Entrevista ao ativo

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros de uma forma genérica e a todo o tipo de informação útil que possa condicionar o desempenho dos mesmos

Moderadores: pata-hari, Ulisses Pereira, MarcoAntonio

Entrevista ao ativo

por Ulisses Pereira » 10/10/2019 14:16

Mais de 3 mil posts no Caldeirão. Por isso, o nick está bem adequado à sua presença no nosso fórum e era indispensável entrevistarmos o Ativo neste ciclo de entrevistas aos participantes do Caldeirão que temos vindo a fazer.

Ulisses: Como descobriste este Caldeirão mágico?

Ativo: Tal como outros descobrimentos realizados no século XV, o “descobrimento”, por mim, do Caldeirão do druida Ulisses, durante uma navegação na “internet”, foi um acaso.

Ulisses: Recordas-te do teu primeiro post?

Ativo: Não, não me recordo. O Caldeirão de Bolsa foi o primeiro fórum da “internet” em que intervim. Tenho ideia de que me registei no Caldeirão de Bolsa mas não comecei logo a participar nele.

Ulisses: O teu primeiro negócio foi rentável?

Ativo: Não me lembro de qual foi o meu primeiro negócio na Bolsa, já foi há mais de 25 anos! Mas tenho ideia de que os meus primeiros negócios na Bolsa foram rentáveis.

Ulisses: Lembras-te de qual foi o teu pior negócio de sempre? E o melhor?

Ativo: Do melhor negócio, em Bolsa, francamente não me lembro, foram vários os negócios na Bolsa em que ganhei bom dinheiro.

Do pior negócio lembro-me bem. Acho que relativamente a certas coisas tende-se a recordar melhor o que correu mal do que o que correu bem, talvez pelas lições que tal proporcionou.

O meu pior negócio foi um investimento que fiz na Portugal Telecom. Investi na Portugal Telecom, bastante tempo depois da OPA falhada da Sonae à Portugal Telecom, tendo em consideração o setor de atividade onde se inseria a empresa e se tratar de uma das três melhores empresas portuguesas.

O que veio a acontecer com a Portugal Telecom é uma história muito triste e ainda hoje a acho incrível!!!

Como se sabe, a Portugal Telecom armou-se em Banco e emprestou, de uma assentada, cerca de 900 milhões de euros ao Grupo Espírito Santo, que depois não reembolsou!!! Como se isso não chegasse, para derrubar a Portugal Telecom, esta, desgraçadamente, no âmbito de uma negociata com a empresa brasileira OI, transferiu os seus ativos para esta, a qual os vendeu logo depois, sem dar um cêntimo do produto da venda à Portugal Telecom!!! Como foi possível a Portugal Telecom emprestar cerca de 900 milhões de euros, atuando com se fosse um banco, e ficar sem eles e, ainda, transferir os seus ativos para outra empresa, que os vendeu, pouco tempo depois, sem a Portugal Telecom e os seus acionistas verem a cor do dinheiro recebido pela venda? Como foi possível tal? É simplesmente inacreditável, em Portugal é caso único, internacionalmente desconheço se há algum caso semelhante.

Já agora, e para o fórum ficar a conhecer-me melhor, aproveito para dizer que já levei a cabo bastantes negócios, bem lucrativos, no ramo imobiliário. Na década de 90, por exemplo, levei a cabo a aquisição, em hasta pública ou por proposta em carta fechada, de várias frações prediais, no âmbito de processos de execução. Mais recentemente, comprei três frações prediais, arrendadas há já bastantes anos, cujas rendas pagarão o valor investido em cerca de 10 anos.

Mas o melhor investimento que realizei não foi propriamente um negócio. Foi uma aplicação financeira, de um montante considerável, em Certificados do Tesouro, emitidos durante o segundo governo de José Sócrates, a 10 anos, com taxa de juro de 6 e tal e 7 e tal, por cento. Estes Certificados do Tesouro (títulos de dívida pública) renderam nos primeiros 4 anos de vida juro a uma taxa de 1 e tal por cento. No vencimento de juros do quinto ano de vida desses Certificados, pagaram juro a uma taxa de 5 e tal por cento e ainda juro, digamos, retroativo, relativo a cada um dos 4 primeiros anos de vida dos certificados, correspondente à diferença entre a taxa de juro de 5 e tal por cento e a taxa de juro de 1 e tal por cento, de cada um dos 4 primeiros anos de vida dos Certificados. No seu sexto, sétimo, oitavo e nono ano de vida pagaram e vão pagar juro a uma taxa de, também, 5 e tal por cento. No final do seu décimo ano de vida, no momento do reembolso do capital aplicado, pagarão juro a uma taxa de 6 e tal ou sete e tal, por cento, consoante os certificados, e ainda juro, digamos, retroativo, relativo a cada um dos 9 anos de vida, anteriores, dos Certificados, correspondente à diferença entre a taxa de 6 e tal ou 7 e tal, por cento, e a taxa de 5 e tal por cento, de juro, paga relativamente a cada um dos 9 primeiros anos de vida dos Certificados.
Foi e é (os certificados ainda não chegaram ao final do seu tempo de vida) uma excelente aplicação financeira. Dado o elevado montante aplicado, a segurança da mesma e a sua elevada taxa de rendimento durante 10 anos, foi, sem dúvida, o meu melhor “negócio”!

Ulisses: O que é aquilo que mais te irrita nos mercados?

Ativo: O que me irrita nos mercados é a sensação, que muitas vezes tenho, de que alguém, anteriormente, teve acesso a informação privilegiada, junto do Governo, do setor financeiro ou do meio empresarial. Quanto ao resto, os mercados refletem apenas o que a natureza humana tem de melhor e de pior.

Ulisses: Que valor se deve dar a um rumor? É uma porta para os ganhos fáceis ou um convite para uma escorregadela fácil?

Ativo: Tudo o que seja suscetível de influenciar o comportamento dos mercados financeiros deve merecer a atenção de quem invista neles. Nesse sentido, um rumor, não importa se fundamentado ou não, deve ser devidamente considerado. Não o fazer pode custar bem caro! Na verdade, pode ser as duas coisas: uma porta para ganhos fáceis ou um convite para uma escorregadela fácil. É sobejamente conhecido o aforismo: comprar no rumor e vender na notícia ou vender no rumor e comprar na notícia (consoante o rumor). Este aforismo diz bem da importância do rumor no funcionamento dos mercados.

Ulisses: O teu saldo nos mercados financeiros é positivo ou negativo?

Ativo: Depois da perda registada no investimento na Portugal Telecom, que já referi, o meu saldo na Bolsa de Valores dificilmente poderia ser positivo.

Escapei ao desastre do BES, escapei ao desastre do Banif, escapei às enormes perdas de valor em certas empresas, como por exemplo, Impresa, BCP, e mais recentemente, CTT (é só ver os gráficos da cotação dos respetivos títulos, de longo prazo, para se comprovar tal), nos quais tenho um saldo largamente positivo, sobretudo nos dois últimos títulos, mas fui “apanhado” na Portugal Telecom. De certo modo, considero-me também lesado pelo BES e pelo Grupo Espírito Santo, na medida em que a Portugal Telecom foi vítima do BES, enquanto acionista de referência da Portugal Telecom, e do Grupo Espírito Santo, porque não pagou à Portugal Telecom 900 milhões de euros que lhe havia emprestado.

Tendo em conta os casos tristes ocorridos com alguns títulos da Bolsa de Valores portuguesa, que mencionei, será muito difícil encontrar um investidor na Bolsa portuguesa, há já bastantes anos, com saldo positivo na Bolsa portuguesa.

Desde o desaire com a Portugal Telecom tenho investido com sucesso na Bolsa portuguesa, tendo ganho mais de 20 000 euros. Em mercados financeiros só invisto no mercado acionista português. Penso que para perder e ganhar a Bolsa de Valores portuguesa chega bem, não é preciso procurar outros mercados financeiros. Prefiro investir no que me é próximo, no que de algum modo conheço melhor.

Ulisses: Quais achas que são os principais erros que os investidores cometem?

Ativo: A meu ver os principais erros dos investidores são:

- investirem sem conhecimento adequado do funcionamento e do comportamento do mercado;
- investirem na Bolsa mais do que é aconselhável (no meu entender, não se deve alocar aos mercados financeiros mais de 20 % do património pessoal). Caso o mercado vá contra eles, facilmente ficam numa situação desconfortável, o que faz com que também facilmente cometam erros ditados pela emotividade;
- falta de disciplina, decorrente da situação antes referida ou por se deixarem dominar pelo medo/ganância;
- desejo de recuperar rapidamente perdas anteriores;
- excesso de confiança após um ou mais negócios bem sucedidos;
- incapacidade em estar fora do mercado; Há alturas em que o correto é estar fora do mercado: ganha-se em não se perder! Não há oportunidades, dignas desse nome, todos os dias, a toda a hora, na Bolsa. Quando falo em oportunidades refiro-me a ocasiões em que as probabilidades de sucesso estejam realmente a nosso favor!
- “apostarem” em empresas em muito má situação financeira.

Ulisses: Profissionalmente, qual é a tua ocupação?

Ativo: Fui professor. Tenho mais de 28 anos de Função Pública. Em 2014 pedi uma Licença sem Vencimento de Longa Duração, estando, por isso, afastado da docência desde esse ano. Não tenciono regressar à docência em virtude de ter rendimentos prediais (cerca de 3500 euros, por mês) e de capital (juros) que me proporcionam uma excelente situação financeira. Mais tarde terei ainda uma pensão de reforma.

Ulisses: O que é que gostas de fazer, longe dos mercados?

Ativo: O que a maioria das pessoas também gosta de fazer: viajar, comer fora, passear, ver cinema, teatro (gosto muito), bailado, assistir a concertos de música (de música rock a música sinfónica).

Ulisses: Qual é o filme, livro e música da tua vida?

Ativo: Penso ser excessivo dizer de um filme, de uma música, de um livro, que são, “o tal” de uma vida humana. Limito-me a indicar um ente especial, para mim, nessas três categorias. Filme: “A Lista de Schindler”. Música: “Who wants to live forever” (Queen). Livro: “O ano da morte de Ricardo Reis” (José Saramago).

Ulisses: Quem é que gostas de ler no Caldeirão?

Ativo: Gosto, especialmente, de ler os “posts” do Artista Romeno (lamentavelmente a sua escrita nem sempre permite uma compreensão total do texto escrito), do Dr. Tretas, os teus, os do Marco António, os do Djovarius …
Revelei mais do que aquilo a que estava “obrigado”, para que esta entrevista contribuísse para um melhor conhecimento de mim (suponho que é o objetivo dela), nomeadamente na qualidade de investidor.

Ulisses: Muito obrigado pela entrevista. E que continues ativo nesta nossa casa!
Avatar do Utilizador
Administrador Fórum
 
Mensagens: 29035
Registado: 29/10/2002 4:04
Localização: Aveiro

Re: Entrevista ao ativo

por lfa » 10/10/2019 14:35

Ulisses Pereira Escreveu:Mais de 3 mil posts no Caldeirão. Por isso, o nick está bem adequado à sua presença no nosso fórum e era indispensável entrevistarmos o Ativo neste ciclo de entrevistas aos participantes do Caldeirão que temos vindo a fazer.

Ulisses: Como descobriste este Caldeirão mágico?

Ativo: Tal como outros descobrimentos realizados no século XV, o “descobrimento”, por mim, do Caldeirão do druida Ulisses, durante uma navegação na “internet”, foi um acaso.

Ulisses: Recordas-te do teu primeiro post?

Ativo: Não, não me recordo. O Caldeirão de Bolsa foi o primeiro fórum da “internet” em que intervim. Tenho ideia de que me registei no Caldeirão de Bolsa mas não comecei logo a participar nele.

Ulisses: O teu primeiro negócio foi rentável?

Ativo: Não me lembro de qual foi o meu primeiro negócio na Bolsa, já foi há mais de 25 anos! Mas tenho ideia de que os meus primeiros negócios na Bolsa foram rentáveis.

Ulisses: Lembras-te de qual foi o teu pior negócio de sempre? E o melhor?

Ativo: Do melhor negócio, em Bolsa, francamente não me lembro, foram vários os negócios na Bolsa em que ganhei bom dinheiro.

Do pior negócio lembro-me bem. Acho que relativamente a certas coisas tende-se a recordar melhor o que correu mal do que o que correu bem, talvez pelas lições que tal proporcionou.

O meu pior negócio foi um investimento que fiz na Portugal Telecom. Investi na Portugal Telecom, bastante tempo depois da OPA falhada da Sonae à Portugal Telecom, tendo em consideração o setor de atividade onde se inseria a empresa e se tratar de uma das três melhores empresas portuguesas.

O que veio a acontecer com a Portugal Telecom é uma história muito triste e ainda hoje a acho incrível!!!

Como se sabe, a Portugal Telecom armou-se em Banco e emprestou, de uma assentada, cerca de 900 milhões de euros ao Grupo Espírito Santo, que depois não reembolsou!!! Como se isso não chegasse, para derrubar a Portugal Telecom, esta, desgraçadamente, no âmbito de uma negociata com a empresa brasileira OI, transferiu os seus ativos para esta, a qual os vendeu logo depois, sem dar um cêntimo do produto da venda à Portugal Telecom!!! Como foi possível a Portugal Telecom emprestar cerca de 900 milhões de euros, atuando com se fosse um banco, e ficar sem eles e, ainda, transferir os seus ativos para outra empresa, que os vendeu, pouco tempo depois, sem a Portugal Telecom e os seus acionistas verem a cor do dinheiro recebido pela venda? Como foi possível tal? É simplesmente inacreditável, em Portugal é caso único, internacionalmente desconheço se há algum caso semelhante.

Já agora, e para o fórum ficar a conhecer-me melhor, aproveito para dizer que já levei a cabo bastantes negócios, bem lucrativos, no ramo imobiliário. Na década de 90, por exemplo, levei a cabo a aquisição, em hasta pública ou por proposta em carta fechada, de várias frações prediais, no âmbito de processos de execução. Mais recentemente, comprei três frações prediais, arrendadas há já bastantes anos, cujas rendas pagarão o valor investido em cerca de 10 anos.

Mas o melhor investimento que realizei não foi propriamente um negócio. Foi uma aplicação financeira, de um montante considerável, em Certificados do Tesouro, emitidos durante o segundo governo de José Sócrates, a 10 anos, com taxa de juro de 6 e tal e 7 e tal, por cento. Estes Certificados do Tesouro (títulos de dívida pública) renderam nos primeiros 4 anos de vida juro a uma taxa de 1 e tal por cento. No vencimento de juros do quinto ano de vida desses Certificados, pagaram juro a uma taxa de 5 e tal por cento e ainda juro, digamos, retroativo, relativo a cada um dos 4 primeiros anos de vida dos certificados, correspondente à diferença entre a taxa de juro de 5 e tal por cento e a taxa de juro de 1 e tal por cento, de cada um dos 4 primeiros anos de vida dos Certificados. No seu sexto, sétimo, oitavo e nono ano de vida pagaram e vão pagar juro a uma taxa de, também, 5 e tal por cento. No final do seu décimo ano de vida, no momento do reembolso do capital aplicado, pagarão juro a uma taxa de 6 e tal ou sete e tal, por cento, consoante os certificados, e ainda juro, digamos, retroativo, relativo a cada um dos 9 anos de vida, anteriores, dos Certificados, correspondente à diferença entre a taxa de 6 e tal ou 7 e tal, por cento, e a taxa de 5 e tal por cento, de juro, paga relativamente a cada um dos 9 primeiros anos de vida dos Certificados.
Foi e é (os certificados ainda não chegaram ao final do seu tempo de vida) uma excelente aplicação financeira. Dado o elevado montante aplicado, a segurança da mesma e a sua elevada taxa de rendimento durante 10 anos, foi, sem dúvida, o meu melhor “negócio”!

Ulisses: O que é aquilo que mais te irrita nos mercados?

Ativo: O que me irrita nos mercados é a sensação, que muitas vezes tenho, de que alguém, anteriormente, teve acesso a informação privilegiada, junto do Governo, do setor financeiro ou do meio empresarial. Quanto ao resto, os mercados refletem apenas o que a natureza humana tem de melhor e de pior.

Ulisses: Que valor se deve dar a um rumor? É uma porta para os ganhos fáceis ou um convite para uma escorregadela fácil?

Ativo: Tudo o que seja suscetível de influenciar o comportamento dos mercados financeiros deve merecer a atenção de quem invista neles. Nesse sentido, um rumor, não importa se fundamentado ou não, deve ser devidamente considerado. Não o fazer pode custar bem caro! Na verdade, pode ser as duas coisas: uma porta para ganhos fáceis ou um convite para uma escorregadela fácil. É sobejamente conhecido o aforismo: comprar no rumor e vender na notícia ou vender no rumor e comprar na notícia (consoante o rumor). Este aforismo diz bem da importância do rumor no funcionamento dos mercados.

Ulisses: O teu saldo nos mercados financeiros é positivo ou negativo?

Ativo: Depois da perda registada no investimento na Portugal Telecom, que já referi, o meu saldo na Bolsa de Valores dificilmente poderia ser positivo.

Escapei ao desastre do BES, escapei ao desastre do Banif, escapei às enormes perdas de valor em certas empresas, como por exemplo, Impresa, BCP, e mais recentemente, CTT (é só ver os gráficos da cotação dos respetivos títulos, de longo prazo, para se comprovar tal), nos quais tenho um saldo largamente positivo, sobretudo nos dois últimos títulos, mas fui “apanhado” na Portugal Telecom. De certo modo, considero-me também lesado pelo BES e pelo Grupo Espírito Santo, na medida em que a Portugal Telecom foi vítima do BES, enquanto acionista de referência da Portugal Telecom, e do Grupo Espírito Santo, porque não pagou à Portugal Telecom 900 milhões de euros que lhe havia emprestado.

Tendo em conta os casos tristes ocorridos com alguns títulos da Bolsa de Valores portuguesa, que mencionei, será muito difícil encontrar um investidor na Bolsa portuguesa, há já bastantes anos, com saldo positivo na Bolsa portuguesa.

Desde o desaire com a Portugal Telecom tenho investido com sucesso na Bolsa portuguesa, tendo ganho mais de 20 000 euros. Em mercados financeiros só invisto no mercado acionista português. Penso que para perder e ganhar a Bolsa de Valores portuguesa chega bem, não é preciso procurar outros mercados financeiros. Prefiro investir no que me é próximo, no que de algum modo conheço melhor.

Ulisses: Quais achas que são os principais erros que os investidores cometem?

Ativo: A meu ver os principais erros dos investidores são:

- investirem sem conhecimento adequado do funcionamento e do comportamento do mercado;
- investirem na Bolsa mais do que é aconselhável (no meu entender, não se deve alocar aos mercados financeiros mais de 20 % do património pessoal). Caso o mercado vá contra eles, facilmente ficam numa situação desconfortável, o que faz com que também facilmente cometam erros ditados pela emotividade;
- falta de disciplina, decorrente da situação antes referida ou por se deixarem dominar pelo medo/ganância;
- desejo de recuperar rapidamente perdas anteriores;
- excesso de confiança após um ou mais negócios bem sucedidos;
- incapacidade em estar fora do mercado; Há alturas em que o correto é estar fora do mercado: ganha-se em não se perder! Não há oportunidades, dignas desse nome, todos os dias, a toda a hora, na Bolsa. Quando falo em oportunidades refiro-me a ocasiões em que as probabilidades de sucesso estejam realmente a nosso favor!
- “apostarem” em empresas em muito má situação financeira.

Ulisses: Profissionalmente, qual é a tua ocupação?

Ativo: Fui professor. Tenho mais de 28 anos de Função Pública. Em 2014 pedi uma Licença sem Vencimento de Longa Duração, estando, por isso, afastado da docência desde esse ano. Não tenciono regressar à docência em virtude de ter rendimentos prediais (cerca de 3500 euros, por mês) e de capital (juros) que me proporcionam uma excelente situação financeira. Mais tarde terei ainda uma pensão de reforma.

Ulisses: O que é que gostas de fazer, longe dos mercados?

Ativo: O que a maioria das pessoas também gosta de fazer: viajar, comer fora, passear, ver cinema, teatro (gosto muito), bailado, assistir a concertos de música (de música rock a música sinfónica).

Ulisses: Qual é o filme, livro e música da tua vida?

Ativo: Penso ser excessivo dizer de um filme, de uma música, de um livro, que são, “o tal” de uma vida humana. Limito-me a indicar um ente especial, para mim, nessas três categorias. Filme: “A Lista de Schindler”. Música: “Who wants to live forever” (Queen). Livro: “O ano da morte de Ricardo Reis” (José Saramago).

Ulisses: Quem é que gostas de ler no Caldeirão?

Ativo: Gosto, especialmente, de ler os “posts” do Artista Romeno (lamentavelmente a sua escrita nem sempre permite uma compreensão total do texto escrito), do Dr. Tretas, os teus, os do Marco António, os do Djovarius …
Revelei mais do que aquilo a que estava “obrigado”, para que esta entrevista contribuísse para um melhor conhecimento de mim (suponho que é o objetivo dela), nomeadamente na qualidade de investidor.

Ulisses: Muito obrigado pela entrevista. E que continues ativo nesta nossa casa!


Caros Ulisses e Activo,

Foi um enorme prazer ter lido esta entrevista.

Pela lisura e transparência da mesma só me resta desejar os maiores êxitos aos dois.

Abraços
 
Mensagens: 343
Registado: 29/11/2007 9:41
Localização: Lisboa

Re: Entrevista ao ativo

por MarcoAntonio » 10/10/2019 14:41

Mais uma entrevista e mais um agradecimento, agora ao ativo, que é activo!

Achei curiosa a observação final dele. Ninguém é efectivamente "obrigado" a "abrir-se" nestas entrevistas, como é evidente, mas este aspecto das entrevistas é muito interessante, não pela "bisbilhotice" diria eu mas pela oportunidade de conhecer melhor os outros intervenientes.

Eu tenho frizado bastante este aspecto - e espero que os participantes aproveitem estas entrevistas nesse sentido - porque discordo parcialmente do aforismo popular de que "quem não vê caras não vê corações". O contacto pela internet, foruns ou redes sociais, por detrás de um teclado, faz com que as pessoas construam frequentemente imagens equívocas de quem está do outro lado. Se há algo que aprendi nestes 25 anos de utilização da internet e se reforçou com os tempos, foi isso mesmo.
Bons Negócios,
Marco Antonio
Caldeirão de Bolsa

FLOP - Fundamental Laws Of Profit


1. Mais vale perder um ganho que ganhar uma perda, a menos que se cumpra a Segunda Lei.
2. A expectativa de ganho deve superar a expectativa de perda, onde a expectativa mede a
....amplitude média do ganho/perda contra a respectiva probabilidade.
3. A Primeira Lei não é mesmo necessária mas com Três Leis isto fica definitivamente mais giro.
Avatar do Utilizador
Administrador Fórum
 
Mensagens: 31600
Registado: 4/11/2002 22:16
Localização: Vilar do Paraíso

Re: Entrevista ao ativo

por LISBOA_CASINO » 10/10/2019 15:00

Caro ativo,

Obrigado pela entrevista !

" Do pior negócio lembro-me bem. Acho que relativamente a certas coisas tende-se a recordar melhor o que correu mal do que o que correu bem, talvez pelas lições que tal proporcionou.

O meu pior negócio foi um investimento que fiz na Portugal Telecom. Investi na Portugal Telecom, bastante tempo depois da OPA falhada da Sonae à Portugal Telecom, tendo em consideração o setor de atividade onde se inseria a empresa e se tratar de uma das três melhores empresas portuguesas."


Ativo , qualquer fundamentalista , no qual me incluo, ficaria agarrado a PT ! Trata-se de um roubo !
Felizmente, nesse periodo já me encontrava de volta das obrigaçoes e em açoes estrangeiras !

Em mercados é bom sinal lembramo-nos das coisas más !

Felicidades e bons negocios
Editado pela última vez por LISBOA_CASINO em 12/10/2019 0:54, num total de 1 vez.
 
Mensagens: 825
Registado: 23/11/2011 21:02
Localização: 16

Re: Entrevista ao ativo

por pata-hari » 11/10/2019 19:20

Ativo, falaste num tema sobre o qual tenho muita curiosidade: a compra de imobiliario em leiloes e hastas-públicas. Não queres explicar um pouco melhor como isso funciona, como se encontram as oportunidades, onde se procura, etc? Acho isso muito interessante mas não tenho qualquer experiência nem sei a quem perguntar . Estou certa que é algo interesante para mais leitores.
Avatar do Utilizador
Administrador Fórum
 
Mensagens: 20088
Registado: 25/10/2002 17:02
Localização: Lisboa

Re: Entrevista ao ativo

por PXYC » 11/10/2019 19:50

Também gostei muito desta entrevista, e especialmente da particularidade de serem revelados valores abertamente, o que é algo que valorizo e que eu próprio faço quando atualizo o tópico da minha carteira aqui no fórum pois de outra forma sinto que é tudo demasiado abstracto (respeito quem nao o faca).
 
Mensagens: 123
Registado: 13/10/2014 16:44

Re: Entrevista ao ativo

por ativo » 12/10/2019 1:08

pata-hari Escreveu:Ativo, falaste num tema sobre o qual tenho muita curiosidade: a compra de imobiliario em leiloes e hastas-públicas. Não queres explicar um pouco melhor como isso funciona, como se encontram as oportunidades, onde se procura, etc? Acho isso muito interessante mas não tenho qualquer experiência nem sei a quem perguntar . Estou certa que é algo interesante para mais leitores.

Pata-hari, na década de 90, levei, efetivamente, a cabo a aquisição de vários imóveis em hasta pública ou por proposta em carta fechada, num tribunal (juízo cível), numa Repartição de Finanças (hoje, Serviço de Finanças), numa leiloeira ou numa instituição de crédito.

Tratou-se, na maior parte dos casos, de bens imóveis penhorados no âmbito de um processo de execução, por dívida fiscal e/ou bancária do seu anterior proprietário, vendidos numa Repartição de Finanças ou num Juízo Cível. Uma leiloeira vendeu-me um imóvel de cuja venda, por negociação particular, tinha sido encarregada por uma Repartição de Finanças. No caso de dois imóveis que adquiri a uma instituição de crédito tratou-se de imóveis já detidos pela instituição, adquiridos por ela, presumo, no âmbito de processos de execução movidos por ela.

Nos casos em que a aquisição era feita num Juízo Cível ou numa Repartição de Finanças tinha que ser pago um terço do valor oferecido pelo imóvel logo após a sua adjudicação à pessoa apresentadora da melhor oferta de compra, a qual ocorria logo depois da abertura das propostas em carta fechada ou do encerramento da hasta pública. Nesses casos, tenho uma vaga ideia, que o valor restante, oferecido pelo imóvel (dois terços), eram pagos, salvo erro, duas semanas depois. A Repartição de Finanças/O juízo Cível emitia depois um documento comprovativo da venda com o mesmo valor legal de uma escritura notarial de compra e venda.

Nos outros casos, os imóveis foram adquiridos, digamos, a pronto pagamento, com celebração de escritura notarial, marcada, com brevidade, para data próxima.

Todas essas compras foram isentas de Imposto de SISA (imposto atualmente substituído pelo IMT – Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis) com exceção da efetuada através da leiloeira.

Na altura, tomava conhecimento da venda desses imóveis através de pequenos anúncios publicados em jornais, de editais afixados nas Repartições de Finanças, de anúncios afixados no balcão de uma instituição de crédito.

Quando me interessava o imóvel em virtude da sua localização e tipologia procurava perceber através da morada do executado e do imóvel, ou através da vizinhança, se este estava devoluto. Muitas vezes o executado ainda morava no imóvel e era mesmo o seu fiel depositário. Apenas me interessava imóveis devolutos. Se era o caso, contactava o fiel depositário do imóvel para o poder visitar e verificar o seu estado de conservação. Claro que o estado de conservação destes imóveis, muitas vezes, não era bom e era, mesmo, por vezes, deplorável. Obviamente, o valor oferecido por eles tinha isso em conta. Tratei de mandar fazer a restauração de vários imóveis comprados e a remodelação profunda de dois deles.

Isto foi na década de 90. Depois a minha vida pessoal mudou e deixei de ter tempo para tal atividade.

Mas continuei a fazer negócios imobiliários lucrativos.

Mais tarde, comprei um lote de terreno com uma vivenda antiga em muito mau estado de conservação. Vendi depois o lote de terreno com projeto de construção de um prédio aprovado. Quem comprou alterou depois o projeto de construção.

Em novembro de 2015 comprei (celebrei escritura de compra em fevereiro de 2016) um belíssimo T4 (é um primeiro andar com sala com 50 metros quadrados, quatro quartos, um deles é uma suite com casa de banho privativa e “closet”, terraço com 105 metros quadrados e uma “box” para dois carros, um à frente e outro atrás) de que já falei no Fórum. Foi também um bom negócio. Hoje poderia vendê-lo por mais 100 mil euros do que me custou. Quem comprou algum imóvel no final de 2015, seja onde for, ganhará dinheiro hoje se o vender. A partir do início de 2016 começou a haver mais procura por imóveis e os preços treparam até onde estão hoje.

Mais recentemente comprei, como referi na entrevista, três frações prediais arrendadas.

Na década de 90 tomava conhecimento de bens imóveis, objeto de processo de execução, da forma que indiquei. Na altura já havia bastantes olhos sobre esses imóveis.

Hoje é tudo diferente. Hoje isso passa pela “internet”. A divulgação da venda de imóveis penhorados no âmbito de um processo de execução ou adquiridos por bancos ou outras entidades (que os vendem depois) no âmbito de processos de execução está reunida em “sites” da “internet”. Deste modo há muitos mais olhos sobre esses imóveis.

Deixo a título de exemplo o endereço de vários “sites”, onde se podem encontrar à venda imóveis penhorados no âmbito de um processo de execução ou imóveis adquiridos por uma entidade (Instituição Bancária, Leiloeira) no âmbito de um processo de execução, movido, ou não, pela própria entidade.

https://www.citius.mj.pt/portal/consult ... venda.aspx

https://vendas.portaldasfinancas.gov.pt ... ome.action

https://ind.millenniumbcp.pt/pt/Particu ... fault.aspx

https://www.bancobpi.pt/particulares/cr ... idades-bpi

https://www.e-leiloes.pt/

https://www.gaip.pt/

https://www.onefix-leiloeiros.pt/verbas/1/imoveis

https://www.cparaiso.pt/
Editado pela última vez por ativo em 12/10/2019 1:41, num total de 8 vezes.
 
Mensagens: 3340
Registado: 24/1/2014 17:24

Re: Entrevista ao ativo

por LISBOA_CASINO » 12/10/2019 1:16

Ativo,


Obrigado pela partilha...

Bons negocios
 
Mensagens: 825
Registado: 23/11/2011 21:02
Localização: 16

Re: Entrevista ao ativo

por SFT » 12/10/2019 13:48

Obrigado pela partilha.

Abraço.
Quando a esmola é muita, o pobre desconfia.
Avatar do Utilizador
 
Mensagens: 1248
Registado: 20/5/2014 19:02

Re: Entrevista ao ativo

por novo2000 » 12/10/2019 14:04

Aqui fica um exemplo:

https://vendas.portaldasfinancas.gov.pt ... 2&ano=2019

De referir que , h´á sempre muita gente interessada . Tudo se decide nos últimos minutos/segundos.
 
Mensagens: 11
Registado: 29/12/2018 17:35

Re: Entrevista ao ativo

por pata-hari » 13/10/2019 14:40

Ultra interessante! Nunca soube onde procurar e sempre ouvi falar nessas oportunidades
Obrigada pela partilha .
Avatar do Utilizador
Administrador Fórum
 
Mensagens: 20088
Registado: 25/10/2002 17:02
Localização: Lisboa


Quem está ligado:
Utilizadores a ver este Fórum: Adas, Crissssx, Dr Tretas, Google [Bot], JosePLM, LoneWolf, macau5m, MSN [Bot], pattern, rocha28, VALHALLA e 33 visitantes