O lado mau dos mercados

Colecção de Artigos Didácticos do Caldeirão de Bolsa.

O lado mau dos mercados

por Ulisses Pereira » 24/2/2009 2:58

Se me dedico por completo aos mercados financeiros há vários anos é porque encontro nesta actividade vários aspectos positivos que me levaram a tomar tal decisão. Por isso, achei mais interessante começar por escrever um artigo sobre aquilo que não gosto nos mercados, deixando para a próxima semana o lado bom desta vida de “trader”.

O stress e o enorme desgaste psicológico a que um “trader” se submete são dos aspectos mais negativos da vida de quem se dedica a tempo inteiro aos mercados. Há “traders” de todas as idades, mas apenas uma minoria tem muitos anos de vida. É difícil resistir a tantos anos de stress constante e emoções fortes. Os cabelos brancos florescem àqueles que têm a sorte de não ficarem sem eles…

É bom sentir adrenalina em cada dia de trabalho mas, em excesso, pode criar uma tensão difícil de suportar. Claro que, ao longo da nossa vida de “traders”, vamos aprendendo a lidar com o stress mas, por mais frios que consigamos ser, nunca conseguimos ficar imunes ao desgaste emocional que esta actividade obriga.

É muito difícil lidar com aqueles dias em que tudo nos corre mal nos mercados e em que perdemos muito dinheiro. Várias sensações nos invadem das quais destaco a frustração e o desânimo. Nesses dias terríveis, um “trader” coloca tudo em causa. Questiona os seus métodos, a sua abordagem ao mercado, o seu raciocínio e até se estará na actividade certa!

Em termos financeiros, os mercados são extremamente aliciantes dado o enorme potencial de ganhos que podem proporcionar. Contudo, o facto de se chegar ao fim do mês sem se saber quanto dinheiro iremos ter é algo impensável para muitas pessoas que sentem necessidade de ter o seu rendimento estável mensalmente.

Sem um suporte financeiro suficientemente grande para se viver, a situação agudiza-se e pode mesmo assumir contornos muito preocupantes. A pressão aumenta e cometem-se muitos erros com o medo de falhar e de faltar dinheiro no final do mês. Esta instabilidade de rendimentos é um dos factores que muitas pessoas não conseguem superar na transição de um investidor normal para um “trader” a tempo inteiro.

Outro dos aspectos que considero mais negativos é a tendência para o isolamento. Eu considero o “trading” uma actividade muito solitária e com o cada vez maior número de “traders” que negoceiam em casa, através da Internet, é muito frequente que os dias sejam passados sem qualquer contacto humano. Bem sei que estão livres dos conflitos laborais existentes noutras profissões, mas os dias passados isolados acabam por tornar mais pesadas as semanas.

Por último, gostaria de referir que quem se dedica por completo aos mercados financeiros vê o seu tempo quase completamente absorvido por essa actividade. Numa altura em que os investidores têm acesso a qualquer mercado no mundo, é difícil fugir à tentação de ficar tempo em demasia a acompanhar os mercados. E, além das horas em que estão abertas as Bolsas, um investidor tem que fazer todo o trabalho de análise de preparação para a sessão seguinte. Aliás, este trabalho preparatório que muitas vezes passa despercebido para a maioria das pessoas é essencial para o sucesso de qualquer “trader”.

Além das horas que passa a trabalhar, é muito difícil a qualquer pessoa que se dedique por inteiro aos mercados abstrair-se dos mesmos nos momentos de descanso. O que se passa nos mercados está sempre na sua cabeça e a melhor forma de um “trader” descansar realmente é fugir para um sítio sem acesso a computadores, televisões ou telemóveis porque, caso contrário, a tentação de ir seguindo o rumo dos mercados é grande.

E o lado bom dos mercados? Para a semana conversamos…

Ulisses Pereira
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