As minhas verdades

Colecção de Artigos Didácticos do Caldeirão de Bolsa.

As minhas verdades

por Ulisses Pereira » 3/2/2009 20:39

Ao longo dos anos, o mercado vai-nos ensinando muito. Lições que acabamos por assumir como “verdades” para nós. São as minhas “verdades” que hoje partilho convosco.

O seu estilo de negociação tem que ser coerente com a sua personalidade e o seu estilo de vida. Caso contrário, será muito complicado ter sucesso. Esta é uma das razões pelas quais eu nunca poderia ser um rápido e agressivo “day-trader”. Não me está no sangue.

Os gráficos podem levá-lo a conclusões erradas mas nunca mentem. Contudo, as pessoas podem mentir. Isto é algo para os analistas fundamentais meditarem. Os escândalos no sector bancário têm vindo a reforçar esta minha convicção. Um dos grandes riscos das análises fundamentais é nunca termos a certeza que estamos a trabalhar com números credíveis.

As pessoas são muito melhor a olharem para o futuro do que os gráficos são. Isto é algo para os analistas técnicos meditarem. Sou um analista técnico e acredito nas enormes virtudes deste método. No entanto, não sou fanático ao ponto de não reconhecer as limitações que a análise técnica tem. Não há métodos infalíveis e este não é excepção. Tentar prever o comportamento do mercado daqui a 2 ou 3 anos com base na análise técnica é, na minha opinião, pura feitiçaria.

Por norma, os meus piores dias de negociação foram quando eu violei o meu método e não quando o mercado esteve mau. Já enfrentei dias de euforia, em que o Nasdaq ganhou mais de 9% ou dias de autêntico pânico em que a Bolsa portuguesa esteve a cair mais de 15% e nunca foram esses dias que abalaram decisivamente a minha carteira. Quando, por força da emoção do momento ou de algum descontrolo emocional, violei o meu método, aí sim tive os meus piores dias no mercado. É por isso que, cada vez mais, acho que não é o facto de um mercado estar em alta ou em baixa que dificulta a tarefa de um investidor, mas sim a sua falta de disciplina e auto-controlo.

Quando estiver preocupado, provavelmente, não deverá negociar. Exceptuando aqueles que negoceiam através de sistemas automáticos, a componente psicológica do “trading” assume um papel decisivo. Quando um investidor não está bem psicologicamente, centrando os seus pensamentos longe do mercado, o melhor é não negociar pois a tendência é para cometer erros e perder a sua frieza.

É natural errarmos quando negociamos. Mas já não é natural continuarmos errados. Frequentemente, os investidores cometem erros. Faz parte do dia-a-dia de quem se dedica aos mercados. Contudo, é essencial que se perceba o erro que cometeu e que o corrija. Permanecer agarrado à sua posição, não querendo abrir os olhos aos sinais de erro que o mercado está a dar, é meio caminho andado para o insucesso.

O “daytrading” pode ser lucrativo, mas as percentagens jogam claramente contra si, especialmente em Portugal. Apesar das campanhas agressivas de bancos e corretoras, o número de “daytraders” é cada vez menor. Apesar de ser possível ter sucesso com uma estratégia de puro “daytrading”, considero ser bastante mais difícil atingi-lo do que com um horizonte temporal mais alargado. E, mesmo que os seus resultados sejam lucrativos, o desgaste psicológico e a incapacidade de negociar cada vez maiores quantidades irão limitar a sua longevidade e prosperidade.

Quando começar apenas a “ter esperança” nas suas posições abertas, normalmente, o melhor a fazer é fechá-las. Sempre que me sinto com uma posição em aberto apenas pela “esperança” que corra bem, é sinal que algo se alterou face aos pressupostos que me fizeram abrir essa posição. Isso é o maior sinal que posso ter que está na hora de fechar essa posição, independentemente dos prejuízos que esteja a ter.

Verdades absolutas? Não as há. Estas são as minhas.


Ulisses Pereira
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