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A Política: a Grande Porca

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros de uma forma genérica e a todo o tipo de informação útil que possa condicionar o desempenho dos mesmos

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A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 10/3/2016 5:45

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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 10/3/2016 5:46



 
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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 17/3/2016 18:55

 
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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 30/8/2016 21:07

Esta é a história digital dos bastidores da chegada de Passos Coelho ao poder e da queda do Governo na rede. Onde se fala de manipulação de fóruns das rádios e TV´s, de condicionamento de debates e se revela como Relvas tentou evitar o pior em reuniões com blogueres, na Presidência do Conselho de Ministros...

O ponto de partida é a sua tese de mestrado, nota 20, na Universidade de Vigo (Galiza) sobre a importância da comunicação política digital na chegada de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD. Consultor de comunicação, Fernando Moreira de Sá, 40 anos, regionalista ferrenho, foi um dos "voluntários" que, nos bastidores, trabalhou a caminhada política do atual primeiro-ministro na blogosfera e nas redes sociais, estratégia efetuada com recurso a informação privilegiada e campanhas negras contra adversários. Rosto das empresas Comunicatessen e da Callaecia, parceiro da Nextpower (a que estão ligados Rodrigo Moita de Deus, da Comissão Política Nacional do PSD, e João Paixão Martins, filho de Luís Paixão Martins, da LPM), Moreira de Sá vai mais longe e desvenda alguns segredos do caminho que levou Passos Coelho ao Governo... e as razões pelas quais o estado de graça da maioria nunca chegou a existir no Portugal digital.

A comunicação digital foi decisiva, na ascensão de Pedro Passos Coelho?

Em 2009, o PSD era o mais digital dos partidos. Nessa época, os blogues estavam no auge, o Twitter já tinha alguma força e o Facebook engordava. Os principais blogues de política tinham uma audiência média diária de 30 mil pessoas. Blogueres como Carlos Abreu Amorim ou Daniel Oliveira tinham saltado para as televisões e o PS e o PSD começaram a credenciar blogueres para os congressos. Tudo estava maduro para se fazer o que se fez. Nos jantares de blogueres que Passos promoveu na campanha interna, dizia-se que tudo o que viesse acima de 40% a 45% de votos era devido à malta dos blogues. Ele teve 60 por cento.

Afirma, na tese que os blogueres que apoiavam Passos tinham como referência o blogue Corporações, próximo do Governo Sócrates... Porquê?

O Corporações, que só peca pelo anonimato, era o braço armado de Sócrates, na blogosfera.

Tinha acesso a fontes privilegiadas e informações do foro privado dos adversários.

Só podia funcionar dentro do gabinete da Presidência do Conselho de Ministros...

Ligado ao ex-ministro Pedro Silva Pereira?

Toda a gente do meio sabia. Aliás, costumávamos dizer que o Corporações "viajava" com o Sócrates e o Pedro Silva Pereira para a Venezuela porque os posts diminuíam radicalmente nessa altura...

Mas em que medida foi inspirador para a estratégia de Passos Coelho?

Ajudou a derreter Manuela Ferreira Leite, então líder do PSD, e a Presidência da República. Queríamos algo idêntico para a luta interna no PSD.

Quem definiu essa estratégia?

Não posso provar, mas desconfio que o mentor foi Miguel Relvas e tiro-lhe o chapéu. Mas ao contrário do Corporações, não éramos anónimos. O António Nogueira Leite, o Carlos Abreu Amorim, o Rodrigo Saraiva, o João Villalobos, o Fernando Moreira de Sá, etc., assumiam as suas opiniões.

Havia um núcleo duro em Lisboa e outro mais voluntário no Porto?

Sim, mas isso já muito mais próximo das eleições diretas no PSD. O pré-diretas é a criação do blogue Albergue Espanhol.

O braço armado de Passos Coelho na blogosfera...

Braço armado, mas de cabeça descoberta. Pedro Correia, Luís Naves, Francisco Almeida Leite eram jornalistas no ativo. O António Nogueira Leite era administrador de um grande grupo com interesses no Estado e também estava ali a dar a cara. Eu próprio receei perder clientes e ser considerado persona non grata pelo Governo Sócrates. O Rodrigo Saraiva e o João Villalobos, consultores de comunicação, pensaram o mesmo. Mas ao contrário do que diz o Pacheco Pereira, ninguém andou atrás de avenças do Estado. Pelo contrário: até perdi um cliente por causa deste Governo.

Como é que entrou nisto?

Fui convidado para o primeiro jantar de blogueres. O Passos fazia uma coisa sem rede, sem assessores, sem papéis. Respondia a todas as perguntas, inclusive as mais complicadas, vindas do Paulo Guinote, do blogue A Educação do Meu Umbigo ou da Ana Matos Pires, do Jugular, sobre questões fraturantes da esquerda. Eu e outros aderimos, porque acreditávamos. Mas o Pacheco Pereira tem razão numa coisa: fomos o braço armado para, dentro do PSD, e através do digital, desgastar Manuela Ferreira Leite e os adversários do Passos. Até fizemos de bombeiros do Aguiar Branco. Queríamos que ele fosse até ao fim...

Albergue, estratégia digital, projeto político. Como funcionava, no dia-a-dia?

Por exemplo: existia um mail acessível a um grupo fechado, através do qual recebíamos informações, linhas gerais, provenientes de quem estava a preparar o programa do Passos. No início, nem sabíamos quantos éramos. Cada um desenvolvia aquilo, nas redes sociais e na blogosfera, à sua maneira. Utilizávamos isso no Fórum da TSF, no Parlamento Global, da SIC, no Twitter, etc. No último confronto televisivo entre os três candidatos à liderança [Passos, Aguiar Branco e Rangel], condicionámos o debate. Só eu tinha três computadores à minha frente, em casa, além do telemóvel. Antes do debate, já tínhamos tweets preparados para complicar a vida ao Rangel. Nos primeiros minutos, começámos a "tuitar" como se não houvesse amanhã, dizendo que o Rangel estava nervoso e mais fraco do que o esperado. Criou-se um ambiente negativo que se propagou rapidamente. Ao fim de cinco minutos, ríamos até às lágrimas! Até opinion makers repetiam o que dizíamos! E o debate tinha apenas começado...

Como se "vendeu" Passos ao PSD?

Nas diretas, o universo era de 60 mil militantes, muitos deles difíceis de convencer. Mas compraram a ideia de que o Passos era o único capaz de ganhar a Sócrates. A equipa do Sócrates ajudou, sem querer: batiam no Rangel e ignoravam o Passos, que também ia ganhando pontos ao abordar questões fraturantes da esquerda. Num jantar de blogueres, quiseram saber a opinião dele sobre a adoção de crianças por casais homossexuais. "Se os interesses da criança estiverem mais defendidos com um casal homossexual, sou a favor." Ao dizer isso, ele abriu uma janela importante na blogosfera de esquerda. O próprio eleitorado do PSD percebeu que não eram só os "da corda" a defendê-lo: até os adversários o respeitavam. À esquerda convenceram-se de que ele representava a direita tolerante.

Conquistado o PSD, o que seguiu?

As coisas melhoraram. O leque de blogueres foi alargado. Nas diretas, tinha havido um call center, que quase todos os partidos usam, para telefonar aos militantes, em Lisboa. Para as legislativas, foi no Porto. Nessa altura, o Nogueira Leite torna-se muito influente no Facebook e o Carlos Abreu Amorim no Twitter. Havia voluntários a defender as posições do Passos, mas sobretudo a atacar o Governo PS, no Fórum da TSF, na Antena Aberta, da RDP, e nos debates dos canais por cabo. Alargou-se a influência mediática. Os outros partidos também fazem isto. E bem.

O mail "fechado" manteve-se?

Sim. Com mais força e mais filet-mignon informativo.

Quem fazia chegar essas informações?

Não vou dizer. Essa pessoa também não diz quem lhe fazia chegar a ela. Mas não sou parvo: por trás disto tinha de estar Miguel Relvas, um visionário quanto à importância das redes sociais para levar o Passos aonde chegou. Não éramos anjinhos. Sabíamos bem ao que íamos.

Como se trabalhou a campanha contra Sócrates?

A contrainformação era a praia do grupo à volta de Sócrates. Tínhamos nick names para as redes sociais, perfis falsos no Facebook e por aí adiante, mas éramos uns meninos do coro comparados com os tipos dele. Não há virgens nisto: em qualquer campanha eleitoral, existem centenas de perfis falsos, mas perfis com "vida", que incluem fotografias de "família", "clube de futebol", "gostos", etc. O segredo é ir pedindo "amizade" a pessoas da política e alargar os círculos de "amigos". Se deixarmos uma informação sobre o caso Freeport num perfil falso e ele for sendo partilhado, daqui a pouco já estão pessoas reais a fazer daquilo uma coisa do outro mundo.

Os fóruns da rádio e da televisão são facilmente manipuláveis?

Completamente. Se for preciso, provo. Existem equipas só para isso, nos partidos e nas consultoras de comunicação que fazem assessoria política. As juventudes partidárias são uma boa base de recrutamento. Em 2011, o Sócrates foi ao Fórum da TSF. Decidimos entalá-lo e descredibilizar a coisa, exagerando nos elogios. Deu um bruaá enorme. O diretor da TSF teve de explicar-se por causa das críticas dos ouvintes, que consideraram aquilo uma coisa do tipo Deus no céu e Sócrates na terra. Deu-nos um gozo tremendo!

E o jornalismo? Também está mais permeável?

Os jornalistas agem nas redes sociais sem se protegerem, esquecendo que aquilo é também uma ferramenta de trabalho. Mas há outro problema para vocês: quando as redações são vítimas da concentração mediática, da situação económica e de licenciaturas arcaicas na área do digital, é óbvio que, perante este mundo novo e perigosíssimo, o jornalismo está mais manipulável. E Portugal é um caldinho jeitoso para isto: há cerca de cinco milhões de pessoas no Facebook.

O que aconteceu quando o PSD ganhou as legislativas?

Primeiro, acabou o Albergue Espanhol e foi criado o Forte Apache. Sabíamos que o ambiente ia ser hostil, mas nunca imaginámos que fosse tão hostil nas redes sociais. Aí, o estado de graça do primeiro-ministro quase não existiu. Como os blogueres tinham sido muito importantes para a chegada ao poder, chamaram alguns para o Governo e suas imediações. Foi um erro.

Nomes?

Álvaro Santos Pereira, do Desmitos, foi para ministro da Economia; Carlos Sá Carneiro entrou para adjunto do primeiro-ministro; Pedro Correia foi para o gabinete do Relvas; Luís Naves também, mais tarde; João Villalobos para a secretaria de Estado da Cultura; Carlos Abreu Amorim para deputado e vice-presidente do grupo parlamentar; António Figueira, do Cinco Dias, e de esquerda, foi trabalhar com o Relvas; Francisco Almeida Leite para o Instituto Camões; Vasco Campilho foi para algo ligado aos Negócios Estrangeiros; José Aguiar para o AICEP; Pedro Froufe para a comissão de extinção das freguesias; o CDS também recrutou no 31 da Armada. Houve outros. Só em ministros, secretários de Estado e assessores foi uma razia em blogues como o Albergue Espanhol, o 31 da Armada, Delito de Opinião, O Insurgente, o Blasfémias, etc. Apenas o Aventar ficou imune. Ora, quando o Governo começou a levar porrada nas redes sociais, só tinha o Forte Apache para o defender. Às primeiras medidas duras, a página de Passos no Facebook foi invadida por críticas e insultos. Um desastre. No fundo, Passos foi responsável pelo auge da política no digital, mas também pela sua queda.

O "cérebro" Relvas não tentou atenuar danos?

Sim, ainda fui a um encontro de blogueres "da corda", na Presidência do Conselho de Ministros. O ministro ouviu das boas, batemos desalmadamente na estratégia de comunicação do Governo! Dissemos que o primeiro-ministro era bom a dar as más notícias e péssimo a dar as boas. Mas continuava a haver um grupo disponível, ainda que amputado, para adoçar as medidas más, nas redes sociais e nos blogues, desde que a informação fosse enviada com antecedência. Com o Relvas, ainda foi chegando alguma coisa, às vezes 24 horas antes, mas depois nunca mais isso foi feito. Com a saída dele, a estratégia, que já era má, desmoronou-se. Depois, fomos sabendo que a gestão interna da informação dentro do Governo também não era fácil.

Porquê?

Não se pode ter uma estratégia de comunicação do gabinete do primeiro-ministro, outra da Presidência do Conselho de Ministros e outra ainda do gabinete de Portas, que é o oposto das duas. Não se podem ter responsáveis de comunicação de cada área em guerra. Não funciona, como está à vista. Para cúmulo, o primeiro-ministro parece imbuído de uma missão especial qualquer e diz "que se lixem as eleições".

Passos descuidou a estratégia de comunicação?

A estratégia de comunicação não existe. Enquanto lá esteve, Relvas ainda foi o bombeiro, mas quando vi os briefings ia morrendo. Pacheco Pereira diz que as grandes consultoras de comunicação estão no Governo. A Cunha Vaz e a LPM estão onde?! Estão em empresas públicas? Ah! Isso é outra coisa. Se estivessem no Governo, notava-se.

A imagem do Governo ainda é recuperável?

É muito difícil, mas com este PS, ainda acredito. Mas era preciso e ele que me desculpe fazer uma lavagem ao cérebro do primeiro-ministro sobre a estratégia de comunicação. Nisso, o CDS é muito melhor.

http://visao.sapo.pt/actualidade/portug ... 20=f758352
 
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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 3/11/2016 23:17

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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 12/6/2017 0:22

A notícia surgiu há pouco mais de uma semana, inesperada mas no fundo sem surpresa: António Mexia, João Manso Neto (respectivamente, presidente e administrador da EDP), Pedro Furtado e João Conceição, (respectivamente, director e administrador executivo da REN), foram constituídos arguidos por suspeitas de corrupção na negociação – durante o governo do ex-primeiro-ministro sob investigação por corrupção, fuga fiscal e branqueamento de capitais José Sócrates – das rendas que o Estado garante à EDP, envolvendo também o patrocínio que a dita empresa deu ao curso que albergou o ex-funcionário do BES tornado ex-ministro Manuel Pinho (que terá feito essa negociação) na Universidade de Columbia.

Mexia e os restantes envolvidos já vieram afirmar a sua inocência. Obviamente, todas estas pessoas são inocentes até prova em contrário e o facto de existirem suspeitas sobre elas não significa que essas suspeitas correspondam à realidade. Mas não é menos óbvio notar que a veracidade daquilo de que se suspeita parece, aos olhos de qualquer pessoa que conheça minimamente este país, bastante plausível. Quanto mais não seja porque os detalhes da coisa espelham fielmente o carácter da coital relação de dependência mútua entre “a política” e “os negócios”.

Ao contrário do que muitas vezes se argumenta “à esquerda”, o “poder político” não está “dominado” pelo “poder económico”; e ao contrário do que “à direita” assegura, o “poder económico” não está “controlado” pelo “poder político”; na realidade, ambos oferecem algo ao outro, aliviando as respectivas comichões, numa relação simbiótica como a da zebra e da búfaga. Por exemplo, o Estado atribui a uma determinada empresa um monopólio (ou perto disso) num determinado sector de actividade e, em troca, essa empresa oferece ao governo que lhe fez esse favor amplas oportunidades de realizar cerimónias propagandísticas, seja em inaugurações de infraestruturas ou em proclamações de um enorme “sucesso” na “defesa” dos “centros de decisões nacionais”.

Com um bocadinho de sorte, um qualquer político acaba por receber uma confortável aposentação nos quadros de uma qualquer empresa, ou outra qualquer benesse que esta lhe possa facultar. Tudo coisas que que acabam por ser avultadamente pagas pelo português comum, que de tais negócios só vê o peso que estes lhe tiram da carteira.

Esta evidência, que todos os partidos repetidamente lamentam, só é possível graças a algo que nenhum deles quer mudar: como em Portugal não há nada que não passe de uma forma ou de outra pela decisão arbitrária do Estado e dos partidos que o vão ocupando, o “mercado” que “decide” quem ganha o quê não é o da livre interacção e preferências individuais, mas o da influência política e da troca de favores. Quem tenha o número de telemóvel do ministro certo ou um “amigo” bem colocado na empresa conveniente terá o que quer. Os restantes pagam – em impostos ou preços artificialmente elevados – o preço da fortuna dos bem relacionados.

Em Portugal, a corrupção não é um acto ou dois que este ou aquele político ou gestor cometeu ou deixou de cometer. Em Portugal, a corrupção é o sistema sob o qual todos vivemos.

http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noti ... com-170834
 
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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 15/6/2017 0:49

 
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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 13/7/2017 2:18

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Re: A Política: a Grande Porca

por Àlvaro » 13/7/2017 7:29

Hoje António Barreto dá uma entrevista ao "Observador". Na última entrevista que deu ao "CM" considerou que este Governo tem uma pesadíssima herança deixada por Sócrates e que esse problema é grave. Na verdade isso nota-se a cada dia que passa, ele continua a andar por aí e está bem presente neste Governo. A insinuação infantil visando o Ministério Público feito por Nuno Santos (o tal que dizia não querer pagar a dívida) quando diz no Parlamento que também ele recebe prendas é a prova vivíssima de que a mão do mestre continua a estar por detrás do arbusto. Valha-nos Maria José Morgado e os juízes do Ministério Público. Enquanto não meterem os meliantes atrás das grades este País não terá futuro. E valha-nos Marcelo que muitos ainda não perceberam que também ele está entre os tentáculos de um enorme polvo cuja cabeça deverá ser maior que a da lula do lado de lá do Atlântico. Os Brasileiros já conseguiram metê-lo na grelha, por cá andam todos em amenas cavaqueiras. Até ver. :wall:

Reparem o que aconteceu na Bolsa brasileira quando se soube que Lula foi condenado a 9 anos e meio. Será por acaso? Não, não foi por acaso, não há País que resista à corrupção generalizada.
 
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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 4/9/2017 23:55

 
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Re: A Política: a Grande Porca

por Rango » 5/9/2017 0:22

Governo PSD/CDS vendeu diamantes a angola a preço de saldo a 4 dias de cair

O Estado português perdeu mais de 30 milhões de euros no processo de venda de três minas de diamantes angolanas que foi concretizado quatro dias antes de o governo do PSD/CDS ser derrubado pela “geringonça” de esquerda.

O governo de Passos Coelho, através da Sociedade Portuguesa de Empreendimentos (SPE), sob tutela do Ministério das Finanças, negociou com a Empresa Nacional de Diamantes de Angola (ENDIAMA) a venda da participação do Estado português em três minas de diamantes angolanas quando já se sabia da probabilidade de o seu Executivo cair no Parlamento.

O Correio da Manhã revela que o negócio ficou acordado a 6 de Novembro de 2015, ou seja, uma semana após a tomada de posse e quatro dias antes de ter sido deposto pela “geringonça” de esquerda.

A ENDIAMA adquiriu à SPE 49% da Sociedade Mineira do Lucapa, 24% da mina de Calonga e 4,9% da mina do Camutué “por 130 milhões de dólares (121 milhões de euros)”, afiança o mesmo jornal que nota que o negócio lesou o Estado português em, pelo menos, 30 milhões de euros.

O CM atesta que “só a mina do Lucapa foi avaliada, por um banco nacional, em 150 milhões de euros“.

A Parpública, que detém a SPE, refere ao jornal que o acordo foi alcançado “na sequência de negociações desenvolvidas sob orientação do governo“.
O negócio pôs fim ao diferendo que opunha a SPE e a ENDIAMA, no âmbito da SML-Sociedade Mineira do Lucapa, e que se arrastava desde 2011

http://www.lusopt.pt/portugal/3787-gove ... s-de-cair#
 
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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 6/9/2017 0:45

 
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Re: A Política: a Grande Porca

por Rango » 6/9/2017 12:33

Dinheiro encontrado em malas no ‘bunker’ de Geddel Vieira soma 51 milhões de reais

PF demorou até meia-noite para contabilizar dinheiro que lotou porta-malas de camionetes

Imagem

A Polícia Federal demorou quase até a meia-noite desta terça-feira para contar as milhares de e notas de reais e dólares encontradas em um suposto bunker onde o ex-ministro Geddel Vieira Lima  (PMDB) armazenaria recursos ilícitos, em Salvador, na Bahia. E a contagem final somou a espantosa quantidade de 51.030.866,40 reais, segundo o balanço definitivo da PF, que precisou de sete máquinas para contar os milhares de notas. Além de reais, nessa quantidade também se contabilizaram dólares, 2,688 milhões (8,387 milhões de reais).

O dinheiro foi encontrado durante uma operação da PF deflagrada na manhã desta terça-feira que apreendeu milhares de reais em espécie. As imagens divulgadas pela assessoria da PF são impressionantes: foram recolhidas ao menos nove malas e sete caixas de papelão lotadas de notas de 100 e 50 reais. A montanha de dinheiro encheu ao menos dois porta-malas de camionetes usadas no cumprimento do mandado judicial.

Os policiais chegaram ao local onde o dinheiro estava armazenado após uma denúncia de que o ex-ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer estaria escondendo documentos relacionados a uma das investigações da qual é alvo. Na prática, os policiais conseguiram muito mais do que esperavam. O imóvel onde estava a montanha de dinheiro não era do peemedebista, mas estava cedido a ele. Oficialmente, ele informava ao proprietário do local que guardaria documentos de seu finado pai, Afrísio Vieira Lima, no apartamento.

Batizada de Tesouro Perdido, a operação desta terça-feira é uma continuação da Operação Cui Bono,  que havia resultado na prisão de Geddel em julho. O cumprimento do mandado ocorre um dia depois que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, admitiu que a delação da JBS pode ser anulada porque três dos delatores teriam omitido informações aos investigadores. A PF não detalhou como chegou ao local e nem qual a origem do dinheiro.

Geddel era um dos principais assessores do presidente Michel Temer (PMDB), com forte influência no Congresso Nacional é apontado por delatores da Lava Jato como um dos receptores de propinas. Ele ficou dez dias preso e atualmente cumpre prisão domiciliar em Salvador.

No caso atual, ele é investigado por receber 20 milhões de reais em propina para empréstimos da Caixa Econômica Federal ou de liberar créditos do FI-FGTS em conluio com o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com o doleiro Lúcio Funaro e com o ex-dirigente do banco Fábio Cleto. Na ocasião do suposto recebimento de propina, Geddel era vice-presidente de de Pessoa Jurídica da Caixa. Entre os anos de 2011 e 2013, ele ocupou o cargo por indicação do PMDB, durante o Governo de Dilma Rousseff (PT). O peemedebista também foi ministro da Integração Nacional na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Considerado um dos articuladores do impeachment de Dilma, a carreira de Geddel começou a ruir após Marcelo Calero, então ministro da Cultura de Temer, denunciar que seu colega de esplanada tentou interferir ilegalmente em um processo de tombamento de imóvel que poderia beneficiá-lo. Geddel acabou pedindo exoneração do Governo, perdeu o foro privilegiado e, devido à série de investigações, passou a ser alvo mais fácil do Judiciário. Procurado, seus advogados não foram encontrados até a publicação desta reportagem.

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/0 ... rsoc=FB_CC
 
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Re: A Política: a Grande Porca

por BearManBull » 28/9/2017 22:18

Uma grande perda para a engorda!
Lá vem o polvo aumentar a burocracia para estrangular mais a economia real...


Países da UE perderam 152 mil milhões de euros de IVA em 2015

Portugal reduziu a percentagem de desvio de IVA de 13,2%, em 2014, para 11,5% em 2015. Em termos absolutos este desvio ascende a 1.989 milhões de euros, contra 2.323 milhões um ano antes, de acordo com um estudo da Comissão Europeia.


Estudo da Comissão Europeia revela que embora a cobrança das receitas do IVA mostre alguns sinais de melhoria, os montantes não cobrados continuam “inaceitavelmente elevados”. Conclusões de desvio de imposto apontam, segundo Bruxelas, para “urgente” necessidade de reforma do IVA. Em Portugal o desvio de IVA foi de quase dois mil milhões de euros.

Em 2015, os países da UE perderam um total estimado em 152 mil milhões de euros de receitas do imposto sobre o valor acrescentado (IVA), de acordo com um novo estudo da Comissão Europeia.

Em comunicado, a Comissão Europeia salienta que o “desvio do IVA”, que é a diferença entre as receitas de IVA esperadas e o montante efetivamente cobrado, vem mais uma vez demonstrar a necessidade de reformas “profundas” para os Estados-membros poderem beneficiar plenamente das receitas do IVA para os seus orçamentos.

“Embora a cobrança das receitas do IVA mostre alguns sinais de melhoria, os montantes não cobrados continuam inaceitavelmente elevados”, frisa Bruxelas, recordando que o relatório surge pouco antes das propostas da Comissão no sentido de uma reforma do sistema do IVA.

Para Pierre Moscovici, Comissário responsável pela pasta Assuntos Económicos e Financeiros, Fiscalidade e União Aduaneira, os Estados-membros “não devem aceitar estas chocantes perdas em receitas do IVA” , considerando que embora a Comissão tenha vindo a apoiar os esforços no sentido de melhorar a cobrança em toda a UE, as normas do IVA atualmente em vigor datam de 1993 e estão desatualizadas.

“Vamos propor em breve uma reforma das regras que regem o IVA nas vendas transfronteiriças, a qual contribuirá para reduzir em 80% a fraude transfronteiras em matéria de IVA e recuperar esse dinheiro, tão necessário para os cofres estatais”, acrescenta Moscovici. Em causa estão cerca de 40 mil milhões de euros de redução de fraude que o novo sistema permitirá.

A Comissão espera igualmente que os Estados-membros cheguem rapidamente a acordo sobre as novas regras para melhorar a aplicação do IVA ao comércio eletrónico, propostas em 2016. Como acontece com todas as iniciativas no domínio da fiscalidade, será necessário um acordo unânime entre os Estados-membros para que as alterações propostas possam entrar em vigor.

Portugal com desvio de dois mil milhões de euros

Neste estudo, Portugal reduziu a percentagem de desvio de IVA de 13,2%, em 2014, para 11,5% em 2015. Em termos absolutos este desvio ascende a 1.989 milhões de euros, contra 2.323 milhões um ano antes.

Embora os valores médios na UE estejam a melhorar, a eficácia da cobrança do IVA varia significativamente entre os Estados-membros. Os maiores desvios do IVA foram registados na Roménia (37,2%), na Eslováquia (29,4 %) e na Grécia (28,3%). Os mais reduzidos tiveram lugar em Espanha (3,5%) e na Croácia (3,9%). Em termos absolutos, o maior desvio, no valor de 35 mil milhões de euros, ocorreu em Itália. Os desvios do IVA diminuíram na maior parte dos Estados-membros, com as melhorias mais marcantes em Malta, na Roménia e em Espanha. Já apenas sete Estados-membros registaram pequenas melhorias: Bélgica, Dinamarca, Irlanda, Grécia, Luxemburgo, Finlândia e Reino Unido.

Em outubro, a Comissão Europeia apresentará propostas para a maior atualização das regras em matéria de IVA dos últimos 25 anos na UE. O objetivo é facilitar o combate à fraude no IVA e assegurar uma cobrança mais eficiente deste imposto. Bruxelas recorda aqui a existência de informações recentes, veiculadas pelos meios de comunicação social, que associam a fraude em grande escala no IVA à criminalidade organizada, incluindo o terrorismo. “Os Estados-membros só conseguirão encontrar soluções para este problema se trabalharem em conjunto”, alerta a Comissão Europeia.

Embora os Estados-membros já tenham atuado para reduzir os desvios do IVA, a modernização do regime do IVA e a sua adaptação aos desafios colocados pela fraude em grande escala será a melhor forma de garantir o futuro do mercado único. A reforma do atual regime de IVA deverá também contribuir para o desenvolvimento do mercado único digital e complementará a agenda fixada pela Comissão para alcançar um sistema de tributação mais eficaz e justo na UE.

O estudo sobre os desvios do IVA é financiado pela Comissão. Os desvios do IVA medidos no estudo incluem pela primeira vez as receitas decorrentes das novas regras em sede de IVA para as vendas transfronteiras de serviços eletrónicos, que entraram em vigor em 1 de janeiro de 2015 na sequência de uma proposta da Comissão.

A Comissão adotou em abril de 2016 o Plano de ação sobre o IVA – Rumo a um espaço único do IVA na UE, que estabelece ações imediatas e urgentes para combater os desvios do IVA, bem como soluções estratégicas a longo prazo para pôr termo à fraude e melhorar a cobrança do IVA em toda a UE.



http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noti ... 015-214166
“It is not the strongest of the species that survives, nor the most intelligent, but rather the one most adaptable to change.”
― Leon C. Megginson
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Re: A Política: a Grande Porca

por lfhm » 29/9/2017 15:48

Ora democracia que se preze esbanja dinheiro, nem que seja uns miseros 50.000 euros en urnas de plastico chinesas, afinal só sao 5 anos de salario minimo.


La Generalitat presenta contenedores de plástico como urnas para el 1 de octubre

La Generalitat de Cataluña ha enseñado este viernes por sorpresa las urnas que se usarán en la consulta del referéndum del 1 de octubre, una especie de contenedores de plástico blanco traslúcido con tapa negra y el logo de la Generalitat.

La empresa china Smart Dragon Ballot Expert, situada en Guangzhou, al sur del país, fabrica urnas iguales a la mostrada por la Generalitat. Según Sally Liang, comercial de esta compañía china, la empresa ha enviado recientemente 10.000 urnas a Francia, pero no a España. La compañía ha hecho urnas desde 2008 sobre todo para países asiáticos y africanos: Papua, Australia, Chad, Ghana, Níger o Nigeria. El único país europeo para el que ha trabajado es Lituania.

Smart Dragon vende sus productos a través de la web de comercio online Alibaba. Para unas recientes elecciones, la empresa vendía estas urnas a un precio entre cuatro y cinco euros por unidad, dependiendo de la cantidad comprada. La empresa fue fundada en 2002, tiene unos ingresos anuales de más de 100 millones de dólares (84 millones de euros) y entre 100 y 200 empleados, según su perfil en Alibaba.

La urna que ha mostrado la Generalitat no es totalmente transparente como las tradicionales. El recipiente ha sido presentado al público al final de la rueda de prensa del Govern en el International Press and Broadcasting Center, habilitado en Barcelona para el 1 de octubre, suspendido por el Tribunal Constitucional. Dos personas la han sacado de detrás del escenario. "Si alguien intenta impedir que haya una mesa, los ciudadanos igualmente podrán votar", ha reiterado en varias ocasiones el vicepresidente del Govern, Oriol Junqueras. Al término de su comparecencia, Junqueras, el conseller de la Presidencia, Jordi Turull, y el conseller de Asuntos Exteriores, Raül Romeva, han posado para los fotógrafos junto a la urna, que tenía sujetas unas bridas rojas para precintarla.

El decreto de normas complementarias para la realización del referéndum que la Generalitat publicó en su diario oficial el pasado 7 de septiembre no señalaba que la urna tuviera que ser transparente. “El día de la votación cada mesa electoral dispondrá de una urna de un material resistente con una tapa que incluirá una ranura en el centro por donde se introducirán los votos. La tapa cerrará completamente la urna, que deberá precintarse antes del inicio de la votación una vez se haya verificado por parte de los miembros de la mesa y los interventores acreditados presentes que no existe ningún voto en su interior”, decía la citada disposición.



https://elpais.com/ccaa/2017/09/29/cata ... 60655.html
 
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Re: A Política: a Grande Porca

por lfhm » 17/10/2017 11:12

Gastos dos gabinetes governamentais vão ficar acima dos da era Sócrates

O Governo explica este aumento dos orçamentos dos gabinetes no próximo ano com o facto de terem sido criadas duas novas secretarias de Estado: a da Habitação (com um orçamento previsto de 800 mil euros) e a das Finanças (980 mil).



Os orçamentos previstos para os gastos dos gabinetes dos 61 membros do Governo de António Costa devem atingir os 63,1 milhões de euros no próximo ano, de acordo com os cálculos do ‘Jornal de Notícias’. O valor representa um acréscimo de 2,9% em relação à despesa prevista para este ano e fica acima dos 62,4 milhões de euros de valor de encargos previsto no último ano de governo de José Sócrates.

O Governo explica este aumento dos orçamentos dos gabinetes no próximo ano com o facto de terem sido criadas duas novas secretarias de Estado: a da Habitação (com um orçamento previsto de 800 mil euros) e a das Finanças (980 mil). Se tivermos em conta a média de orçamento destinado a cada gabinete governamental, os 63,1 milhões de euros previstos representam uma redução de 4,5 euros face a 2016, ano em que o governo tinha 59 membros. Cada um dos 61 gabinetes deve receber, em média, um encargo de 1.034.400 euros.

O valor abrange despesas com pessoal (salários), despesas de representação, ajudas de custo, suplementos e prémios, abonos, subsídios de refeição, férias e Natal e contribuições para a Segurança Social ou a Caixa Geral de Aposentações. Além disso, há também as despesas com telemóveis, combustíveis, viagens e alojamento.

O primeiro-ministro, António Costa, continua a ser o governante com o orçamento mais elevado (3,1 milhões), sendo que o seu gabinete manteve o valor do orçamento do ano passado. Seguem-se os ministros da Defesa e da Economia (ambos com 1,9 milhões) e o da Ciência e dos Negócios Estrangeiros (ambos com 1,6).

O valor dos encargos previstos para o próximo ano situa-se já acima dos de 2011 e bem acima dos quatro anos de mandato do social-democrata Pedro Passos Coelho. No primeiro ano de mandato do ainda líder do PSD, a média dos encargos foi de 981 mil euros por gabinete. Também José Sócrates, no seu último ano de mandato, gastou menos do que António Costa. Ainda assim, a fatia orçamental destinada aos gabinetes para o próximo ano fica abaixo dos 67,3 milhões orçamentados em 2010 por José Sócrates, antes do auge da crise financeira.
 
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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 25/10/2017 17:57

 
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Re: A Política: a Grande Porca

por JohnyRobaz » 26/10/2017 9:22

Ocioso Escreveu:


É um escândalo... :evil:
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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 20/10/2018 3:27

 
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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 12/11/2018 1:00

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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 2/2/2019 2:32

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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 2/2/2019 18:31

12.02.2010
http://visao.sapo.pt/actualidade/portug ... el=f547869
Armando Vara começou por bradar contra a "duvidosa moralidade" de alguns políticos. Na altura guiava um FIAT 600 e vivia em Bragança. Esta é a história da queda de um influente homem do "aparelho" do PS

Imagine-se, o leitor, no início do ano de 1985. Por alguma razão está em Bragança e folheia a Voz do Nordeste, jornal regional que acaba de chegar aos quiosques.

Como tem tempo, pára para ler a coluna do jovem cronista, e proprietário, Armando Vara, recente trintão.

A dada altura, quando o País inteiro se queixava do marasmo do Bloco Central, do desemprego, dos políticos, era isto que leria: "O negocismo instalado, a noção de proveito pessoal que alguns têm da política tem a ver com a ausência de ideologia que em nome de uma prática de duvidosa moralidade parece começar a fazer escola." A ironia quase nunca está ausente da biografia política. Camilo Castelo Branco pôs Calisto Elói (de Silos e Benevides de Barbuda) a denunciar a corrupção moral em Portugal, no planalto transmontano, e depois teve a maldade de lhe mostrar Lisboa, para, no fim, se poder rir dele. Quem fez o mesmo a Armando António Martins Vara? Foi pelo seu próprio "pulso", concordam amigos e críticos, que construiu o trajecto que começou em 1954, em Lagarelhos, Vilar de Ossos, concelho de Vinhais, Bragança. E que o trouxe aqui, ao centro das suspeitas de tráfico de influências, no caso Face Oculta, de que é o arguido de nome mais sonante.

A vida pública de Armando Vara, essa, oscilou sempre entre a ribalta das interrogações sobre a lisura dos seus processos e a tranquilidade, discreta, do "proveito pessoal", para usar as suas palavras.

Mas nem sempre foi assim. Na década de oitenta, Vara esteve imparável. E ninguém lhe apontou o dedo. Estava na Juventude Socialista desde o início, em 1974, e descontando uma pequena dissidência, quando apoiou Otelo Saraiva de Carvalho contra Ramalho Eanes, nas presidenciais de 1976, fazia o seu caminho.

Trabalhando (começou num pronto-a-vestir, ainda no marcelismo, chamado Teté Rodrigues, em Bragança), estudando (Filosofia, em Coimbra, que nunca concluiu) e intervindo naquele meio pequeno e conservador, através da RDP-Nordeste, com um programa sugestivamente chamado Quando a Cultura For Pão. Conduz um Fiat 600 e segue o seu caminho.

A primeira vez que se cruza com a Caixa Geral de Depósitos (CGD) não faz manchetes de jornal.

Ganha um concurso para funcionário de nível 7. Trabalha atrás do balcão da dependência de Mogadouro. Mas, com 29 anos, a sua actividade política já o levara às listas do PS. Seis meses depois de entrar na Caixa, é requisitado para substituir um deputado no Parlamento, em São Bento.

Entre 1983 e 2001 foi lá que viveu.

O 'GRANDE LÍDER LOCAL'
O distrito de Bragança mantém-se, apesar da distância, como a sua ligação umbilical à alta política de Lisboa. É lá que constrói a sua influência. Funda o jornal, candidata-se e ganha a distrital do PS, mantém os amigos velhos e faz novos, não importa de que cor partidária.

Quando dez das 12 câmaras municipais do distrito já são socialistas, a contraciclo com o País, que vai ficando cada vez mais laranja, em meados dos anos 80, já era altura de alguém elogiar publicamente o trabalho de Armando Vara. É Mário Soares, em 1986, numa entrevista ao jornal Tempo, que o faz: "É um grande líder local", garante o futuro Presidente da República.

O elogio circunscreve, demasiado, o raio de acção de Vara. Ele já não se contenta em ser um líder local. Empenha-se na candidatura, falhada, de Jaime Gama à liderança do PS. E galga etapas, na Fundação José Fontana, ligada aos socialistas, que edita a revista Finisterra. É aí que conhece Maldonado Gonelha, ex-ministro da Saúde de Soares, que reencontrará na administração da Caixa, décadas mais tarde.

É, também, nessa altura que estreita laços com um outro jovem (três anos mais novo), também nascido em Trás-os-Montes.

Juntos, José Sócrates e Armando Vara subscrevem um projecto de lei que permite a divulgação de sondagens, durante o período das campanhas eleitorais. Ficam amigos, desde então. A ponto de se tornarem uma dupla política de peso, quando António Guterres começou a trabalhar para apear Jorge Sampaio da liderança do partido.

Armando Vara ganha, assim, o gosto pela política de aparelho. Afinal, dominar as estruturas do partido tinha-lhe permitido chegar até ali. E esse talento para organizar, disputar influência, contar "espingardas ", era-lhe tão natural como a outros discursar para plateias enlevadas. Naturalmente, concentrou-se no que sabia fazer melhor. E desistiu da via que iniciara com as crónicas e os programas de rádio. A sua tarefa era vencer, não convencer.

Como lembra Manuel Meirinho Martins, professor de Ciência Política no ISCSP, "a política não é só feita de ideias e estratégias". Há, também, outras tarefas necessárias, como a gestão das máquinas partidárias. Desde que os partidos existem, prossegue Meirinho, há quem se ocupe de gerir as "redes clientelares", essenciais à manutenção do poder. E o termo "não é necessariamente pejorativo": há redes clientelares legítimas, que se organizam em torno de interesses claros e não ameaçam nem a lei nem a ética. Armando Vara tem o mesmo perfil, e o mesmo percurso, desses "bons gestores".

E a lógica do PS, de "fechamento sobre si próprio", favorece, segundo Tiago Fernandes, professor de Ciência Política na Universidade norte-americana de Notre Dame, a emergência do aparelhismo. Todos os partidos são "aparelhos", é certo.

Mas há razões históricas que acentuam a visibilidade das figuras de segundo plano.

"O PS perdeu ideologia e os governos Sócrates são a consagração dessa vertente tecnocrática", conclui Tiago Fernandes, dando razão à preocupação do jovem Armando Vara. Os dois investigadores coincidem num ponto: esta está longe de ser "uma especificidade portuguesa".

O MINISTRO IMPRESCINDÍVEL
Tal como a Sócrates, a vida pública absorve Vara. Mas, juntos, tentarão, com pouco êxito, um empreendimento privado. Em 1990, associam-se a Rui Vieira, Sobral de Sousa (arguido, com António Preto, do PSD, no caso da "mala") e a Simões Costa, numa empresa de distribuição de combustíveis, a Sovenco. Todos são socialistas, mas Sócrates e Vara abandonarão a sociedade passado pouco mais de um ano, sem terem feito "um negócio que fosse", garante Simões Costa ao jornal I. Guterres chama-os para a sua campanha interna.

Em Fevereiro de 1992, Guterres derrota Sampaio. Vara e Sócrates integram o círculo próximo do novo líder. Quando o cavaquismo acaba (Armando Vara foi um dos que buzinaram na Ponte 25 de Abril, com o seu filho mais novo, ainda pequeno, no banco de trás), e Guterres passa a chefiar o Governo, Sócrates e Vara são chamados para o Governo. O primeiro será secretário de Estado do Ambiente, o segundo secretário de Estado da Administração Interna.

E aqui acaba a progressão pacífica.


Vara começa a tornar-se conhecido pelas razões erradas. Em Abril de 1998, vai a Garvão, concelho de Ourique, uma zona afectada por temporais, no Inverno anterior, para se reunir com o autarca do PSD José Raul dos Santos. Quando chega, vê que foram convocados jornalistas. "O que é que eles estão a fazer aqui?", pergunta aos assessores. É então que diz, para Raul dos Santos: "Eu quero que você se f..." e chega a ameaçar com uma inspecção.

Sentindo-se insultado, Raul dos Santos recorre aos tribunais. O julgamento só se fará em 2001 (espécie de ano horrível de Vara...). No tribunal, João Nabais, seu advogado justifica a frase: "Não é elegante, mas não confere nenhuma ilustração especial. Equivale a dizer 'eu quero que você se lixe, vá dar uma volta'" Armando Vara é condenado a pagar uma indemnização de 2 125 euros. É, até agora, a única condenação que tem.

Pior que isso era o que estava a acontecer, desde o início de Dezembro de 2000.

Vara tinha sido promovido a ministro-adjunto de Guterres, com a tutela do Desporto (e do Euro 2004). Mas uma notícia do Expresso revelou um escândalo que ditaria a sua demissão. Vara ajudara a criar a Fundação para a Prevenção e Segurança, um organismo que duplicava as estruturas já existentes no Estado para combater a sinistralidade rodoviária. "Coisas daquelas foram criadas às centenas pelo País todo", disse, na altura, para se justificar. Mas agora era ele, Armando Vara, que enchia colunas de opinião nos jornais, que lhe atribuíam, precisamente, os mesmos defeitos que ele criticava nos outros, quando escrevia n'A Voz do Nordeste.

Uma comissão parlamentar de inquérito e uma investigação do Ministério Público ilibaram-no de qualquer responsabilidade criminal. Mas Guterres acabou por deixar cair o seu homem de confiança.

Foi numa quinta-feira atarefada para o primeiro-ministro. Em São Bento, num debate mensal, Durão Barroso, líder do PSD, apresenta documentos novos sobre a Fundação que deixam Guterres sem resposta.

Os assessores de Jorge Sampaio, com quem Guterres se reuniria de seguida, informam o Presidente do clima vivido no Parlamento. À saída do encontro, o primeiro-ministro diz que aceitou o pedido de demissão de Vara. Este ficou convencido de que fora Sampaio a exigir a sua demissão.

Fontes próximas do ex-Presidente garantem que não terá sido assim.

"Nunca mais agirei na minha vida com a inocência e com a ingenuidade com que agi. Percebo hoje bem aquela velha expressão que diz que 'à mulher de César não basta ser séria: é preciso parecê-lo'", assume Vara, numa entrevista a O Diabo, em Março de 2001. Na mesma entrevista, contradiz-se: "Em qualquer situação, um cidadão presume-se inocente até que um tribunal o considere culpado. Não percebo porque é que na política se deve inverter o ónus."

O EMPRESÁRIO DOS 'CONTACTOS'
Caído em desgraça? Nem por sombras....

Guterres confia-lhe a coordenação autárquica do partido (para as eleições de Dezembro de 2001). Aproximava-se um novo desastre político.

Para piorar, Vara reingressa na Caixa, passados 18 anos sobre os escassos seis meses em que lá trabalhara, em 1983. E é-lhe oferecido o cargo de director-adjunto do Departamento de Obras e Património.

"Salto à vara", foi um dos trocadilhos que passou a segui-lo. E para piorar ainda mais, o seu nome é falado como estando prestes a integrar a SAD do Benfica, o que leva o caso do político socialista demitido por uma acção suspeita a encher páginas de jornais desportivos.

Regressa a Bragança para um jantar de "desagravo" e confessa: "Sei hoje que as pessoas da minha terra continuam a gostar de mim e não têm vergonha de estar comigo." Outros teriam vergonha? Guterres não. Ouve-o dizer, publicamente, que não se importa de candidatar Daniel Campelo, o deputado limiano do CDS, pelo PS. Ouve-o dizer que Fátima Felgueiras "está convencida da sua inocência e eu também estou". Ouve-o assumir (ao Expresso) que "o PS está instalado no poder, os principais quadros do partido estão nas autarquias, no Governo, no Estado, nos organismos públicos". E ouve-o prever, com assinalável prazer da tal ironia histórica, que, caso o PS perdesse Lisboa, Coimbra e Setúbal, nas autárquicas, "provavelmente haveria uma agitação no PS a seguir às eleições".

Houve agitação, e não foi pouca. Guterres demitiu-se, falando de pântano. E os miasmas chegaram a Armando Vara.

Submergir era, na altura, um hábito que começava a ganhar. Tira uma pós-graduação no ISCTE e, um ano depois, acaba a licenciatura em Relações Internacionais, na Universidade Independente. Curiosidade: fá-lo apenas três dias antes de assumir um novo, e destacado, papel na Caixa. É agora, administrador com os pelouros do crédito, das participações financeiras do banco (EDP, PT, ZON, BCP e Cimpor), pela mão de Carlos Santos Ferreira, compadre de Guterres.. "Tenho 22 anos de CGD. Há quatro anos regressei. Não vejo onde isso possa ser politização", diz. Mas ninguém acredita que, naquela ascensão de administrativo a administrador não houvesse uma mão política. José Sócrates é o primeiro-ministro. E todos os partidos têm o hábito de "premiar" os seus com cargos apetecíveis (quem não se recordava da nomeação de Celeste Cardona, também ela para a Caixa?).

Quando, em Dezembro de 2007, se muda, com Carlos Santos Ferreira, da Caixa para o maior banco privado português, o BCP, conta com o apoio de accionistas importantes do banco, como Joe Berardo, António Mexia (EDP), Manuel Fino (Cimpor), a Sonangol e a Teixeira Duarte. Obtém 90% dos votos.

Todos sabem que Armando Vara é um homem competente e determinado.

Que é rápido a decidir. Que gosta do "imperativo de acção", como lhe chama.

Que detesta os snobs da política.

Que nutre um público "desprezo" por intelectuais e nomes de família. Que o seu lema é: "Há os que perdem muito tempo a pensar, eu faço." Não se lhe conhecem gostos luxuosos.

Quase não bebe vinho. Mobilou o seu apartamento em Telheiras, no IKEA. É discreto.

E tem, como lembrou o economista João Duque, uma agenda recheada de contactos preciosos que costumam atender-lhe o telemóvel.
 
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Re: A Política: a Grande Porca

por BearManBull » 6/2/2019 10:07

Tudo por um voto.

https://observador.pt/2019/02/04/as-sel ... o-jamaica/

https://www.dw.com/pt-002/portugal-jove ... a-47175615

suspeito de arremessar pedras contra a polícia num incidente
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― Leon C. Megginson
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Re: A Política: a Grande Porca

por Ocioso » 29/3/2019 12:47

 
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