Dívida da República Portuguesa

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Re: Dívida da República Portuguesa

por Thoth » 23/1/2018 18:41

Risco da dívida a 10 anos

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Re: Dívida da República Portuguesa

por Thoth » 24/1/2018 12:28

Queda da moeda do FMI dá borla de mil milhões a Portugal

https://eco.pt/2018/01/24/queda-da-moeda-do-fmi-da-borla-de-mil-milhoes-a-portugal/ Escreveu:Governo de António Costa acelerou os reembolsos à instituição liderada por Lagarde. Desvalorização da moeda internacional do FMI pagou mil milhões de euros do empréstimo em 2017.

Nem sempre dois mais dois são quatro. E a dívida de Portugal junto do Fundo Monetário Internacional (FMI) é um bom exemplo de como a lógica dos mercados pode influenciar as contas da matemática. Senão vejamos: o Estado português devolveu dez mil milhões de euros do empréstimo do Fundo em 2017. Mas a dívida portuguesa junto deste credor caiu no ano passado mais de 11 mil milhões de euros. Pode repetir?

Sim, leu bem. No final de dezembro de 2016, Portugal devia ao FMI cerca de 17.300 milhões de euros. Entretanto, amortizou um total de 10.013 milhões de euros em várias tranches realizadas ao longo de 2017. Aparentemente, o país deveria ter chegado ao final do ano passado a dever cerca 7.300 milhões de euros à instituição. Mas não: no dia 31 de dezembro de 2017, a dívida era de pouco mais de 6.200 milhões de euros.

Portugal pagou dez mil milhões de euros ao FMI em 2017

A dívida não desapareceu pura e simplesmente. Mas como se explica esta diferença de mais de mil milhões de euros?

A explicação é relativamente simples e reside na moeda internacional do FMI — os Special Drawing Rights (SDR), que em português significa Direitos Especiais de Saque. Esta moeda é calculada com base num cabaz composto pelas cinco principais divisas mundiais: dólar, euro, iene, libra e yuan, cada uma com diferentes pesos (ligação para o site FMI com conteúdo em inglês).

O que acontece é que a moeda do Fundo observou uma acentuada desvalorização face ao euro em 2017 e isso “embarateceu” o empréstimo de Portugal no FMI. No dia 31 de dezembro de 2016, cada Direito Especial de Saque valia 1,2859 euros. Um ano volvido, passou a valer apenas 1,18747 euros, traduzindo uma depreciação de 7,6%. Feitas as contas, cada SDR passou a ficar dez cêntimos de euros mais barato. Um euro passou a comprar mais SDR.

SDR está em mínimos de três anos contra o euro

Assim, embora a dívida portuguesa denominada em SDR não tenha registado uma queda além daquela proporcionada pelos reembolsos antecipados de 8.232 milhões de SDR (10.013 milhões de euros) em 2017 — que é a denominação que conta para efeitos de cálculo do prémio de risco agravado e ainda das missões do FMI a Lisboa — , o montante denominado em euros observou uma queda mais acentuada em função da depreciação do SDR: mais mil milhões de euros.

“A valorização do euro veio ajudar e muito qualquer dívida denominada em euros”, sublinha ao ECO o diretor de investimentos do Banco Carregosa, João Pereira Leite. “Isso justifica o ganho na amortização da dívida ao FMI”, diz ainda.

O que vale um SDR?
São cinco moedas que fazem a conta do que vale um Direito Especial de Saque. E é o dólar norte-americano a divisa que mais pesa: 41,73% (ver gráfico em baixo com o peso de cada divisa). Em 2017, a nota verde caiu 12,4% face ao euro e isso ajuda a explicar em grande medida o comportamento da moeda do FMI.

Qual o peso de cada moeda no SDR
Dólar: 41.7 %
Euro: 30.9 %
Yuan: 10.9 %
Iene: 8.3 %
Libra: 8.1 %

Mas o dólar não foi a única moeda a perder terreno para a moeda comunitária no ano passado. Também o yuan chinês, o iene japonês e a libra britânica, as outras divisas que compõe o cabaz dos SDR, observaram desvalorizações substanciais contra o euro: -5,9%, -9% e -4%, respetivamente.

Em 2018, o euro continuou a fortalecer-se contra estas divisas, sobretudo depois de o Banco Central Europeu (BCE), que reúne esta quinta-feira em Frankfurt, se ter mostrado mais conservador no que toca à política monetária a seguir nos próximos tempos. Deixou um primeiro sinal de que o fim dos estímulos monetários está ao virar da esquina e a seguir virá uma agravamento da taxa de juro. No mercado cambial, há quem já tenha aposta no euro a valer 1,25 dólares. E isso vai continuar a beneficiar o perfil de crédito de Portugal junto do FMI.
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Re: Dívida da República Portuguesa

por JohnyRobaz » 24/1/2018 12:48

Thoth Escreveu:Risco da dívida a 10 anos

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Portugal com taxas mais baixas que a Noruega? WTF? :shock:
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Celsius-reloaded » 24/1/2018 12:54

JohnyRobaz Escreveu:
Thoth Escreveu:Risco da dívida a 10 anos

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Portugal com taxas mais baixas que a Noruega? WTF? :shock:


É o efeito Centeno! :lol:

É aproveitar enquanto dura.

Cristina Casalinho (que tem feito mto bom serviço) tome nota.
31 de Julho: dia de São Stop.
 
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Re: Dívida da República Portuguesa

por JohnyRobaz » 24/1/2018 12:56

Celsius-reloaded Escreveu:
JohnyRobaz Escreveu:
Thoth Escreveu:Risco da dívida a 10 anos

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Portugal com taxas mais baixas que a Noruega? WTF? :shock:


É o efeito Centeno! :lol:

É aproveitar enquanto dura.

Cristina Casalinho (que tem feito mto bom serviço) tome nota.


Sim, concordo, também acho que a gestão da dívida pública tem sido muito bem feita (a nível técnico, não a nível político, claro).
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Goya777 » 24/1/2018 13:31

JohnyRobaz Escreveu:
Thoth Escreveu:Risco da dívida a 10 anos

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Portugal com taxas mais baixas que a Noruega? WTF? :shock:


Moeda diferente. Tmabem nao podemos comparar com US
 
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Thoth » 5/2/2018 15:37

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Re: Dívida da República Portuguesa

por Sem-sal-2018 » 15/2/2018 11:10

Eu acredito que o BCE demorará mais a subir as taxas de juro se continuar com a politica de euro forte. O euro forte aumenta o apetite pela divida europeia por parte de investidores fora da União. Já que vai parar o QE em setembro só a politica de euro forte pode ajudar a anular as yields negativas de muita divida europeia.
 
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Sem-sal-2018 » 15/2/2018 11:44

vamos lá ver o meu raciocino.

tenho 1200 dólares e compro 1000 euros de divida portuguesa com o Eur/Usd a 1.20, se o titulo de divida portuguesa tiver uma yield negativa de - 1% a 2 anos eu terei de pagar ao estado português 10 euros, mas se o Eur/USd for para 1.23 em 15 dias, eu vendo os 1000 euros de divida e ganho 30 dólares e trei de pagar ao estado 12.3 dólares, 30 - 12.3 = 17, 7 USD dólares de ganho.
 
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Ulisses Pereira » 15/2/2018 13:38

Mas investir em dívida pública, para ganhar dinheiro no mercado cambial é algo que, desculpa a sinceridade, ninguém faz. Se estás convicto da flutuação de um par cambial, investes directamente o mesmo.

Abraço,
Ulisses
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Sem-sal-2018 » 15/2/2018 13:59

Ulisses Pereira Escreveu:Mas investir em dívida pública, para ganhar dinheiro no mercado cambial é algo que, desculpa a sinceridade, ninguém faz. Se estás convicto da flutuação de um par cambial, investes directamente o mesmo.

Abraço,
Ulisses



Ulisses onde existe grande liquidez?

Só no mercado de divida.

Agora não sei se paga impostos.
 
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Ulisses Pereira » 15/2/2018 14:21

sem-sal, a liquidez cambial de um par como o euro/dólar é brutal, creio que não tens noção disso. Por dia, nesse par, são negociados mais de 100 mil milhões de dólares.

Abraço,
Ulisses
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Sem-sal-2018 » 15/2/2018 14:48

Ulisses Pereira Escreveu:sem-sal, a liquidez cambial de um par como o euro/dólar é brutal, creio que não tens noção disso. Por dia, nesse par, são negociados mais de 100 mil milhões de dólares.

Abraço,
Ulisses


Mas é a posição de comando, enquanto na divida publica um grande investidor pode gemer no mercado geral do forex um investidor pode gemer mas ninguém lhe liga.
 
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Ulisses Pereira » 15/2/2018 14:52

sem sal, eu não estou a defender o investimento no Forex em detrimento da dívida pública. São investimentos completamente opostos. O que estou a discordar veementemente é essa ideia de alguém investir em dívida pública para obter ganhos cambiais. Não faz sentido.

Abraço,
Ulisses
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Thoth » 15/2/2018 15:10

Leilão de dívida. Estado paga mais a 10 anos, mas fixa novo mínimo a 5 anos

Portugal colocou esta quarta-feira €1250 milhões em dois leilões de Obrigações do Tesouro a 5 e 10 anos. Pagou 2,046% no prazo mais longo, acima da taxa no último leilão, mas abaixo do juro que pagou no lançamento em janeiro dessa linha de títulos. A 5 anos fixou um novo mínimo de 0,577%

Portugal colocou €1250 milhões nos dois primeiros leilões do ano de dívida obrigacionista, o máximo previsto para esta operação realizada pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP).

No prazo a 10 anos pagou uma taxa de colocação de 2,046% acima de 1,939% pago em novembro, mas a 5 anos fixou um novo mínimo de 0,577%, face a 0,916% pago em outubro passado. No prazo mais longo emitiu €760 milhões e no mais curto colocou €490 milhões.

Apesar de ter pago agora um juro mais alto do que em novembro passado, o Estado conseguiu colocar a nova linha de Obrigações do Tesouro (OT) a vencer em outubro de 2028 a uma taxa inferior aos juros de 2,137% que pagou na operação sindicada de lançamento desta nova linha em janeiro.

UM RESULTADO BASTANTE SATISFATÓRIO
O leilão desta quarta-feira no prazo a 10 anos foi o primeiro da nova linha de OT a vencer em 2028 pelo que não é totalmente comparável com a linha obrigacionista com vencimento em abril de 2027 que foi a leilão em novembro passado, operação na qual o Estado conseguiu pagar a taxa mais baixa de sempre em leilões a 10 anos, abaixo de 2%.

A taxa de colocação paga a 10 anos ficou abaixo das yields no mercado secundário que se situavam em 2,086% quando decorria o leilão.

"Um resultado bastante satisfatório", sublinha Ricardo Marques, analista da consultora Informação de Mercados Financeiros. "Se considerarmos que desde o ano passado no prazo a 10 anos na Alemanha, os juros passaram de 0,43% para 0,73%, facilmente se percebe que o resultado em Portugal foi bastante satisfatório, pois apesar de, em termos nominais, estarmos a emitir um pouco mais alto, em termos relativos a perceção da dívida portuguesa está bastante melhor", refere aquele analista.

No prazo a 5 anos, a nova referência no mercado secundário já não é a linha de OT com vencimento em outubro de 2022 e que foi hoje a leilão, mas a que vence em outubro de 2023, com as yields acima de 1%.

PROCURA AINDA MAIS ELEVADA DO QUE NOS LEILÕES ANTERIORES
A procura por parte dos investidores foi elevada e superior à registada nos leilões similares anteriores.

A 10 anos, foi 2,08 vezes a colocação, um rácio superior a 1,57 em novembro passado. No prazo mais curto, a procura foi 3,63 vezes superior à colocação, um rácio ainda mais elevado do que o de 2,65 registado em outubro do ano passado.

No atual contexto internacional e europeu de subida generalizada das taxas de juro da dívida pública, Portugal já não deverá conseguir fixar novos mínimos históricos a 10 anos, inferiores ao conseguido em novembro do ano passado.

À mesma hora, na Alemanha, o Tesouro germânico realizou um leilão de obrigações a 30 anos, colocando €1500 milhões e pagando uma taxa de 1,33%, acima de 1,28% paga na emissão similar anterior. A procura foi de 1,29 vezes a colocação.


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Re: Dívida da República Portuguesa

por Goya777 » 19/2/2018 16:10

Com as taxas a subirem antecipando o final do QE para este ano, acho que está na altura de vender as minhas OT2030 3.875% que andam pelos 116 de preço. Para o ano que vem espero apanhá-las de volta mais perto dos 100%.
 
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Thoth » 28/2/2018 15:50

Dívida pública cai mais: recuou para 125,6% em 2017

É preciso recuar a 2011 para encontrar um rácio da dívida pública no PIB mais baixo.

Afinal, o rácio da dívida pública ficou melhor do que o objectivo que tinha sido fixado pelo Governo. Os dados sobre o PIB revelados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) permitem estimar a dívida pública de 2017 nos 125,6%, em vez de 126,2% do PIB.

Na semana passada, com base em projecções próprias sobre o PIB, o Banco de Portugal tinha estimado que a dívida pública em 2017 teria ficado em 126,2%, precisamente a meta que tinha sido fixada pelo Governo, em Outubro passado. Contudo, com o crescimento nominal do PIB apurado pelo INE, este rácio ficou mais baixo.

Apesar de este indicador se manter acima do patamar psicológico dos 120% - um número-chave para os mercados - e de estar também muito além do limite imposto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento (de 60% do PIB), é preciso recuar a 2011 para encontrar um rácio da dívida pública mais baixo.

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Re: Dívida da República Portuguesa

por Thoth » 1/3/2018 15:08

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Re: Dívida da República Portuguesa

por Thoth » 7/3/2018 16:48

http://www.jornaldenegocios.pt//mercados/obrigacoes/detalhe/risco-da-divida-portuguesa-cai-para-minimos-de-quase-oito-anos?ref=CaldeiraoDaBolsa_Destaques Escreveu:Como a descida dos juros das bunds alemãs é inferior à dos juros portugueses, também o risco associado à dívida nacional – que é medido pelo spread face à dívida germânica – está a cair. Desce para os 120 pontos, o nível mais baixo desde Abril de 2010.


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Re: Dívida da República Portuguesa

por Thoth » 12/3/2018 15:35

S&P revê rating de Portugal na sexta-feira. O que se pode esperar?

https://www.noticiasaominuto.com/economia/971722/s-p-reve-rating-de-portugal-na-sexta-feira-o-que-se-pode-esperar Escreveu:No final desta semana acontecerá a primeira avaliação por parte de uma agência de rating à notação financeira de Portugal. Depois, seguir-se-á a Moody's, mais para o final do mês, que é a única que ainda classifica Portugal em 'lixo'.

A Standard & Poor´s (S&P) tem agendada uma nova avaliação à notação financeira de Portugal para sexta-feira, naquela que será a primeira avaliação por parte de uma agência de rating em 2018.

Em setembro do ano passado, ninguém adivinhava que a S&P iria subir o rating da dívida pública portuguesa para BBB-, retirando o país do nível especulativo, também conhecido como ‘lixo’. A par desta decisão, a agência atribuiu uma perspetiva ‘estável’, uma vez que considerava que os riscos estavam estabilizados.

Na altura, a agência de rating atribuiu a melhoria à evolução da economia e ao “progresso sólido” na consolidação orçamental. Desde então, já foram conhecidos dados económicos que confirmaram um crescimento de Portugal na ordem dos 2,7% em 2017.

A S&P foi a última das agências de rating a classificar a dívida portuguesa em ‘lixo’ após o resgate da troika, mas foi também a primeira a subir Portugal para nível de investimento, sem antes ter melhorado a perspetiva (outlook) associada ao rating, como normalmente acontece antes destes avaliações.

A única agência de rating que ainda classifica Portugal em ‘lixo’ é a Moody’s, que tem uma revisão agendada para o dia 20 de abril, pelo que os investidores vão focar-se nessa data para perceber se a agência se vai alinhar com as restantes.

A Fitch seguiu os passos à S&P e também subiu o rating da dívida portuguesa no final do ano passado, ao passo que a canadiana DBRS foi a única a manter Portugal em nível de investimento durante a crise, o que permitiu que o Banco Central Europeu (BCE) comprasse dívida portuguesa no âmbito do programa de compra de ativos.

Isto porque o BCE só compra dívida de países que estejam classificados em nível de investimento por pelo menos uma das quatro principais agências de rating: a DBRS, a S&P, a Fitch e a Moody's.
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Thoth » 13/3/2018 15:57

Portugal está a recomprar dívida. Já ataca “parede” de 2021

https://eco.pt/2018/03/13/portugal-ja-esta-a-recomprar-divida-centeno-ataca-pico-de-reembolsos-de-2021/ Escreveu:Tesouro português voltou às operações de recompra sem pré-aviso. Adquiriu em fevereiro 250 milhões de euros em obrigações que venciam nos próximos anos. E já está a alisar pico de reembolsos de 2021.

Sem qualquer pré-aviso, Portugal voltou a recomprar dívida pública em fevereiro. O Tesouro português foi ao mercado “resgatar” 250 milhões de euros em obrigações que venciam nos próximos anos, isto depois de se ver livre da penalização extra nos empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) em janeiro. É a continuação do esforço do Governo para embaratecer ainda mais o endividamento do Estado. Mas há uma novidade: o ministério das Finanças já está a atacar a “parede” de reembolsos que enfrenta em 2021.

A estratégia já tinha sido “dada” pelos analistas ao ECO ainda em janeiro. Depois de pagar a parte mais cara do empréstimo do Fundo, Portugal devia apostar em duas ferramentas para baixar ainda mais o custo da sua dívida: leilões de longo prazo para aproveitar a baixa dos juros enquanto o Banco Central Europeu (BCE) não corta definitivamente os estímulos — vai fazê-lo esta semana com a reabertura da linha de 2045; e operações de recompra de dívida — que foi o que fez no passado e voltou a fazer agora, como está a comunicar o IGCP aos investidores internacionais.

Em concreto, a agência que gere a dívida pública recomprou em fevereiro 150 milhões de euros em títulos com maturidade em junho de 2019 e 100 milhões de euros em títulos que venciam em abril de 2021, de acordo com a apresentação do IGCP do mês de março.

Destas recompras saltam duas novidades:

Ao contrário das últimas operações de recompra, desta vez não houve substituição de dívida que vencia por nova dívida, o que significa que Portugal se desfez definitivamente dessas obrigações “mais caras” em vez de “empurrar” o seu vencimento para o futuro;
O pico de reembolsos previsto para acontecer em 2021 — com pagamentos aos mercados que ascendem a cerca de 17 mil milhões de euros — já está a ser trabalhado entre os gabinetes de Mário Centeno e Cristina Casalinho.
Contactados, nem o Ministério das Finanças nem o IGCP responderam às questões colocadas pelo ECO.

Ainda assim, há um slide da apresentação do IGCP que ajuda a perceber de forma intuitiva a forma como Cristina Casalinho estará a explicar as operações de gestão da dívida para “alisar o perfil de reembolsos”: “Já reembolsamos 83% do empréstimo do FMI e fizemos recompras de dívida no montante de 250 milhões de euros em fevereiro. Estas opções foram tomadas tendo em vista um calendário de reembolsos como este”.

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Steen Jakobson, economista chefe do Saxo Bank, salientava ao ECO que é uma “absoluta” necessidade de o IGCP proceder a um alisamento das necessidades de financiamento nos próximos anos.

“Com aquilo que o BCE tem em mente, apontando para 2019 ou 2020 um novo ciclo de subida das taxas de juro, Portugal tem todas as razões para começar a fazer uma gestão deste calendário de reembolsos”, explica este especialista.

De onde vieram esses 250 milhões? Não havendo substituição por nova dívida — e, por isso, estas operações não foram comunicadas publicamente –, o IGCP recorreu ao dinheiro dos seus cofres para efetuar essas recompras. Cristina Casalinho já tinha referido que poderia vir a desfazer-se de parte da generosa posição de liquidez que assumia.

E é o que vai fazer este ano: a almofada de liquidez do IGCP deverá contrair em dois mil milhões de euros em 2018, dos 9,8 mil milhões para os 7,8 mil milhões, de acordo com as previsões do próprio organismo.

Ainda segundo as projeções do IGCP, o custo da dívida pública portuguesa deverá baixar em 2018 para 2,8%, o nível mais baixo da década. Cristina Casalinho vê a taxa de juro das obrigações a baixar para 3,5% e dos bilhetes do Tesouro a cair para terreno negativo: -0,3%.
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Beruno » 13/3/2018 19:32

Parede? Sao 18 bilions, mais prai 12 bilions que precisem de emitir nesse ano, é um everest. Deviam de aproveitar este ano, que pode ser o ultimo de taxas baixas, de aumentar a almofada com emissoes a 10, 30 e ate 50 anos. Isso, e fazer operaçoes de troca por divida tambem de longo prazo
 
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Thoth » 14/3/2018 13:09

Portugal paga taxa mais baixa de sempre para emitir dívida a 10 e 27 anos

http://www.jornaldenegocios.pt//mercados/obrigacoes/detalhe/portugal-paga-taxa-mais-baixa-de-sempre-para-emitir-a-10-anos?ref=CaldeiraoDaBolsa_Destaques Escreveu:Na emissão a 27 anos o IGCP pagou uma taxa de 2,8%, bem abaixo do juro da emissão semelhante realizada no ano passado. O custo de emitir a 10 anos também foi o mais baixo de sempre.

O IGCP colocou 1.250 milhões de euros em títulos de dívida a 10 e 27 anos, tendo suportado os custos de financiamento mais reduzidos de sempre em ambas as emissões.


Foram colocados 925 milhões de euros em obrigações do Tesouro com maturidade em Outubro de 2028, com uma "yield" de 1,778%. Os títulos com maturidade em Fevereiro de 2045 foram emitidos com uma taxa de 2,8%.

A taxa suportada para colocar os títulos a 10 anos é a mais baixa de sempre e compara com os 2,046% suportados na última emissão, realizada em Fevereiro. Só por uma vez Portugal tinha emitido dívida a 10 anos com uma taxa abaixo de 2%. Foi a 8 de Novembro do ano passado, quando a "yield" do leilão ficou em 1,939%.


A procura atingiu 1.661 milhões de euros, superando a oferta em 1,7 vezes. O rácio foi inferior ao da emissão similar de Fevereiro (2,08 vezes), mas acima do registado na emissão de Novembro (1,57 vezes) quando tinha sido fixado o anterior mínimo histórico na taxa.

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Quanto à emissão de 275 milhões de euros em dívida a 27 anos, a procura superou a oferta em 2,8 vezes e a taxa também foi a mais baixa de sempre. Em Julho de 2017 o IGCP colocou títulos com prazo de 28 anos com uma taxa de 3,977% e em 2015, quando esta linha foi aberta, pagou uma taxa de 3,23% para colocar os títulos com uma maturidade de 30 anos.


A taxa da emissão a 27 anos acabou por ficar em linha com o registado no mercado secundário (a taxa a 30 anos está esta quarta-feira nos 2,827%).


A Alemanha também realizou esta quarta-feira um leilão de dívida de muito longo prazo, tendo suportado uma taxa de 1,27% para colocar títulos com uma maturidade de 30 anos.


Resultado "extraordinário"


"Foram duas emissões de dívida com bastante sucesso e em ambas Portugal conseguiu emitir dívida com as taxas mais baixas de sempre para estes prazos", diz Filipe Silva, director da Gestão de Activos do Banco Carregosa, classificando de "substancial" a descida do custo de financiamento a 10 anos


"Mas o mais extraordinário foi a emissão a 27 anos a uma taxa de 2,8%. Em 2017, uma emissão semelhante (a 28 anos) a taxa foi bastante superior. Basta dizer que esta taxa de 2,8% foi o que se pagou por dívida a 10 anos emitida em Setembro de 2017 (2,78%). Agora, com a mesma taxa conseguimos dívida que só se vence em 2045", assinala Filipe Silva.


"Estas duas operações mostram que o prémio de risco da dívida portuguesa baixou drasticamente o que é muito bom para os interesses do país, dado sobretudo tratar-se de dívida longa", acrescenta o mesmo responsável, considerando que "estes resultados irão certamente ter impacto também no custo de financiamento de empresas portuguesas que queiram emitir dívida no mercado".
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Re: Dívida da República Portuguesa

por Thoth » 20/3/2018 13:12

Desde 1999 que o spread de Portugal face aos EUA não era tão baixo

http://www.jornaldenegocios.pt//mercados/obrigacoes/detalhe/desde-1999-que-o-spread-de-portugal-face-aos-eua-nao-era-tao-baixo?ref=CaldeiraoDaBolsa_Destaques Escreveu:A taxa de juro de Portugal quebrou, pela primeira vez desde Abril 2015, a barreira de 1,7%. O prémio de risco face à Alemanha e França está em mínimos de 2010. Já contra os EUA o spread não era tão baixo desde 1999.

A taxa de juro associada à dívida de Portugal a 10 anos está a descer 3,7 pontos base para 1,705%, tendo já tocado esta manhã nos 1,697%. É assim a primeira vez desde Abril de 2015 que a "yield" da dívida a 10 anos negoceia abaixo da barreira dos 1,7%.


Mais que quebrar esta barreira, os juros de Portugal continuam a marcar mínimos no que toca ao seu spread. A diferença dos juros a 10 anos face às bunds é a mais baixa desde Abril de 2010, assim como face aos juros franceses.

Surpreendente é a diferença face à dívida americana. Há quase 20 anos que o prémio de risco não era tão baixo. Com a taxa de juro a 10 anos a subir 1,1 pontos base para 2,8665%, Portugal está com uma taxa em mais de 100 pontos base mais baixa. Esta é a maior diferença desde Junho de 1999.

A contribuir para este aumento do diferencial de juros estão vários factores. Destaca-se o facto de a Reserva Federal (Fed) dos EUA estar num ciclo de subidas de juros. E ainda que se espere que amanhã seja anunciado mais um aumento de 25 pontos base no preço do dinheiro americano, os investidores continuam a especular sobre um acelerar do ritmo de aumento de juros nos EUA.

Este é um dos factores que impulsionam os juros. Especialmente porque na Zona Euro a perspectiva é de manutenção da política monetária por mais tempo. A taxa de juro aplicada pelo Banco Central Europeu (BCE) está em 0% e o programa de compra de dívida vai manter-se em 30 mil milhões de euros pelo menos até Setembro.

Esta diferença de abordagens pelos dois bancos centrais dita, por si só, comportamentos distintos dos juros das duas regiões.

A contribuir para esta diferença está também a guerra comercial, que tem ditado alguma apreensão dos investidores e contribuído para uma subida dos juros do país. O elevado endividamento dos EUA e as tensões políticas entre os EUA e outros países, como a Coreia do Norte, bem como as tensões políticas no seio da administração Trump também têm ajudado nesta subida das taxas de juro no mercado internacional.


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Re: Dívida da República Portuguesa

por Thoth » 27/3/2018 14:31

Já não é novidade mas Portugal está no TOP 20 das obrigações com menos risco.

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