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Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

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Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por kz_11 » 28/7/2020 14:11

Viva,

ouvi há pouco no jornal que o Novo Banco vendeu em 2018 cerca de 13.000 imóveis com cerca de 50% de desconto a um fundo anónimo com sede nas Ilhas Caimão.

https://www.jornaldenegocios.pt/empresa ... las-perdas

Sobre isto o próprio banco ainda financiou com um empréstimo parte do negócio ao comprador.

Pegando nos valores da noticia e fazendo contas de merceeiro, os ativos tinham no balanço um valor de 631M e foram vendidos por 364M. Isto dá por alto 28.000€ por imóvel.

A liquidação resultou num prejuizo de valor bastante similar ao que teve de pedir ao fundo de resolução para apoiar as próprias contas. :shock: :shock:

Corrijam-me p.f. se não estiver a ver bem, mas isto para mim é completamente absurdo.

abrç.
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por m-m » 28/7/2020 14:33

Uma "not´´ícia" no jornal (Público) oficioso do Bloco de Esquerda/Partido Socialista, repetida pela Agência Lusa (Orgão noticioso do Estado), já desmentida pelo Novo Banco, claramente para criar burburinho e desviar atenções...

M
 
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por PC05 » 28/7/2020 14:39

m-m Escreveu:Uma "not´´ícia" no jornal (Público) oficioso do Bloco de Esquerda/Partido Socialista, repetida pela Agência Lusa (Orgão noticioso do Estado), já desmentida pelo Novo Banco, claramente para criar burburinho e desviar atenções...

M


Novo Banco confirma que deu crédito a comprador de 5 mil imóveis mas diz que operação foi auditada


https://expresso.pt/economia/2020-07-28 ... i-auditada
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por Pata-Hari » 28/7/2020 21:07

Estou a tentar ler mais sobre isto mas a ter dificuldade em encontrar artigos mais completos e acessíveis. Alguém tem mais alguma coisa?
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por mais_um » 28/7/2020 22:35

Pata-Hari Escreveu:Estou a tentar ler mais sobre isto mas a ter dificuldade em encontrar artigos mais completos e acessíveis. Alguém tem mais alguma coisa?



Uma, duas, três, quatro, cinco vendas polémicas: as histórias (e os intervenientes misteriosos) de mais €611 milhões de perdas no Novo Banco

Os compradores são sempre grandes fundos, dos quais pouco se conhece e que não estão sujeitos a qualquer supervisão em Portugal. O preço nunca foi favorável ao banco. Tiveram sempre impacto negativo nas contas. São cinco as grandes operações com ativos problemáticos do Novo Banco. São elas as protagonistas da análise que o primeiro-ministro quer que a PGR faça. No Parlamento, já todos os partidos querem mais averiguações. Esta semana, a Deloitte entrega uma auditoria em que algumas destas transações são escrutinadas

A Procuradoria-Geral da República está a analisar o pedido do Governo para travar mais vendas de ativos tóxicos no Novo Banco até que se conheçam os contornos das anteriores transações envolvendo grandes pacotes de créditos e imóveis. Com o passar do tempo, vão surgindo mais informações sobre algumas das operações, que levantam dúvidas sobre a transparência dos processos.

Esta terça-feira o “Público” trouxe um novo dado para a complicada história da venda de imóveis do banco herdeiro do BES. Do lado do comprador, há uma estrutura de empresas que vão redundar nas Ilhas Caimão, o que dificulta também descortinar quem é o beneficiário último, ou seja, quem é que efetivamente é hoje dono de prédios e terrenos que pertenciam ao Novo Banco.

Ao todo, nos últimos dois anos houve cinco grandes projetos de vendas de grandes ativos problemáticos: Nata I, Nata II, Albatros, Viriato e Sertorius. Ao todo, e segundo dados divulgados pelo banco no relatório e contas de 2019, estes cinco projetos causaram perdas diretas de 611 milhões de euros à instituição financeira.

Este valor representa a diferença entre o valor a que os ativos estavam registados no balanço do banco (já depois de imparidades, que correspondem a perdas antecipadas anteriormente) e o seu preço de venda.

Portanto, na prática, estes ativos até foram mais tóxicos do que aqueles 611 milhões de euros de impacto direto nos resultados de 2018 e 2019, já que a anterior constituição de imparidades - que já existia sobre grande parte dos créditos e imóveis incluídos nestes pacotes - também pesou nas contas de outros anos.

Alguns destes imóveis e créditos - não se sabe exatamente quantos - estavam incluídos no conjunto de ativos que permitem ao Novo Banco pedir dinheiro ao Fundo de Resolução, que tem precisado sempre do dinheiro dos contribuintes para saldar estas responsabilidades. Até aqui, o banco já pediu 3 mil milhões dos 3,89 mil milhões que pode solicitar ao Fundo.

O banco liderado por António Ramalho, e detido em 75% pelo fundo Lone Star, tem planos para novas vendas de carteiras, nomeadamente o Nata III, de crédito malparado. O pedido de António Costa à PGR pode travar estes planos.

O mundo político está em sobressalto e quer que haja mesmo uma averiguação. Da esquerda à direita há críticas à forma como o Novo Banco tem desempenhado este processo.

Em baixo seguem algumas das informações públicas sobre as operações através das quais o Novo Banco se desfez de carteiras relevantes de créditos e imóveis que passaram para grandes fundos desconhecidos da generalidade dos portugueses e que não estão sob qualquer supervisão em Portugal.

2018 – Nata I (Crédito malparado)

Em 2018, o Novo Banco colocou à venda uma carteira com mais de 100 mil contratos de crédito. Foi assim que concretizou a sua primeira grande carteira de crédito malparado. Os créditos tinham um valor bruto de 1.530 milhões de euros mas uma parcela relevante, de 986 milhões, estava já coberta por imparidades. Assim, o crédito a clientes da instituição financeira registou aqui uma diminuição de 544 milhões.

O comprador foi um consórcio formado pelo fundo americano KKR Credit Advisors e pela Lx Investments Partners. O Novo Banco recebeu na transação 435,5 milhões de euros.

Em suma, o impacto no resultado líquido foi de uma perda de 110 milhões de euros para o banco.

2018 – Viriato (Imobiliário)

Foi a primeira operação de grande venda de imóveis. Foram colocados à venda quase nove mil imóveis para uso residencial (incluindo estacionamentos), espaços industriais e comerciais e ainda outros terrenos. Acabaram por ser vendidos mais de 5 mil imóveis, compostos por mais de 8 mil frações.

Segundo os dados do Novo Banco, a carteira em causa tinha um valor bruto contabilístico de 716,7 milhões de euros (o banco não revelou qual o valor líquido, após imparidades), prevendo o banco receber 388,9 milhões de euros dos compradores.

Foram os fundos geridos pela Anchorage Capital que adquiriram a carteira, numa operação que gerou perdas diretas de 159 milhões de euros no Novo Banco.

O Público noticiou esta terça-feira que esses fundos geridos a partir de Nova Iorque fizeram a compra através de uma sociedade nas Ilhas Caimão, e que não se conhece o beneficiário último do fundo Anchorage. Além disso, o Novo Banco concedeu financiamento aos compradores para a aquisição. A entidade bancária garante que esta operação não implicou custos diretos ao Fundo de Resolução.

No Twitter, António Ramalho frisou que sabe claramente quem é "o beneficário último e que foi analisado detalhadamente pelo compliance do banco e feitos todos os relatórios". "Todas as sociedades são detidas pelo vencedor do concurso, a Anchorage", acrescentou, dizendo que "tudo foi publicado em Outubro de 2018". O Público, no entanto, explicita na sua investigação que a Anchorage atua em nome de determinados investidores, que normalmente estes fundos de "private equity" nunca identificam.

2019 – Albatros (Crédito e Imobiliário em Espanha)

O grupo Novo Banco decidiu vender ativos problemáticos na sua sucursal espanhola (que um ano depois foi colocada à venda). Aqui foram comercializados não só créditos tóxicos como também imóveis naquela geografia.

A carteira tinha um valor bruto contabilístico de 308 milhões de euros (mais uma vez não foi divulgado valor líquido, após o efeito das imparidades e provisões registadas até aí).

A nova-iorquina Waterfall Asset Management foi a compradora, numa transação que trouxe um impacto negativo de 34 milhões para o banco herdeiro do BES.

2019 – Nata II (Crédito)

Era para ser a maior operação de venda de crédito, onde o banco pretendia desfazer-se dos seus maiores devedores, como a Ongoing.

Inicialmente a intenção era alienar créditos de 3 mil milhões mas o banco acabou a vender ativos (sobretudo crédito) de 1.202 milhões de euros, com uma imparidade associada de 1.056 milhões. Assim, o ativo líquido verificou uma redução de apenas 146 milhões de euros. O Fundo de Resolução travou a venda de alguns dos créditos, com destaque precisamente para o da Ongoing. Considerava que seria mais benéfico para o banco mantê-lo e geri-lo e não vendê-lo em pacote.

Esta transação, em que o comprador foi o grupo americano Davidson Kempner, levou a uma perda de 79 milhões de euros.

2019 – Sertorius (Imobiliário)

A maior perda causada por uma só operação foi protagonizada pelo projeto Sertorius. Foram 229 milhões de euros de impacto negativo nos resultados líquidos do banco no ano passado.

A carteira envolvia 195 imóveis, com um valor bruto contabilístico de 487,8 milhões de euros (sem imparidades). O banco recebeu 159 milhões de euros.

A diferença entre o valor bruto e a venda é de quase 330 milhões de euros, mas o impacto direto nos resultados de 2019 foi de 229 milhões negativos.

O comprador foi o americano Cerberus Capital Management. E este é o projeto de venda mais polémico. Isto porque, como revelou o “Público”, Byron Haynes, que preside ao conselho geral e de supervisão do Novo Banco, foi presidente do banco austríaco Bawag, cujo principal acionista é a gestora de fundos Cerberus.

Rui Rio disse no Parlamento que esta era uma questão eticamente questionável e disse mesmo ao Ministério Público deveria investigar o banco. E foi por isso que a PGR acabou envolvida no assunto.

Banco satisfeito com vendas

Na semana passada, Byron Haynes deu uma entrevista ao “Jornal Económico” na qual foi questionado sobre estas pesadas vendas de ativos, em especial a Sertorius.

A venda de pacotes “é o instrumento mais importante para ajudar na redução da exposição a ativos improdutivos que foram originados pelo regime BES”, disse Byron Haynes, acrescentando que em todos os casos “foram processos muito competitivos”. “Contactámos mais de 60 investidores e assinámos dezenas de non-disclosure agreements [acordos de confidencialidade]”, acrescentou. O chairman, cuja missão é acompanhar e fiscalizar o trabalho da equipa executiva de António Ramalho, considera que o banco está satisfeito com os resultados e os timings das vendas.

Com estas operações de grande dimensão, o banco verifica perdas, com impacto nos rácios (o que obriga a pedidos ao Fundo de Resolução e, daí, aos contribuintes), mas consegue reduções expressivas no rácio de crédito malparado, o que é também uma exigência do Banco Central Europeu, o seu supervisor. O Novo Banco tinha em março um rácio de 11%, que era, ainda assim, o mais elevado do sector em Portugal. O banco pretende terminar a limpeza da herança tóxica este ano.
BCP não fez mas admite vender carteiras com financiamento ao comprador

A venda de grandes pacotes de ativos problemáticos é uma realidade no sector bancário nacional. O BCP é um dos bancos que já protagonizaram estas operações. Contudo, ao contrário do que foi noticiado esta terça-feira pelo “Público” relativamente ao projecto Viriato do Novo Banco, o BCP sublinha que não financiou compradores de carteiras de ativos na sua história recente. No entanto, Miguel Maya admite que o poderia ter feito.

“Não tenho memória de termos financiado a aquisição de carteiras de ativos”, respondeu o CEO do banco privado na conferência de imprensa de apresentação de resultados do primeiro semestre do banco. Segundo Miguel Maya, estes processos são “transparentes”, com “preços adequados e elevadíssimo escrutínio”.

Ainda assim, o líder do BCP sublinhou que, quando se trata de um cliente que quer comprar um imóvel que esteja na posse do banco, a situação é diferente: pode beneficiar da concessão de crédito, já que não pode ser prejudicado por ser cliente do banco. E diz mesmo que poderia fazer uma operação idêntica à do Novo Banco (venda de pacote de ativos), “desde que fosse um processo organizado, numa postura muito conservadora, com o comprador bem identificado” - e desde que o comprador também pusesse dos seus capitais e não dependesse apenas de financiamento bancário.

Ainda assim, Miguel Maya quis frisar que não faria comentários sobre as notícias em torno de vendas polémicas do concorrente. “Tenho respeito pela equipa de gestão do Novo Banco”, declarou, acrescentando que não é sua competência fazer comentários sobre a gestão de carteiras de ativos problemáticos daquele banco.

O problema para o BCP é um e existe desde 2017: os incentivos criados na venda à Lone Star, que abriam a porta a que o banco esgotasse todo o escudo de 3,89 mil milhões de euros. Aliás, por essa razão o banco privado pôs um processo na justiça europeia para anular aquele mecanismo.

https://expresso.pt/economia/2020-07-28 ... ovo-Banco#


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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por Pata-Hari » 29/7/2020 15:28

Bem, e se a operação for feita nos termos do que o Miguel Maya diz, há verdadeiramente um problema? em que parte entra o fundo de resolução, que eu ainda não entendi?

O problema que é mais complexo é saber se foi feita a melhor gestão possível ao vender em "pacote" mas a venda de créditos em pacote já é feita há muitos anos.
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por kz_11 » 29/7/2020 21:40

Pata-Hari Escreveu:O problema que é mais complexo é saber se foi feita a melhor gestão possível ao vender em "pacote" mas a venda de créditos em pacote já é feita há muitos anos.


Pata,
no fundo tenho a mesma opinião. Mas permite-me adicionar o seguinte:

O que me assusta é olhar para os alegados termos da venda como um todo, porque se olharmos levemente 1 a 1, até se desculpam:

Fazer emprestimo para vender proprios ativos -> operação normal, banco recebe juros
Venda em pacote -> ok, o banco está a precisar de liquidar ativos toxicos
Desconto na venda -> Inevitável
Comprador ficou anónimo -> normal nestas operações, confidencialidade
Foi escrutinado e ganhou concurso justamente? -> Apostava que não, mas houve auditoria por isso deduzo que sim
Ilhas caimão? -> Desde que page, mal o menos
Cobertura do FR -> Segundo CEO os ativos não eram aptos para pedir cobertura de perdas, portanto não aconteceu

Depois começamos a ligar tudo e a adicionar sentido critico, e a coisa ganha contornos bem mais escuros.

o que me custa aceitar é mesmo o preço de venda e a eventualidade do prejuizo coberto pelo fundo de resolução, sendo o banco que é.

O banco não podia criar uma estrutura para vender os imoveis a retalho? compreendo q a rapidez n é a mesma, mas isto era mesmo necessário ser assim? O FR não pode atuar?

Deduzo que os imóveis sejam NPL por não terem rendimento associado, mas isto chega para os vender a pacote ao desbarato?

Acho que isto carece de ser esclarecido, e eventualmente ser feito como o Marques Mendes dizia: "Publicar os contratos feitos com a Lone Star".

Abraço.
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por OCTAMA » 29/7/2020 22:58

Boa Noite,

Aqui os meus 5 cêntimos para este assunto:

- O Fundo de resolução vai em 7 MM de prejuízo (com prazo de pag.to alargado.....e não tarda muito nem 40 Anos vão chegar!);
- O Fundo de Resolução tem como representante um mandatário do Estado, pois é um veículo público, que quer ser ressarcido......;

Então vamos pôr isto em perspectiva, ou seja, o Novo Banco nasceu torto, toda a gente sabe, e toda gente vê, caso contrário como é que o chamado "Banco BOM" do BES produz estes prejuízos, ano após ano? Porque não ter junto ao "Banco Mau" estes Ativos tóxicos, ou dito de outra maneira, porque é que estes negócios do Novo Banco têm de ser "digeridos" pelo Fundo de Resolução? É que pelos vistos, apesar de renderem dinheiro, no fim somente produzem menos valias para o monte.......Qual a razão que levou o Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, que terminou o mandato agora, a fazer este "corte e costura" para este desfecho?

Na minha opinião, foi uma decisão meramente política. E muito má, obviamente! Aquilo que se vê, quer queiramos ou não, é que assumindo que os Ativos tóxicos foram corretamente avaliados sobre a sua recuperabilidade (!??) antes da sua decisão de serem considerados para o "Banco BOM", foi assim, deliberada a decisão de partilhar as suas perdas pelo Sistema Bancário Português! E não me venham com a teoria que o Justo valor destes "Ativos Tóxicos" decresceu desde a resolução do BES, que essa já cheira a mofo. Porque, temos sempre de exigir critério a quem tomou estas decisões. E se esse risco era real na altura, depois de um boom imobiliário geral, como explicar a dificuldade "definitiva" em recuperar o valor original dos bens?

Chama-se pura ingerência politica! Não sendo o BCP um Banco "santo", faz muito bem em questionar até que ponto é que isto faz sentido, ou que culpa é que o sistema bancário tem destas decisões de gestão do Novo Banco? É que a realidade, é que várias destas operações têm o aval do representante do Fundo de Resolução! Ponto! O representante do FR tem dito ao longo do processo de limpeza do Novo Banco: "Li o prospecto, e dá 200 ou 330 milhões de prejuízo, avançe-se!!".

Noutro tópico, já referi que o Novo Banco está a limpar Balanço para "ser casado" com "outro". Tudo bem. Mas, a que custo?? Condenar o Sistema Bancário Português a gerir uma imensamente difícil recuperação já desde 2008, para além dos desafios presentes e futuros da pandemia? Qual o propósito por parte do poder politico em querer fazer isto? É tudo uma opção política!

Os políticos, uma vez mais dizem, temos de ver isto "à lupa" para esclarecer os Portugueses, porque algo não está bem......que vamos ler o Contrato com a Lone Star (só agora??.....)......a sério??

Se o "contrato 75%-25%" efetuado com a Lone Star é confidencial, e só pode ser solicitado pelos partidos para consulta privada, que descoberta espantosa vão fazer?? A sério??.....ainda andamos nisto??

Não devia dizer isto, porque sou a favor de "quem prevarica tem de pagar", mas neste momento acho que a regularização ou perdão desta dívida do FR seria muito mais benéfico para a economia do País, ser saldada. Sei que é impossível, pois as regras europeias não o permitem, mas faria bem à Banca Portuguesa no seu todo e à disponibilidade da Banca no financiamento da Economia. E não haveria dividendos para ninguém durante alguns anos. Melhorar rácios, somente. Gostaria de ver o Governo Alemão dizer aos Alemães, que a falência de um Deutch Bank, vai ser paga pelos Bancos Alemães onde estes têm as suas poupanças......

Se tudo em Portugal prescreve e em Tribunal morre, até os suspeitos de culpa e as pessoas até engolem "esse número", porquê fazer esta cruz? Quem ajudam? O tempo passa e deixa de fazer sentido......

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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por Pata-Hari » 30/7/2020 11:50

kz_11 Escreveu:
Pata-Hari Escreveu:O problema que é mais complexo é saber se foi feita a melhor gestão possível ao vender em "pacote" mas a venda de créditos em pacote já é feita há muitos anos.


Pata,
no fundo tenho a mesma opinião. Mas permite-me adicionar o seguinte:

O que me assusta é olhar para os alegados termos da venda como um todo, porque se olharmos levemente 1 a 1, até se desculpam:

Fazer emprestimo para vender proprios ativos -> operação normal, banco recebe juros
Venda em pacote -> ok, o banco está a precisar de liquidar ativos toxicos
Desconto na venda -> Inevitável
Comprador ficou anónimo -> normal nestas operações, confidencialidade
Foi escrutinado e ganhou concurso justamente? -> Apostava que não, mas houve auditoria por isso deduzo que sim
Ilhas caimão? -> Desde que page, mal o menos
Cobertura do FR -> Segundo CEO os ativos não eram aptos para pedir cobertura de perdas, portanto não aconteceu

Depois começamos a ligar tudo e a adicionar sentido critico, e a coisa ganha contornos bem mais escuros.

o que me custa aceitar é mesmo o preço de venda e a eventualidade do prejuizo coberto pelo fundo de resolução, sendo o banco que é.

O banco não podia criar uma estrutura para vender os imoveis a retalho? compreendo q a rapidez n é a mesma, mas isto era mesmo necessário ser assim? O FR não pode atuar?

Deduzo que os imóveis sejam NPL por não terem rendimento associado, mas isto chega para os vender a pacote ao desbarato?

Acho que isto carece de ser esclarecido, e eventualmente ser feito como o Marques Mendes dizia: "Publicar os contratos feitos com a Lone Star".

Abraço.


Tanto quanto sei, por ouvir dizer, houve uma estrutura para vender os activos e inclusivamente muitos foram vendidos assim. Conheço quem tenha comprado activos desses.
Poderia ter sido melhor vendido? eu não tenho, de certeza, dados para o saber.
O que está a gerar a revolta penso que é o facto de finalmente as pessoas se terem apercebido do significado/custo de se ter optado por não ter deixado o BES falir e de ter tentado proteger os clientes tentando ainda "manter o porquinho vivo" na esperança de o conseguir vender por algum valor. Esta venda não me parece , salvo melhor opinião, diferente das vendas de créditos "habituais" na banca.
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por PIKAS » 30/7/2020 13:49

Pata-Hari Escreveu: de se ter optado por não ter deixado o BES falir e .


E porque é que o BES teria que falir? Para a desgraça ser total, não?
O Lloyd's inglês também esteve, precisamente na mesma altura, pelas ruas da amargura. E o que fez o governo britânico? Meteu dinheiro, bastante dinheiro e com isso tomou conta do banco, foi buscar um gestor sério ( Horta Osório ) e agora, alguns anos depois, já começou a retirar-se do banco vendendo partes. No meio disto tudo já recuperou muito do dinheiro que lá pôs e vai, certamente, recuperar todo e até talvez mais.
Isto é olhar para a economia de forma séria. Por cá é só " istórias " e destruição: bancos, cimpor, pt e... e... e.
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por Pata-Hari » 30/7/2020 16:54

Bem, o resultado está à vista, é difícil argumentar contra isso. Se se se se é uma bela canção mas que com pouca dinamica e repetitiva. Infelizmente este é o resultado habitual e expectável.
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por 5640533 » 31/7/2020 0:25

PIKAS Escreveu:
Pata-Hari Escreveu: de se ter optado por não ter deixado o BES falir e .


E porque é que o BES teria que falir? Para a desgraça ser total, não?
O Lloyd's inglês também esteve, precisamente na mesma altura, pelas ruas da amargura. E o que fez o governo britânico? Meteu dinheiro, bastante dinheiro e com isso tomou conta do banco, foi buscar um gestor sério ( Horta Osório ) e agora, alguns anos depois, já começou a retirar-se do banco vendendo partes. No meio disto tudo já recuperou muito do dinheiro que lá pôs e vai, certamente, recuperar todo e até talvez mais.
Isto é olhar para a economia de forma séria. Por cá é só " istórias " e destruição: bancos, cimpor, pt e... e... e.
Cumprimentos,


O dinheiro já faz tempo que está recuperado e o banco paga dividendos ao Estado.
 
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por PC05 » 31/7/2020 17:40

Prejuízos do Novo Banco superam os 555 milhões até junho


https://web3.cmvm.pt/sdi/emitentes/docs/FR76542.pdf


Será que o A. Ramalho ainda consegue fazer pior...?
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por OCTAMA » 31/7/2020 18:06

PC05 Escreveu:
Prejuízos do Novo Banco superam os 555 milhões até junho


https://web3.cmvm.pt/sdi/emitentes/docs/FR76542.pdf


Será que o A. Ramalho ainda consegue fazer pior...?


Boa Tarde,

Se os negócios feitos, que produzem estes prejuízos, ano após ano, têm o aval do representante do FR, é porque o Sr. A. Ramalho ainda vai ter direito a prémio de desempenho...... :clap:

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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por LISBOA_CASINO » 1/8/2020 1:07

PIKAS Escreveu:
Pata-Hari Escreveu: de se ter optado por não ter deixado o BES falir e .


E porque é que o BES teria que falir? Para a desgraça ser total, não?
O Lloyd's inglês também esteve, precisamente na mesma altura, pelas ruas da amargura. E o que fez o governo britânico? Meteu dinheiro, bastante dinheiro e com isso tomou conta do banco, foi buscar um gestor sério ( Horta Osório ) e agora, alguns anos depois, já começou a retirar-se do banco vendendo partes. No meio disto tudo já recuperou muito do dinheiro que lá pôs e vai, certamente, recuperar todo e até talvez mais.
Isto é olhar para a economia de forma séria. Por cá é só " istórias " e destruição: bancos, cimpor, pt e... e... e.
Cumprimentos,


O velho BES podia náo falir, mas para isso teria de dar um calote brutal na dívida Senior e, provavelmente, não assumir od produtos das empresas do grupo ( que continuo a achar que foi mais uma questáo politica do que de suporte juridico ), Como é evidente, muita gente foi enganada.................mas muito mais foi sabia ao que ia ( pelo menos deveria saber) !

No BES , tal como na TAP, não tenho que contribuir para o pagamento de elevadissimas taxas e depois ter de " entrar" no pagamento de capital !

Os mercados são soberanos e como tal as taxas de juro refletem o risco do negócio !

Curiosamente, j+a ouvi chamarem a estas posiçoes ----------radicais de esquerda !

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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por Eurobrexit » 1/8/2020 15:13

Os PORTUGUESES SAO TAO INTELIGENTES QUE CONSEGUIRAM DAR LUCRO AO ESTADO INGLÊS?!?!?!

A MATEMÁTICA E A MESMA!?!

WACC explica quase 60%desconto, depois temos OPEX, margens segurança e afins (aquelas coisas q ninguém sabe, tipo os contratos do NB-FRESOL).....

Com o Horta Osório e processo competitivo com as ERA, REMAX, CENTURY e.afins a coisa ficava por metade do preço, no minimo dos mínimos (basta ver os juros do.Estado Português!!!!?????).

Andamos com esquemas de planeamento fiscal agressivo, digo, planeamento bolso agressivo (que nao e obrigatório declarar!!!!)
 
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por PC05 » 1/8/2020 20:56

Novo Banco vendeu imóvel avaliado em 36 mil euros por pouco mais de 2 mil

O Novo Banco nega vender imóveis "a desconto", como referiu no comunicado enviado às redações no início da semana, mas a investigação do jornal Público mostra que algumas casas foram vendidas a preços muito abaixo da avaliação feita pelas Finanças.

Dá o exemplo de um imóvel, em Ferreira do Zêzere, que a Autoridade Tributária avalia em 36 mil euros mas que a instituição liderada por António Ramalho vendeu por 2.145 euros.

Segundo o jornal Expresso, o Fundo de Resolução deu luz verde às operações que geraram perdas. Das 194 transações propostas pelo Novo Banco até março, o Fundo opôs-se apenas a 12%.


https://sicnoticias.pt/economia/2020-08 ... s-de-2-mil
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por Marco Martins » 3/8/2020 12:19

Se todos os bancos fossem obrigados a pagar impostos sobre os imóveis que lhes estão assignados (tal como qualquer um de nós paga mesmo que não o esteja a habitar), tudo seria mais transparente... e certamente seria melhor para o sector e para os consumidores.
 
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por PC05 » 7/8/2020 18:23

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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por kz_11 » 8/8/2020 10:33

PC05 Escreveu:



Concordo com que ele diz.

As afirmações na ultima parte onde ele fala da crise que ai vem e o facto de daqui a 1 ano o governo já ter caído acho um pouco arrojadas. Estes termos das crises financeiras são demasiado relativos para se afirmar como ele diz. O BCE tem neste momento uma atuação como nunca teve, só isso muda muita coisa.
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por Pata-Hari » 8/8/2020 14:45

Marco Martins Escreveu:Se todos os bancos fossem obrigados a pagar impostos sobre os imóveis que lhes estão assignados (tal como qualquer um de nós paga mesmo que não o esteja a habitar), tudo seria mais transparente... e certamente seria melhor para o sector e para os consumidores.


Marco, até parece que os particulares pagam os impostos que deveriam. A estrutura fiscal está feita para apenas apanhar na rede quem tem ordenado e não se pode escapar. Existem milhares de pessoas que nada pagam e que supostamente vivem do ar, de rendimentos de empresas que sponsorizam as vidas privadas que por sua vez são deduzidas como custos: as empresas suportam as casas, os carros, os cartões de crédito e praticamente toda a vida de muito boa gente.
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Re: Novo Banco - Venda de imóveis a fundo anónimo

por OCTAMA » 9/8/2020 14:50

Boa Tarde,

Não querendo repetir as informações do meu anterior post, se há algo que este video também "atira" é areia aos olhos das pessoas que o vêem....

Acho melhor voltar a colocar as coisas em perspectiva:

O Sr. José Gomes Ferreira exagera ao dizer que quem coloca o dinheiro no Fundo de Resolução são os contribuintes, e que estes são os coitadinhos desta situação! Ou seja, o dinheiro que tem sido "ADIANTADO/EMPRESTADO PELO ESTADO" para o FR, e sendo Portugal um país de défices sucessivos e continuados das suas contas públicas, para continuarmos a existir virá quanto muito do BCE ou Institucionais que nos emprestam a juros negativos. Se tivéssemos superavit nas contas públicas, aí talvez acredito que quem ADIANTAVA/EMPRESTAVA o dinheiro era o ESTADO, ou seja, todos nós!

Dito isto, e não tendo na memória qualquer informação de que o Sistema Bancário Português vá falir, os valores ADIANTADOS/EMPRESTADOS estão a ser reembolsados anualmente, com Juros muito elevadíssimos. Assim sendo, não percebo esta choradeira toda que os contribuintes estão ou vão ser roubados......

https://www.dinheirovivo.pt/banca/fundo ... -a-bancos/

Parem é de demonizar a Banca Portuguesa, isso é que é um exagero, que tudo já teve o seu tempo! Até parece que a classe politica que nos tem governado desde o 25 de Abril são todos uns Santos.....e que muitos deles nunca passaram pela Banca também......

Cps
 
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