpa aqui.
 
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por Keyser Soze » 17/9/2007 16:02

ANO: 1977

II – CRONOLOGIA

NACIONAL

· Janeiro

3 Posse dos novos autarcas

7 Ministro das Finanças, Medina Carreira, em comunicação ao país apresenta um quadro negro para a economia portuguesa

20 Distúrbios separatistas em Ponta Delgada, protestando contra o aumento do preço da gasolina

· Fevereiro

12 Encerra o jornal O Século bem como todas as publicações do grupo

13 Posse da Comissão Instaladora da Comissão da Condição Feminina

28 Listas afectas à JSD vencem eleições académicas no Porto, Coimbra e Lisboa

- Mário Soares desloca-se às capitais dos Nove e à sede das instituições comunitárias (até Março)

· Março

1 Governo fixa preço de um pacote de bens essenciais, o cabaz de compras

4 Sai o I Vol da biografia de Salazar de Franco Nogueira

11 Assembleia da República extingue o Serviço Cívico Esudantil

25 Remodelação do governo; Mota Pinto no Ministério do Comércio, e Nobre da Costa, na Indústria

28 Formalizado pedido de adesão à CEE Portugal, através do Embaixador Siqueira Freire, formaliza pedido de adesão às Comunidades Europeias

- Apoio parlamentar à política europeia. Mário Soares apresenta à Assembleia da República uma comunicação sobre o pedido de adesão à CEE, sendo aprovado um voto de congratulação subscrito pelo PS, PSD e CDS

· Abril

5 Conselho europeu aceita o pedido de adesão de Portugal e encarrega a Comissão de preparar o parecer sobre o mesmo; declaração comum da Assembleia, do Conselho e da Comissão proclama que o respeito dos direitos fundamentais consagrados designadamente nas Constituições dos Estados Membros, assim como na Convenção Europeia sobre a defesa dos Direitos do Homem e das liberdades fundamentais

6 Loureiro dos Santos nomeado Vice CEMGFA

25 Discurso de Eanes é particularmente crítico para a acção do governo

· Maio

1 Surge o documento Gonelha que aponta para a criação de uma segunda central sindical

15 Militantes separatistas da FLA içam bandeira da independência em Ponta Delgada, durante as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres

16 Estreia na RTP a primeira telenovela brasileira, Gabriela, seguindo romance de Jorge Amado

25 A procura da Convergência Democrática. Reunião do PPD e do CDS, tendo em vista o estabelecimento de uma maioria estável. CDS havia proposto em 5 de Maio uma "convergência democrática" entre os partidos integrantes da maioria presidencial, mas o PS não entra nas conversações, acusando os outros de quererem marginalizar o PCP.

(...)


in http://www.iscsp.utl.pt/~cepp/indexfro1 ... no1977.htm
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por pvg80713 » 17/9/2007 16:01

rmachado Escreveu:Devo concordar com muito do que ele diz, mas, pasma-me esta malta que já foi governo que já pode fazer algo e não fez, ou pelo menos não criou condições para hoje se estar melhor.

Bem sei que pelo meio existiram outros que pioraram as coisas, mas...


e agora até acha que........ se fosse governo...fazia..

o anterior achava que as pensões e tal... até lhe cortarem a dele...

bom....

O màrio soares deu uma entrevista ao El Pais em que se pronunciava sobre o que fizeram na decolonização.... na terceira pessoa...

assim ..... não vamos a lado nenhum... tudo na mesma !
 
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por Keyser Soze » 17/9/2007 15:56

rmachado Escreveu:pasma-me esta malta que já foi governo que já pode fazer algo e não fez, ou pelo menos não criou condições para hoje se estar melhor.


Ministro das Finanças 2 anos, 1976/78
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por rmachado » 17/9/2007 15:51

Devo concordar com muito do que ele diz, mas, pasma-me esta malta que já foi governo que já pode fazer algo e não fez, ou pelo menos não criou condições para hoje se estar melhor.

Bem sei que pelo meio existiram outros que pioraram as coisas, mas...
 
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por ASR » 17/9/2007 15:49

Em resumo, um bestseller :)

Eu, mesmo sem ler o livro, reconheço-me nalgumas das opiniões citadas.
Mas o mais importante é saber se apenas critica, o que é relativamente comum, ou se, o que é raro, propõe alternativas, e sugere medidas concretas.

/ASR
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por Auditor » 17/9/2007 15:44

Foi meu professor no ISCTE. Este homem é um génio.
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O país negro de Medina Carreira

por Keyser Soze » 17/9/2007 15:41

O país negro de Medina Carreira

Num novo livro que será lançado segunda-feira, o ex-ministro das Finanças traça um cenário preocupante do país



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Extinção de cinco ministérios, contracção de um empréstimo para pagar dívidas do Estado vencidas há mais de 90 dias, o fim das SCUT, inventariação das obras públicas com maiores derrapagens, inquérito à formação profissional e a eliminação de benefícios fiscais são algumas das medidas prioritárias que Medina Carreira tomava se governasse nesta altura.

No livro ‘O Dever da Verdade’, a publicar na próxima semana, o ex-ministro das Finanças faz um retrato negro da situação portuguesa, numa entrevista conduzida pelo director da SIC Notícias, Ricardo Costa.

Na obra, que conta com prefácio de Ferreira Leite, Medina Carreira chama a atenção para o rápido crescimento da despesa pública nos últimos anos, cuja consequência directa foi o agravamento da carga fiscal, e para a crónica falta de competitividade nacional. Avisa mesmo que, a manter-se a actual tendência, o Estado poderá estar falido na próxima década.

As propostas de Medina Carreira vão além da economia ou das finanças e chegam à organização do Estado. Entre outras coisas, defende um modelo presidencialista, por não crer “nas virtudes do parlamentarismo - puro ou mitigado - em longos períodos de grandes dificuldades económicas ou de crises financeiras muito sérias (...)”.

Sobre o actual Governo não tem contemplações. Logo na introdução pode ler-se: “Regozija-se com o espectáculo e não cuida da obra. Privilegia a quantidade e despreza a qualidade. Cultiva a vulgaridade e tem horror ao mérito. Gosta da pressa e foge do rigor. Contenta-se com a facilidade mas simula a exigência. (...) Teme a crítica e persegue os críticos.”

E avança com críticas a algumas das medidas tomadas nos dois últimos anos. Tem reservas em relação às Novas Oportunidades, acha que o Plano Tecnológico poderá ser um falhanço, mostra dúvidas sobre a Ota e TGV - a que chama “pesada ‘hipoteca’ nacional” - e critica a falta de critérios nas listas de excedentários.

De caminho ainda tem tempo para contar porque nunca embarcou no projecto de Guterres que, embora aprecie a sua “inteligência”, “habilidade” e “simpatia”, sempre considerou “demasiado frágil e transigente para enfrentar as durezas, os conflitos e as exigências dos cargos executivos”.
J.S.
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