Teixeira Duarte - Tópico Geral

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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por Hawk66 » 29/8/2019 10:48

O reconhecimento da receita das vendas de imobiliário em Portugal no 3T e no 4T vão ter um impacto muito positivo nos resultados da TD.
A inflação está a diminuir em Angola que provavelmente deixará de ser considerada uma economia hiperinflacionaria reduzindo o impacto do IAS 29
 
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por trend=friend » 29/8/2019 15:12

Se faz um higher high acima dos 13 começo a ficar nervoso... já...? :-s
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por Punitor » 29/8/2019 18:05

Para já excelente volume e excelente força compradora.
Em relação à Mota, que divulgou hoje resultados, os da Teixeira foram melhores.
Agora, o mercado que seja soberano ;-)
 
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por maturidade » 29/8/2019 21:03

Punitor Escreveu:Para já excelente volume e excelente força compradora.
Em relação à Mota, que divulgou hoje resultados, os da Teixeira foram melhores.
Agora, o mercado que seja soberano ;-)



Boas.
Grande subida, e com um volume optimo.
Já entrei e sai várias vezes nesta menina e os resultados são pouco animadores.
nunca acerto na hora de entrar.
ORA BOLAS :wall: :wall: :wall: :wall:

abraços
 
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por carlosdsousa » 29/8/2019 21:33

maturidade Escreveu:...

Boas.
Grande subida, e com um volume optimo.
Já entrei e sai várias vezes nesta menina e os resultados são pouco animadores.
nunca acerto na hora de entrar.
ORA BOLAS :wall: :wall: :wall: :wall:

abraços


Boas

Ao nível que anda a cotação (mínimos históricos), se calhar comprar e fechar os olhos dela durante uns tempos pode se vir a tornar "uma boa jogada"

cumprimentos
 
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por Rui Sa » 31/8/2019 22:03

Hawk66 Escreveu:O reconhecimento da receita das vendas de imobiliário em Portugal no 3T e no 4T vão ter um impacto muito positivo nos resultados da TD.

O One Living, de acordo com a imobiliária que o comercializa, só deverá estar pronto para entrega no 1T de 2021, portanto até lá não há escrituras, nem as correspondentes receitas (os CPCVs não são receitas).

Quanto ao Fábrica 1921 referido pelo CountingCents, independentemente da data de início de comercialização (CPCVs), a construção está mais atrasada que a do One Living (começou uns 6 meses depois) e portanto escrituras - e logo receitas - só em finais de 2021, se é que não só a partir de 2022, já que é uma obra maior e mais complicada (segundo li, implica a construção dum túnel para desviar o trânsito duma avenida).

Há um outro grande empreendimento em fase de arranque, maior (em área, não sei se em valor) que os outros dois, que é o Vila Rio na Póvoa de Santa Iria, mas que também está ainda numa fase muito inicial e tem muito trabalho de terraplanagens e infraestruturação (água, esgotos e arruamentos) antes do início da construção propriamente dita. Escrituras (receitas) talvez só lá para 2023, não sei, mas acho que vai ser do tipo da Quinta de Cravel em Gaia, que vai sendo construído à medida que for sendo vendido, ao todo é capaz de demorar uns 10 a 15 anos a estar construído (e vendido) na totalidade.

O Fábrica 1921 é maior (em área e provavelmente também em valor) que o One Living mas, ao contrário deste, vai ser construído por fases, pelo que entre as primeiras escrituras e as últimas é capaz de demorar mais de 5 anos...

Resumindo, receitas de imobiliário em Portugal até final de 2020 vão ser muito, muito, reduzidas, só a partir de 2021 e seguintes é que vão disparar, é mesmo só para quem souber esperar. É a consequência de durante o perído da crise e dificuldade de obtenção de crédito estes projetos terem estado todos mais ou menos em banho maria, agora vão demorar a chegar ao mercado, correndo o risco de poderem chegar já numa fase menos positiva do setor imobiliário, sobretudo o Fábrica 1921 e o Vila Rio, que o One Living já não corre perigo.


Hawk66 Escreveu:A inflação está a diminuir em Angola que provavelmente deixará de ser considerada uma economia hiperinflacionaria reduzindo o impacto do IAS 29

Angola já deixou de estar em hiperinflação, só que o impacto da IAS 29 até era positivo, o que é negativo é a desvalorização do kwanza, que infelizmente regressou em força em junho e atacou novamente em agosto (o que vai ter efeitos nos resultados do 2S), com os inevitáveis estragos nas contas da TD.

Apesar do resultado líquido positivo de 12 M€ no semestre, o resultado integral, incluindo o efeito cambial não contabilizado diretamente em resultados, foi negativo em 35 M€ no semestre (ver pág. 24 do relatório), com a consequente redução de igual montante nos capitais próprios atribuíveis durante o semestre, de 368 M€ para 333 M€!
 
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por Artista Romeno » 31/8/2019 23:50

Rui Sa Escreveu:
Hawk66 Escreveu:O reconhecimento da receita das vendas de imobiliário em Portugal no 3T e no 4T vão ter um impacto muito positivo nos resultados da TD.

O One Living, de acordo com a imobiliária que o comercializa, só deverá estar pronto para entrega no 1T de 2021, portanto até lá não há escrituras, nem as correspondentes receitas (os CPCVs não são receitas).

Quanto ao Fábrica 1921 referido pelo CountingCents, independentemente da data de início de comercialização (CPCVs), a construção está mais atrasada que a do One Living (começou uns 6 meses depois) e portanto escrituras - e logo receitas - só em finais de 2021, se é que não só a partir de 2022, já que é uma obra maior e mais complicada (segundo li, implica a construção dum túnel para desviar o trânsito duma avenida).

Há um outro grande empreendimento em fase de arranque, maior (em área, não sei se em valor) que os outros dois, que é o Vila Rio na Póvoa de Santa Iria, mas que também está ainda numa fase muito inicial e tem muito trabalho de terraplanagens e infraestruturação (água, esgotos e arruamentos) antes do início da construção propriamente dita. Escrituras (receitas) talvez só lá para 2023, não sei, mas acho que vai ser do tipo da Quinta de Cravel em Gaia, que vai sendo construído à medida que for sendo vendido, ao todo é capaz de demorar uns 10 a 15 anos a estar construído (e vendido) na totalidade.

O Fábrica 1921 é maior (em área e provavelmente também em valor) que o One Living mas, ao contrário deste, vai ser construído por fases, pelo que entre as primeiras escrituras e as últimas é capaz de demorar mais de 5 anos...

Resumindo, receitas de imobiliário em Portugal até final de 2020 vão ser muito, muito, reduzidas, só a partir de 2021 e seguintes é que vão disparar, é mesmo só para quem souber esperar. É a consequência de durante o perído da crise e dificuldade de obtenção de crédito estes projetos terem estado todos mais ou menos em banho maria, agora vão demorar a chegar ao mercado, correndo o risco de poderem chegar já numa fase menos positiva do setor imobiliário, sobretudo o Fábrica 1921 e o Vila Rio, que o One Living já não corre perigo.


Hawk66 Escreveu:A inflação está a diminuir em Angola que provavelmente deixará de ser considerada uma economia hiperinflacionaria reduzindo o impacto do IAS 29

Angola já deixou de estar em hiperinflação, só que o impacto da IAS 29 até era positivo, o que é negativo é a desvalorização do kwanza, que infelizmente regressou em força em junho e atacou novamente em agosto (o que vai ter efeitos nos resultados do 2S), com os inevitáveis estragos nas contas da TD.

Apesar do resultado líquido positivo de 12 M€ no semestre, o resultado integral, incluindo o efeito cambial não contabilizado diretamente em resultados, foi negativo em 35 M€ no semestre (ver pág. 24 do relatório), com a consequente redução de igual montante nos capitais próprios atribuíveis durante o semestre, de 368 M€ para 333 M€!

Acreditas nesses cp, com revalorizaçoes passadas de imobiliario em angola, eu tenho as minhas duvidas...
As opiniões expressas baseiam-se essencialmente em análise fundamental, e na relação entre o valor de mercado dos ativos e as suas perspectivas futuras de negocio, como tal traduzem uma interpretação pessoal da realidade,devendo como tal apenas serem consideradas como uma perspetiva meramente informativa sobre os ativos em questão, não se constituindo como sugestões firmes de investimento
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por Rui Sa » 1/9/2019 15:11

Artista Romeno Escreveu:Acreditas nesses cp, com revalorizaçoes passadas de imobiliario em angola, eu tenho as minhas duvidas...


Tira 200 M€ aos capitais próprios que ainda fica a cotar a apenas 0,4x CP, isto enquanto a Mota cota a 3x CP. A cotação atual reflete um cenário de pré-falência ou de necessidade dum enorme de aumento de capital, que não está na calha, fruto da saída à bruta do fundo de pensões do BCP e da perceção exagerada do risco da empresa, que é elevado mas não descomunal, desvalorizando o potencial de rentabilidade futura, que é bem real. Mas não me quero alongar muito porque gostava de reforçar ainda mais (tenho participação há mais de 10 anos, dupliquei-a no último ano através de 9 compras).

O que dizia é que não se entusiasmem muito com o imobiliário em Portugal porque deve dar grandes vendas e um considerável lucro, sim, mas só se reflete nas contas a partir de maio de 2021 (resultados do 1T 2021), se a construção do One Living não derrapar, e ao longo dos anos seguintes (5 a 15 anos) para os outros dois projetos (Fábrica 1921 e Vila Rio), portanto é só para quem souber esperar...

Há também o novo projeto em Oeiras com os chineses, mas acho que ainda nem sequer começou o licenciamento, portanto para os próximos 5 anos não são de esperar quaisquer receitas/resultados, os outros três já estão em fase de obras e mesmo assim só de 2021 em diante é que haverá receitas e os previsíveis lucros.

Até lá, acho que ainda têm umas frações do Santa Marinha Design District em Gaia para venda, mas pouco mais, portanto o imobiliário em Portugal deve continuar muito fraco pelo menos nos próximos 6 trimestres.
 
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por maturidade » 11/9/2019 8:46

Maior construtora do mundo procura parceiros em Portugal

Boas.
vamos ver se esta noticia ajuda esta menina.
para mim, teve resultados muito melhores que a Mota Engil, e a mota ganha ao ano mais de 30%, e esta menina perde 10% ao ano.
Enfim, mercado a não funcionar.
Se tivesse GUITO apostava aqui nesta menina.

abraços
 
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por trend=friend » 11/9/2019 9:45

Eles associaram-se recentemente a uns outros chineses, creio, para desenvolver um projecto em Oeiras. Só deve dar para ir com uns... :wink:

Interessante é a potencial passagem dos 13 cêntimos pelos motivos que já antes expus. Temos um potencial cup & handle com projecção de 4 cêntimos, ou seja, com target nos 17 cêntimos, que, por coincidência, é o anterior lower high de Março e zona de resistência que poderá exercer atracção.

Mas já sabemos que as pequenas sobem sempre alguns dias depois...
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por acintra » 11/9/2019 12:26

Foi com uma das maiores mas não com a maior e também duvido que de para fazer com dois...

"Teixeira Duarte, S.A. informa sobre parceria com o Grupo China State Construction Engineering Corporation para desenvolvimento de projeto imobiliário, em Oeiras, através de venda de 50% de uma sua participada pelo montante de 31,1 milhões de euros.

https://web3.cmvm.pt/SDI/emitentes/docs/FR72802.pdf

Cumprimentos
J.f.vieira"
Um abraço e bons negócios.

Artur Cintra
 
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Re: Maior construtora do mundo procura alianças para disputa

por J.f.vieira » 11/9/2019 12:59

Maior construtora do mundo procura alianças para disputar obras públicas em Portugal
Grupo chinês está a tentar firmar parcerias para entrar em obras no Porto de Sines e no futuro aeroporto do Montijo, segundo o "Jornal de Negócios"
China Construction Third Engineering Bureau Group, que integra o grupo China State Construction Engineering Corporation, o maior grupo mundial de construção, está à procura de parceiros de negócio em Portugal, para concorrer a obras públicas no nosso mercado, revela a edição desta quarta-feira do "Jornal de Negócios".

Construction Third Engineering Bureau Group, que integra o grupo China State Construction Engineering Corporation, o maior grupo mundial de construção, está à procura de parceiros de negócio em Portugal, para concorrer a obras públicas no nosso mercado, revela a edição desta quarta-feira do "Jornal de Negócios".

Uma delegação daquela empresa chinesa esteve em Portugal uma semana para estabelecer as bases de protocolos de cooperação com potenciais parceiros de negócio, podendo a companhia asiática vir a intergrar consórcios com empresas portuguesas ou entrar diretamente no seu capital.

Segundo o "Jornal de Negócios", a China Construction Third Engineering Bureau Group já tem alguns concursos no radar, como o porto de Sines e o novo aeroporto do Montijo.

O grupo de que essa empresa faz parte já concretizou um investimento em Portugal, ao adquirir 50% de uma sociedade da Teixeira Duarte que visa o desenvolvimento de um projeto imobiliário em Oeiras.

A construção poderá agora ser a próxima grande área de entrada de capital chinês em Portugal, depois de nos últimos anos outros setores terem atraído investimento da China, como sucedeu na energia (com a China Three Gorges na EDP e a State Grid na REN), na banca (com a Fosun no BCP), nos seguros (com a Fosun na Fidelidade) e na saúde (a Luz Saúde é também controlada pela Fosun).

Cumprimentos
J.f.Vieira
 
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por J.f.vieira » 11/9/2019 13:07

Boas, quem é que teria comprado a participação do bcp?

Cumprimentos
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por acintra » 11/9/2019 13:13

Bom pelos vistos é a mesma porque a primeira pertence ao grupo da que anda agora a fazer parcerias....

Obrigado pela noticia...
Um abraço e bons negócios.

Artur Cintra
 
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por tradermoraisbravo » 12/9/2019 17:10

Rui Sa Escreveu:
Artista Romeno Escreveu:Acreditas nesses cp, com revalorizaçoes passadas de imobiliario em angola, eu tenho as minhas duvidas...


Tira 200 M€ aos capitais próprios que ainda fica a cotar a apenas 0,4x CP, isto enquanto a Mota cota a 3x CP. A cotação atual reflete um cenário de pré-falência ou de necessidade dum enorme de aumento de capital, que não está na calha, fruto da saída à bruta do fundo de pensões do BCP e da perceção exagerada do risco da empresa, que é elevado mas não descomunal, desvalorizando o potencial de rentabilidade futura, que é bem real. Mas não me quero alongar muito porque gostava de reforçar ainda mais (tenho participação há mais de 10 anos, dupliquei-a no último ano através de 9 compras).

O que dizia é que não se entusiasmem muito com o imobiliário em Portugal porque deve dar grandes vendas e um considerável lucro, sim, mas só se reflete nas contas a partir de maio de 2021 (resultados do 1T 2021), se a construção do One Living não derrapar, e ao longo dos anos seguintes (5 a 15 anos) para os outros dois projetos (Fábrica 1921 e Vila Rio), portanto é só para quem souber esperar...

Há também o novo projeto em Oeiras com os chineses, mas acho que ainda nem sequer começou o licenciamento, portanto para os próximos 5 anos não são de esperar quaisquer receitas/resultados, os outros três já estão em fase de obras e mesmo assim só de 2021 em diante é que haverá receitas e os previsíveis lucros.

Até lá, acho que ainda têm umas frações do Santa Marinha Design District em Gaia para venda, mas pouco mais, portanto o imobiliário em Portugal deve continuar muito fraco pelo menos nos próximos 6 trimestres.


Rui Sá,

Discordo da parte de que o imobiliário não dará já resultados este ano. Retirei este excerto do relatorio e contas do 1S de 2019:

Em Portugal, o Grupo tem em desenvolvimento um projeto com a designação comercial “One Living”, localizado em Cascais, tendo já sido celebrados até 30 de junho de 2019 contratos-promessa de compra e venda, no montante global de 108.140 milhares de euros, o que garante um acréscimo significativo de Volume de Negócios.
 
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por cali010201 » 12/10/2019 12:48

Angola já pagou 182 milhões de euros a construtoras. Mas contas não batem certo

https://expresso.pt/economia/2019-10-11 ... atem+certo


Angola já pagou €182 milhões. Mas há cortes e desacertos nos cálculos

ABÍLIO FERREIRA

Um ano depois da ofensiva diplomática em Luanda do primeiro-ministro, António Costa, ter dado o pontapé de saída, o movimento de regularização das dívidas de Angola às construtoras portuguesas regista avanços favoráveis, mas as contas nem sempre batem certo e uma boa parte dos intervenientes está insatisfeita com os resultados.

O tema é uma moeda de duas faces. Há o lado benigno que resulta de negociações fechadas, pagamentos realizados e dinheiro a circular. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, os acordos firmados “diretamente entre as empresas e as autoridades angolanas” já drenaram 75 mil milhões de kwanzas (€182 milhões) e “representam três quartos da dívida certificada até à data”.

No caso das construtoras, o lado inquietante mistura dívidas não reconhecidas, revisão dos valores, imposição de títulos de dívida pública como pagamento e severas perdas cambiais nas empreitadas registadas em moeda local. Um bom sinal é que as associações empresariais deixaram de lidar com pedidos de ajuda de construtoras desesperadas com as dívidas de Angola. “Pelo que sabemos, o programa decorre sem sobressaltos, segundo os princípios definidos. Muitas empresas já receberam, mas desconhecemos o grau de execução. As únicas queixas decorrem das perdas que resultam da desvalorização cambial”, diz ao Expresso Ricardo Pedrosa Gomes, presidente da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços (AECOPS).

Reconhecer, certificar e acertar o modo de pagamento, sendo que a aceitação de títulos de dívida pública, convertíveis na banca com algum desconto, agiliza a operação. Dito assim, parece simples. Mas há sempre pedras no caminho para remover. Este é um processo “tudo menos linear, em que cada contrato tem de ser escrutinado, podendo surgir divergências e litígios”, reconhece Ricardo Gomes.

PERÍMETRO ESTATAL

Vamos a casos práticos. A Cogedir, uma empresa de projetos, reclama 1,7 milhões de dólares por serviços prestados ao governo da província de Cuando-Cubango, na altura dirigida pelo general Higino Carneiro, entretanto caído em desgraça. Mas as duas partes estão longe de um entendimento. O empresário Moutinho Cardoso fica satisfeito se no rescaldo da operação receber 400 mil dólares. As autoridades “cortaram nos valores do contrato e não reconheceram uma parte dos custos e trabalhos”. Depois, “propuseram o pagamento em Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos”, que a Cogedir recusou. Em resumo, “as contas continuam por acertar”.

A experiência da Lena Engenharia, do Grupo Nov, é semelhante. No rescaldo do ciclo depressivo 2012/15, a dívida somava 8 mil milhões de kwanzas. A cotação oficial à época ditava que um dólar valia 100 kwanzas — a relação atual é de 1 para 378. “70% da dívida já está certificada, mas como decorrem ainda negociações não se avançou para a fase de pagamento”, diz o presidente da Lena, Joaquim Paulo Conceição. O gestor não arrisca um número final.

Nos contratos em moeda local, o valor desfalece por causa da severa desvalorização cambial

A Lena está disponível para receber em títulos de dívida pública, seguindo uma prática generalizada que levou construtoras como a Mota-Engil ou a Teixeira Duarte a acumularem, respetivamente, €152 milhões e €24,5 milhões de títulos de dívida pública. No caso das empresas angolanas, 60% das dívidas (211 mil milhões de kwanzas no total) foram pagas em OT. O conglomerado Elevo, que absorvera construtoras como Edifer, MonteAdriano ou Hagen e esbraceja para sobreviver, já manifestara a deceção por só ter conseguido certificar uma pequena parte dos €160 milhões reclamados. Contactado esta semana, o presidente do grupo, Gilberto Rodrigues, respondeu “não ter disponibilidade para falar ao Expresso”.

Este é “um tema delicado”, dizem os industriais, que não querem ferir suscetibilidades em Luanda, invocando a singularidade africana em que “as faturas são do sexo feminino mas nem sempre dão à luz ao fim de nove meses”.

Uma parte das divergências no acerto de contas, segundo fontes do sector, residirá na definição do perímetro estatal. As construtoras podem estar a incluir na lista das dívidas trabalhos para empresas ligadas a dirigentes do MPLA ou do aparelho de Estado que a Administração Central não reconhece. “É natural que o Governo seja criterioso e descarte dívidas de empresas que, de facto, não são da esfera pública”, reconhece o presidente da AECOPS.

Quando o tema são as dívidas, António Mota, o patrão da Mota-Engil, repete o lema de que “Angola paga tarde, mas paga sempre”. Ricardo Pedrosa Gomes subscreve e reconhece que “o histórico do relacionamento confirma tal visão”. Mas nem sempre o dinheiro chega a tempo. Quando, no fim de 2018, declarou falência, a MSF Engenharia apontou a dívida angolana (€46 milhões) como uma das causas do colapso.

Produção no exterior ganha fôlego. México bate Angola

A indústria da construção opera em 35 mercados. No biénio 2017-18, a produção subiu €900 milhões

A produção das construtoras portuguesas no exterior ganhou um novo fôlego e está em modo de recuperação depois de um mínimo relativo em 2016 (€4,4 mil milhões). No biénio 2017-18, a brigada nacional que opera em 35 países faturou mais €900 milhões, mas está ainda longe do máximo da década (€5,6 mil milhões). A evolução dos novos contratos segue a mesma tendência. A carteira de obras no fim de 2018 estava nos €5,3 mil milhões. Esta década a produção regista uma subida acumulada de €1,6 mil milhões (40%).

A geografia do negócio está em mudança. A novidade de 2018 é que o México ascendeu ao pódio externo (€1,2 mil milhões) puxado pelo desempenho da Mota-Engil, rompendo com a histórica hegemonia de Angola (€1,1 mil milhões). Mas esta glória é efémera. Olhando para os novos contratos é inevitável que Angola regresse à liderança folgada. O continente africano beneficia de uma pedalada mais vigorosa e Angola volta a ser a locomotiva de um pelotão que congrega agentes como Moçambique, Argélia, Malawi e um novo mercado em ascensão — África do Sul (€131 milhões). Com a carteira no México em declínio, o continente americano perde sedução. Mas, Brasil, Peru e Colômbia permanecem como mercados fundamentais. Nas duas geografias, a indústria portuguesa está no top 3 da produção europeia.


Ricardo Pedrosa Gomes, presidente da AECOPS-Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços, acentua o “mérito da indústria portuguesa” em projetos de grande envergadura e defende “o reforço da cooperação entre Estado e empresas, através da cobertura do risco de crédito e na gestão da dívida para impedir que atrasos no pagamento inviabilizem a afirmação no exterior”. O industrial receia que as posições conquistadas na região subsariana de África estejam “sob a ameaça da cobiça de multinacionais”, depois da União Europeia incluir a região na lista dos financiamentos prioritários. As construtoras portuguesas “precisam de mecanismos de apoio idênticos aos dos seus adversários”, avisa Ricardo Pedrosa Gomes.

Na Europa, o mercado polaco é o único que revela vitalidade (€291 milhões), respondendo por 46% da produção em todo o continente. As construtoras lusas revelam dificuldades em singrar em mercados maduros. A produção no exterior equivale a 6% da balança exportadora de bens e serviços. A.F.
 
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por ativo » 12/10/2019 13:43

As contas com Angola não batem certas? É habitual. Naquelas paragens o rigor contabilístico não é o forte. O contrário é que seria motivo de admiração.
Angola foi, desde a sua independência política, saqueada pelos próprios angolanos!!! Não culpem os portugueses por isso! :shame:
 
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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral

por acintra » 12/10/2019 18:12

Infelizmente a TDU tem os maiores investimentos em Angola e na Venezuela e são dois países que não ajudam em nada os resultados.

Já tive varias vezes a TDU em carteira com ganhos e perdas mas agora apesar de estar outra vez na mesma zona de entrada das ultimas duas vezes não o vou fazer. O quadro cada vez está mais negro na minha opinião e esta noticia também não ajuda.
Um abraço e bons negócios.

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Re: Teixeira Duarte - Tópico Geral "uma opinião"

por valeaquilino » 16/10/2019 5:01

Talvez isto faça sentido,... :mrgreen:

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