Caldeirão da Bolsa

José Cutileiro & Miguel Monjardino

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

por mcarvalho » 1/1/2007 0:12

Dia Mundial da Paz


Bento XVI preocupado com a nova corrida às armas nucleares






Bento XVI está preocupado com a nova corrida às armas nucleares. Na tradicional mensagem para o Dia Mundial da Paz, que se celebra esta segunda-feira, o Papa critica os países que fazem a guerra em nome de Deus.



SIC






O hino litúrgico "Te Deum" fez-se ouvir numa celebração em acção de graças por 2006, com a tradicional mensagem para o primeiro dia de 2007 (Dia Mundial da Paz), como pano de fundo da mensagem de Bento XVI.

O Papa entende que a vontade manifestada recentemente por alguns estados de possuírem armas nucleares causa grande inquietação e acentua o medo de uma catástrofe global.

Não chegam acordos para não proliferação, é preciso negociar no sentido da abolição de armas nucleares, defende Bento XVI, sem esquecer as situações de conflito com motivação religiosa.

O Papa insiste em dizer que uma guerra em nome de Deus é inaceitável. Mas, para construir a paz - acrescenta -, é preciso também acabar com as "insidiosas desigualdades no acesso a bens essenciais, como a comida, a água, a casa, a saúde, e, por outro lado, as contínuas desigualdades entre homem e mulher", no exercício dos direitos fundamentais. Um reparo específico às culturas que insistem em reservar à mulher uma posição ainda fortemente sujeita ao arbítrio do homem.

Nesta mensagem para o Dia Mundial da Paz, o chefe da Igreja Católica destaca as gravíssimas carências de que sofrem muitas populações no continente africano. Origem de violentas reivindicações e um tremendo golpe infligido à paz.

De forma inédita, o Papa manifesta também sérias preocupações ecológicas, com o aumento das necessidades energéticas.

O desenvolvimento de algumas regiões do planeta está bloqueado devido ao aumento dos preços da energia e o Papa não hesita em colocar o dedo na ferida: Que acontecerá àquelas populações? Que injustiças provocará a corrida às fontes de energia? E como reagirão os excluídos desta corrida?, questiona o sumo pontífice.

Nesta mensagem, Bento XVI critica ainda o aborto e as pesquisas sobre os embriões e cita o antigo líder indiano Gandhi para reafirmar que os direitos do homem implicam também deveres.

A propósito, o Papa defende a aplicação do direito internacional humanitário a todas as situações de conflito armado, incluindo as não previstas pelo direito internacional em vigor.
 
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Muito interessantes estes artigos

por mcarvalho » 31/12/2006 23:38

Idealismo .. é uma coisa
A Realidade... é outra..

e, a realidade é que muitos idealistas não vêm a realidade ... :
"os seus ideais são criados por realistas"

Há muita gente que voa....alguns mesmo sem "passa"


Frase célebre de António de Oliveira Salazar

" Se soubesses quanto custa mandar
gostarias de obedecer toda a vida"

ou mais recentemente

" Nada acontece por acaso "

ou ainda

" Uns fazem as coisas acontecer"
" Outros apercebem-se a tempo e reagem"
" Os Outros perguntam ?- Que aconteceu? "

Bom Ano de 2007

mcarvalho
 
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Artigos muito Interessantes.

por colmeias » 31/12/2006 23:22

Os teu Artigos são muito interessantes, mas para continuação do tema... no Bau do expresso encontrei este, que penso que pode valorizar esta nossa época Festiva...

Chineses juntam "striptease" aos enterros
Funerais eróticos movem multidões
Cátia Mateus

Na localidade de Fonte Quente, na China, os enterros tem "condimentos" originais. A música e o teatro são obrigatórios, mas afinal é o "striptease", e não o defunto, que garante a assistência.



Ryan Pyle/Corbis
Alguns chineses estão a descobrir que não há maior felicidade do que ir a um enterro.

Numa localidade da China as famílias com grande poder económico homenageiam os seus defuntos com cerimónias fúnebres eróticas onde não falta nada (mas mesmo nada) e as sessões de "striptease" merecem mais atenção do que o próprio morto.
Um funeral lotado é, seja qual for a cultura, uma honra para o defunto e para a sua família. Por cá, as demonstrações de pesar são contidas e as cerimónias fúnebres não são razão para festejos. Mas em algumas regiões da China, um bom enterro mede-se pela sua assistência.
A cerimónia tem de conseguir atrair muita gente, mesmo que o defunto não passe de um desconhecido para grande parte dos presentes. Para garantir a audiência e amenizar os funerais, as famílias encontraram uma fórmula ideal. Muita música, teatro e até representações de opera são "condimentos" obrigatórios. Mas nos últimos anos, na localidade de Fonte Quente (Wen Quan) – uma zona de economia afortunada graças às suas potencialidades termais – a palavra enterro ganhou uma nova dinâmica.
Os espectáculos fúnebres eróticos, cada vez mais célebres, são garantia imediata para um funeral lotado. E se o defunto fica honrado com a afluência ao seu enterro, a satisfação dos presentes parece ser, sem dúvida, muito maior. Em Fonte Quente (designação que nada tem a ver com esta sugestiva forma de honrar os mortos), um enterro é uma actividade lúdico-cultural e para as companhias artísticas, um negócio bastante lucrativo. Muitos grupos de teatro já se especializaram neste segmento de mercado rentável, onde há sempre negócio, e preferem um bom enterro a um espectáculo tradicional menos intimista.

De fazer corar o morto
Quanto mais remota e pequena é a aldeia, mais picantes são os funerais, com nus integrais e aproximações eróticas ao público capazes de fazer corar até o mais sabido dos espectadores. Como manda a tradição, as famílias mais poderosas contratam não uma mas duas companhias que competem entre si, com outros talentos que não o teatro ou a música e onde tudo pode acontecer.
Mas a proliferação desta sui generis forma de dizer adeus trouxe a público a realidade social degradante em que vivem cerca de 140 milhões de trabalhadores migrantes da China. Deslocados para esta próspera zona, situada na Província Oriental de Jiangsu, estes operários que vivem afastados das famílias encontram nos funerais eróticos uma fonte de satisfação gratuita.
Remédio para mal social

Segundo um estudo do Ministério da Saúde daquele país, “88% destes trabalhadores sofrem de depressão sexual, o que os leva a recorrer a filmes pornográficos e, nos casos mais extremos, à violação”. Wu Yiming, decano do Departamento de Sociologia da Universidade de Nanquim, explica que “o escândalo suscitado por este funerais trouxe á luz do dia as necessidades dos trabalhadores migrantes rurais que vivem nos centros industriais chineses, em precárias condições de vida, com regimes exaustivos de trabalho, afastados das suas famílias e sem tempo ou recursos para satisfazerem os seus desejos sexuais”.

O especialista considera que é urgente apresentar medidas que assegurem a melhoria das condições de vida destes operários. “Ignorar esta questão levará ao acentuar de problemas físicos e psicológicos com forte impacto social”, alerta. Entre as várias propostas de Wu Yiming estão a punição dos patrões que abusem destes trabalhadores, a criação de centros de lazer onde possam jogar às cartas e ver filmes (saudáveis) ou a distribuição de preservativos gratuitos para evitar a propagação de doenças sexualmente transmissíveis.

O académico acredita ainda que uma boa alternativa aos funerais eróticos é a criação dos "Ninhos de Amor", apartamentos baratos alugados aos trabalhadores quando recebem as visitas das mulheres. Até lá, os funerais continuam a ser uma alternatica crescente de distracção, na China. Uma opinião só contraiada pelo defunto que, de resto, nunca expressou essa posição publicamente.
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José Cutileiro & Miguel Monjardino

por Keyser Soze » 31/12/2006 13:33

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Liberdade

Urge preservar a liberdade mundial, tarefa em que os EUA têm um papel fulcral. Sem eles, os regimes autoritários imporiam a brutalidade política e jurídica

A liberdade está sempre em risco. Fala-se muito na necessidade de difundir e proteger os chamados ‘bens públicos globais’: a paz é um, a água outro, a saúde seria outro ainda e por aí fora. Mas a liberdade - a liberdade à antiga, a liberdade de 1789, a liberdade de crença, de opinião, de expressão - é mais importante do que todos eles. Essa é a razão pela qual, apesar do Iraque, de Guantánamo e do défice, apesar da ingenuidade, ignorância, arrogância, compadrios e incompetências da administração Bush, a América faz bem ao mundo, que se ela enfraquecesse ou se desinteressasse, se tornaria num lugar pior.

Sem ela ganhariam ainda mais alento: a teocracia incipiente no Irão; o regresso de brutalidade jurídica e política, à maneira da União Soviética, na Rússia; o desprezo pelos direitos do homem na China, dentro e fora das suas fronteiras (em comércio externo e ajuda ao desenvolvimento Pequim não exige que os governos dos seus parceiros tratem com decência os governados, ao contrário do que, desde o fim da Guerra Fria, norte-americanos e europeus quase sempre têm feito); as pequenas ditaduras populistas, neo-fascistas, que medram na América Latina, na Ásia Central e em partes de África, empoleiradas por cima de jazidas de petróleo ou de gás natural (que lhes garantem, como de resto à Rússia e à Arábia Saudita, alguma tolerância internacional) e que, em nome do bem geral, vão fazendo o seu mal particular. Há outros lugares extremos, onde a liberdade não existe, anda muito maltratada, à espera de melhores dias, ou se apagou sem suspeitar sequer que eles existissem. A Europa não está mal. Neste Dezembro, Tony Blair, primeiro-ministro da mãe de todas as democracias, e Dominique de Villepin, primeiro-ministro da mãe de todas as repúblicas foram interrogados pela polícia e por magistrados, durante horas a fio, por razões tão incómodas que os respectivos gabinetes entenderam declarar que eles eram ouvidos só como testemunhas e nem tinham levado consigo advogados. Sinal salutar de separação de poderes, improvável em Teerão, Moscovo, Pequim, Caracas, Luanda, Ashgabat.

Mas a Europa tão-pouco está bem. Por um lado não tem força suficiente para impor, muito para além da sua periferia, normas políticas e económicas convenientes que são precisas para segurança de todos nós porque o mundo agora é global. Só juntamente com os Estados Unidos está às vezes à altura de o fazer. Por outro lado, apesar de 1789, a Europa vem carregada de inclinações autoritárias. Nos textos programáticos da União Europeia, ricos de valores éticos, a liberdade não é um dos mais evocados. E os governos dos Estados-membros tendem a considerar que o seu entendimento do interesse nacional é moralmente superior ao de outros cidadãos e merece protecção especial. Deveriam saber o que escreveu um juiz do supremo dos Estados Unidos: “A liberdade não tem a ver com o dever de ter razão, tem a ver com o direito a não a ter”. Ano Novo Feliz.

http://semanal.expresso.clix.pt/1cadern ... d=ES242228



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Uma nova idade nuclear

O ano que passa fica marcado pela aposta global no nuclear. Enquanto alguns países ocidentais renovam os seus programas e arsenais, outros actores - do Médio ao Extremo-Oriente - revelam um apetite voraz pela matéria

Terrorismo, guerrilha e guerras civis. Estes foram os principais temas das notícias internacionais ao longo do ano que agora acaba. O triângulo da violência é responsável por muito do medo e pessimismo que as pessoas hoje em dia sentem quando olham para a política internacional. O medo e o pessimismo podem ser dominantes, mas não é por isso que deixam de ser exagerados. Se olharmos para a história só podemos tirar uma conclusão: 2006 foi um ano razoavelmente bom em termos de segurança internacional.

É evidente que a violência que tem ocorrido no Darfur, Somália, Iraque, Líbano, Palestina, Afeganistão e partes do Paquistão é preocupante e pode resvalar em 2007. Mesmo assim, a situação que hoje temos pela frente é bem melhor e menos mortífera do que aquela que atravessámos, por exemplo, há vinte anos.

Se quiser mesmo procurar preocupações, esqueça o triângulo da violência por alguns momentos e preste atenção ao que se passou durante o ano na área nuclear. Não, não estou a falar apenas no teste nuclear da Coreia do Norte e no programa nuclear do Irão. Estou a referir também numa série de acontecimentos ao longo do ano que passaram mais ou menos despercebidos.

Se os juntarmos todos, vemos que algo de muito importante está a acontecer. 2006 começou com o Presidente francês, Jacques Chirac, a declarar que o seu país se reservava o direito de responder nuclearmente contra os países que usem meios terroristas para pôr em causa os interesses vitais de Paris.

A Coreia do Norte testou os seus mísseis balísticos e, contra tudo e todos, levou a cabo um teste nuclear. O Irão testou várias vezes o seu programa de mísseis balísticos e não mostrou a menor intenção de prescindir do seu programa nuclear.

O Paquistão, um país extremamente perigoso, e a Índia testaram várias vezes os seus programa de mísseis balísticos e avançaram na modernização da sua infra-estrutura nuclear. Vladimir Putin tornou claro que a modernização do arsenal e plataformas nucleares russas é a principal prioridade da política de defesa de Moscovo. Tony Blair e Gordon Brown defenderam que a Inglaterra deve começar a desenvolver um novo programa nuclear. Os EUA, China e Israel continuam a manter e a desenvolver as suas armas e plataformas nucleares.

Uma série de países árabes que sempre defenderam um Médio-Oriente livre de armas e centrais nucleares deram uma enorme cambalhota política e declararam o seu interesse em ter acesso a sofisticada tecnologia nuclear civil - o primeiro passo em todos os programas nucleares.

A grande história de 2006 não é o triângulo da violência mas sim a chegada de uma nova idade nuclear centrada sobretudo na Ásia. Resta saber como é que esta idade vai evoluir.

Capitalismo e servidão

Um dos grandes mistérios da política internacional é a má reputação do capitalismo. Escrevo mistério porque, apesar de todos os seus defeitos, o capitalismo sempre foi o melhor mecanismo para criar e distribuir riqueza. Durante o século XX, uma enorme coligação de comunistas, nazis, fascistas e socialistas marxistas declarou guerra aberta ao capitalismo. Felizmente para todos nós, o prometido e ardentemente desejado funeral do capitalismo nunca chegou. O século XXI começou com os ideólogos da Al-Qaeda a declararem guerra aos EUA e ao capitalismo internacional. Tal como aconteceu com o marxismo no século passado, a ideologia da Al-Qaeda é poderosa e tem imensos adeptos - muitos residem na Europa. O problema é que, cinco anos depois do 11 de Setembro, o crescimento da economia mundial é notável. O problema não tem sido gerar mas sim distribuir a riqueza. Vem aí uma nova ordem política internacional mas esta ordem é bem diferente daquela que a Al-Qaeda e os partidários dos caminhos para a servidão tinham em mente.

Botas no chão

Nos últimos quinze anos a maior parte dos exércitos na área euro-atlântica viu o número dos seus soldados diminuir. Parte da redução dos efectivos deveu-se a reformas indispensáveis. A outra parte ficou a dever-se à dificuldade em justificar eleitoralmente gastos com a manutenção, treino e execução de missões militares. O paradoxo é que ao mesmo tempo que o número de meios e militares disponíveis diminuía o nosso nível de ambição política aumentou. Os fossos estratégicos são muito perigosos. Das duas uma: ou diminuímos a nossa ambição política ou aumentamos o número de botas que podem ser postas no chão.

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