Ideias soltas

Colecção de Artigos Didácticos do Caldeirão de Bolsa.

Ideias soltas

por Ulisses Pereira » 30/5/2011 15:55

Gosto de escrever artigos com um princípio, um meio e um fim. Gosto de introduções e gosto muito de conclusões.

Mas hoje o artigo é diferente. Deixarei aqui algumas ideias soltas sobre os mercados e sobre os investidores. Estão longe de serem consensuais mas reflectem a minha ideia sobre o "trading":

As acções só estão baratas se subirem depois de as comprarmos.

Um bom "timing" numa compra de uma má acção quase sempre dá melhores resultados do que um mau "timing" na compra de uma óptima acção.

Negociar é simples, mas está longe de ser fácil.

Temos que parar de procurar explicações lógicas para o movimento dos mercados. A maior parte das vezes, mais do que a lógica, ele é movido pelas emoções e percepções.

O "trading" pode ser viciante e isso, frequentemente, cega-nos e faz-nos fazer negócios sem que haja reais razões para tal.

Quando abro uma posição, visualizo o que poderá ser o melhor e o pior resultado desse negócio. E devo estar sempre com a porta de saída à vista se as coisas correrem mal. É assim que se evitam as situações dramáticas.

A simplicidade, em Bolsa, demonstra inteligência. Normalmente, a complexidade é um sinal de inexperiência.

Devo ficar alerta quando me começar a parecer que os gráficos estão a dar sinais errados. Provavelmente, eu é que não os estou a ler bem e algo terá que mudar.

Tenho que aprender com os erros. Afinal de contas, paguei por eles.

Há que ser paciente com os negócios ganhadores e impaciente com os negócios perdedores. A maior parte dos "traders" de sucesso têm mais negócios falhados do que certos.

A informação só é importante quando poucos a conhecem. Se a notícia é pública, é altamente provável que ir atrás dela produza maus resultados.

Não coloco os meus "stops" muito perto de zonas chave, facilmente identificáveis por todos, como sejam suportes, resistências ou linhas de tendência. Eles são facilmente disparados, especialmente antes da acção voltar a mudar de direcção.

A fidelidade e lealdade são óptimos princípios quando falamos de amigos, família, namoradas. Mas, por favor, nunca nos preocupemos em ser fiéis a uma acção. É uma paixão que costuma ser fatal.

Há que manter a calma depois deixarmos escapar uma grande oportunidade. Há sempre outra ao virar da esquina…

Estar errado é condição necessária para o sucesso. Há que estar consciente disso.

Os "Bear Markets", por norma, são mais violentos que os "Bull Markets". Provavelmente porque o medo é mais poderoso que a ganância.

As coisas começam a ficar estranhas nos momentos de viragem dos mercados. Os analistas que estiveram silenciosos a maior parte do tempo começam a aparecer nas televisões e a fazerem grandes previsões (demasiado optimistas se o mercado estiver a subir ou demasiado pessimistas se o mercado estiver em queda) para não serem apanhados fora do comboio. Só que, normalmente, é nessas alturas que o comboio está prestes a descarrilar.

É essencial aprender a assumir as perdas. É possível recuperar o capital, desde que se admita perder e não se fique agarrado a uma posição perdedora, vivendo apenas da esperança.

Eu não sei o que vai acontecer amanhã, nem ninguém sabe. O "trading" não tem a ver com aquilo que achamos ou prevemos. Tem a ver com o assumirmos posições quando as probabilidades estão do nosso lado.

Não compro baixo para vender alto. Compro alto para vender ainda mais alto.

Não devemos negociar quando não conseguimos medir o risco. Este é, para mim, o grande segredo do sucesso no "trading".

Ulisses
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