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Políticas para Portugal

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros de uma forma genérica e a todo o tipo de informação útil que possa condicionar o desempenho dos mesmos

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Re: Políticas para Portugal

por Ocioso » 12/3/2016 21:27

The Road to Serfdom - Friedrich von Hayek
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Re: Políticas para Portugal

por Ocioso » 18/3/2016 0:47

Com um défice orçamental superior ao crescimento do PIB, ano após ano, e com a forte probabilidade do financiamento ficar mais caro devido ao regresso da inflação e término do programa de compras do BCE, os 10% do PIB destinados ao serviço da dívida passarão a 11, 12%. A consequência directa, independentemente da cor política do governo num futuro próximo, será a redução dos gastos do Estado na Educação, Saúde e outras, bem como, algumas vendas, por exemplo: os transportes públicos.

Com a malta da política entretida no seu blá-blá-blá diário, cabe à sociedade civil dar corda aos sapatos e ser mais interventiva. Não sei se se geraria em Portugal a mesma indignação que actualmente se verifica no Brasil, se algo semelhante ocorresse por cá. Aliás, acho curioso que as gerações "à rasca" não estejam, ordeiramente, nas ruas, nas tv's, nos fóruns, afinal a parede mantém-se lá e nós continuamos rumo a ela…
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Re: Políticas para Portugal

por richardj » 18/3/2016 1:05

Ocioso Escreveu: Aliás, acho curioso que as gerações "à rasca" não estejam, ordeiramente, nas ruas, nas tv's, nos fóruns, afinal a parede mantém-se lá e nós continuamos rumo a ela…


As gerações à rasca com o mínimo de cérebro emigraram. E tão-se nas tintas para portugal, porque enquanto cá estiveram trabalharam que nem uns animais, a ganhar salários de treta e apagar impostos como se fossem ricos.

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Re: Políticas para Portugal

por Ocioso » 18/3/2016 1:40

Sim, muitos emigraram, mas cerca de 10 milhões ainda por cá andam. Esses deveriam saber que défice a 3% e economia a 1% darão asneira a longo prazo. Quem irá sofrer as consequências serão eles, não os políticos que implementaram as medidas que provocaram essas percentagens.
 
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Re: Políticas para Portugal

por richardj » 20/3/2016 1:15

Ocioso Escreveu:Sim, muitos emigraram, mas cerca de 10 milhões ainda por cá andam. Esses deveriam saber que défice a 3% e economia a 1% darão asneira a longo prazo. Quem irá sofrer as consequências serão eles, não os políticos que implementaram as medidas que provocaram essas percentagens.


O problema é que 3,5 Milhões do eleitorado são reformados, e esses não querem saber de politicas de longo prazo, porque no longo prazo já estão mortos.
Os que emigraram só voltam para as ferias.
Os que ficam ou emigram ou sofrem.

No longo prazo estamos condenado a ser um pais velho, pobre e com reformas mínimas, porque vamos ter mais reformados do que trabalhadores. Alias, a FMMS já fez um estudo sobre isso, é só pesquisar na net para encontrar.

Politicas para Portugal?

Como é que um jovem de 30 anos pode querer viver em portugal, a trabalhar 10 horas por dia, ganhar menos de 1000 euros precário, com licenciaturas e mestrados? Como é que arranja dinheiro para comprar uma casa? Ou mesmo alugar? Como é que pode ter e criar filhos? Com a ajuda dos pais? Ainda não saiu de casa e os pais já estão com uma idade em que precisam de alguém que lhes tome conta.

Politicas para Portugal? "Este Pais não é para Jovens".

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Re: Políticas para Portugal

por richardj » 20/3/2016 20:08


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Re: Políticas para Portugal

por Ocioso » 21/3/2016 18:11

Não acredito que os reformados não queiram saber de políticas de longo prazo, têm filhos e netos, seguramente que se preocupam com o futuro mais distante. Quanto aos reformados vip, que aparecem na tv, tenho de concordar contigo. Concordo também que a malta mais jovem está tramada cá, mas não vão poder emigrar todos. Os casos de emigração jovem que conheço pessoalmente são de indivíduos com capacidades acima da média, que vão fazer MBA ou doutoramento no estrangeiro e por lá ficam. Sei que médicos, enfermeiros e engenheiros também têm conseguido emigrar com sucesso, mas os países preferenciais de destino não irão conseguir absorver todos que para lá querem ir, como se vê na recente crise migratória na Europa. E mesmo que os reformados tenham "vistas curtas", cabe aos outros não serem míopes, temos 5 milhões de pessoas na população activa e esses também têm o direito de votar.

O decréscimo da população activa, na faixa dos 25-34, nos anos mais recentes, é significativo.
Anexos
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Editado pela última vez por Ocioso em 21/3/2016 21:02, num total de 1 vez.
 
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Re: Políticas para Portugal

por JohnyRobaz » 21/3/2016 20:15

richardj Escreveu:https://www.publico.pt/economia/noticia/o-ano-de-2015-marca-o-big-bang-da-economia-ociosa-1726449


Artigo/entrevista excelente :clap:
“E assim como sonho, raciocino se quero, porque isso é apenas uma outra espécie de sonho.”, Fernando Pessoa
“Nothing good ever comes of love. What comes of love is always something better” , Roberto Bolaño
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Re: Políticas para Portugal

por richardj » 22/3/2016 1:41

Ocioso Escreveu:Não acredito que os reformados não queiram saber de políticas de longo prazo, têm filhos e netos, seguramente que se preocupam com o futuro mais distante. Quanto aos reformados vip, que aparecem na tv, tenho de concordar contigo. Concordo também que a malta mais jovem está tramada cá, mas não vão poder emigrar todos. Os casos de emigração jovem que conheço pessoalmente são de indivíduos com capacidades acima da média, que vão fazer MBA ou doutoramento no estrangeiro e por lá ficam. Sei que médicos, enfermeiros e engenheiros também têm conseguido emigrar com sucesso, mas os países preferenciais de destino não irão conseguir absorver todos que para lá querem ir, como se vê na recente crise migratória na Europa. E mesmo que os reformados tenham "vistas curtas", cabe aos outros não serem míopes, temos 5 milhões de pessoas na população activa e esses também têm o direito de votar.

O decréscimo da população activa, na faixa dos 25-34, nos anos mais recentes, é significativo.


Ocioso, como é que os reformados podem quer saber alguma coisa, se :

1) todos os que ganham reformas inferiores a 2500 euros (isto é 80%) são beneficiários do sistema da SS? Isto é, vão receber mais do que aquilo que descontaram. (por oposição a pessoas que descontaram sobre grandes salários e que vão receber uma "boa" reforma, mas ainda assim vão receber menos do que descontaram.)

2) Na decada passada a pensão que uma pessoa recebia quando se reformava andava à volta de 70-80 % do seu ultimo salário. Isto é, uma pessoa que reforma-se com um ultimo salario de 1000 euros por mes ganharia genericamente entre 700 a 800 euros de reforma. As projecções que existem para 2030 são de 45 anos de trabalho para conseguir 50%. As projecções para 2050 são de pelo menos 50 anos de trabalho para receber 30% do ultimo salário. O problema das projecções é que não existe muita margem para erro, porque a evolução demográfica é previsível.


Quanto aos jovens que emigram, infelizmente posso-te dizer que só os bons emigram. Os piores ficam todos cá. As empresas portuguesas andam-se a encher com malta nova que não devia ter saído da universidade. Não existe, regra geral, qualquer valorização ou diferenciação entre colegas, independentemente de seres o melhor no que fazes ou o pior, ao longo dos anos continuas a ganhar o mesmo. Não existem aumentos salariais. So tens aumentos quando és promovido a uma nova posição. Podes ficar 6 7 anos ganhar o mesmo. Os bons não suportam isso e vão para outros lados.

Tudo o que é engenharia, desde de que estejam registados na ordem dos engenheiros e saibam ingles, facilmente entram em qualquer pais da europa, america ou Palops.

Enfermeiros, é a mesma coisa. Só no UK são quase 4000 enfermeiros, 80% dos quais com menos de 30 anos. Achas que vão voltar? Tenho muitas duvidas.

Malta de gestão e economia é a mesma coisa, facilmente saltam fora.

Os que estão piores são os de direito, porque as leis variam muito entre os países, e sobretudo em relação aos países anglo-saxónicos. Não tem como fugir. Mas enfim, o numero de advogados em portugal multiplicou-se por 5 nos últimos 20 anos. Até na caixa do Continente és capaz de os encontrar. Não existe nenhum planeamento. Não existem nenhuma relação entre o numero de vagas de cada curso de cada universidade e as reais necessidades do mercado laboral. Os únicos que fazem isso são os médicos.

Quanto aos migrantes, nós não estamos propriamente a competir com eles. As pessoas que estão a sair de portugal são bons profissionais, com valor acrescentado, com alguma experiência, com bons conhecimentos nas suas áreas e boas capacidades de falar inglês, ou francês.
Se reparares bem, encontraras nos anúncios de emprego que se pede muita gente com 3 a 5 anos de experiência. Ou 10 anos de experiência. Sabes porque que isso acontece? Porque essa malta com 5-10 anos de experiência que trabalhavam nessas empresas foram-se embora. Emigraram. Estamos a falar de 40 a 60 mil pessoas por ano. Repara como desde de 2008 já emigraram mais de 300 mil pessoas qualificadas.

Já agora, no curto prazo vamos ter um serio problema em portugal. Temos 200 mil portugueses em angola que não conseguem receber o seu salário, alguns sectores, nomeadamente construção civil, estão quase a estoirar outra vez. Quando essa malta chegar a portugal vai ver o desemprego a disparar outra vez.

Na minha opinião, e para voltar ao tema, Portugal precisa desesperadamente de investimento estrangeiro. Mas investimento estrangeiro não é a banca espanhola andar a comprar a banca portuguesa. O que portugal precisa são 10 Auto Europas, 10 Portucel, continuar a expansão dos portos, nomeadamente o de Sines e Leixões.

O investimento dos visto gold não sendo mau não foi propriamente bom. Apenas ajudou a que o imobiliário não estoira-se tanto nos últimos anos, o que conduziu a uma situação actual em que as casas estão simplesmente muito caras para o rendimento liquido médio dos portugueses. É impensável conseguir comprar uma casa de 200 mil ou 300 mil euros.

Enfim. :roll:

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Re: Políticas para Portugal

por Ocioso » 22/3/2016 20:10

Os portugueses, se querem ter um futuro melhor, devem assimilar dois conceitos muito simples:
- O défice orçamental é a excepção, não a regra;
- A economia cresce com a atracção de capital.

Com essa base conceptual, o objectivo das políticas a implementar será alcançar um crescimento do PIB superior ao da dívida. Que não se tenham ilusões, o Estado não tem qualquer possibilidade de sucesso, em fazer crescer a economia de forma sustentada, através do aumento da sua despesa. O dinheirinho terá de entrar cá através de investimento estrangeiro, não como empréstimos do exterior. Aumento das exportações e atracção de investimento deverão ser prioritários para todos que não queiram viver sob um regime comunista (Com a despesa do Estado em 50% do PIB estamos lá perto…).
Anexos
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Re: Políticas para Portugal

por Ocioso » 25/3/2016 5:24

 
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Re: Políticas para Portugal

por um-mu » 25/3/2016 11:08

Ocioso Escreveu:Não acredito que os reformados não queiram saber de políticas de longo prazo, têm filhos e netos, seguramente que se preocupam com o futuro mais distante.


O que tenho notado é que a maioria das pessoas dissocia ambas as coisas, e querem ambas, ou seja servir os seus interesses pessoais com prejuízo para o país e uma solução para os problemas do país. E uma vez que o problema de Portugal resulta da excessiva despesa pública e falta de competitividade, o obstáculo acaba por ser não só os que vivem do orçamento mas os que vivem da legislação que obriga as pessoas a recorrerem a serviços que não recorreriam de outra maneira.
 
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Re: Políticas para Portugal

por Ocioso » 25/3/2016 18:57

 
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Re: Políticas para Portugal

por Ocioso » 26/3/2016 23:23

PIB vs Despesa
Com os cidadãos e o Estado endividados, facilmente se vê onde se terá de procurar o desejado crescimento do PIB.
Anexos
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Re: Políticas para Portugal

por JohnyRobaz » 28/3/2016 14:43

Ocioso Escreveu:


Caro Ocioso, cito um comentário que apreciei a esse vídeo:

"Lance RidingsHá 2 semanas

I'm shocked no one has ever explained this to you. A republic is a form of representative democracy. The Greek city states were called republics. Despite the message of this video, no one is trying to change our government from one mode to another. Since the purpose of the video is glaringly obvious, I also have to say, republicans are not called republicans because they favor a republic, and democrats aren't called democrats because they favor a democracy. Both parties favor the American system, which is an amalgam of the two, and also a representative democracy. When you try to politicize words by modifying their definitions, you don't convince anyone, you just sound uninformed."

De facto, o fim claramente politizado a favor dos Republicanos é algo que não faz sentido, pois uma democracia, seja republicana seja monárquica, vive com base numa lei, num Estado de Direito. A Europa tem exemplos para todos os gostos.
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Re: Políticas para Portugal

por Raposo Tavares » 28/3/2016 15:09

Este vídeo não tem ponta por onde se lhe pegue. Lamento dizê-lo.
Confunde regime e sistema. Confunde autocracia e democracia. Não distingue entre totalitarismo (ou totalitarismos) e liberdades cívicas e direitos constitucionais...
Desconhece factos históricos importantes. Desconhece que as cidades estado gregas tinham vários tipos de regimes e sistemas políticos, esquece que nos States há uma cidade que honra um ditador republicano romano (o Cincinato), o mesmo será dizer que as liberdades cívicas podem ser suprimidas numa República (este tema também é tabu em Portugal) e, pelo contrário, não valoriza o papel da monarquia inglesa no estabelecimento de liberdades constitucionais que hoje damos como adquiridas.
Quanto aos partidos americanos, é bom que se saiba que foram os republicanos quem acabou com a escravatura e que o fundador da KKK era um democrata sulista... E isto, penso eu, diz muito sobre o cuidado que é preciso ter com estas definições muitos simplistas de regimes políticos.
Ainda a propósito de confusões, e se atentarmos ao conflito que se está a passar entre o FBI e a Apple, refira-se que há um risco de estarmos perto de novas formas de totalitarismo.

Um abraço,
Raposo Tavares
"Se um homem tiver realmente muita fé, pode dar-se ao luxo de ser céptico."
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Re: Políticas para Portugal

por Ocioso » 28/3/2016 17:14

A transmissão de uma mensagem é uma arte difícil, o teu parceiro de comunicação irá sempre receber uma imagem diferente da que tu lhe enviaste.

O vídeo vem no seguimento do post do Pirroelis. O que tentei transmitir, através dele, foi apenas que, e nada mais do que isso, por vezes, a maioria em democracia toma opções que prejudicam uma minoria ou mesmo a própria. Isso é evidente, para mim, em Portugal. A maioria gostou de ouvir: “Há mais vida para além do orçamento. A economia é mais do que finanças públicas”. Aliás, continua a acreditar nisso, o que se compreende: Portugal é um país onde ocorrem milagres. A tal maioria pensa pouco em determinados assuntos, tem outros interesses: o trabalho; a bola; andar às voltas num centro comercial; as gajas; a novela; etc. Alguém faz essa tarefa por ela: uma minoria. Minoria essa que indica o caminho à maioria alienada, para benefício da primeira, claro está.

Conheço jovens muito bem preparados academicamente, mas não conseguiram emprego no Banco de Portugal, nem mesmo na Câmara Municipal de Lisboa. Tendo eles as hard skills necessárias, fico com a ideia que o recrutamento nessas entidades leva em consideração soft skills específicas...
 
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Re: Políticas para Portugal

por JohnyRobaz » 28/3/2016 18:26

Ocioso Escreveu:A transmissão de uma mensagem é uma arte difícil, o teu parceiro de comunicação irá sempre receber uma imagem diferente da que tu lhe enviaste.

O vídeo vem no seguimento do post do Pirroelis. O que tentei transmitir, através dele, foi apenas que, e nada mais do que isso, por vezes, a maioria em democracia toma opções que prejudicam uma minoria ou mesmo a própria. Isso é evidente, para mim, em Portugal. A maioria gostou de ouvir: “Há mais vida para além do orçamento. A economia é mais do que finanças públicas”. Aliás, continua a acreditar nisso, o que se compreende: Portugal é um país onde ocorrem milagres. A tal maioria pensa pouco em determinados assuntos, tem outros interesses: o trabalho; a bola; andar às voltas num centro comercial; as gajas; a novela; etc. Alguém faz essa tarefa por ela: uma minoria. Minoria essa que indica o caminho à maioria alienada, para benefício da primeira, claro está.

Conheço jovens muito bem preparados academicamente, mas não conseguiram emprego no Banco de Portugal, nem mesmo na Câmara Municipal de Lisboa. Tendo eles as hard skills necessárias, fico com a ideia que o recrutamento nessas entidades leva em consideração soft skills específicas...


Julgo que isso é uma justificação perigosa, pelo simples facto de que cada um tem a sua opinião, e nenhuma minoria se devia achar como dona da razão. E isto da economia nunca foi uma ciência exacta. Já o Churchill dizia, a democracia é o pior regime que existe, à excepção de todos os outros. :mrgreen: Eu coloco a questão de outra forma. Porque não se faz política a sério, e se usa os argumentos certos da forma certa para convencer a maioria do caminho que essa minoria acha certa? Se o debate fosse menos destrutivo e mais construtivo, mais simples na linguagem, chegaria-se bem mais longe. E quanto a mim, por exemplo, cortar na educação para cumprir défices orçamentais é um caminho que leva totalmente ao oposto. Tenho por ideia que quanto menos letrada for a população, menos interesse tem pela vida pública.

Quanto à ultima parte, concordo, mas isso existiu sempre, e vai sempre existir, infelizmente.
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Re: Políticas para Portugal

por um-mu » 28/3/2016 20:06

Ocioso Escreveu:
O vídeo vem no seguimento do post do Pirroelis.


Agradeço Ocioso, eu já tinha visto o vídeo há uns anos, penso que levanta questões válidas e percebi a que te referias. Até ia sugerir "A Lei" do Frédéric Bastiat, que não sei se foi traduzido em português mas pode ser encontrado em Francês e Inglês.
O assunto é complexo. Para mim acima de tudo a grande lição é perceber que uma república tem vários pilares dos quais a democracia é um que permite renovar o sistema, mas o estado de direito e os outros vários contrapesos são essenciais à liberdade.
Já agora no mundo antigo a democracia ateniense provou ser extremamente instável, o sistema espartano baseado em contra poderes e no cumprimento das leis de Licurgo provou ser extremamente estável mas irreformável, e a república romana terminou na luta armada pelo poder que todos conhecemos. Experiências interessantes mas que falharam.
 
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Re: Políticas para Portugal

por Ocioso » 28/3/2016 20:10

Julgo que isso é uma justificação perigosa, pelo simples facto de que cada um tem a sua opinião, e nenhuma minoria se devia achar como dona da razão. E isto da economia nunca foi uma ciência exacta. Já o Churchill dizia, a democracia é o pior regime que existe, à excepção de todos os outros. :mrgreen: Eu coloco a questão de outra forma. Porque não se faz política a sério, e se usa os argumentos certos da forma certa para convencer a maioria do caminho que essa minoria acha certa? Se o debate fosse menos destrutivo e mais construtivo, mais simples na linguagem, chegaria-se bem mais longe. E quanto a mim, por exemplo, cortar na educação para cumprir défices orçamentais é um caminho que leva totalmente ao oposto. Tenho por ideia que quanto menos letrada for a população, menos interesse tem pela vida pública.

Qual justificação?
Concordo com tudo, mas o défice orçamental terá de ser reduzido. Teremos de fazer escolhas…

Quanto à ultima parte, concordo, mas isso existiu sempre, e vai sempre existir, infelizmente.

Temos de ser intolerantes e implacáveis, é impreterível.

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Re: Políticas para Portugal

por JohnyRobaz » 28/3/2016 22:41

Justificação para que minorias não se sujeitem a aprovação por parte da maioria para tomar decisões por ela, que por vezes não lhes seja agradável.

Sem dúvida, mas há a eterna questão de que o défice pode ser reduzido pela redução da despesa orçamental, ou da subida do PIB :)
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Re: Políticas para Portugal

por Ocioso » 28/3/2016 23:26

 
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Re: Políticas para Portugal

por Ocioso » 28/3/2016 23:58

Justificação para que minorias não se sujeitem a aprovação por parte da maioria para tomar decisões por ela, que por vezes não lhes seja agradável.

Entendo. E o que pensas da situação em que uma minoria não sujeita a aprovação, por parte da maioria, decisões que são agradáveis apenas a essa minoria? :mrgreen:

Sem dúvida, mas há a eterna questão de que o défice pode ser reduzido pela redução da despesa orçamental, ou da subida do PIB :)

Ou por ambas.
 
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Re: Políticas para Portugal

por JohnyRobaz » 29/3/2016 0:11

Ocioso Escreveu:
Justificação para que minorias não se sujeitem a aprovação por parte da maioria para tomar decisões por ela, que por vezes não lhes seja agradável.

Entendo. E o que pensas da situação em que uma minoria não sujeita a aprovação, por parte da maioria, decisões que são agradáveis apenas a essa minoria? :mrgreen:

Obviamente que não é esse o suposto, mas haverá regimes perfeitos? Do pouco que sei de História, julgo que a civilização soube evoluir de forma positiva e progressista, talvez daqui a umas centenas de anos cheguemos a algo um pouco melhor... 8-)
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Re: Políticas para Portugal

por Ocioso » 29/3/2016 0:20

Obviamente que não é esse o suposto, mas haverá regimes perfeitos? Do pouco que sei de História, julgo que a civilização soube evoluir de forma positiva e progressista, talvez daqui a umas centenas de anos cheguemos a algo um pouco melhor... 8-)

Talvez aos Reis Filósofos… :mrgreen:
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