Caldeirão da Bolsa

O eclipse das tecnológicas portuguesas na bolsa

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

O eclipse das tecnológicas portuguesas na bolsa

por Keyser Soze » 27/8/2007 10:56

O eclipse das tecnológicas portuguesas na bolsa

Já foram as cotadas sensação do mercado. Sete anos depois da "bolha", Reditus, Compta, ParaRede e Novabase continuam a valer menos de um terço do que nessa altura. Em menos de um ano, as três tecnológicas que integravam o principal índice da bolsa foram excluídas do PSI-20.

A recente turbulência dos mercados financeiros trouxe à memória dos investidores o colapso da "bolha" especulativa das acções tecnológicas, que marcou o início da actual década. O Jornal de Negócios foi ver como estão as cotadas portuguesas do sector. Sete anos depois do "trambolhão", Compta, Novabase, ParaRede e Reditus valem menos de um terço do que na altura da bolha. Duas delas quase se eclipsaram. E não se vê recuperação à vista.

A Pararede cai 97,8% desde o máximo histórico registado em Fevereiro de 2000, a Compta perde 96,8% desde a mesma altura. A Novabase ainda acumula uma desvalorização de 69,8% desde o máximo, em Outubro de 2000. A Reditus é a que menos perde (67,8%), fruto da recuperação encetada este ano, que leva os títulos da empresa liderada por Frederico Moreira Rato a valorizar 81% em 2007.

Entre Junho de 2004 e Junho de 2005 chegaram a estar três tecnológicas no índice principal, com a inclusão da Reditus. E novamente entre Dezembro de 2005 e Outubro de 2006. Em menos de um ano saiu primeiro a Reditus, depois a ParaRede e, na mais recente revisão ordinária, em Junho, a Novabase.

Com os investidores de costas voltadas para as tecnológicas, estas têm vindo a perder valor de mercado. Desde os máximos históricos, as quatro tecnológicas nacionais cotadas na Euronext Lisbon já perderam cerca de 320 milhões de euros. A ParaRede e a Compta são as acções com o pior desempenho da praça lisboeta desde o seu pico histórico, em Março de 2000.

Este ano, o índice que segue as quatro empresas, o PSI Technology, já caiu 6,76%, aprofundando as perdas registadas nos últimos dois anos. Um comportamento exactamente inverso ao do sector na Europa. O índice Euro Stoxx Technology já avançou 12% em 2007.

Nuno Matias, responsável pelo "research" do Banco BIG, considera que as tecnológicas portuguesas "estão à procura de uma redefinição" e que a aposta na expansão para fora do País pode dar frutos. Das quatro, apenas a Compta deu prejuízos em 2006.
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