Caldeirão da Bolsa

Porquê que a França é tão parecida connosco?

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por rnbc » 31/5/2007 23:03

Surfer Escreveu:Acontece no entanto que muitos dos admiradores da França, não sabem ou esquecem muito facilmente, que a França de hoje só é possível devido aos grande grupos energéticos monopolistas franceses em que o estado tem grande posição e que asseguram hoje já com muita dificuldade o estado e modelo social/económico francês.


Ai sim? Eh pá... ainda bem que li isto, vou já a correr vender as acções da EDF antes que alguém descubra que afinal não são a empresa elétrica mais competitiva (e barata) do mercado europeu.
However elegant the method we should occasionally look at the results.
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por atomez » 31/5/2007 21:47

A França é uma espécie de URSS em câmara lenta.
As pessoas são tão ingénuas e tão agarradas aos seus interesses imediatos que um vigarista hábil consegue sempre que um grande número delas se deixe enganar.
Niccolò Machiavelli
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por Red » 31/5/2007 20:28

Boa noite,

A França que se ajuste e melhore a sua productividade, mas espero bem que não se torne mais parecida com os EUA, que são um país horrível culturalmente, egoista. Vive la France , vive le croissant! :)
Perder tempo com beijos? Por amor de Deus, os americanos que voltem para a terra deles e comam muitos transgénicos :)

red
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por Pata-Hari » 31/5/2007 18:04

Ó Mec, tu tem santa paciência! a 10 000ima é uma cena especial! tem que se escolher cuidadosamente o parceiro de tal evento!

Ups, e não é que foi mesmo contigo :lol: ?
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por The Mechanic » 31/5/2007 17:53

PATA !!!

ESCREVE AÍ O MEU NOME PRA EU PODER DIZER A TODA A GENTE QUE A TUA 10,000 ...FOI COMIGO !!

Um abraço ,

The Mechanic
" Os que hesitam , são atropelados pela retaguarda" - Stendhal
"É óptimo não se exercer qualquer profissão, pois um homem livre não deve viver para servir outro "
- Aristoteles

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por Pata-Hari » 31/5/2007 17:47

Surfer, estou de acordo contigo. E diria que até conheço bem os franciús....!
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Re: Porquê que a França é tão parecida connosco?

por HOSTILE » 31/5/2007 15:20

Pata-Hari Escreveu:Este artigo descreve muito daquilo que eu considero ser a semelhança entre os problemas franceses com os problemas portugueses. O modo de pensar é muito semelhante ao que nos persegue também a nós, tugas. Aliás, culturalmente, herdámos e adoptamos muito dos Franceses...


A maior semelhança entre os dois povos é...
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por Roberto Torrão » 31/5/2007 13:59

Uma coisa muito importante a não descurar...

Os franceses são muito inteligentes, e é preciso saber reconhecer este mérito gaulês, o maior exemplo que de facto ratifica este axioma, é que os infantes já começam a falar frances desde muito cedo, desde os 2 - 3 anos...
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por charles » 31/5/2007 13:45

pro bem e para o mal são 3 milhoes de portugueses em frança.
Cumpt

só existe um lado do mercado, nem é o da subida nem o da descida, é o lado certo
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por Surfer » 31/5/2007 13:40

Dwer Escreveu:Devo ressalvar que conheço muito mal a França.
Dito isto, não acho que os franceses sejam muito connosco. Reparem: com 35 horas semanais têm o nível de
vida que têm? Tomara nós. São concerteza muito mais produtivos. São compensados com tempo de férias pelo tempo extra que dedicam ao trabalho? Tomara nós. Nem dinheiro nem tempo de férias; excepto para quem trabalha para o estado - aí parece-me que somos mais parecidos; mas nem aqui: não é comparável o nível de assistência social, na saúde, no desemprego etc. Com o mesmo, ou maior, número relativo de funcionários públicos, os franceses disfrutam de serviços públicos incomparavelmente superiores aos nossos. Com uma tributação similar.

Beijos nos colegas? 'tá tudo doido? Nas colegas ainda vá. Mesmo assim, não me parece. É mais p'ró b'dia, então o nosso Benfica? E o Sócrates pá?..; mas quais beijinhos! E o hálito do people de manhã? Cá no burgo isso era uma atitude suicidária.


Ler o artigo e fazer conclusões de forma "horizontal" é muito fácil e pratica comum Tuga e talvez Gaulesa.

Nós passamos a vida a criticar o nosso pais e o excesso de peso do nosso estado na nossa economia e como este "vicia" e prejudica o desenvolvimento e o crescimento económico, mas a França ultrapassa-nos por completo nesta matéria.

A França é hoje um pais estagnado e pesado devido ás suas politicas ultra proteccionistas e socialistas, é o pais ocidental entre os mais ricos em que o estado tem uma tremenda influencia e peso sobre a sua economia e desenvolvimento social. A França é hoje um pais em crise social e industrial.

As empresas francesas há muito que deixaram de ser competitivas, grande maioria sobrevivem com muitas dificuldades, outras encontram-se á beira da falência e os grandes grupos privados são hoje propriedade de capital estrangeiro ou á beira de o serem.

A nível social, as classes e estratos da sociedade são hoje mais desequilibradas e mais distantes. Existe cada vez mais descontentamento em relação ás praticas e politicas sociais subsidiárias que minam a sociedade e a economia do pais, que para além serem um entrave á modernização e desenvolvimento económico e social são também vistas como foco de injustiças entre a cidadania.

No entanto a França aguenta e é admirada por alguns como um exemplo a seguir, aonde as melhores praticas de socialismo dão provas de que afinal é possível um pais aonde o estado "abraça" e protege os seus cidadãos de forma exemplar comparativamente a muitos outros pais que só podem sonhar com tal "paraíso social".

Acontece no entanto que muitos dos admiradores da França, não sabem ou esquecem muito facilmente, que a França de hoje só é possível devido aos grande grupos energéticos monopolistas franceses em que o estado tem grande posição e que asseguram hoje já com muita dificuldade o estado e modelo social/económico francês.

O problema é que a geografia económica, social e industrial mundial está hoje a sofrer grandes mudanças, existem hoje novos "players" vindos da Ásia, que obrigam também a um novo mapa e modelo industrial e energético a nível mundial, que está a provocar e a desafiar a economia e o modelo social dos países ocidentais e mais ricos do mundo.

A França é provavelmente o pais entre os mais ricos do mundo que está menos preparada para enfrentar os novos desafios e provavelmente é o pais que irar sofrer mais com a mudança.

Cumps
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por Dwer » 31/5/2007 12:20

Devo ressalvar que conheço muito mal a França.
Dito isto, não acho que os franceses sejam muito connosco. Reparem: com 35 horas semanais têm o nível de
vida que têm? Tomara nós. São concerteza muito mais produtivos. São compensados com tempo de férias pelo tempo extra que dedicam ao trabalho? Tomara nós. Nem dinheiro nem tempo de férias; excepto para quem trabalha para o estado - aí parece-me que somos mais parecidos; mas nem aqui: não é comparável o nível de assistência social, na saúde, no desemprego etc. Com o mesmo, ou maior, número relativo de funcionários públicos, os franceses disfrutam de serviços públicos incomparavelmente superiores aos nossos. Com uma tributação similar.

Beijos nos colegas? 'tá tudo doido? Nas colegas ainda vá. Mesmo assim, não me parece. É mais p'ró b'dia, então o nosso Benfica? E o Sócrates pá?..; mas quais beijinhos! E o hálito do people de manhã? Cá no burgo isso era uma atitude suicidária.
Abraço,
Dwer

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por MozHawk » 31/5/2007 11:48

Tipicamente americano...

Ora, do artigo em si, não vejo nenhum "problema" tirando o que se refere ao tempo perdido em reuniões com muita palha. Nisso concordo. Agora "He joked that another big time-drain was the tradition of greeting everyone in the morning by kissing them twice on cheek: "That's like 20 minutes gone by."" Antes perder 20 minutos a beijar os colegas do que ter um processo judicial em cima porque uma colega não gostou da forma como olhei para ela...

Viva a França!

MozHawk
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por jmf79 » 31/5/2007 11:32

Pata,

Acho indiscutível que portugueses e franceses têm bastante em comum. No entanto, tudo depende da extensão a que queremos fazer a comparação. Podíamos sempre catalogar as coisas tipo “europeus” versus “asiáticos”, “sul-americanos”, “africanos”, etc..

Isto para ressalvar que, apesar de ‘’relativamente parecidos’’, portugueses e franceses têm também enormes diferenças. Aquela que para mim é mais marcante é o espírito reinvidicativo (sendo que o dos franceses é muito superior ao nosso). Em Portugal é extremamente menos provável a ocorrência de uma manisfestação extramamente forte e que durasse o tempo necessário até o Governo desistir de implementar uma determinada lei, por exemplo. Em França, o Sarkozy teve de enfrentar uma tal manisfestação ainda enquanto ministro.

Vivi em França (ano e meio) e foi algo que me marcou bastante na cultura deles. À custa do seu poder reinvindicativo ostentam um nível de protecção social e do trabalho notáveis. Claro que, economicamente, é discutível se, a longo prazo, isso não se puderá tornar num dos grandes motivos de perda de “competitividade” da França.

Mas, por outro lado, “competitividade”? É só isso que conta? Então o bem estar do dia a dia? A vida que efectivamente vivemos? Que é feito dela? Isso não conta? Esta é a série de perguntas que um francês (muito mais rapidamente que um português) coloca. E a verdade é que, apesar de tudo, têm conseguido respostas a estas perguntas.

Não quero com isto fazer juízos de valor. Apenas ilustrar diferenças. A educação e as diferenças culturais são sem dúvida os grandes pilares para esta era.

Beijinhos/abraços p todos.
E BNs;)
 
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Porquê que a França é tão parecida connosco?

por Pata-Hari » 31/5/2007 6:17

Este artigo descreve muito daquilo que eu considero ser a semelhança entre os problemas franceses com os problemas portugueses. O modo de pensar é muito semelhante ao que nos persegue também a nós, tugas. Aliás, culturalmente, herdámos e adoptamos muito dos Franceses...


http://www.cnn.com/2007/WORLD/europe/05 ... index.html

(ainda vou presa por infringir o copyright :oops: )


French kiss, lunches hinder reform
POSTED: 6:40 a.m. EDT, May 30, 2007
Story Highlights• French traditions of long lunches, kissing hello is expected to survive reforms
• Sarkozy has highest approval rating, 65 percent, for a president in early stages
• Sarkozy's promises of reforms struck a chord with the country's population
• A study found French workers are unhappy, world's biggest 'whiners'
Adjust font size:
PARIS, France (Reuters) -- Their new president wants to get the French to work harder to compete in global markets, but some traditions are likely to endure -- including long holidays, a kiss for colleagues in the morning, and a decent lunch.

Going out for a proper lunch is characteristic of French culture and on an average weekday, just a few steps from the Louvre museum, the streets swell with hungry workers seeking empty spots at crowded cafes.

"It's quite typical," says Gerome Jeusselim, a waiter at Cafe Pistache. "I don't think things will ever change."

Newly elected president Nicolas Sarkozy may not agree. With unemployment hovering above 8 percent and the economy barely growing 2 percent, at issue is whether France can keep up its lifestyle and be competitive.

"France is really going downhill," said Jeremy Salomon, a Frenchman working as a project manager at optical manufacturer GrandOptical in the southwest suburbs of Paris.

"If there is no change, France will be at the end of the queue in terms of productivity."

Conservative Sarkozy has promised to tackle this problem, with reforms aimed at restoring the values of hard work and rewarding people who "get up early". He wants to make the 35-hour work week a minimum, not maximum, requirement, allowing people to work more.

"Sarkozy wants to make it possible for people who work overtime to be paid for it," Salomon said. "I think he wants to try to change the French mentality in terms of work ethic."

While Americans focus on productivity, Salomon said the French waste time with meetings. He joked that another big time-drain was the tradition of greeting everyone in the morning by kissing them twice on cheek: "That's like 20 minutes gone by."

Salomon is not paid overtime, even though he usually works from 9 a.m. to 7 p.m., with an hour for lunch. Instead, he gets extra vacation -- which adds up to so many days off it is hard to find time to work.

"We get 48 days off, not including national holidays," he said. "So much vacation time makes it hectic to work."

Whining and dining
Despite free time and benefits that workers in other countries may envy, many in France are still discontented. One recent study found French workers the world's biggest whiners.

Yet according to Thomas Philippon, a New York University Stern School of Business professor, this is not because the French hate work: they value hard work highly.

He said a lack of internal promotion at companies and a lack of cooperation are some reasons why French workers are unhappy.

"Overall in France, internal promotion has a bad connotation. If someone gets promoted, we think he's a suck-up."

Another gripe is that raw recruits hired direct from elite institutions are put in charge of more experienced workers.

Isabelle Perrin, a spokeswoman for the CFDT, one of France's largest unions, said the French worker is unjustly maligned: what France needs is more people being put to productive use to help pay the pensions of an ageing population.

"It's less of an hourly productivity problem. The French worker is good. It's the time spent working as a professional," she said. "The young begin working much too late, and older workers stop working much too early."

No quick fixes
Sarkozy's talk of getting France back to work and his punchy style have struck a chord beyond the people who voted for him.

Elected on May 6 with 53 percent of votes, Sarkozy's popularity rating has surged to 65 percent -- the highest for a president at his early stage in office since General de Gaulle.

But Perrin doubts Sarkozy's arrival will quickly change people's working habits.

"I can't see into the future," she said, "but what I do know is that it takes an enormous amount of time for new working habits to take place," she said.

"There are a lot of things a politician can't accomplish by simply snapping his fingers. Things don't change overnight."

Brina Goldfarb, an American who has been working in Paris for three and a half years, believes France's leader is spouting "free-market jargon" and ignoring reality.

Goldfarb, who works at a small architectural firm, said she is contracted to work a 39-hour week, but does about 50 hours. "I can't see my boss paying us for all the extra overtime."

Like many in France, however, her overtime work is compensated by extra time off, not cash.

Back home, she would be richer but the French lifestyle and a French fiance won her over: "I did think I would have had a more humane life than if I was working in New York."

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