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Caldeirão da Bolsa

FOREX - 2019 - 4º trimestre

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros de uma forma genérica e a todo o tipo de informação útil que possa condicionar o desempenho dos mesmos

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Re: FOREX - 2019 - 4º trimestre

por djovarius » 26/12/2019 17:55

Boas,

Neste tempo festivo, os mercados continuam a fazer a festa. Até o ouro e a prata sobem ao mesmo tempo que o USD mantém a força suficiente, embora hoje perca ligeiramente num dia em que o Nasdaq 100 atinge os 9.000 pontos. Quem diria que depois dos míticos 5.000 pontos, que foram resistência em dois momentos históricos, haveríamos de caminhar para os 10.000 pontos.

Este foi um ano bom para todos os ativos, tanto da chamada renda fixa como variável, dependendo do local. Os ativos de risco comportaram-se menos bem na Europa do que na América, mas quem estiver, na zona EUR, investido em USD está a ganhar em 2019, tanto em termos de Forex, como combinando o efeito cambial com outros ativos, como por exemplo, o citado Nasdaq.
Para quem investiu em metais e energias, também pôde sorrir.
Só nas criptomoedas, o cenário foi misto. A maioria perdeu, mas o BTC duplicou.
Isto, claro, é visto numa perspetiva de investimento logo no início do ano e venda do mesmo agora no fim de 2019 - quem o tivesse feito da maneira que descrevo, teria ganho bom dinheiro.
No contexto mais específico do Forex, shortar o EUR index em Janeiro teria dado rendimento. Isso está associado ao fenómenos do baixo crescimento do PIB da área do EUR, bem como aos juros negativos.
Este foi um ano em que esses fatores clássicos acabaram por pesar. Ainda bem.

Pode-se falar de um mercado quase eufórico, muito líquido, mas sem grandes fenómenos de bolha. Possivelmente, os mesmos ainda se poderão produzir.

Nos próximos dias, o tópico vai fazer um pequeno "apanhado" sobre a década.

Abraço

dj
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Re: FOREX - 2019 - 4º trimestre

por djovarius » 27/12/2019 16:27

Boas,

Vamos começar os nossos apontamentos sobre a década que ora termina:

Vamos começar pela renda fixa, que na verdade não tem sido nada fixa, o mercado da dívida soberana, mais conhecido pelo mercado das Obrigações do Tesouro, usando como guia os títulos a dez anos, pois são os que mais interessam numa perspetiva de análise a este mercado:

Do ponto de vista dos EUA, trata-se de um "bull market" com 35 anos, que parece eterno, mas não será assim. Um dia as coisas vão inverter.
Seja como for, foi uma década, mais uma, claramente positiva para estes títulos, dado que quem tivesse entrado no título há dez anos, teria um ganho importante já que os juros vieram de 3.6 para 1.8% (números redondos) ao longo da década. Os ganhos estão em linha com os da década anterior. Tenho sérias dúvidas de que isto volte a ocorrer no nosso tempo de vida, mas... nunca se sabe !!
Para quem investiu na zona EUR, nomeadamente em títulos alemães a dez anos, os ganhos foram bons, porque o papel que rendia 3.2% foi a juros negativos. Uma hipótese para mais que duplicar o valor dum título de renda fixa não se vê todos os dias. Dado o radicalismo do preço, é de crer que este cenário não se repetirá. Só se houver uma crise que não desejamos a ninguém...

Curiosamente, mesmo quem tivesse adquirido títulos equivalentes dos PIGS há 10 anos atrás, só teria que esperar pela maturidade (agora) para ganhar cerca de 43%. Tenho dúvidas de que muitos tenham esperado isso tudo, graças ao pânico de 2011. Seja como for, quem comprou lá para 2015/16 (no regresso dessas emissões) está agora a ganhar muito dinheiro.

Estes exemplos mostram bem a influência dos Bancos Centrais nestes ativos. Sem a liquidez que todos conhecemos, é óbvio que não teria sido possível. O mais provável é que títulos como o alemão tivessem ido a -2% (alto refúgio) e que os dos PIGS tivessem ido a 50% a la Argentina.

A esse propósito, enquanto o Brasil teve uma década fabulosa na renda fixa, fabulosa no sentido em que deu dinheiro a quem manteve os papéis e deu hipótese de o ganhar em prazos mais curtos, já a tal Argentina deu azedume. No início da época, havia problemas, mas quem tivesse mantido o investimento até ao fim, teria de amargar fortes perdas.

Em resumo: a renda fixa não é nada fixa. Os grandes tiveram uma década bem melhor que os restantes, a liquidez procurou maior segurança e eficácia. As circunstâncias obrigam a concordar que dificilmente as condições se vão repetir na próxima década. Nalgum momento dos anos vinte, o mercado touro que abrangeu a maioria destes papéis terá de inverter, criando oportunidades para o futuro mais distante.

Agora a década de algumas das mais marcantes "commodities":
O ano do petróleo foi excelente com mais de 20% de ganhos (em USD), mas a década acabou por ser negativa, após a ressaca de 2008 e as fortes perdas pós-2015. Felizmente para os investidores, este tipo de ativo não é algo que se invista por dez anos sem mexer...
O gás natural (EUA) está hoje a metade do que estava há dez anos. Não se admirem que o pessoal goste do produto (no contexto da migração das energias).

O Ouro: pois é, o ourinho tinha tido uma década (anterior) de sonho, em que quadruplicou de valor (em USD), fruto das crises variadas da década. Quem diria que, depois disso, a década corrente haveria de devolver mais ganhos (mesmo longe do "peak" do preço), neste caso de cerca de 40% ???? Dos melhores investimentos do século, até ver...
Já a Prata foi uma tristeza, exceto pra quem vendeu logo no início da década, pois ao longo da mesma, temos um total de ganhos que dá para beber um café... o cobre, por exemplo, até perdeu nestes dez anos algum terreno.

Quero destacar aqui o "rally" do paládio, mais um ativo com uma década fabulosa (ao contrário da platina), pois quadruplicou o preço. Há quem diga que é uma bolha, mas o preço está lá. Quem poderia adivinhar...????

No caso das agrícolas, é impressionante como a soja perde terreno na década, enquanto o trigo ganha muito pouco, estando longe dos máximos da década. Parece haver potencial de subida para a próxima década, mas ainda há que aguardar maiores sinais. Do milho, pode-se dizer o mesmo que o trigo. Coisas como o café e o açúcar não conseguiram impressionar. Demasiada volatilidade para tão poucos ganhos, quando não perdas... já o gado vivo teve alguns ganhos na década, mas longe do "peak" de preços. É caso para dizer que as "commodities" alimentares não se comparam a outras, mais "douradas"


Para já, é tudo, vamos continuar em brece, bom fds e ainda mais Festas Alegres :lol:

dj
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Re: FOREX - 2019 - 4º trimestre

por djovarius » 30/12/2019 17:49

Boas,

Depois de termos falado da década das Obrigações e das "commodities", vamos falar do mesmo período do mercado acionista, sendo este um assunto muito mais feliz.
Se continuarmos a pensar em termos de década de calendário, sem dúvida que foi excelente para alguns dos principais índices, com destaque para os EUA, sendo que casos como os do Brasil foram de sucesso inesperado.
Vejamos o Nasdaq 100 - esteve bem nos anos oitenta, multiplicou por 17x (!!!???) nos anos noventa (verdade). Teve duas crises nos anos zero, que o levaram a perder a metade do valor dez anos antes e acaba por fechar a atual década a multiplicar por 5x o seu valor de 2010 - creio que terá sido dos melhores investimentos de comprar e ficar sentado à espera.
Já o SPX foi menos radical. Depois de ter perdido uns 10% na década anterior, no acumulado da mesma, fecha a atual perto de triplicar o seu valor, o que ainda assim é fabuloso para o investidor.
Já na zona EUR, o DAX alemão mais que duplica o seu valor, tem ganhos de cerca de 120% na década, o que é muitíssimo bom, mas longe dos EUA.
Na nossa zona monetária, há grandes disparidades: quem tenha ficado pelo índice lusitano, deve chorar de saudades dos anos noventa, quando a Bolsa quadruplicou (nessa década), sendo que na década seguinte perdeu metade do valor e na atual de´cada perde mais de 30% :shock: o que leva a que estejamos a comemorar vinte anos sobre os máximos históricos, amargando perdas superiores a 60% sobre esse máximo. Estamos hoje a níveis de 1996 - será sinal de que parámos no tempo ??

Como vimos, índices acionistas foram bons, mas seria conveniente escolher os mais favoráveis...

Em relação à década do mercado cambial, e para fechar, temos o rei dólar como vencedor da década.
O USD index ganhou 20% no período, dando razão aos que, estando na zona EUR, apostavam nos títulos norte-americanos. Devido ao fator cambial, eles tornaram-se uma dupla vantagem, ao contrário do que havia sucedido na década anterior.
O EUR/USD veio da casa dos 1.40 para a casa de 1.10 - um bear market que terá chegado ao fim em 2019, situação a confirmar em 2020.
Falando apenas em 2019 - as perdas do par não passarão de uns meros 2%.
Curiosamente, o Cable ganha no ano (nada mau este Brexit) mas perde quase 20% no total da década, em linha com os outros europeus.

O USD/JPY fecha 2019 de uma forma neutra, tendo sido um par com volatilidade inferior à normal, o que é sinal de bom humor nos mercados, como vimos na renda variável. Curiosamente, na década, espelha os outros ativos, com valorização de cerca de 20%.
Assim, uma década forte para o USD e para os ativos norte-americanos, sendo que o movimento do Fx, ajuda a justificar o porquê da preferência por ativos em dólar.

Amanhã, é a despedida da década e deste tópico, sendo que depois será aberto um para 2020

Abraço

dj
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Re: FOREX - 2019 - 4º trimestre

por djovarius » 31/12/2019 16:14

Boas,

Ano interessante nos mercados. O forex teve uma volatilidade semestral e anual muito baixa, com algumas exceções como o Cable, por óbvias razões (políticas).
O USD/JPY teve uma amplitude anual (diferença entre mínimos e máximos) de meros 700 pips, o que diz bem do bom humor dos mercados, onde tivemos um SPX a valorizar mais de 20%.
O EUR/USD não passou de cerca de 650 pips de amplitude anual, o que sinaliza aborrecimento, mas também dias melhores à vista no aspeto de possibilidades de trading.

O famoso efeito Janeiro funcionou mesmo bem no ano que hoje termina. Recordo que esse efeito mede-se pelo facto de um ativo atingir logo nesse mês ou o mínimo ou o máximo do ano.
Assim, o EUR, o AUD fizerem-no, bem como mercados acionistas, como o norte-americano, onde Janeiro marcou os mínimos do ano.

Como será para o ano ? Temos tempo para discutir isso ao longo da próxima semana.

Abraço, Feliz Ano Novo a todos \:D/ \:D/

dj
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