Precisa-se de matéria prima para construir um País

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Precisa-se de matéria prima para construir um País

por ambgoncalves » 6/4/2010 11:47

Precisa-se de matéria prima para construir um País - Eduardo Prado Coelho in Público

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.


Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.


Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.


Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.


Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.


Como "matéria-prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...


Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria-prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados! É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...


Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias. Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.


Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.


E você, o que pensa?.... MEDITE!


EDUARDO PRADO COELHO
 
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por djovarius » 6/4/2010 11:58

E é assim que se pode honestamente dizer:

Nós não mudamos o mundo, nós mudamos para mudar o mundo.

Abraço
Cuidado com o que desejas pois todo o Universo pode se conjugar para a sua realização.
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O fado lusitano

por Primvs » 6/4/2010 12:25

Um texto que concordo em absoluto, apesar de estar um bocado exagerado.

Mas é a verdade, dura e crua, que lá está. O pormenor do lixo para o chão, o fugir aos impostos, o subornar as autoridades, comprar cartas ou arranjar atestados médicos,etc, etc...

Fez-me lembrar uma conversa com uma amiga dinamarquesa, onde fiquei surpreendido quando ela disse que deixava a bicicleta na rua, sem correntes, nem cadeados e que ninguem a roubava (mora em copenhaga e nao tem carro)...Cá era um mimo...

Mas quando não resolvermos esta "tugacidade" não podemos prosperar como povo ou país, independentemente de partido ou do líder ou do sistema político que haja no país... :oops:
É da vida...
 
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por Safe » 6/4/2010 12:46

O que está escrito já vem sendo falado há pelo menos 30 anos (pós 25 Abril). O que quero dizer com isto, toda a mudança que se quiser fazer vai levar anos, se calhar mais uns 30. Esta mudança de mentalidade efectua-se quando se entra para a escola pois será aí a construção das bases do que será o futuro cidadão.

Portanto a minha opinião é que esta "revolução" no ensino tem que acontecer o mais rápido possível.
 
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por rjac » 6/4/2010 12:51

O texto é sem dúvida interessante e ilustra o que penso sobre a nossa sociedade de hoje mas...

Não concordo em nada com a desresponsabilização que o senhor faz em relação aos nossos governantes.

Vamos imaginar uma equipa de 4 pessoas em que um é o chefe e os restantes estão no mesmo nível. O chefe é um traste e apenas um dos elementos da equipa é responsável. Qual será a tendência dos restantes elementos? Imitar o chefe ou imitar o semelhante? Tendencialmente, diria que seria o chefe.

Ora bem, elevando este exemplo à devida escala e assumindo-me desde já como uma pessoa obviamente não perfeita, mas que não encaixa no perfil descrito pois não corrompo ng, nem sou corrompido (tb porque não estou em posição relevante para assumir qq uma das partes), n levando artigos para casa, não arranjando atestados médicos, n fugindo às minhas obrigações e nem me preocupar em arranjar trafulhices para fugir aos impostos porque felizmente tenho coisas bem mais interessantes para fazer e que me concretizam mais... o que sinto é que, no meio desta brincadeira toda, sou um parolo que não joga o jogo que toda a gente joga.

E ainda que consiga influenciar o meu pequeno círculo, o meu esforço não será certamente, suficiente. Portanto, qualquer que seja o meu comportamento, em tempo útil, não vai contribuir absolutamente nada para o avanço do país, apenas para a minha paz interior.

Em suma, discordo do senhor Eduardo porque é preciso começar por algum lado, e acho e acredito que esse começo tem que vir de cima. Se Sócrates, Santanas e companhia não o conseguiram fazer então acho que precisamos de alguém que consiga dar o exemplo e que implemente um sistema que não seja padrinho destas palhaçadas que temos visto.

Cumprimentos,
rjac
 
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por mais_um » 6/4/2010 13:06

Eduardo Prado Coelho foi apontado como o autor do plágio de um texto supostamente publicado no Brasil, assinado pelo escritor João Ubaldo Ribeiro. O texto – «Precisa-se de Matéria-Prima para Construir um País» – teve um impacto considerável entre os internautas sobretudo a partir de Novembro de 2005, quando surgiu em inúmeros sites e blogues tanto na sua versão brasileira como na portuguesa. Na nossa versão, a autoria foi atribuída a Prado Coelho, que teria publicado o texto no jornal Público.
A verdade é que João Ubaldo Ribeiro e Eduardo Prado Coelho nunca tiveram nada a ver com o texto. Entrevistado a 7 de Novembro de 2005 pelo jornalista brasileiro Alceu Nader, o escritor desmentiu ter sido o autor do texto. Prado Coelho também desmentiu a publicação no Público.
Toda esta história teve origem no autor anónimo do texto brasileiro e na pessoa – igualmente não identificada – que o «traduziu» para português europeu e o adaptou à nossa realidade. O esquema de fabricação do plágio iniciou-se, então, quando esta mesma pessoa, depois de acabar o trabalhinho, resolveu apimentá-lo atribuindo a autoria do texto a Prado Coelho.
O processo que se seguiu foi o habitual: ambas as versões do texto começaram a circular na net e nos emails até que «alguém» «notou» semelhanças suspeitas entre o original brasileiro e a «cópia» portuguesa. Daí até à acusação de plágio foi só uma questão de tempo


11.11.05
Anatomia de um (+1+1) boato
1. Alguém lançou na internet um texto denominado: «Precisa-se de matéria-prima para construir um País», como sendo um texto do conhecido escritor e colunista brasileiro João Ubaldo Ribeiro.
2. O texto teve muito impacto e correu na rede rápidamente, em mensagens, via email, foruns e blogs.
3. Foi desmentido pelo próprio João Ubaldo a autoria de tal texto.
4. O texto chega a Portugal e alguém realiza uma pequena adaptação à realidade portuguesa, basicamente alterando os nomes dos políticos. É atribuída a autoria de tal texto a Eduardo Prado Coelho e indicado ter sido publicado «in Público».
5. Inícia-se a sua difusão via email e blogs.
6. ( e esta é a cereja em cima do bolo): alguém repara na semelhança das duas versões e acusa EPC de plágio(!) dando início a uma nova rede de mensagens....

Duas notas:
Em primeiro lugar, do sucesso do texto. O sonho adventista do «V Império» de Vieira mantêm-se bem vivo nas culturas políticas dos dois países.
A segunda nota refere-se a alguns cuidados básicos e simples por parte de quem recebe este tipo de mensagens (venham de amigos ou desconhecidos): se é citação, deve ser pedida sempre a sua origem, o que hoje é facil a qualquer um confirmar.
(os blogs indicados são apenas a título de exemplo e não apontados como autores de tal boato)

http://ablasfemia.blogspot.com/2005/11/ ... boato.html



"Já tinha ouvido falar no assunto, mas não me interessei demasiado. Tive até felicitações por aquele texto de que não era autor. Não me ralei. Não andei à procura em blogues, porque nunca fui dado a tal prática (por motivos muito polémicos que já expus diversas vezes, com grande escândalo das almas mais piedosas). Não tenho nada contra os blogues, mas também nada a favor; é como os vinhos (não bebo, sou incapaz de estender a mão para um copo de álcool que passe à minha frente) ou as corridas de automóveis. Para mim, estas coisas passam-se noutro planeta. Mas o que me impressionou desta vez é que a minha massagista, Natália, uma moldava que é também uma excelente pessoa, veio dizer que tinha havido uma notícia desagradável a meu respeito no Correio da Manhã. E trouxe o venerável periódico. De facto, os títulos da notícia não eram exaltantes: “Professor universitário acusado de plágio” e como frase de entrada: “É acusado de ter copiado e ‘adaptado’ o texto de um escritor brasileiro.” Quanto ao texto propriamente dito, está correcto (é da Márcia Bajouco, que me havia telefonado). E põe os pontos nos iis. Mas tarde de mais. Já há toda uma página embandeirada em títulos sobre o assunto.Parece que João Ubaldo Ribeiro teria escrito um texto sobre a situação brasileira intitulado “Precisa-se de matéria-prima para construir um país”, que começaria deste modo: “A crença geral era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lulanão serve”, e que eu teria adaptado – segundo um blogue que seria “notas.blogs.sapo.pt” – nestes termos: “A crença geral era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão eGuterres. Agora dizemos que Sócrates não serve.” Ora basta perceber o que repetidamente tenho escrito para se poder afirmar que eu acho que Sócrates serve, e muitíssimo bem. Parece que o vocalista dos UHF, António Manuel Ribeiro, até me citou, porque concordava com o que me era atribuído como a minha forma de pensar. Diz ter recebido uma mensagem de correio electrónico que continha o texto assinado por E.P.C. Parece que o texto corre por vários sites. E diz que o texto que eu teria escrito, e não escrevi, teria sido divulgado no PÚBLICO em determinada data. Mas vai-se ao jornal desse dia, e não está lá nada disso. Uma fraude inqualificável. No entanto, alguém a perpetrou, certamente com a convicção de que me poderia fazer mossa. Nem pense, estou-me inteiramente nas tintas para gente desta laia. Mas a minha amiga moldava achava que eu estava triste, certamente amarfanhado pelo peso do plágio. E até o meu casaco verde lhe pareceu cinzento. Mas o que mais uma vez se prova é que a forma relativamente anónima e irresponsável com que se pode escrever em mensagens por telemóvel ou mails permite todas as delinquências que é muito difícil punir devidamente.Estamos no domínio da heteronímia dos pobres mas também dos canalhas. Coisas que, por amizade, enternecem um coração moldavo, mas não o meu."

Eduardo Prado Coelho, professor Universitário, in Público 25 Out. 2006
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por Primvs » 6/4/2010 13:33

AHAHAHAH :mrgreen: :mrgreen: :mrgreen: :mrgreen:
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por LTCM » 6/4/2010 13:42

mais_um Escreveu:
Eduardo Prado Coelho foi apontado como o autor do plágio de um texto supostamente publicado no Brasil, assinado pelo escritor João Ubaldo Ribeiro. O texto – «Precisa-se de Matéria-Prima para Construir um País» – teve um impacto considerável entre os internautas sobretudo a partir de Novembro de 2005, quando surgiu em inúmeros sites e blogues tanto na sua versão brasileira como na portuguesa. Na nossa versão, a autoria foi atribuída a Prado Coelho, que teria publicado o texto no jornal Público.
A verdade é que João Ubaldo Ribeiro e Eduardo Prado Coelho nunca tiveram nada a ver com o texto. Entrevistado a 7 de Novembro de 2005 pelo jornalista brasileiro Alceu Nader, o escritor desmentiu ter sido o autor do texto. Prado Coelho também desmentiu a publicação no Público.
Toda esta história teve origem no autor anónimo do texto brasileiro e na pessoa – igualmente não identificada – que o «traduziu» para português europeu e o adaptou à nossa realidade. O esquema de fabricação do plágio iniciou-se, então, quando esta mesma pessoa, depois de acabar o trabalhinho, resolveu apimentá-lo atribuindo a autoria do texto a Prado Coelho.
O processo que se seguiu foi o habitual: ambas as versões do texto começaram a circular na net e nos emails até que «alguém» «notou» semelhanças suspeitas entre o original brasileiro e a «cópia» portuguesa. Daí até à acusação de plágio foi só uma questão de tempo


11.11.05
Anatomia de um (+1+1) boato
1. Alguém lançou na internet um texto denominado: «Precisa-se de matéria-prima para construir um País», como sendo um texto do conhecido escritor e colunista brasileiro João Ubaldo Ribeiro.
2. O texto teve muito impacto e correu na rede rápidamente, em mensagens, via email, foruns e blogs.
3. Foi desmentido pelo próprio João Ubaldo a autoria de tal texto.
4. O texto chega a Portugal e alguém realiza uma pequena adaptação à realidade portuguesa, basicamente alterando os nomes dos políticos. É atribuída a autoria de tal texto a Eduardo Prado Coelho e indicado ter sido publicado «in Público».
5. Inícia-se a sua difusão via email e blogs.
6. ( e esta é a cereja em cima do bolo): alguém repara na semelhança das duas versões e acusa EPC de plágio(!) dando início a uma nova rede de mensagens....

Duas notas:
Em primeiro lugar, do sucesso do texto. O sonho adventista do «V Império» de Vieira mantêm-se bem vivo nas culturas políticas dos dois países.
A segunda nota refere-se a alguns cuidados básicos e simples por parte de quem recebe este tipo de mensagens (venham de amigos ou desconhecidos): se é citação, deve ser pedida sempre a sua origem, o que hoje é facil a qualquer um confirmar.
(os blogs indicados são apenas a título de exemplo e não apontados como autores de tal boato)

http://ablasfemia.blogspot.com/2005/11/ ... boato.html



"Já tinha ouvido falar no assunto, mas não me interessei demasiado. Tive até felicitações por aquele texto de que não era autor. Não me ralei. Não andei à procura em blogues, porque nunca fui dado a tal prática (por motivos muito polémicos que já expus diversas vezes, com grande escândalo das almas mais piedosas). Não tenho nada contra os blogues, mas também nada a favor; é como os vinhos (não bebo, sou incapaz de estender a mão para um copo de álcool que passe à minha frente) ou as corridas de automóveis. Para mim, estas coisas passam-se noutro planeta. Mas o que me impressionou desta vez é que a minha massagista, Natália, uma moldava que é também uma excelente pessoa, veio dizer que tinha havido uma notícia desagradável a meu respeito no Correio da Manhã. E trouxe o venerável periódico. De facto, os títulos da notícia não eram exaltantes: “Professor universitário acusado de plágio” e como frase de entrada: “É acusado de ter copiado e ‘adaptado’ o texto de um escritor brasileiro.” Quanto ao texto propriamente dito, está correcto (é da Márcia Bajouco, que me havia telefonado). E põe os pontos nos iis. Mas tarde de mais. Já há toda uma página embandeirada em títulos sobre o assunto.Parece que João Ubaldo Ribeiro teria escrito um texto sobre a situação brasileira intitulado “Precisa-se de matéria-prima para construir um país”, que começaria deste modo: “A crença geral era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lulanão serve”, e que eu teria adaptado – segundo um blogue que seria “notas.blogs.sapo.pt” – nestes termos: “A crença geral era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão eGuterres. Agora dizemos que Sócrates não serve.” Ora basta perceber o que repetidamente tenho escrito para se poder afirmar que eu acho que Sócrates serve, e muitíssimo bem. Parece que o vocalista dos UHF, António Manuel Ribeiro, até me citou, porque concordava com o que me era atribuído como a minha forma de pensar. Diz ter recebido uma mensagem de correio electrónico que continha o texto assinado por E.P.C. Parece que o texto corre por vários sites. E diz que o texto que eu teria escrito, e não escrevi, teria sido divulgado no PÚBLICO em determinada data. Mas vai-se ao jornal desse dia, e não está lá nada disso. Uma fraude inqualificável. No entanto, alguém a perpetrou, certamente com a convicção de que me poderia fazer mossa. Nem pense, estou-me inteiramente nas tintas para gente desta laia. Mas a minha amiga moldava achava que eu estava triste, certamente amarfanhado pelo peso do plágio. E até o meu casaco verde lhe pareceu cinzento. Mas o que mais uma vez se prova é que a forma relativamente anónima e irresponsável com que se pode escrever em mensagens por telemóvel ou mails permite todas as delinquências que é muito difícil punir devidamente.Estamos no domínio da heteronímia dos pobres mas também dos canalhas. Coisas que, por amizade, enternecem um coração moldavo, mas não o meu."

Eduardo Prado Coelho, professor Universitário, in Público 25 Out. 2006


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***
"A soberania e o respeito de Portugal impõem que neste lugar se erga um Forte, e isso é obra e serviço dos homens de El-Rei nosso senhor e, como tal, por mais duro, por mais difícil e por mais trabalhoso que isso dê, (...) é serviço de Portugal. E tem que se cumprir."
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por ambgoncalves » 6/4/2010 14:06

E eu a contribuir para o boato que seria este texto da autoria daquele senhor... Dou a mão à palmatória! Erro meu!

Finalizando, apenas sublinho que quem quer que tenha escrito o referido texto, só peca pela cobardia e desrespeito em ter usado o nome de outrém, pois tudo o que ele contém, para mim está correcto.

Alexandre
 
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por amsfsma » 6/4/2010 15:08

Uma fraude inqualificável. No entanto, alguém a perpetrou, certamente com a convicção de que me poderia fazer mossa.
Eduardo Prado Coelho



Suponho que quem o fez, tanto no caso brasileiro como no caso português, não tinha qualquer intenção de prejudicar os autores mas de credibilizar o seu texto. Infelizmente o ser humano liga mais ao formato do que ao conteúdo, tendo em conta essa realidade foi necessário atribuir a autoria a pessoas conhecidas.

Quem quizesse descredibilizar o Eduardo Prado Coelho não o faria desta forma pois para muita gente os bons créditos foram-lhe atribuidos.
 
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