Portugal: Sair da Zona Euro?

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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por JOAQUIM BARROs » 7/10/2016 11:20

E abrir conta num banco alemão?
 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Limonov » 7/10/2016 14:49

JOAQUIM BARROs Escreveu:E abrir conta num banco alemão?


Não sei Joaquim :-k

Não me parece difícil aplicar a mesma bitola (passar a escudo) aos Euros em território estrangeiro (ainda mais dentro da UE, com quem teria de se negociar a saída) de portugueses residentes em Portugal. Se forem portugueses residentes na Alemanha poderá ser mais difícil, afinal a pessoa vive lá, mas ter conta no estrangeiro e residir em Portugal é logo para ficarem debaixo de olho. Acho apenas, não tenho base de fundamentação.

Limonov

PS: Querias dizer um banco alemão na Alemanha certo?
A liberdade que há no capitalismo é a do cão preso de dia e solto à noite.
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por JOAQUIM BARROs » 7/10/2016 15:43

Limonov Escreveu:
JOAQUIM BARROs Escreveu:E abrir conta num banco alemão?


Não sei Joaquim :-k

Não me parece difícil aplicar a mesma bitola (passar a escudo) aos Euros em território estrangeiro (ainda mais dentro da UE, com quem teria de se negociar a saída) de portugueses residentes em Portugal. Se forem portugueses residentes na Alemanha poderá ser mais difícil, afinal a pessoa vive lá, mas ter conta no estrangeiro e residir em Portugal é logo para ficarem debaixo de olho. Acho apenas, não tenho base de fundamentação.

Limonov

PS: Querias dizer um banco alemão na Alemanha certo?


Sim,
 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Ocioso » 7/10/2016 22:45

 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Ocioso » 9/10/2016 0:06

Portugal vs Zona Euro
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Ocioso » 2/12/2016 17:04

 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Texano Bill » 14/12/2016 19:57

Alan Greenspan mostra-se pessimista quanto à sustentabilidade do euro

Numa entrevista à agência Bloomberg, o ex-presidente da Reserva Federal norte-americana diz que a Itália pode vir a "enfrentar mais problemas do que se pensa".

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O antigo presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos Alan Greenspan disse, numa entrevista à Bloomberg divulgada nesta quarta-feira, que as “diferenças entre países como a Itália e a Alemanha, e a falta de instituições de apoio ao euro põem em causa a sua sustentabilidade”.

Questionado pela agência norte-americana sobre a forma como olha para a zona euro, e particularmente para a moeda única europeia, tendo em conta acontecimentos como o "Brexit" e o recente referendo em Itália, Alan Greenspan não esconde a sua preocupação sobre a sustentabilidade do euro.

O economista diz que “é preciso olhar para trás, para a origem da União Europeia, que resultou da necessidade de criar consolidação política, de modo a evitar uma terceira guerra mundial, principalmente por parte da França e da Alemanha, começando com o acordo do aço e do carvão, e evoluindo para o que temos hoje, sempre num contexto de estabilidade e paz”. “Neste contexto”, prosseguiu, “obtiveram aparente sucesso em relação à sustentabilidade do euro, que era uma preocupação, minha incluída, sendo o euro o resultado da união de várias moedas. No entanto, as diferenças entre países como Itália e Alemanha, e a falta de instituições de apoio ao euro põem em causa a sua sustentabilidade.”

O jornalista David Greenspan retoma as palavras de Alan Greenspan para o questionar sobre a “diferença entre os rendimentos da Itália e da Alemanha, que é substancial e está em crescimento”, e se “isso é indicativo da tensão que se vive na zona euro e se põe em causa a existência do euro“.

“O facto de os bancos dos vários países (Bundesbank, Banque de France…) emprestarem dinheiro uns aos outros livremente (…) vai tornar-se insustentável. O Bundesbank emprestou mais de 600 mil milhões de euros, principalmente a Itália e a Espanha; assim, os activos do banco continuam a subir, enquanto o risco de Espanha e Itália os acompanham. Esta situação não é sustentável e a Itália pode vir a ter mais problemas do que se pensa”, explicou Alan Greenspan à agência Bloomberg, que cobre sobretudo assuntos económicos.

Na opinião do antigo presidente da Reserva Federal norte-americana, [o ex-primeiro-ministro] Matteo Renzi tinha a solução certa [para Itália], mas foi votada contra. Isto é um fenómeno internacional, esta mudança de paradigma político que gerou o 'Brexit', instabilidade na Escócia e na Irlanda do Norte, também em Itália e Espanha e, principalmente, na Grécia, que entrou no euro ilegalmente, no sentido que forjou os seus números”. “Por estes factores, a estrutura é instável.”

https://www.publico.pt/2016/12/14/econo ... ro-1754761


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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Ocioso » 1/1/2017 21:44

A moeda única completa 15 anos. Uma década e meia a circular nas carteiras portugueses, em substituição do escudo. O que trouxe às famílias, às empresas e ao país? O ECO mostra-lhe 15 mudanças.

Ainda se lembra de abrir a carteira e ver notas e moedas de escudos? Há toda uma geração para quem essa realidade é coisa de museu. Já lá vão 15 anos desde que Portugal aderiu ao euro. A viagem não foi isenta de turbulências, mas terá valido a pena. Com crises e resgates financeiros à mistura, para a maior parte dos portugueses é indubitável que a inflação está sob controlo, o BCE tem ajudado a manter os juros em níveis historicamente baixos, é mais fácil conduzir negócios dentro da área do euro e o nível de vida tem vindo a melhorar. Fortemente negativo tem sido o aumento do desemprego para níveis impensáveis há quase duas décadas.

Euro controla inflação em Portugal

Com o Banco Central Europeu (BCE) a assumir o controlo da política monetária na região, a taxa de inflação em Portugal perdeu relevância em função da perda de autonomia do Banco de Portugal, a entidade que até à criação da moeda única era a exclusiva responsável pelo controlo dos preços em Portugal. O BCE tem o único mandato para a inflação em toda a região. E trabalha com o objetivo de manter uma taxa esperada num valor em torno dos 2%, nível onde considera não haver perigo para a economia.

Se nos primeiros meses após a entrada em circulação do euro a taxa de inflação em Portugal acelerou para valores acima de 5% — atingiu os 5,1% em março de 2001 –, a tendência histórica mostra que a moeda única veio introduzir alguma estabilidade na evolução dos preços no país — longe das taxas de 12% que se observava em 1992, por exemplo.

Preços crescem mas pouco

Ainda assim, fruto da crise do subprime (2008) e das dívidas soberanas (2011), por dois momentos os preços caíram em Portugal (deflação), um cenário que qualquer banqueiro central tenta evitar a todo o custo devido aos efeitos negativos que tem sobre a economia porque os vários agentes económicos adiam as suas decisões de consumo à espera de preços mais baixos.

Salários voltam a subir em 2015

A adesão ao euro também trouxe uma evolução positiva nos salários. Só os anos de crise vieram alterar a trajetória de crescimento dos salários. Em termos médios, a remuneração-base e o ganho (que inclui prémios, subsídios regulares e remuneração por horas extra) caíram em 2013 e 2014. Em 2015, voltam a subir, com o ganho a atingir 1.096,7 euros.

Os dados são dos Quadros de Pessoal do Continente, que abarcam trabalhadores abrangidos pelo Código do Trabalho. Em 2001, a informação sobre remunerações não foi apurada e em 2002 tornou-se mais abrangente, ao contemplar trabalhadores do Estado com contrato individual de trabalho.

Na Função Pública, os valores são mais altos. Em outubro de 2015, a remuneração base média era de 1.402,2 euros e o ganho atingia 1.618,7 euros, num cenário em que 20% dos cortes salariais tinham sido revertidos, avança a Síntese Estatística do Emprego Público.

Já o salário mínimo — que abrange setor público e privado — está hoje nos 530 euros e avança para os 557 euros em 2017. Isto depois de ter estagnado nos 485 euros entre 2011 e finais de 2014.

Risco de pobreza: de 20,4% em 2003 para 19% em 2015

O reflexo desta melhoria, mas também dos apoios sociais, é também a queda do risco de pobreza. Ainda assim, em 2015, ainda afetava 19% da população. Em 2003, de acordo com os dados mais antigos disponibilizados pelo INE, a situação era pior: 20,4% dos portugueses estavam em risco de pobreza. Mas de lá para cá a situação não melhorou sempre. Em 2012, por exemplo, o indicador agravou-se significativamente, para 18,7% e voltou a subir em 2013.

O ano de 2015 foi marcado por um recuo mas, mesmo assim, a taxa de 19% é a que se verifica já depois das transferências do Estado. Antes destas transferências — que incluem subsídios sociais e pensões — o risco aumenta para 46,3% em 2015 (41,3% em 2003).

Desemprego dispara no início de 2013

O risco de pobreza está quase sempre intimamente relacionado com a perda de emprego. No último trimestre de 2001, antes da chegada do euro, a taxa de desemprego em Portugal era de 4,1%. No terceiro trimestre de 2016, os dados mais recentes apontam já para 10,5%. Pelo meio, o Instituto Nacional de Estatística (INE) mudou a metodologia de recolha de dados, o que impossibilita a comparação direta de dados.

A atual taxa é elevada mas está longe do pico atingido no início de 2013, quando o desemprego tocou os 17,5%. Nessa altura, havia mais de 900 mil desempregados, um reflexo do forte ajustamento que Portugal teve de fazer na sequência do pedido de ajuda à troika. Muitas das empresas em Portugal não resistiram e fecharam portas. A recuperação é lenta, sempre mais lenta do que a da economia, Agora há cerca de 550 mil desempregado.

Bem-estar só recua em 2012

Tudo somado, os dados revelam que, entre 2004 — dados mais antigos — e 2011, o Índice de Bem-estar evoluiu positivamente. Em 2012 recuou, recuperando no ano seguinte. Já em 2015, atingiu os 118,4, dizem os dados do INE.

Entre os dez domínios que integram este índice, os relativos ao trabalho e remuneração e vulnerabilidade económica apresentam uma evolução mais desfavorável. No extremo oposto, educação, ambiente e participação cívica e governação dão os sinais mais positivos.

Crédito mais barato abre a porta ao imobiliário

A entrada na união monetária trouxe juros mais baixos para a economia. O financiamento passou a ter como referência as taxas de mercado diretamente influenciadas pela política monetária do Banco Central Europeu, juros mais comedidos do que os praticados até então, facto que facilitou o acesso das empresas e das famílias ao crédito junto da banca e que também ajudou a explicar a melhoria do bem-estar dos portugueses.

Esta mudança de paradigma fez disparar a concessão de empréstimos aos particulares, especialmente para a compra de habitação própria. Os dados do BCE mostram que no arranque de 2003 (os dados mais antigos disponíveis) o saldo do crédito a famílias estava em 84.165 milhões de euros, dos quais 65.688 milhões tinham como destino a habitação. Nos anos que se seguiram, o ritmo acelerou. O total de créditos aos particulares chegou aos 100 mil milhões no final de 2005, atingindo essa fasquia na habitação já em 2007. A escalada das Euribor no meio da crise financeira travou o crescimento dos financiamentos. Mas o saldo voltou a aumentar já no arranque desta década até que Portugal mergulhou numa crise que o levou até ao resgate em 2011.

Apesar de os juros terem afundado desde então, a banca manteve a torneira do crédito fechada. E apesar de ter voltado a abri-la, o ritmo de concessão de novos créditos para a casa continua a ficar aquém da amortização dos empréstimos numa altura em que as Euribor renovam mínimos históricos em terreno negativo. O saldo de créditos para a casa baixou dos 100 mil milhões no final de 2015. Estava, em novembro de 2016, nos 95.541 milhões.

Famílias poupam cada vez menos

Outro dos reflexos dos juros baixos é a redução da taxa de poupança. Para muitos poupar deixou de fazer sentido com remunerações tão fracas. Mas claro não foi a razão principal. Em 2000, cerca de 10% do rendimento disponível das famílias destinava-se à poupança.

Apesar de ser uma taxa relativamente baixa face ao cenário europeia, depois da introdução da moeda única em Portugal os níveis de poupança baixaram para metade. Uma tendência à qual não será alheia a redução do rendimento dos portugueses durante o período de vigência do programa de assistência internacional, entre 2011 e 2013, e que implicou uma forte restrição orçamental para cumprir as metas exigidas pelo único credor chamado troika.

Confiança dos consumidores de 2001 semelhantes aos de 2016

Este indicador, divulgado pelo INE, resulta das opiniões dos consumidores sobre a sua situação financeira, a situação económica geral do país, a evolução da taxa de desemprego e as perspetivas de poupança num futuro breve. Analisada a série longa, pode-se concluir que a opiniões dos consumidores sobre estes fatores continua negativa, mas ao mesmo nível. Os piores registos deste indicador foram nos anos do resgate financeiro, principalmente 2011, 2012 e 2013. A melhoria foi gradual, mas sentiu-se principalmente em 2014 e 2015 com um regresso aos níveis do início do século.

O investimento: qual?

Depois de uma década de 90 onde o investimento em Portugal tinha avanços de mais de 10%, o começo do século tem sido negativo. É difícil descrever a evolução desta componente após a entrada da zona euro, mas os dados do INE revelam desde logo que nestes 15 anos o saldo é mais negativo do que positivo. Os anos com a pior comparação homóloga — ou seja, onde a formação brutal de capital fixo mais desceu — foram os de 2003, 2009, 2011, 2012 e 2013. Depois de uma queda acentuada nos anos da crise, a evolução tem sido positiva, como seria de esperar, mas ainda longe de voltar aos valores de 2001. O valor mais baixo foi registado em 2013 (25,45 mil milhões de euros em investimento), mas a recuperação até 2015 apenas elevou o valor até 27,83 mil milhões. Em 2001 o valor era e 45,22 mil milhões de euros. Quanto ao investimento direto do exterior em Portugal, o Banco de Portugal apenas tem dados desde 2008 mas há uma tendência positiva em 2014 e 2015.

Exportações de bens e serviços são exemplo

As exportações de bens são apuradas pelo INE e as exportações de serviços pelo Banco de Portugal. Em conjunto representam as exportações totais portuguesas que, em 2016, atingiu o maior excedente comercial de sempre. As exportações de bens evoluíram de forma positiva de 2001 a 2008. Em 2009 houve uma quebra, mas os anos da crise foram de recuperação para as exportações de bens e, apesar de só haver dado até outubro, não se espera uma contração em 2016. O mesmo aconteceu com as exportações de serviços que mais do que duplicaram se compararmos 2001 com 2015. E os dados de 2016 (conhecidos até outubro) comprovam que este vai ser mais um ano de recordes no turismo, o que contribui de forma positiva para as exportações de serviços.

Competitividade: uma montanha russa

Mas a adesão ao euro não é sinónimo de ganhos de competitividade. De acordo com o ranking do World Economic Forum, Portugal está agora na 38ª posição, uma quebra de duas posições face ao ano anterior.

Nestes 15 anos de moeda única, o pior resultado foi em 2013/14, quando Portugal ocupou a 51ª posição. O melhor desempenho foi conseguido em 2002 quando o país subiu até à 19ª posição. De sublinhar que nem sempre o ranking teve o mesmo número de economias. Ou seja, em 2002, a 19ª posição foi registada num total de 75 economias. No ano seguinte, Portugal caiu para o 25º lugar, mas a comparação foi feita com 102 países. Em 2011, o ano em que Portugal pediu o resgate financeiro, ficou na 45ª posição, num total de 144 economia. Depois foram dois anos consecutivos a perder competitividade (49º e 51º lugar). Este ano, a comparação é feita num universo de 138 países.

Um dos fatores que pesa na competitividade das economias é o peso dos impostos no PIB. No caso português tem sofrido altos e baixos ao longo dos anos, mas os últimos tempos foram marcados por subidas.

Se em 2001, a carga fiscal representava 30,8% do PIB, em 2015 o valor já escalava para 34,5%, indicam as Estatísticas das Receitas Fiscais, do INE. Neste ano, a carga fiscal aumentou 4,4%, uma subida determinada pela evolução da receita dos impostos diretos (2,6%), indiretos (6,0%) e das contribuições sociais (4,0%). Já de acordo com o Orçamento do Estado para 2017, o Executivo garante que reduziu a carga fiscal durante dois anos consecutivos. Face a 2016, a redução foi de 0,1 pontos percentuais para se fixar nos 34,1% em 2017.

Crescimento económico não ata nem desata

Desde o ano em que Portugal adotou a moeda única a economia só cresceu mais do que 2% uma vez. Em 2001 a economia portuguesa cresceu 1,9% (abrandando de ritmos de crescimento entre 3% e 5% na década de 90), em 2002 foi aos 0,8% e em 2003 já estava em recessão com -0,9%. Só em 2007 é que a economia voltou a crescer 2,5% graças ao contributo positivo das exportações, mas as boas notícias ficaram por aí. Em 2009 a economia contraiu 3% e de 2011 a 2013 aconteceu o mesmo, com 2012 a ser o pior ano da crise com uma contração de 4%. Nestes anos foi o investimento e a procura interna a castigar o crescimento económico. Os últimos dois anos foram de crescimento económico, mas ainda inferior a 2%, uma meta que o próprio Banco de Portugal estima que não seja ultrapassada esta década.


Défice público inferior a 3%? É uma miragem (em 2016?)

A acompanhar o fraco crescimento económico, existe um crónico desequilíbrio das contas públicas. A jovem democracia portuguesa nunca atingiu um défice inferior a 3%, meta que o atual Governo garante que vai conseguir alcançar. Ou seja, as contas públicas estiveram sempre desequilibradas, com o Estado a não ter suficiente receita para a despesa anual. Só em 1999 com António Guterres como primeiro-ministro e em 2007 com José Sócrates é que o défice foi exatamente de 3%. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, foi também com Sócrates que o défice português atingiu o seu pico em 2010: 11,2%. A partir a trajetória foi de descida, com alguns percalços pelo meio: a resolução do BES inundou o défice de 2014 e a do Banif o de 2015.

Sobe, sobe, dívida pública sobe

No início do século a dívida pública portuguesa era superior a 50%. Passados 15 anos, o valor já chegou aos 130,6% em 2014, apesar de uma descida para 129% em 2015. Mas em 2016 o valor voltou a aumentar, pelos menos nos dados que já se conhecem até setembro: a dívida na ótica de Maastricht chegou aos 133,1% do PIB, segundo o Banco de Portugal. No próximo ano, caso a recapitalização da CGD avance, prevê-se novamente uma subida se não houver alguma amortização que a compense. Os principais anos em que a dívida aumentou foi em 2009, 2010 e 2011: a variação da dívida nesses anos foi de, respetivamente, 10,5%, 14,7% e 13,2%. Contudo, em pior situação está o endividamento do setor não financeiro: em 2007, primeiro ano para o qual há dados, estava em 314.4% do PIB. Em setembro deste ano já era de 392.5%, segundo o Banco de Portugal.


E o risco dispara com insustentabilidade da dívida

Não é uma consequência da entrada de Portugal na zona euro. Mas desde que os portugueses começaram a usar o euro nas suas transações diárias, a perceção de risco de Portugal nos mercados financeiros agravou-se de forma acentuada: o prémio de risco da dívida a dez anos portuguesa face às bunds é atualmente nove vezes superior quando comparado com o prémio que os investidores exigiam a 2 de janeiro de 2001.

Foi a 30 de janeiro de 2012 que Portugal assistiu à mais grave crise de confiança dos mercados internacionais desde a criação do projeto da moeda única, numa altura em que se discutia o desmembramento da região de partilha da moeda com a crise na Grécia e em Portugal. Nesse dia, o prémio de risco superou os 1.500 pontos, indicando que os investidores exigiam mais 15% para deter dívida nacional em vez de dívida alemã.

https://eco.pt/2017/01/01/o-que-mudou-e ... s-do-euro/
 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Marco Martins » 2/1/2017 11:09

creio que a moeda única existe há 17 anos... pois em 1998/1999 passamos a ter euros nos nossos extratos bancários ... a moeda física, não sei se foi em 2000 ou 2001 que começou a circular....
 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por JohnyRobaz » 2/1/2017 13:59

http://expresso.sapo.pt/arquivos-expres ... o-dinheiro

Artigo interessante. Basicamente, ou os países da zona euro funcionam como uma equipa coordenada e todos seguem as regras que realmente têm mais impacto nos efeitos de existir uma moeda única, ou acabaremos na total desintegração europeia. Há que haver um equilíbrio simétrico e isso não se tem visto.
“E assim como sonho, raciocino se quero, porque isso é apenas uma outra espécie de sonho.”, Fernando Pessoa
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Marco Martins » 2/1/2017 14:46

JohnyRobaz Escreveu:http://expresso.sapo.pt/arquivos-expresso/2017-01-01-O-texto-duro-e-obrigatorio-que-temos-de-ler-sobre-a-Alemanha-e-o-dinheiro

Artigo interessante. Basicamente, ou os países da zona euro funcionam como uma equipa coordenada e todos seguem as regras que realmente têm mais impacto nos efeitos de existir uma moeda única, ou acabaremos na total desintegração europeia. Há que haver um equilíbrio simétrico e isso não se tem visto.


Sim, interessante.. e curiosamente a Alemanha é vista como um dos responsáveis dos problemas na europa!
Acredito que o Brexit traga maior pressão no seio da europa, até porque, mediante o sucesso das negociações com a europa, a Inglaterra poderá aliciar alguns países europeus para novos tratados se a europa não for "amiga" no processo de separação.

O que aconteceria na europa se Inglaterra criasse um novo mercado único em conjunto com Portugal e Espanha? Será uma ilusão descabida da realidade? O que é que Portugal escolheria se pudesse escolher?
 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Ocioso » 27/1/2017 20:40

 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Masterchief » 11/3/2017 17:29

Ocioso Escreveu:


Somos nós governados por gente deste "calibre"...
Não vi na altura este debate. Só agora encontrei esta "pérola".
Este senhor Amaral pelos visto é um defensor da saída de portugal do euro. E ainda acha que a UE iria apoiar a nossa saída "limpa" (como se tal coisa fosse possivel). Esta gente julga que os outros têm obrigação de nos sustentar. Aliás é esse o grande problema do nosso país. É acharmos que os outros devem trabalhar por nós e dar-nos a nós, que não fazemos nada para isso, o que eles ganham (não é este o principio "Xuxalista")?

Esta gente não tem sequer noção da catástrofe que seria a nossa saida da moeda unica. Como é possivel acharem que a saida do euro iria resolver alguma coisa em vez de agravar ainda mais a nossa situação?

Eu não consigo entender como, perante dividas geradas, alguém ache que existe alguma solução que não seja gastar menos do que aquilo que se ganha e aproveitar o que sobrar para pagar aquilo que já se está dever?!?! Não existe saida fácil duma situação destas. A saida vai doer. Tem que doer. Continuar a gastar mais do que se ganha é que não é solução. Nem mudar de moeda e sofrer uma desvalorização que iria ainda aumentar mais a divida.

Mas será que está tudo louco?!?!?
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por soseiquenadasei » 11/3/2017 20:46

Portugal não vai sair da zona euro, simplesmente a zona euro va acabar.A zona euro é como um prédio com vários condominos.Cada um zela pelos seus interesse e não quer saber dos outros.
Os EUA ou o Japão, é como o dono rico de uma moradia de luxo.ele é que manda e decide o que quer , se quer fazer uma piscina faz,não tem que pedir autorização a vizinhos.

nunca podemos esquecer que a zona euro nasceu , da comunidade do aço e do carvão, e o objectivo era evitar conflitos.

Prtanto não se preocupem em Portugal sair da zona euro
 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Ocioso » 12/3/2017 4:36

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por Ocioso » 12/3/2017 4:40

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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Ocioso » 18/3/2017 5:03

Iniciamos aqui, com a apresentação do livro «Euro, Dívida, Banca. Romper com os constrangimentos, desenvolver o País», a campanha nacional do PCP que realizaremos sob a consigna «Produção, Emprego, Soberania. Libertar Portugal da submissão ao Euro» que queremos e desejamos seja um importante contributo para um necessário e amplo debate sobre a produção nacional e o seu aumento e sobre os grandes constrangimentos que estão a pesar negativamente e de forma cada vez mais marcante no desenvolvimento do nosso País.

O mundo tem vindo a tornar-se cada vez mais inseguro e perigoso, para os trabalhadores, para os povos, para os Estados soberanos, para todos os que lutam ou aspiram a um futuro de progresso, de bem-estar, de justiça e de paz.

A grande crise capitalista, que irrompeu em 2007-2008, permanece na insuficiência de crescimento, na estagnação económica de vastas áreas geográficas e de actividade, na ameaça de novas crises financeiras na banca e nas bolsas, de novas recessões, de degradação ambiental, de agravamento das condições de vida dos trabalhadores e das populações.

O mundo é hoje não só mais perigoso e inseguro, mas também um lugar mais injusto.

O aumento da exploração, das desigualdades, das discriminações, a perda de direitos, a concentração obscena da riqueza de uns poucos a par do empobrecimento de muitos milhões de outros, o capital acumulado à custa da fome, das dificuldades, da degradação da vida das camadas populares e de povos inteiros.

Estima-se que agora os 1% mais ricos têm mais riqueza do que todo o resto do mundo, os restantes 99% da população mundial. Ainda há pouco tempo se revelou que oito multimilionários, os mais ricos entre os mais ricos, têm tanta riqueza como a metade mais pobre de toda a humanidade.

O brutal endividamento de governos, empresas e famílias que, nominalmente, mais do que duplicou desde o início do século, a volumosa especulação financeira que volta a despontar em variados domínios, os programas de expansão monetária dos bancos centrais que estimulam a especulação financeira mas não o investimento produtivo, a combinação perversa do aumento da liquidez e da instabilidade mundial que alimenta a dimensão e a volatilidade dos fluxos financeiros, produzindo bolhas financeiras por um lado e secando o financiamento de sectores e regiões por outro.

A que se somam as contradições e as rivalidades inter-imperialistas, acirradas pela persistência da crise mundial, a disputa de esferas de influência e de domínio, a instigação de conflitos e a intensificação das desestabilizações, das intervenções e das agressões em vários pontos do mundo pelos Estados Unidos, a União Europeia e a NATO, a acentuação de confrontos visando a China ou a Rússia, o belicismo e a imprevisibilidade da nova administração estadunidense, a forma como a União Europeia reage ao processo da desvinculação do Reino Unido da União Europeia, o terrorismo e o terrorismo de Estado, as derivas securitárias e reaccionárias e o crescimento da extrema-direita nos centros capitalistas.

O mundo está, de facto, mais perigoso, inseguro e mais instável.

O grande capital transnacional, as principais potências capitalistas e as instituições supranacionais ao seu serviço, lançam mais achas para a fogueira. À desregulação financeira e ao descontrolo do movimento de capitais, junta-se a pressão para a maior desregulação do comércio.

Não sem contradições, como mostram as anunciadas intenções, ditas “proteccionistas”, do novo governo dos Estados Unidos, orientadas não pelos interesses dos trabalhadores e dos povos, mas pela preocupação com a sua sustentabilidade interna e o declínio económico relativo do seu país no mundo, orientadas também pelos interesses de fracções da oligarquia estadunidense.

O exemplo mais gravoso para o nosso País é o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, que liberaliza o comércio e investimento entre a União Europeia e os Estados Unidos, mas o Parlamento Europeu aprovou no mês passado, com os votos favoráveis de PS, PSD e CDS, aquele que é considerado a sua antecâmara, o CETA, Acordo Económico e Comercial Global entre a União Europeia e o Canadá, que a Comissão Europeia pretende fazer vigorar «provisoriamente» enquanto decorre o processo de ractificação pelos Estados-membros.

As implicações e as ameaças dos tratados de livre comércio, verdadeiros tratados das transnacionais, colidem directamente com os ordenamentos jurídicos, o bem-estar e o desenvolvimento dos povos. O que se exige, pelo contrário, são acordos de cooperação mutuamente vantajosos, que salvaguardem a soberania nacional, que respondam às necessidades e interesses dos povos, que defendam os direitos sociais, laborais, democráticos, ambientais e ao desenvolvimento.
O envolvimento da União Europeia como agente activo e promotor da globalização capitalista, acrescenta mais uma dimensão aos condicionamentos que impõe ao nosso País, duplamente constrangido pelo mercado único e pela desregulamentação do comércio externo da União, pela concorrência aberta e desleal com países de muito maior produtividade e as transnacionais que exploram a mão-de-obra barata dos países em desenvolvimento.

Outra vez a União Europeia, construção dos grandes grupos económicos e financeiros europeus, a fazer valer a sua natureza e os seus objectivos de classe, outra vez a coagir a soberania e o desenvolvimento de Portugal.

Como o faz nesse outro processo que corre em simultâneo, a conclusão da União Bancária, que enfraquece, ou mesmo inviabiliza, o controlo público e promove a alienação, a “desnacionalização”, a dominação e a concentração da propriedade e gestão dos bancos nacionais pelos megabancos europeus.

Como o faz com a União Económica e Monetária e a trama que foi tecendo – o Euro, o Pacto de Estabilidade e Crescimento, a governação económica, o Semestre Europeu, o Tratado Orçamental –, de institucionalização das políticas de exploração e empobrecimento, do corte da despesa social e do investimento público, de promoção da concentração e centralização de capitais, que acentuou o enviesamento recessivo e especulativo da economia europeia.

Como o faz com a multiplicação e o aperto das ingerências, das pressões, das chantagens, dos ultimatos, como evidencia o aperto das próprias regras institucionais, o visto prévio do orçamento, os programas de estabilidade e nacional de reformas, a ameaça de sanções financeiras e de suspensão de fundos comunitários.

Foi dentro desta moldura económica e institucional, da globalização capitalista e da crise mundial, dos condicionamentos da União Europeia e da crise europeia, que Portugal foi duramente atingido pela crise em 2008, agravada posteriormente com a intervenção da troika, chamada por PS, PSD e CDS em Maio de 2011.

Ao ritmo, muito insuficiente, a que cresce, só lá para 2019 se aproximará dos níveis de produção de riqueza que tinha antes da crise, confirmando mais uma década perdida desde a introdução do Euro.

Portugal é hoje um país desindustrializado, dependente, periférico, empobrecido.

A indústria tem um peso no produto inferior em cerca de um quinto ao do final do século passado. A agricultura, produção florestal e pescas representam pouco mais de 2%.

Agrava-se por conseguinte a “terciarização” da economia portuguesa, com o aumento do peso do comércio e serviços. Mas também o seu carácter especulativo e parasitário, bem patente na subida acentuada do peso das actividades imobiliárias.

O investimento, em relação ao PIB, é o mais baixo desde o começo da década de 50 e já não repõe sequer a degradação e envelhecimento do aparelho produtivo. A despesa com a investigação e desenvolvimento também está em queda desde 2009. Assim se compromete seriamente o crescimento futuro.
As exportações aumentaram, mas a obtenção de excedentes comerciais reflecte sobretudo a contenção das importações com a compressão do consumo e do investimento. O comércio externo afunilou na União Europeia e na zona Euro. O défice tecnológico continua a deteriorar-se.

O peso do turismo torna-se cada vez mais determinante na actividade económica e nas exportações. As viagens e turismo já representam perto de metade das exportações de serviços. Mas a sua dinâmica, que beneficiou do desvio dos fluxos turísticos com a crise dos refugiados e as agressões e conflitos no Norte de África e Médio Oriente, está muito dependente das conjunturas externas e sujeita à competição agressiva de outros destinos na Europa e no mundo.
Apesar dos avanços nas energias renováveis, a dependência energética do País continua a ser gigantesca. Com recursos próprios, assegura apenas cerca de um quarto do seu consumo energético.

A soberania alimentar ainda é uma miragem e exigiria outra orientação não enfeudada ao agronegócio.

Os endividamentos público e externo atingiram níveis inauditos. Com uma dívida pública de 130% do PIB, Portugal é o quinto país do mundo com maior dívida pública. E com uma dívida externa de 105% do PIB, também é o quinto com maior dívida externa.

O País paga anualmente em juros da dívida pública mais de oito mil milhões de euros, dos quais mais de metade sai para o estrangeiro, para os credores oficiais da troika e os credores privados externos, fundamentalmente bancos e fundos de investimento.

As famílias e empresas também permanecem muito endividadas. O sistema bancário, globalmente deficitário, continua atulhado de crédito malparado.
Com as privatizações e a participação estrangeira no capital e dívida nacionais, foram drenados para fora do País, em termos líquidos, mais de 87 mil milhões de euros desde o início do século em juros, lucros e dividendos. Uma soma colossal que reflecte o crescente domínio externo da economia portuguesa.

A persistência da crise económica faz-se acompanhar pela persistência da crise social.

Deu-se, nos últimos anos, um forte agravamento da exploração dos trabalhadores, como atesta a expressiva diminuição dos custos unitários reais do trabalho.

A recuperação do emprego é muito insuficiente e mantém-se um elevado desemprego estrutural, incluindo jovens, diplomados do ensino superior e desempregados de longa duração.

A precariedade consolida-se massivamente, bem como a emigração. A natalidade é a mais baixa da União Europeia. O País envelhece e perde população.

O bem-estar económico e social dos portugueses permanece aquém dos níveis europeus. O PIB e o consumo per capita estão claramente abaixo da média da União Europeia e a léguas dos seus países mais desenvolvidos. Em contraste, as desigualdades salariais e sociais estão claramente acima.

São cada vez mais os trabalhadores a ganhar o salário mínimo. Portugal tinha, em 2015, cerca de 2,6 milhões de pobres. Se não fossem as transferências sociais, incluindo as pensões de reforma e sobrevivência, seriam perto de metade da população, mais de 46%. Cerca de um quinto da população vive em privação material.

O atraso, o subdesenvolvimento, a degradação e o empobrecimento do País são o resultado de problemas estruturais – da dominação monopolista, dos constrangimentos da União Europeia, do enquadramento internacional, da crise do capitalismo – e o resultado da política de direita, prosseguida pelos sucessivos governos, reforçada pelo anterior do PSD/CDS e a intervenção da troika.

O governo minoritário do PS vive uma contradição insanável. A recuperação e a melhoria dos níveis de vida do povo português colidem com o acatamento dos condicionamentos da União Europeia, especialmente os que decorrem da integração monetária, e com os interesses dos grandes grupos económicos, associados e dependentes dos monopólios estrangeiros.

Os limites da governação são cada vez mais visíveis. O restabelecimento e o progresso da situação material da população, mais geralmente o desenvolvimento do País, exigem o enfrentamento dos constrangimentos externos e do grande capital nacional.

Portugal beneficia, numa conjuntura que pode alongar-se, das baixas taxas de juro, dos baixos preços de petróleo, do Euro depreciado, do prolongamento do programa de expansão monetária do BCE, da recuperação económica nos principais destinos das suas exportações (Espanha, França e Alemanha), além do afluxo de turistas desviados de outros destinos. Factores favoráveis, mas que o País não controla, nem determina e que, ainda assim, são incapazes de o retirar da estagnação, como comprova a insuficiência do crescimento. E que fazem recear por este, quando já não estiverem presentes.

Há uma grande verdade que o PS precisa de entender: problemas estruturais só se resolvem com soluções estruturais.

Portugal precisa de combater os seus défices, energético, alimentar, tecnológico e demográfico. Precisa de afirmar a sua soberania e resistir ao rolo compressor da globalização capitalista, defender o seu mercado interno e a sua produção nacional, não para comerciar menos mas para comerciar mais, não para fechar Portugal ao mundo, mas para desenvolver relações comerciais e de cooperação mutuamente vantajosas.

Mas entre os mais graves constrangimentos estruturais, cuja resolução está ao alcance da vontade, da determinação e da luta do povo português, embora conte com a oposição actual de PS, PSD e CDS, contam-se a devastadora integração no Euro, o colossal endividamento público e externo, a dominação monopolista sobre a banca.

Portugal não está condenado ao declínio e a uma posição cada vez mais subalterna na divisão internacional do trabalho, não está condenado à estagnação e ao empobrecimento.

Mas para isso precisa de crescer e de se desenvolver. Precisa de investimento para promover a produção e a produtividade, a competitividade, o crescimento, o emprego e o bem-estar social e precisa de ganhar margem de manobra para afirmar o seu projecto soberano de desenvolvimento.

As libertações do Euro, da dívida e da banca privada, destinam-se precisamente a criar condições para assegurar o financiamento desse investimento e desse crescimento e para ampliar a autonomia e as potencialidades do desenvolvimento nacional.

Na concepção do PCP, estas três rupturas, a libertação da submissão ao Euro, a renegociação da dívida, o controlo público da banca, são interdependentes. Concebidas, preparadas e, sem prejuízo de avanços particulares, concretizadas em conjunto, numa solução integrada, articulada com a orientação e as medidas de uma política patriótica e de esquerda para o País.

Aproveitando conjunturas particulares, progressos parciais em cada área são possíveis e bem-vindos, mas é uma evidência que necessitam, a dado passo do seu aprofundamento, da libertação dos condicionamentos económicos e políticos do Euro.

Basta dizer que, desde a adesão, Portugal foi um dos países que menos cresceu no mundo e um dos países que mais se endividou no mundo. Daí a justeza da campanha lançada pelo nosso Partido.

A política de recuperação de rendimentos e direitos, para ser consistente e consequente, não pode ser permanentemente posta em causa e contrariada pelo enquadramento estrutural e institucional em que intervém.

Sem atacar os constrangimentos externos, designadamente do Euro e da dívida, e enfrentar o capital monopolista, designadamente na banca, não será possível avançar muito e será sempre possível recuar muito. A história recente do País mostrou-o.

Este livro, que o camarada Vasco Cardoso apresentou na sua essência, é uma proposta de reflexão, com uma radiografia actualizada da situação nacional e das consequências do Euro, da dívida e da banca privada, e uma fundamentação da necessidade – como diz o título – de romper com esses constrangimentos para desenvolver o nosso País.

Muito obrigado pela vossa atenção.

http://www.pcp.pt/euro-divida-banca-rom ... olver-pais
 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Ocioso » 19/3/2017 23:21

Para Cavaco Silva, só a Alemanha poderia sair sem grandes custos da zona euro. No entanto, não o faria "porque o marco valorizar-se-ia imediatamente".

Cavaco Silva não prevê “o desmoronamento do euro” e salienta que a maior parte dos políticos que defendem essa opção “ignoram as consequências”.

“Quanto ao desmoronamento, queria já agora explicar: eu acho que não se vai desmoronar a zona do euro, porque qualquer governo com o mínimo de bom senso que à sexta-feira pense em tirar o seu país do euro, no domingo entra em pânico sobre aquilo que acontece na segunda-feira”, afirmou o antigo Presidente da República em entrevista ao Público (acesso pago).

“A maior parte dos políticos por essa Europa fora e em Portugal que falam na retirada do seu país da zona euro eu acho que ignoram as dificuldades e ignoram as consequências”, acrescenta.

Para ilustrar as consequências no caso de Portugal, o ex-chefe de Estado cita as conclusões de um economista francês, Jean Pisani-Ferry, a propósito da Grécia: “a situação seria financeiramente caótica, socialmente devastadora e economicamente ruinosa”. “Estou convencido que Portugal será membro da união monetária, da zona do euro, enquanto ela existir, porque eu não prevejo que Portugal enlouqueça — porque só se Portugal enlouquecesse é que saía da zona do euro“, remata.

Num cenário destes, o país regressaria à moeda própria: “o escudo não é uma moeda aceite nas transações internacionais; uma moeda que não é aceite nas transações internacionais suporta o custo de transformação da sua moeda nas outras, um custo de transação e a incerteza cambial; como há uma incerteza cambial, as taxas de juro que esse país suporta são elevadíssimas”, diz.

“Há políticos que olham para a zona do euro e dizem que a zona do euro é a bruxa má, quando deviam agradecer as taxas de juro que este momento pagam em resultado da política seguida pelo BCE. De acordo com as contas da Comissão, só em juros da dívida pública o conjunto dos países da zona euro já poupou cinquenta mil milhões de euros”, adianta ainda Cavaco Silva.

Portanto, para o antigo Presidente, estão em causa “coisas óbvias”, ou seja, “só um enlouquecimento da parte de Portugal é que podia levar a que os políticos perdessem o pavor que devem ter, se forem responsáveis em relação ao dia seguinte”. Só a Alemanha poderia sair sem grandes custos da zona euro, mas não o faria “porque o marco valorizar-se-ia imediatamente”, declara.

Nesta segunda parte da entrevista — a primeira foi publicada no sábado –, Cavaco Silva também frisa que a saída do Reino Unido da União Europeia tem custos para os dois lados. No caso do Reino Unido, aponta a dificuldade em defender interesses na cena internacional; já a UE “perde um parceiro importante, que tem algumas especificidades únicas”. “É o que acontece em matéria de serviços financeiros. Todos sabemos que é um dos países mais desenvolvidos na área dos serviços financeiros, e também a capacidade militar. Quando se fala da necessidade de uma política europeia de defesa comum, a Grã-Bretanha tem uma capacidade militar e uma disponibilidade para a utilizar que os outros não têm”, acrescenta. Já “Portugal não tem razão para se preocupar mais do que se preocupa a média da UE” com o Brexit.

Questionado sobre o referendo, Cavaco Silva nota: “sou daqueles que têm alguma dúvida que numa democracia se possa decidir por um voto algo que ponha em causa os avanços institucionais, económicos, sociais alcançados durante décadas e que se lance uma carga muito forte, uma herança pesada sobre a geração futura”. E perguntou: “Costumo dizer: poder-se-ia decidir por referendo, por um voto, que se vá pôr fim à abolição da pena de morte? Que se deixe de proibir o trabalho de menores, de crianças? Há questões civilizacionais”. No caso da saída da UE, “são as gerações mais velhas que votaram claramente pela saída — que vão desaparecer não daqui a muito tempo”, concluiu o ex-chefe de Estado.

https://eco.pt/2017/03/19/cavaco-silva- ... a-do-euro/
 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Ocioso » 25/3/2017 0:09

É preciso pôr os pés na realidade e deixar de ter ilusões. O crescimento económico de 1,5% previsto pelo Governo de António Costa para 2017 está longe de ser suficiente, dizem dois economistas alemães.

Portugal está “falido”, diz Thomas Mayer. Segundo o ex-economista chefe do Deutsche Bank, é preciso chamar os “bois pelos nomes”. Basta olhar para a dívida pública portuguesa, superior a 130% do Produto Interno Bruto (PIB).

Se não fosse o rating acima de “lixo” de uma agência de notação financeira, a DBRS, Portugal estaria em maus lençóis, constata Mayer.

“Assim que a DBRS reduzir o rating, Portugal deixa de se conseguir financiar no mercado”, sublinha.

O crescimento económico previsto no Orçamento do Estado é baixo, afirma Thomas Mayer, que não é o único a dizê-lo. O Conselho das Finanças Públicas defendeu, em meados de Novembro, que o crescimento “não pode resultar apenas de estímulos à procura interna”. Mais do que medidas pontuais, será preciso uma “mudança de comportamentos”.

O ex-economista chefe do Deutsche Bank concorda. Afirma que, para Portugal ser mais competitivo, teria de prosseguir as reformas do anterior Governo de Pedro Passos Coelho, como também já disse publicamente o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble.

“Mais horas de trabalho, mercados de trabalho mais flexíveis, talvez uma taxa de desemprego mais alta temporariamente. Coisas que o Executivo anterior fez, mas não tiveram continuação. Resta então uma única alternativa, sair do euro”, defende.

Mas, para outro economista alemão, Daniel Stelter, diminuir salários e aumentar horas de trabalho está fora de questão.

“Se se reduzisse os salários, a crise agravaria e seria mais difícil pagar as dívidas. Imagine que compra uma casa em Lisboa. Antes ganhava 5.000 euros, mas passa a ganhar 3.000. Ia ter problemas”, argumenta.

Por isso, este ex-consultor do Boston Consulting Group propõe assumir a falência e reestruturar a dívida.

“O racional seria sentarmo-nos, reestruturar a dívida, fazer reformas. E olharmo-nos olhos nos olhos e perguntar: quem consegue aguentar o espartilho do euro e quem não consegue”, defende.

Para alguns, isso significaria sair do euro. Mas Stelter duvida muito que isso aconteça: Os governantes europeus vêem que o “rei vai nu”, mas ninguém o diz.

“Imagine que Angela Merkel se recandidata a chanceler e diz: ‘a propósito, o resgate do euro vai custar-nos 1 bilião’. Isso não seria muito popular”, conclui o economista.

http://rr.sapo.pt/noticia/69706/economi ... ais_falido
 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Opcard » 25/3/2017 9:36

Euro a prisão perpétua , amarrados para sempre ?

Para os países sul saída seria a falência imediata bacarrota haveria uma fuga de capitais generalizada a nova moeda valeria muito menos mas as responsabilidades continuariam em Euros '

Para Alemanha teriam consequências menos dramáticas mas teriam grandes perdas a sua nova moeda iria valorizar fortemente em relação ao euro , como o que lhe devem está em euros seria nesta moeda que iriam receber , nos últimos anos eles estão a colocar as suas economias e a investir fora da zona euro .

Alemanha tem uma poupança de 8% do seu PIB , ou seja não utilizam internemente os seus excedentes comerciais, nos 10 primeiros anos esse dinheiro foi canalizado para os países do Sul tudo parecia funcionar na perfeição um sistema monetário unificado obriga a que o dinheiro circule .

Mas para que serviu esse dinheiro no Sul ,bolhas imobiliárias , maus investimos , Projectos ridículos , empréstimos bancários que não são reembolsados ..... os alemães perceberam que nao podem fazer confiança estavam a lidar com povos pouco sérios que gastam o dinheiro dos outros em de álcool e mulheres .. .

É necessário fazer tudo para recuperar a confiança dos alemães( houve um político português que lutou por isso )
( repito vendo as contas na zona euro as poupanças alemãs estão a ser canalizadas para fora do espaço euro por enquanto tem sido o BCE com a sua liquidez a substituí-los , os não residentes tem vendido dívida que o BCE compra ) sem uma circulação monetária normal não vejo como pode funcionar o Euro .
 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Ocioso » 3/4/2017 21:46

Votada à estranha impotência a que o apoio do seu partido ao “Governo da iniciativa do PS” sem que a ele pertença a vai condenado, Catarina Martins tem de aproveitar todas as oportunidades possíveis para fingir que existe. Foi o que fez na semana passada, à saída de uma reunião da mesa nacional do Bloco de Esquerda, em que disse ser “urgente preparar o país para o cenário da saída do euro ou mesmo do fim do euro”. A afirmação cumpriu o objectivo para que foi feita, já que não houve órgão de comunicação social que não a tenha reproduzido como se de um novo discurso de Péricles se tratasse. Já de que tenha sido de algo sensato tenho as maiores dúvidas.

Em parte, a moeda única não trouxe boas notícias para o nosso país. Como nota Luciano Amaral num livrinho que merece ser lido, para poder aderir ao euro, os governos portugueses adoptaram uma política de valorização cambial que “penalizou” as exportações. Uma vez no euro, essa “sobrevalorização” da moeda em relação à nossa capacidade produtiva cristalizou-se definitivamente, contribuindo de forma significativa para nossa estagnação económica – o excessivo peso do Estado conjugado com a perene falta de capital na economia portuguesa não tiveram um papel menos importante – desde 2000.

Mas o principal efeito da nossa adesão ao euro foi ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição. Ao nos atribuir a mesma moeda de países como a Alemanha, deu também à nossa economia (e ao nosso Estado) quase “grega” a capacidade de nos endividarmos de países mais “confiáveis” do que até ia tínhamos sido: a presunção de que, partilhando a moeda com esses países, Portugal estava sujeito a regras orçamentais que disciplinariam as suas finanças públicas de uma forma que o país nunca (excepto em ditadura) havia conseguido enquanto mantivera independência cambial e dando aos potenciais credores a confiança de que veriam o seu dinheiro de volta, sentindo-se assim seguros para emprestar dinheiro a Portugal sem cobrar juros tão altos como antigamente.

Por paradoxal que possa parecer, foi também essa inegável vantagem que teve o problema de tornar mais fácil o desvario estatal que quase nos levou à bancarrota em 2011: com o escudo, “os mercados” teriam acordado para as asneiras que por aqui estavam a ser feitas muito mais cedo, e estas teriam sido bem menores.

Mas, embora tenha dado à crise um carácter que ela não teria caso o escudo ainda fosse a moeda do nosso país, a verdade é que o euro também ajudou a que ela não fosse mais grave. Se Portugal não estivesse na moeda única, não teria sido resgatado pelos seus parceiros europeus em 2011, nem beneficiaria hoje da política do BCE que nos vai permitindo fingir que não estamos à beira do abismo.

Catarina Martins fala do euro como um obstáculo ao crescimento, mas ignora a catástrofe que uma saída do euro representaria para a sociedade portuguesa: ninguém nos emprestaria dinheiro a juros suportáveis, ninguém nos resgataria da consequente bancarrota, o desemprego explodiria, e a pobreza alastrar-se-ia.

Ou talvez não ignore. Talvez o caos e o descalabro seja precisamente o que Martins e os seus correligionários desejam. Talvez esperem que deles brote um tal descontentamento popular com os principais partidos que lhes abra o caminho do poder para promoverem a sua política revolucionária e anti-democrática (sob a capa do “aprofundamento” da democracia, desfigurando-a).

Quer o BE queira “preparar” a saída euro por oportunismo ou por inconsciência, o certo é que os portugueses fariam bem em ignorar o seu conselho. A criação da moeda única e, acima de tudo, a nossa entrada nela talvez tenham sido um erro. Mas uma vez cometido, esse erro não seria anulado por se acumular com outro ainda maior, com consequências ainda mais graves. E se porventura não tivermos alternativa – se Portugal for expulso da moeda única ou se esta, pura e simplesmente, se extinguir – não haveria preparação que nos salvasse da desgraça que imediatamente se abateria sobre o nosso pobre país.

http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noti ... cao-141348


“Para recuperar a capacidade democrática do nosso país sobre a economia e a finança, é urgente preparar o país para o cenário da saída do euro ou mesmo do fim do euro”.

Esta frase podia ter sido dita por Marine Le Pen, mas foi dita (e escrita) pela líder do Bloco de Esquerda há duas semanas.

Ora, isto levanta uma questão importante: a deputada Catarina Martins acha que o Euro vai acabar, ou, segunda hipótese, mesmo que o Euro não acabe, entende que Portugal deve sair da moeda única?

Se é a primeira hipótese, então convinha que a deputada Catarina Martins diga como vê o fim do Euro. Eu vejo algumas ameaças, mas sinceramente, não consigo descortinar, a 5 anos, nenhum “cisne negro” que possa resultar no fim da união monetária. Mas seguramente a senhora deputada refletiu muito sobre este tema, e irá, muito brevemente, dizer-nos o que pensa sobre o assunto. E basta responder a três perguntas:

Porque vai o Euro acabar?
Como acha que se processará o seu fim?
Como deve Portugal atuar?
Se é a segunda hipótese, em que a senhora deputada entende que Portugal deve abandonar o Euro, então convinha perguntar o seguinte:

Qual a legitimidade democrática dessa decisão, quando todos os estudos e sondagens dizem que a larga maioria dos portugueses são favoráveis ao Euro? Através de um referendo? Mas não vê que esse referendo colocaria Portugal numa situação de enorme fragilidade?
Defende que Portugal negoceie a sua saída com os restantes membros? Se sim, como? A que custo? Com que benefícios? Como vê a posição negocial dos restantes países?
Ou defende que Portugal pura e simplesmente saía do Euro, de forma unilateral? Se sim, com que argumento? E com que consequências? E com que benefícios?
Repare-se que aquela frase não foi dita num qualquer comício, fruto de uma exaltação momentânea. Sabemos como por vezes momentos de massas podem levar a que as pessoas digam coisas que não fazem sentido. Recordo-me de um professor de Economia, num comício, afirmar que “só o trabalho gera valor, o capital nada faz”. E ainda deu como exemplo uma metáfora, usando dois coelhos (“que se forem macho e fêmea reproduzem-se”) e duas notas (“se puserem duas notas de cem numa caixa, acham que saem notas de vinte?”). Isto dito numa aula do 1º ano de Economia geraria a galhofa geral. Dito num comício passa.

Não, a frase foi escrita, o que significa que podemos assumir que, tratando-se de pessoas sérias, o Bloco de Esquerda ou acha que o Euro vai acabar, ou defende a saída de Portugal, mesmo sem o fim da moeda única.

Mas quais seriam as consequências de uma saída de Portugal da zona Euro, sem que esta terminasse?

Seria um processo extremamente complexo e difícil. Teríamos de fechar as fronteiras, proibir os levantamentos de dinheiro, terminar com a liberdade de capitais, intervencionar a banca e manter a ordem pública. Só que, como o processo não seria feito de um dia para o outro, a fuga de depósitos e capitais seria elevadíssima. E provavelmente sem qualquer apoio do Banco Central Europeu.

E como pagar as importações sem moeda externa para o fazer? Sabem qual seria o primeiro produto a acabar nos supermercados? O pão, dado que Portugal importa quase 100% dos seus cereais dos EUA e da Ucrânia.

Além da monstruosa tarefa de emitir moeda (retirar os euros de circulação, coisa quase impossível, porque toda a gente amealharia os seus euros), bem como a de alterar toda a legislação e contratos. Mudar todos os sistemas de pagamento, desde os centrais dos bancos até à máquina de venda de bilhetes na estação dos comboios.

Mas vamos admitir que a transição se fazia, e o “novo Escudo” entrava em circulação, valendo cada euro 200 “novos escudos”, para repor aproximadamente o câmbio do Euro decidido em 1999. Claro que não sendo o “novo Escudo” uma moeda aceite internacionalmente, a sua desvalorização seria brutal. Arrisco dizer talvez 70%-80% no primeiro ano. Ou seja, ao fim de um ano, 200 “novos escudos” já não comprariam um euro, mas sim 20 ou 30 cêntimos. Uma brutal redução dos rendimentos e das poupanças dos Portugueses. Os Portugueses mais velhos, que viveram o final dos anos 70 e início dos anos 80 sabem do que falo. De como não era possível “passar Badajoz”, porque a moeda deixava de ter valor.

Também não é claro o que aconteceria aos nossos empréstimos com o exterior. Se permanecessem em euros, com a brutal desvalorização do escudo, teríamos muita dificuldade em pagar, e entraríamos em incumprimento. Se passassem para escudos, a perda dos investidores também seria muito elevada. Em todo o caso, esperavam-nos muitos anos pela frente sem crédito, com uma moeda muito fraca, que tornaria as importações proibitivas.

E não se acredite que isso tornaria as exportações mais baratas. Recorde-se que 50% do que exportamos implica importações. E depois o custo do capital dispararia, bem como os custos de transação entre o “novo Escudo” e o Euro. Além disso, ao desvalorizar a moeda, os trabalhadores reclamariam aumentos salariais que, no limite, neutralizariam esse efeito. A única hipótese de tal não acontecer era uma flexibilização total do mercado laboral, por forma a ajustar os salários reais. Não é isso que o Bloco espera, pois não?

E as taxas de juro só não “explodiriam” se o governo se comprometesse com excedentes externos e orçamentais elevados, por forma a atrair divisas estrangeiras. Uma “austeridade” muito superior à da Troika.

Por último, qual seria a posição de Portugal na União Europeia, saindo do Euro? Acreditam que os restantes 18 países da zona Euro estariam dispostos a continuar a aceitar Portugal e a negociar com o nosso governo?

Mas devemos mesmo ao Euro a estagnação da economia Portuguesa dos últimos 15 anos? Na realidade, a participação na moeda única trouxe um conjunto de benefícios económicos e financeiros, que não soubemos potenciar: uma brutal redução dos custos de financiamento, a eliminação de custos de transação monetária em 70% das nossas exportações e um nível de inflação baixo. Mas também benefícios políticos: a independência do Banco Central e o não controlo pelo poder político da política monetária. A emissão de moeda nas mãos dos políticos nacionais é o caminho para o desastre.

Entretanto, a deputada Catarina Martins deu uma entrevista ao jornal “i”, em que afinal parece que a austeridade ainda não acabou e que afinal a venda do Novo Banco já está tudo bem. Parece-me que esta história da saída do Euro, tal como a “reestruturação da dívida pública”, são como a história do “Pedro e do Lobo”. São uma fábula, em que para manter uns papalvos entretidos, se grita pelo “lobo”, mas sem nunca se explicar ou avançar para tal.

Convinha dizerem de facto o que querem, e explicarem que consequências estas “brincadeiras” teriam. E neste assunto da saída do Euro, bem como no da reestruturação da dívida pública, convinha que passassem das palavras, e apresentassem os estudos. Já vai demasiado tempo a falar do assunto para o ter estudado.

No fundo, seria transformar Portugal na Venezuela da Europa. Na semana passada, o governo da Venezuela (além do golpe de Estado em curso) proibiu as padarias de produzir bolos. Parece que a causa é a escassez de farinha, necessária para produzir pão. Qualquer economista sério dirá que é o falhanço do modelo socialista (na Venezuela e em qualquer outro lugar). O Bloco e o PCP dirão que é uma medida de saúde pública para combater a obesidade e a diabetes.

Que o PS (um partido Democrático e Europeísta, de Soares, Zenha ou Medeiros Ferreira), ande atrelado a esta gente, apenas diz do estado a que chegámos. E não me canso de citar Maquiavel: “Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela”.

https://eco.pt/opiniao/sair-do-euro-2/
 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Ocioso » 30/11/2018 4:16

 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por lfhm83 » 9/1/2019 13:20

Um espectacular artigo do Ricardo Arroja :clap: :clap: :clap: Vale a pena ler.

https://eco.sapo.pt/opiniao/que-o-euro- ... -moeda-boa

A moeda única fez há dias 20 anos de idade. O sentimento não foi propriamente de celebração, mas também não foi de pesar. Não pôde ser de celebração, certamente no caso de Portugal, porque no período da sua existência a economia nacional distanciou-se das outras economias que connosco partilham a moeda única. Mas também não foi de pesar porque, apesar de tudo, o euro encontrou a aceitação da generalidade da opinião pública na Europa, incluindo nos países com desempenhos económicos mais fracos, como as sondagens bem revelam. É, aliás, paradoxal que o euro, constituindo tecnicamente um instrumento de integração económica, seja hoje encarado como fim político e apreciado precisamente nessa dimensão. É paradoxal porque o euro, do ponto de vista económico, não serviu a largas franjas da população.

Eu sou de 1978. Pertenço àquela geração, porventura a última, que conviveu conscientemente com o escudo antes da chegada do euro. A geração dez anos mais nova do que a minha já só conheceu o euro. Da minha adolescência, vivida no Porto na década de 90, recordo-me que com 1.000 escudos no bolso dava para jantar fora (na lendária casa “O Maior”!) e para prolongar a noite. Com 2.000 escudos mais folga havia. E com 5.000 escudos (cinco contos!!) a sensação era absolutamente milionária. Hoje, 1.000 escudos (5 euros) mal chegariam para o prato do dia e 5.000 escudos (25 euros) também não chegariam muito longe. Ao mesmo tempo, naquela mesma época, também me lembro de um par de jeans Levi’s custar dezoito contos (90 euros), um preço proibitivo à época, mas que corresponde aproximadamente ao preço de hoje.

Os exemplos anteriores, embora redutores, mostram como era a vida em Portugal antes do euro. Os bens e serviços que eram importados custavam caro ou muito caro. Os de conteúdo ou de produção nacional apresentavam preços razoáveis para as carteiras locais. Quais foram então os principais méritos do euro? O grande mérito foi o abaixamento das taxas de juro, que antecedeu a adesão ao euro, e que alargou o acesso a capital estrangeiro. Foi uma grande oportunidade para Portugal. O outro mérito esteve relacionado com a abertura comercial ao exterior. Foi o acesso a bens e serviços importados que, sendo proibitivos com escudos, passaram a ser acessíveis com euros. E foi, sobretudo, o acesso das empresas portuguesas ao mercado único europeu.

Mas, como dizia Milton Friedman, na economia não há almoços grátis. Por isso, a adopção do euro em Portugal, uma economia menos produtiva do que aquelas que connosco iriam partilhar a moeda única, representou naqueles anos iniciais uma perda súbita de competitividade externa.

As condições de partida não auguravam grande chance a Portugal. A economia estava ainda muito atrasada face às economias mais fortes, às quais a moeda única estava ancorada. Porém, não foram só as condições de partida que nos penalizaram. Foi, acima de tudo, a nossa incapacidade de beneficiarmos das vantagens do euro, e da pertença à primeira divisão da Europa, que em muitos domínios conduziu às oportunidades perdidas. Não é que não tenhamos evoluído nestes vinte anos. Uma parte da nossa economia evoluiu e de que maneira – basta olhar para o peso das exportações no PIB português. Mas, globalmente, os outros países evoluíram muito mais.

Em 1999, segundo dados da AMECO, o PIB per capita ajustado pela paridade do poder de compra em Portugal representava 74% da média da zona euro. Hoje, o mesmo rácio está em 73%. Entre os doze membros iniciais do euro (incluindo a Grécia que só aderiu em 2001), nestes vinte anos de moeda única, para além de Portugal, o retrocesso económico face aos demais ocorreu também em Itália e na Grécia.

Nos restantes países, designadamente em Espanha e sobretudo na Irlanda, frequentemente incluídos na comparação entre países periféricos, os últimos vinte anos foram de evolução económica. No caso da Irlanda, a evolução foi mesmo extraordinária. Ou seja, as condições de partida não nos eram favoráveis, como também não eram para outros países, mas enquanto a maioria aproveitou a oportunidade, e alguns fizeram-no de modo espectacular, nós não o soubemos fazer. É na evidência anterior que resta a minha ambivalência face à moeda única. Por um lado, o apoio da opinião pública ao euro é indiscutível – incluindo nos países onde ele não produziu o sucesso ambicionado – e a verdade é que ele não prejudicou o andamento económico da maioria dos seus membros. Mas, por outro lado, se as condições de partida já não eram favoráveis para Portugal em 1999, as condições de evolução em 2019 não são infelizmente melhores.

A ideia de uma Europa aberta e em paz é frequentemente atribuída ao euro, todavia, o verdadeiro esteio dessa abertura e dessa prosperidade é o mercado único. No sistema europeu, a boa moeda é o mercado único, não a moeda única. Ainda assim, admitindo que o primeiro não sobreviveria ao ocaso da segunda, deve-se pensar na reformulação da moeda única. Num artigo publicado há dias na revista The Economist (“The euro enters its third decade in need of reform”, acesso pago), o ensaísta argumenta pela necessidade de concluir a união bancária e de encontrar um novo mecanismo orçamental de amparo em momentos de crise. As ideias, apesar de bem explicitadas, não são novas.

A união bancária tem vindo a ser discutida desde 2012 e para já pouco se avançou. Os sistemas bancários nacionais continuam balcanizados e a actividade transfronteiriça na banca continua aquém do desejável. A regulação financeira também não ajuda porque, ao fomentar a aplicação de recursos bancários em dívida pública (que, em sede de activos ponderados pelo risco, são ponderados a zero), os bancos da periferia, encontrando-se mais necessitados de obter rendimentos, são incentivados a carregarem-se de dívida pública de maior risco, perpetuando o seu perfil creditício, o contágio entre soberanos e bancos, e vice-versa.

Quanto à ideia do novo mecanismo orçamental, as propostas de Macron, com vista a um orçamento europeu reforçado, para além do que já existe, têm encontrado pouco acolhimento junto dos países do Norte. Na verdade, as divisões políticas começam a acentuar-se e a probabilidade de que as regras orçamentais sejam expandidas em prol da periferia parecem reduzidas.

Sobre o sentido de comunidade na União Europeia, em particular na zona euro, é importante notar que, depois de uma primeira década em que os países do centro e norte da Europa beneficiaram da expansão económica, a última década tem sido uma década de retrocesso para muitos deles face ao conjunto do euro. É o caso da Finlândia, da França, da Holanda e até o caso do Luxemburgo. Nestes países, o PIB per capita ajustado pela paridade do poder de compra, em percentagem da média da zona euro, é hoje inferior ao que era em 2009.

Assim, para se ultrapassarem os problemas de arquitectura institucional da zona euro será necessário alterar algumas regras. Mas, sobretudo, será crítica a mudança de filosofia subjacente ao projecto europeu. Na União Europeia de hoje, e mais ainda na zona euro, há demasiada preocupação com a coordenação e a centralização das políticas europeias, quando na realidade se deveria pensar mais na cooperação e na descentralização. Quanto ao euro, trata-se de um meio e não de um fim. O seu propósito é o de facilitar o crescimento económico nos países que a ele aderiram. Por isso, o melhor que lhe podemos desejar é que, na sua terceira década, não degenere em factor de divisão política e, em especial, que não estrague a moeda boa da Europa: o mercado único e as suas quatro liberdades fundamentais.
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Flavc » 9/1/2019 13:37

Eu não bateria assim tantas palmas ao R. Arroja. Só por acaso.... o principal argumento contra a integração numa moeda forte como o Euro tem permitido o aumento sustentável das exportações nacionais e ganhos de quota de mercado de muitas empresas nacionais. Longe vai o tempo em que mais por "preguicite aguda" para se aumentar a competitividade de alguns produtos nacionais os empresários pediam ao governo para desvalorizar a moeda ( e com isso perderem poder de compra numa base comparada os consumidores portugueses). etc.
 
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Re: Portugal: Sair da Zona Euro?

por Dr Tretas » 9/1/2019 14:03

Pois, o Arrroja lembra-se dos anos 90 com o escudo que foi uma época de crescimento e prosperidade global resultante do fim da I Guerra Fria.
Mas eu tenho mais uns poucos anitos que chegam para me lembrar de como era o escudo em épocas de crise nos anos 80, e meus caros, se julgam que a Troika foi mau...
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